{"id":152532,"date":"2019-10-28T16:13:49","date_gmt":"2019-10-28T16:13:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=152532"},"modified":"2019-10-31T17:05:35","modified_gmt":"2019-10-31T17:05:35","slug":"um-vale-que-ha-no-meio-da-vida-a-crise-da-maturidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-vale-que-ha-no-meio-da-vida-a-crise-da-maturidade\/","title":{"rendered":"Um vale que h\u00e1 no meio da vida, a crise da maturidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Lu\u00eds Nunes Martins<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-152533\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/umvalequehanomeiodavida-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Come\u00e7amos a desconfiar do sentido da vida que nos orientou at\u00e9 este ponto, a fam\u00edlia e o trabalho j\u00e1 s\u00e3o fontes de v\u00e1rias frustra\u00e7\u00f5es. Tudo o que nos dava seguran\u00e7a \u00e9 agora visto como trai\u00e7oeiro.<\/p>\n<p>O corpo deixa de funcionar t\u00e3o bem e apercebemo-nos de que estamos a passar pelo meio da vida, uma esp\u00e9cie de vale que temos mesmo de atravessar.<\/p>\n<p>Na tentativa de que a crise passe depressa, abandonamos os lugares e os momentos que outrora eram os espa\u00e7os e os tempos onde nos sent\u00edamos melhor&#8230; como se o problema estivesse neles.<\/p>\n<p>Os porqu\u00eas e os para qu\u00eas s\u00e3o muitos e gritam dentro de n\u00f3s. A falta de respostas cria ainda mais inseguran\u00e7a e o contexto piora.<\/p>\n<p>As crises de sentido acontecem muitas vezes, ao longo da vida. Em algumas alturas, exigem apenas um esclarecimento, em outras uma reordena\u00e7\u00e3o de prioridades, mas tamb\u00e9m h\u00e1 aquelas em que, como tudo \u00e9 posto em causa, \u00e9 preciso clarificar e arrumar tudo, desde a raiz.<\/p>\n<p>A crise da meia-idade ou da maturidade \u00e9 um terramoto fundo, mexe e remexe em medos e sonhos que estavam enterrados j\u00e1 h\u00e1 muitos anos. Tudo volta \u00e0 vida e estas sombras come\u00e7am a falar-nos e a intimidar-nos.<\/p>\n<p>Alguns de n\u00f3s fogem de olhar para dentro de si mesmos. Culpam o mundo e os outros por todas as desgra\u00e7as deste seu momento. Julgam que n\u00e3o t\u00eam erro nenhum, no entanto s\u00e3o capazes de fazer listas completas com todos os erros de cada um dos que est\u00e3o \u00e0 sua volta. E enquanto assim combatem os outros, andam longe do real problema&#8230;<\/p>\n<p>Outros fingem que est\u00e3o bem, optam por passear longe de si mesmos e julgam que o problema se resolver\u00e1 sozinho. A pouco e pouco v\u00e3o-se tornando t\u00e3o amargos que se tornam insuport\u00e1veis.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outros, que tentam que o interior mude atrav\u00e9s de mudan\u00e7as exteriores. E tratam de alterar as suas circunst\u00e2ncias, como se o nosso cora\u00e7\u00e3o fosse um mero reflexo do que est\u00e1 \u00e0 nossa volta. Claro que nunca resulta, mas n\u00e3o desistem e saltitam de mudan\u00e7a em mudan\u00e7a&#8230; at\u00e9 ficarem esgotados.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o tempo de fazer algo diferente de tudo o que j\u00e1 se fez. Precisamos de encontrar um lugar da exist\u00eancia onde possamos ter paz, viver com sossego e onde as feridas de tantos anos de luta possam, por fim, sarar um pouco mais fundo.<\/p>\n<p>Este lugar que buscamos n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o f\u00edsico, \u00e9 uma luz que nos permita olhar a verdade das nossas circunst\u00e2ncias, bem como do nosso passado, presente e futuro. Admirando e aprendendo, por mais que nos custe perder os autoenganos que nos davam conforto.<\/p>\n<p>Uma quarentena. Tempo onde se deve purgar o ego\u00edsmo, sob pena de nos corromper por completo.<\/p>\n<p>Os que tratam de dar a si mesmos uma nova adolesc\u00eancia, n\u00e3o percebendo que isso, terminada a euforia, apenas os far\u00e1 sentir ainda mais desafinados, mais diferentes de si mesmos. A meia-idade \u00e9 um ultimato para que decidamos se nos fechamos em n\u00f3s mesmos ou se nos abrimos para fazer caminhos rumo a novos horizontes.<\/p>\n<p>\u00c9 doloroso reconhecer que as solu\u00e7\u00f5es que resultavam e nos animavam j\u00e1 n\u00e3o funcionam. Este aparente fracasso torna ainda mais importante que encontremos respostas eficazes para nos devolver a harmonia e a quietude, pelas quais, agora, mais do que nunca, ansiamos.<\/p>\n<p>Esta etapa da vida \u00e9 um mar impetuoso que importa navegar no sentido de, atrav\u00e9s dele, alcan\u00e7ar uma terra que falta descobrir de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>A ang\u00fastia \u00e9 a forma de nos obrigar a aprender a viver com verdade, depois de vermos destru\u00eddos os castelos de ilus\u00f5es que fomos criando para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>O amor nunca nos \u00e9 estranho. Mesmo quando julgamos que n\u00e3o existe ou que n\u00e3o faz sentido, ele faz-se presente. Importa reconhecer que o seu sil\u00eancio significa respeito pela nossa liberdade e n\u00e3o indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A meia-idade \u00e9 tempo de mergulhar em si. Um regresso \u00e0 fonte da vida em n\u00f3s. Uma ren\u00fancia \u00e0s m\u00e1scaras interiores e \u00e0s armaduras \u00edntimas com que aprendemos a defender o nosso cora\u00e7\u00e3o da verdade da vida. Alguns chegaram, \u00e0 custa de tantos muros e muralhas, a tornar o seu \u00edntimo inacess\u00edvel at\u00e9 mesmo a si pr\u00f3prios. Mas h\u00e1 uma altura da vida em que estas defesas caem&#8230; e eis que chega o tempo do despojamento.<\/p>\n<p>A serenidade \u00e9 essencial para superar qualquer crise. N\u00e3o significa paz interior, mas uma vontade firme e atenta que busca descobrir a sa\u00edda do caos. N\u00e3o \u00e9 relaxamento, mas concentra\u00e7\u00e3o. Por vezes, trata-se apenas de um esfor\u00e7o para n\u00e3o valorizar o que n\u00e3o presta, enquanto n\u00e3o se encontra o que tem valor.<\/p>\n<p>A meia-idade \u00e9 tempo de ser cada vez menos eu em mim, de abandonar as minhas ilus\u00f5es a meu respeito e, passadas as desilus\u00f5es, ceder espa\u00e7o para que o c\u00e9u me encha.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 um caminho sempre a direito, por mais voltas, subidas e descidas que pare\u00e7a ter.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Nunes Martins<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":103305,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-152532","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152532\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}