{"id":15268,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-imagem-e-semelhanca-de-deus\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-imagem-e-semelhanca-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-imagem-e-semelhanca-de-deus\/","title":{"rendered":"\u00c0 Imagem e semelhan\u00e7a de Deus"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do Papa para o Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o &#8211; DEZEMBRO <!--more--> <i>Que se difunda a compreens\u00e3o, cada vez mais plena, da dignidade do homem e da mulher, segundo os des\u00edgnios do Criador<\/i>  1. Dificuldades. Para os crist\u00e3os \u2013 bem como para os crentes da maior parte das religi\u00f5es \u2013 falar da vida como fruto acabado da obra de Deus Criador n\u00e3o suscita particulares problemas de compreens\u00e3o. E, na tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, o homem e a mulher s\u00e3o ditos criaturas de Deus, criados \u00e0 sua \u00abimagem e semelhan\u00e7a\u00bb (cfr. G\u00e9nesis 1, 26 ss) \u2013 condi\u00e7\u00e3o de onde brota a sua particular dignidade. No contexto cultural em que nos movemos, por\u00e9m, estas afirma\u00e7\u00f5es correm o s\u00e9rio risco da incompreens\u00e3o ou de serem consideradas cren\u00e7as absurdas, fruto de uma \u00e9poca de ignor\u00e2ncia. De facto, nos ambientes culturais \u00abilustrados\u00bb, a ideia de um Deus criador deixou de ter lugar, ficando a explica\u00e7\u00e3o da origem da vida entregue \u00e0 interac\u00e7\u00e3o casual entre elementos qu\u00edmicos, num ambiente prop\u00edcio ao aparecimento de combina\u00e7\u00f5es capazes de, casualmente, produzirem seres biol\u00f3gicos. N\u00e3o h\u00e1, nesta concep\u00e7\u00e3o, qualquer lugar para um \u00abdes\u00edgnio inteligente\u00bb na natureza e menos ainda para Deus, como ser pessoal que leva a cabo a obra da cria\u00e7\u00e3o. Quanto ao ser humano, \u00e9 visto como produto do mesmo processo, aparecendo numa fase mais avan\u00e7ada de complexifica\u00e7\u00e3o evolutiva, mas sempre fruto das mesmas for\u00e7as cegas que estiveram na origem da vida \u2013 pelo que, no fim de contas, n\u00e3o disp\u00f5e de uma dignidade particular relativamente \u00e0s outras formas de vida, a n\u00e3o ser aquela que se queira atribuir a si pr\u00f3prio, enquanto ser pensante, capaz de auto-reflex\u00e3o e de atribuir significado \u00e0 sua exist\u00eancia e \u00e0 dos seus semelhantes.  2. Consequ\u00eancias. A afirma\u00e7\u00e3o da Igreja de que a particular dignidade do ser humano brota da sua condi\u00e7\u00e3o de \u00abimagem e semelhan\u00e7a de Deus\u00bb dificilmente encontra eco na vida colectiva. E a sua insist\u00eancia em temas \u00e9ticos e morais derivados desta particular dignidade torna-se incompreens\u00edvel para muitos dos nossos contempor\u00e2neos. Os casos do aborto e da eutan\u00e1sia s\u00e3o, a este respeito, paradigm\u00e1ticos: se cada ser humano, desde a sua origem at\u00e9 \u00e0 sua morte natural, n\u00e3o \u00e9, em si mesmo, um testemunho incontorn\u00e1vel da transcend\u00eancia que lhe est\u00e1 na origem e constitui a fonte \u00faltima da inviolabilidade da sua exist\u00eancia, ent\u00e3o \u00e9 sempre poss\u00edvel estabelecer excep\u00e7\u00f5es a essa dignidade inviol\u00e1vel, em fun\u00e7\u00e3o dos interesses do momento, sejam eles de um indiv\u00edduo, de um grupo ou de uma colectividade. E \u00e9 isso que est\u00e1 em jogo no aborto e na eutan\u00e1sia legalizados: n\u00e3o se reconhece uma trans-cend\u00eancia legitimadora da dignidade humana, n\u00e3o se admite uma inst\u00e2ncia exterior e melhor do que a sociedade para decidir sobre tal dignidade \u2013 logo, esta est\u00e1 ao dispor de maiorias conjunturais ou de poderes de facto que se exercem num determinado momento. Acresce que nunca se sabe quem vai, em \u00faltima inst\u00e2ncia, estabelecer tais excep\u00e7\u00f5es e em rela\u00e7\u00e3o a quem: no passado foram os hereges, os judeus, os inimigos da classe oper\u00e1ria&#8230; hoje s\u00e3o as crian\u00e7as ainda n\u00e3o nascidas, os doentes incur\u00e1veis&#8230; amanh\u00e3 poder\u00e3o ser os idosos, os deficientes, os improdutivos&#8230;   3. Anunciar pelo exemplo. O an\u00fancio, por parte da Igreja, da dignidade humana e a den\u00fancia oportuna de todas as viola\u00e7\u00f5es da mesma, encontrar\u00e1 a melhor explica\u00e7\u00e3o no exemplo que a Igreja der de respeito absoluto deste valor e de servi\u00e7o constante, descomprometido e pleno de amor \u00e0queles que, em cada momento, se encontrem em situa\u00e7\u00e3o de maior necessidade. Ou seja: a Igreja n\u00e3o pode condenar o aborto e passar ao lado das situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria e fome; a Igreja n\u00e3o pode condenar a eutan\u00e1sia e ignorar que muitos seres humanos n\u00e3o t\u00eam acesso a cuidados b\u00e1sicos de sa\u00fade \u2013 n\u00e3o porque tais situa\u00e7\u00f5es sejam \u00e9tica e moralmente equivalentes, mas porque em qualquer dos casos, de modos distintos, est\u00e1 em jogo a dignidade humana. Passar\u00e1, certamente, por aqui, o fruto da ora\u00e7\u00e3o pela Inten\u00e7\u00e3o deste m\u00eas e esta ora\u00e7\u00e3o h\u00e1-de conduzir-nos aqui.  Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o do Papa para o Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o &#8211; DEZEMBRO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[93,154],"class_list":["post-15268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-aborto","tag-crianca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15268"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15268\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}