{"id":152951,"date":"2019-11-02T12:58:48","date_gmt":"2019-11-02T12:58:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=152951"},"modified":"2025-03-14T17:08:38","modified_gmt":"2025-03-14T17:08:38","slug":"fieis-defuntos-posso-escolher-com-quem-quero-jantar-todos-os-dias-mas-nao-se-pensa-como-quero-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fieis-defuntos-posso-escolher-com-quem-quero-jantar-todos-os-dias-mas-nao-se-pensa-como-quero-morrer\/","title":{"rendered":"Fi\u00e9is Defuntos: \u00abPosso escolher com quem quero jantar todos os dias, mas n\u00e3o se pensa como quero morrer\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Profissionais do Instituto de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, em Lisboa, sentem o fim de vida como um \u201ctema tabu\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/luto1.jpg\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lisboa, 02 nov 2019 (Ecclesia) &#8211; O fim da vida \u00e9 uma \u201ctem\u00e1tica afastada do quotidiano\u201d, que necessita de \u201creflex\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o\u201d, onde a \u201cespiritualidade pode dar uma ajuda\u201d, como explicaram um psic\u00f3logo e uma soci\u00f3loga \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 necess\u00e1rio sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o para refletir sobre o fim de vida, de pensar sobre estes temas, perceber que posso escolher com quem quero jantar todos os dias, com quem quero viver ou fazer f\u00e9rias mas tenho a responsabilidade, um compromisso \u00e9tico comigo mesmo e com a minha fam\u00edlia, de conseguir contribuir de algum modo sobre o fim da vida: n\u00e3o se pena como \u00e9 que eu quero morrer? Como gostava que fosse a minha morte?\u201d, diz Hugo Lucas, psic\u00f3logo cl\u00ednico na Cl\u00ednica S\u00e3o Jo\u00e3o d\u2019Avila, em Lisboa, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo este profissional as pessoas \u201ctentam sempre adiar a tem\u00e1tica\u201d porque, naturalmente, h\u00e1 sempre tempo para o fazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSegundo a estat\u00edstica, em cada 100 pessoas, 10 a 13 morre de forma traum\u00e1tica e as restantes morre de doen\u00e7a cr\u00f3nica, progressiva e incur\u00e1vel e portanto se a n\u00e3o cura \u00e9 a resposta do organismo, gera-se o fim de vida\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m Susana Queiroga, soci\u00f3loga da pastoral da sa\u00fade e anima\u00e7\u00e3o do Instituto S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, em Lisboa, afirma que o tema \u00e9 adiado, \u201cn\u00e3o se tem \u00e0 mesa nem num encontro\u201d e ainda se considera ser \u201cum tema tabu\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/susana_quiroga_hugo_lucas.jpg\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVivemos a vida de forma compartimentada, a morte \u00e9 inevit\u00e1vel mas n\u00e3o h\u00e1 um pensamento racional nem relacional sobre isso, s\u00f3 se pensa na morte quando acontece alguma coisa perto de n\u00f3s\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A soci\u00f3loga aponta que a condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 \u201cconstrutiva\u201d e a \u201cmorte \u00e9 impeditiva disso, por se adiar o tema\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO tema n\u00e3o \u00e9 conversa de caf\u00e9 mas uma conversa mais profunda poderia ajudar a ter uma no\u00e7\u00e3o diferente da nossa morte e da morte dos outros, por exemplo quem tem uma viv\u00eancia ativa da espiritualidade encaram de forma diferente, mais positiva, esta situa\u00e7\u00e3o de sofrimento e desaparecimento de um ente-querido\u201d, explica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m as gera\u00e7\u00f5es mais novas s\u00e3o afastadas do tema do fim de vida, por v\u00e1rias circunst\u00e2ncias mas tamb\u00e9m, por se achar que \u00e9 uma defesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAntigamente os ciclos de vida eram vividos no seio da fam\u00edlia, em casa e as crian\u00e7as e adolescentes estavam mais pr\u00f3ximos do processo de vida e de morte, entendiam de forma diferente; hoje as media\u00e7\u00f5es s\u00e3o os filmes do youtube e o que dizem os amigos, mas como experi\u00eancia pr\u00f3pria s\u00e3o afastados dos processos\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Susana Queiroga \u00e9 da opini\u00e3o que \u00e9 impossibilitado o entendimento da \u201cmorte como uma fase do ciclo da vida\u201d, que deve ser explicada \u00e0 medida das crian\u00e7as e adolescentes\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando h\u00e1 um enquadramento de espiritualidade, de f\u00e9 ou de car\u00e1ter religioso explicar-se atrav\u00e9s desse processo\u2026 quanto mais vivido e conversado for o tema, menos afastado do nosso quotidiano, melhor a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 fase final da vida\u201d, resume.