{"id":15296,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-bendita-entre-todas-as-mulheres\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-bendita-entre-todas-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-bendita-entre-todas-as-mulheres\/","title":{"rendered":"\u00abA Bendita entre todas as mulheres\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo, Patriarca de Lisboa, na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria <!--more--> Em pleno Advento, chamados a dar objectividade \u00e0 esperan\u00e7a e a viver a densidade do desejo de se encontrar plenamente com Jesus Cristo, celebramos o mist\u00e9rio da Concei\u00e7\u00e3o Imaculada de Maria, a Mulher em quem se realizou plenamente, desde o primeiro instante da sua exist\u00eancia, o des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus. As leituras da Sagrada Escritura confrontam-nos com o mist\u00e9rio da mulher e o seu lugar espec\u00edfico na aventura da Salva\u00e7\u00e3o. Ressalta o contraste entre Eva, a primeira mulher, \u201ca m\u00e3e de todos os homens\u201d, e Maria, a nova Eva, a \u201cbendita entre todas as mulheres\u201d. A dimens\u00e3o da vida de Maria que celebramos nesta festa lit\u00fargica tem, na Palavra da Escritura que acab\u00e1mos de escutar, duas abordagens que se encontram na plenitude de uma mulher, plenamente mulher: a primeira \u00e9 o olhar extasiado e comovido com que n\u00f3s, pecadores, olhamos para ela e lhe chamamos \u201cImaculada\u201d, a sem mancha, que nunca conheceu a infidelidade do pecado. S\u00f3 quem, na sua vida, nunca sentiu o desejo de vencer a fragilidade e a tenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sente o fasc\u00ednio de uma mulher imaculada. Ela \u00e9 uma estrela cuja luz reacende, na nossa vida, a esperan\u00e7a, tem o fasc\u00ednio de um ideal de quem quer seguir essa luz, como os Magos seguiram a estrela, porque volta a acreditar que tudo \u00e9 poss\u00edvel, \u201cporque a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel\u201d (Lc. 1,37). Eva foi criada \u00e0 \u201cimagem de Deus\u201d, tendo gravada, no seu cora\u00e7\u00e3o, a semente do amor divino. Mas n\u00e3o permaneceu imaculada, n\u00e3o foi bendita entre as mulheres, ou seja, deixou de ser o modelo de mulher que Deus desejou, importante para o triunfo positivo da humanidade. Segundo o texto do G\u00e9nesis, a fragilidade de Eva surpreendeu Ad\u00e3o e deixou-o fragilizado, e desgostou, profundamente, o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Porque fizeste isto, disse Deus \u00e0 mulher. E Ad\u00e3o, quando Deus lhe pediu contas da sua desobedi\u00eancia, a resposta que d\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma desculpa; \u00e9 a express\u00e3o de um realismo sincero, que afirma, para todo o sempre, como o homem precisa da ajuda da mulher para ser fiel ao amor. \u201cA mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da \u00e1rvore, e eu comi\u201d (Gen. 3,12). A mulher companheira, a que intui quando ele ainda n\u00e3o percebeu, a que \u00e9 capaz dos grandes rasgos de generosidade, a que tem um cora\u00e7\u00e3o que se deixa cativar, que ele aprendeu a considerar o baluarte da sua fortaleza, o fundamento da sua seguran\u00e7a, a que primeiro intui o caminho da felicidade, falhou, deixou-se encantar por outra voz, que n\u00e3o era a de Deus. A fragilidade da mulher teve repercuss\u00f5es profundas no futuro da humanidade, em todos os tempos.  