{"id":15264,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/repensar-portugal-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"repensar-portugal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/repensar-portugal-2\/","title":{"rendered":"Repensar Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Acaba de ser reeditado o livro \u201cRepensar Portugal\u201d (Multinova, 2005), da autoria do Padre Manuel Antunes (1918-1985), nas v\u00e9speras do Congresso Internacional, que assinala (com o apoio do CNC) a mem\u00f3ria de uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa do s\u00e9culo XX.  A obra publicada originalmente em 1979 manteve, passados estes anos, uma curios\u00edssima jovialidade, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de acontecer quando estamos perante ensaios pol\u00edticos e sociais. E, tendo sido os ensaios que a constituem escritos dez anos antes da queda do muro de Berlim, \u00e9 muito interessante notar hoje um sentido prof\u00e9tico nas considera\u00e7\u00f5es de Manuel Antunes. Da\u00ed que tenhamos de reconhecer que a cita\u00e7\u00e3o de Nietzsche, que o autor faz, ganha hoje uma pertin\u00eancia evidente: \u201c\u00e9 a cultura que dota a consci\u00eancia de mem\u00f3ria, mas essa mem\u00f3ria \u00e9 mais fun\u00e7\u00e3o do futuro do que do passado\u201d.  Repensar Portugal exige a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia de uma revolu\u00e7\u00e3o moral. E o autor fala, por isso, na necessidade de assumir o primado da produtividade sobre a propriedade, da cultura sobre a economia, do ser sobre o ter, da comunidade sobre a sociedade. A democracia necessitaria, por isso, de concretizar os d\u00eas exigentes de um projecto renovado: desburocratizar, desideologizar, desclientelizar e descentralizar. Para tanto, haveria que interiorizar a democracia e que dignificar a pol\u00edtica.  \u00abDe facto se h\u00e1 doentes do poder, muito mais perigosos que os doentes do futebol ou da droga, h\u00e1 tamb\u00e9m os s\u00e3os do poder, aqueles que conhecendo-se na estreiteza dos pr\u00f3prios limites, porventura, em certa impureza das pr\u00f3prias motiva\u00e7\u00f5es, assumem o poder como fun\u00e7\u00e3o social de servi\u00e7o \u00e0 comunidade, como dever, nem sempre grato, a cumprir, como tarefa necess\u00e1ria que algu\u00e9m ter\u00e1 a exercer\u00bb. E se esta ideia de servi\u00e7o \u00e9 crucial, a verdade \u00e9 que tem de ser exercida com \u00aba naturalidade de quem, sabendo-se finito e relativo e a trabalhar num mundo relativo e finito, n\u00e3o obstaculiza outros melhores\u00bb, respeitando, afinal, o velho princ\u00edpio da subsidiariedade, segundo o qual as quest\u00f5es da polis devem ser resolvidas o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel das pessoas.  E aqui entramos no tema da legitimidade e da legitima\u00e7\u00e3o \u2013 e \u00abcom todas as imperfei\u00e7\u00f5es, que as possui sobretudo no dom\u00ednio da efic\u00e1cia, com todos os riscos da manipula\u00e7\u00e3o \u201cinocente\u201d e do cisionismo c\u00edclico ou at\u00e9 radical, com todos os custos econ\u00f3micos que ele comporta, o modo democr\u00e1tico de legitima\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda de todos o mais digno de seres humanos, racionais e livres, o mais corrig\u00edvel nos seus abusos, ao mesmo tempo que o mais est\u00e1vel nas suas estruturas de fundo\u00bb.  O Padre Manuel Antunes prop\u00f5e, no fundo, a \u201crecria\u00e7\u00e3o de Portugal por Portugal\u201d \u2013 atrav\u00e9s de uma democracia, encarada como \u201cespa\u00e7o da liberdade e da comunidade, da subjectividade e da legalidade, da consensualidade e da soberania popular\u201d. Eis a tarefa sempre inacabada que este Repensar Portugal cont\u00e9m e prop\u00f5e\u2026  Guilherme d\u2019Oliveira Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acaba de ser reeditado o livro \u201cRepensar Portugal\u201d (Multinova, 2005), da autoria do Padre Manuel Antunes (1918-1985), nas v\u00e9speras do Congresso Internacional, que assinala (com o apoio do CNC) a mem\u00f3ria de uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa do s\u00e9culo XX. 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