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/hospice-1750928.jpg\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O psic\u00f3logo da cl\u00ednica S\u00e3o Jo\u00e3o \u00c1vila, do Instituto S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, em Lisboa, trabalha diariamente com situa\u00e7\u00f5es de fim de vida, que podem ser encaradas de muitas formas, \u201caquilo que \u00e9 o sistema de cren\u00e7as e a dimens\u00e3o sociol\u00f3gica e antropol\u00f3gica de cada indiv\u00edduo, o percurso de vida de cada fam\u00edlia\u201d tudo isso pesa no fim da vida; quando s\u00e3o doentes jovens, \u201cchegam j\u00e1 depois de terem lido tudo sobre a doen\u00e7a, muito informados e conscientes do fim da vida\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA pessoa pode n\u00e3o querer sofrer, n\u00e3o querer ter dor, controlar sintomas, ter qualidade de vida at\u00e9 \u00e0 hora da morte, o que \u00e9 muito subjetivo, querem ser tratadas com dignidade e respeito, mas h\u00e1 tamb\u00e9m quem n\u00e3o queira saber da sua doen\u00e7a ou do seu estado\u2026 Uma coisa \u00e9 certa por mais f\u00e9 inabal\u00e1vel que possamos ter na tecnologia\u00a0 a morte faz parte da vida e a morte vai sempre acontecer\u201d, explica Hugo Lucas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este profissional defende ainda que qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, pode \u201cconstruir alternativa na forma como quer morrer\u201d, o Testamento vital serve para isso e h\u00e1 um \u201cn\u00famero reduzido de pessoas\u201d a fazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCom o testamento vital eu consigo fazer um conjunto de escolhas que me permitem perspetivar o que quero e o que n\u00e3o quero para mim ou at\u00e9 nomear algu\u00e9m que responda por mim; mas h\u00e1 um n\u00famero reduzido de pessoas que pede para fazer porque as pessoas pensam que a morte n\u00e3o lhes bate \u00e0 porta e recusam-se a pensar nisso&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/tree-2487889.jpg\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica de S\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila, em Lisboa, onde trabalha, h\u00e1 o servi\u00e7o de cuidados paliativos que, al\u00e9m de se dedicar ao utente em fim de vida, presta todo um acompanhamento aos familiares e amigos, bem como uma prepara\u00e7\u00e3o para o luto.<\/p>\n<p>Hugo Lucas contou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que a institui\u00e7\u00e3o ganhou um concurso nacional onde pode disponibilizar estas consultas do luto a mais pessoas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSurgiu de uma parceria com a funda\u00e7\u00e3o La caixa, que impulsionou o programa Humaniza e depois de ganharmos o concurso, uma equipa de apoio psico social, est\u00e1 no Centro hospitalar e Universit\u00e1rio Lisboa Central, em concreto integramos a equipa de cuidados paliativos, e houve a possibilidade de se desenvolver e consubstanciar uma consulta de luto que est\u00e1 aberta neste centro hospitalar e que serve para todos os familiares de doentes enlutados terem acompanhamento no luto, este tempo espec\u00edfico para as pessoas se sentirem acompanhadas\u201d, explica o psic\u00f3logo cl\u00ednico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este acompanhamento de prepara\u00e7\u00e3o do luto e apoio ao luto \u00e9 uma das \u00e1reas que integra os cuidados paliativos e que d\u00e3o nova esperan\u00e7a a quem perde os seus ente-queridos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cH\u00e1 a possibilidade de terem uma resposta integrada no processo de gest\u00e3o da perda, os cuidados paliativos tamb\u00e9m t\u00eam a ver com o apoio no luto, no luto de quem est\u00e1, esteve sempre e ficou; essa gest\u00e3o come\u00e7a pela aprendizagem e \u00e9 tamb\u00e9m uma forma que eu tenho de me projetar no amanh\u00e3, que eu tamb\u00e9m vou deixar este mundo e posso perspetivar como quero viver sem a presen\u00e7a deste que amava\u201d, sublinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os profissionais v\u00e3o estar \u00e0 conversa no programa Ecclesia, na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, este domingo, pelas 06h00, ficando depois dispon\u00edvel no site da <\/span><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ecclesia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><em>SN<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais do Instituto de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, em Lisboa, sentem o fim de vida como um \u201ctema 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