E \u00e9 por isso que o surgir, no horizonte da hist\u00f3ria, de uma mulher imaculada, significa o renascer da esperan\u00e7a. Para os homens, que precisam de continuar a ter a mulher como companheira para constru\u00edrem o seu pr\u00f3prio caminho de fidelidade, voltam a poder confiar nela, a abandonar-se \u00e0s intui\u00e7\u00f5es mais profundas do seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 ousadia do seu dom, \u00e0 humildade da sua aceita\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio. Para as mulheres, que sentem que a maldi\u00e7\u00e3o de Eva est\u00e1 vencida, e a sua dignidade recuperada, o seu cora\u00e7\u00e3o volta a estar ancorado no amor de Deus e podem seguir, com seguran\u00e7a, todos os seus impulsos de amor. Descobrem, na linha da Carta de Paulo aos Ef\u00e9sios que, em Cristo, foram escolhidas antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo para serem santas e irrepreens\u00edveis perante Deus, atrav\u00e9s do mist\u00e9rio do amor. Maria, a Mulher Imaculada, suscita em todas as mulheres que acreditam em Cristo, a esperan\u00e7a de voltarem a ser imaculadas, companheiras seguras do homem na aventura da fidelidade.  Mas o mist\u00e9rio de Maria que hoje celebramos \u00e9-nos apresentado pela Sagrada Escritura, tamb\u00e9m na perspectiva de Deus. Quando Deus vem ao encontro de Maria, atrav\u00e9s do mensageiro celeste, chama-lhe a \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d. O Anjo diz a Maria: Deus est\u00e1 encantado por ti. A plenitude de gra\u00e7a \u00e9 a plenitude do Amor. Deus pode amar Maria como Se ama a Si Mesmo, na intimidade da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, e Maria, ao deixar-se amar, mergulha numa resposta de amor, sem receio e sem limites. Pela primeira vez, desde o pecado de Eva, uma criatura participa plenamente no amor divino e essa criatura \u00e9 Maria. \u00c9 isso que a torna \u201cbendita entre as mulheres\u201d. S\u00e3o Bernardo, num dos seus serm\u00f5es sobre Nossa Senhora, referindo-se \u00e0 Anuncia\u00e7\u00e3o, diz que o Anjo, que trazia uma mensagem de amor da parte de Deus, fica surpreendido ao encontr\u00e1-la completamente mergulhada no amor divino. Esse amor \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima do seu car\u00e1cter imaculado.  O Evangelho relaciona esta plenitude de amor com a sua maternidade divina. Na natureza humana, fragilizada pelo pecado, a maternidade realiza a mulher, porque a abre a express\u00f5es fundamentais do amor: a sua gratuidade sem limites e a sua fecundidade. Em Maria \u00e9 o amor que realiza a M\u00e3e. \u00c9 a plenitude desse amor que a torna M\u00e3e, segundo o des\u00edgnio de Deus e n\u00e3o segundo a natureza. \u00c9 o amor de Deus que \u00e9 fecundo nela: \u201cO Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti e a for\u00e7a do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 da Sua sombra\u201d (Lc. 1,35). O seu Filho \u00e9, realmente, fruto do amor divino: \u201c\u00c9 por isso que o Santo que vai nascer se h\u00e1-de chamar Filho de Deus\u201d (Lc. 1,35).  A cria\u00e7\u00e3o reencontra a sua verdade fundamental. O homem e a mulher s\u00e3o reconduzidos ao seu papel de protagonistas da Salva\u00e7\u00e3o. Para que um homem voltasse a ter essa primazia de plenitude de vida, foi necess\u00e1rio que um homem especial, \u201co Homem\u201d, fosse Filho de Deus. Para que a mulher recuperasse o seu lugar central na Salva\u00e7\u00e3o, bastou que uma mulher, simples criatura, fosse Imaculada e pudesse amar como Deus ama. \u00c9 esta sua forma de plenitude que pode ser modelo para n\u00f3s, simples criaturas, que Deus predestinou em Cristo, para sermos seus filhos adoptivos. Vencido o pecado, podemos caminhar para uma vida imaculada, digna da intimidade de Deus. Anima-nos a certeza de que \u201ca Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel\u201d (Lc. 1,37).   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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