{"id":152216,"date":"2019-10-25T07:00:53","date_gmt":"2019-10-25T06:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=152216"},"modified":"2019-10-25T08:55:11","modified_gmt":"2019-10-25T07:55:11","slug":"comunidade-crista-e-mais-perseguida-hoje-em-dia-catarina-martins-bettencourt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunidade-crista-e-mais-perseguida-hoje-em-dia-catarina-martins-bettencourt\/","title":{"rendered":"\u00abComunidade crist\u00e3 \u00e9 a mais perseguida hoje em dia\u00bb &#8211; Catarina Martins Bettencourt"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Respons\u00e1vel pelo secretariado nacional da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS) em Portugal lamenta que o Ocidente feche os olhos \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na China, pondo \u00e0 frente os neg\u00f3cios e as rela\u00e7\u00f5es comerciais. Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia sobre o relat\u00f3rio \u2018Perseguidos e Esquecidos?\u2019, Catarina Martins Bettencourt diz que o documento mostra que o acordo da Santa S\u00e9 com Pequim n\u00e3o garantiu mais liberdade religiosa aos cat\u00f3licos chineses. Pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Manuel Costa (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-152194 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2845-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O novo relat\u00f3rio &#8216;Perseguidos e Esquecidos&#8217; mostra claramente que o cristianismo \u00e9 a religi\u00e3o mais perseguida em todo o mundo, sendo que em alguns locais podemos falar mesmo de um &#8220;genoc\u00eddio&#8221;.\u00a0 Porque \u00e9 que isto quase n\u00e3o \u00e9 falado? H\u00e1 um alheamento dos m\u00e9dia, e tamb\u00e9m dos respons\u00e1veis pol\u00edticos em geral, para a persegui\u00e7\u00e3o religiosa e a falta de liberdade de culto?<\/em><\/p>\n<p>O que n\u00f3s sentimos &#8211; e isso tamb\u00e9m \u00e9 mencionado neste relat\u00f3rio \u2013 \u00e9 que h\u00e1 cada vez mais uma maior perce\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o das entidades oficiais, das inst\u00e2ncias internacionais para esta quest\u00e3o da liberdade religiosa, e em particular para o que est\u00e1 acontecer com os crist\u00e3os. Mas \u00e9 evidente que continuamos a sentir que \u00e9 muito pouco, e que muitas vezes a comunidade crist\u00e3 acaba por ficar relegada para um segundo plano, n\u00e3o tem a express\u00e3o, nem a dimens\u00e3o. Por tudo o que se passa no mundo, pela forma como os nossos governantes tamb\u00e9m lidam com estas quest\u00f5es, vemos que n\u00e3o conseguem ainda falar abertamente da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os. Muitas vezes h\u00e1 pruridos em defender a comunidade crist\u00e3, por poder parecer que estamos a favorecer uma comunidade em detrimento de outra&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Em Portugal tamb\u00e9m, muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil falar desta quest\u00e3o dos crist\u00e3os. Enquanto institui\u00e7\u00e3o sentimos que precisamos de continuar a falar mais, de trazer cada vez mais estes assuntos para os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, para que as pessoas estejam alertadas de que esta n\u00e3o \u00e9 uma coisa do passado, \u00e9 uma coisa de hoje, que h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o, que h\u00e1 muitos pa\u00edses onde n\u00e3o h\u00e1 liberdade religiosa e n\u00e3o se pode exprimir livremente o nosso credo. E ao mesmo tempo dizer com clareza &#8211; e os n\u00fameros e todos os factos que temos apontam para isso &#8211; que a comunidade crist\u00e3 \u00e9 mais perseguida hoje em dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foi importante em termos de impacto ter uma personalidade como Paulo Portas a apresentar este relat\u00f3rio? Ele considerou muito importante o trabalho da AIS para garantir que os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o esquecidos.<\/em><\/p>\n<p>Sim, e esperamos que tenha, de facto, impacto a sua presen\u00e7a, porque Paulo Portas \u00e9 um homem que tem estado ativo no meio pol\u00edtico, que continua ativo nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, e \u00e9 preciso trazer esta quest\u00e3o para os media, para o p\u00fablico em geral, dizer a todos claramente que o cristianismo\u00a0 \u00e9 o mais perseguido e que precisamos de fazer alguma coisa. Porque estamos a assistir ao fim da presen\u00e7a da comunidade crist\u00e3 em muitos pa\u00edses do mundo, e isto deveria preocupar a todos, porque a partir do momento em que n\u00e3o temos liberdade de express\u00e3o da nossa f\u00e9, as outras liberdades ou j\u00e1 se perderam, ou est\u00e3o em risco de se perder. Portanto \u00e9 preciso olhar para estas quest\u00f5es da f\u00e9 e da religi\u00e3o como um assunto que \u00e9 um assunto p\u00fablico que deve ser debatido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Ecclesia e a Renascen\u00e7a acompanham h\u00e1 muitos anos o trabalho da AIS e a publica\u00e7\u00e3o destes relat\u00f3rios, que s\u00e3o peri\u00f3dicos. Mas, que impacto \u00e9 que eles t\u00eam? J\u00e1 mudou alguma coisa na forma como a comunidade internacional encara as viola\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade religiosa e o tema espec\u00edfico da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Os relat\u00f3rios s\u00e3o muito importantes e tem havido declara\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de alguns governos do mundo, houve a declara\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria ONU do Dia Internacional das V\u00edtimas da Viol\u00eancia em Rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua Religi\u00e3o ou Cren\u00e7a (22 agosto). Tudo isto resulta do lobby que tem sido feito pela AIS e por outras institui\u00e7\u00f5es no sentido de levar estes relat\u00f3rios e estes testemunhos, trazer pessoas dos v\u00e1rios pa\u00edses que est\u00e3o a sofrer e lev\u00e1-los a estas inst\u00e2ncias, e isto tem sido\u00a0 muito importante para alertar e para despertar as consci\u00eancias dos governantes de que \u00e9 preciso olhar para isto, que a realidade n\u00e3o \u00e9 o que se passa no nosso gabinete ou no nosso continente, que h\u00e1 muito mais para al\u00e9m disso. Estes relat\u00f3rios s\u00e3o o testemunho do dia-a-dia de sofrimento de muitos crist\u00e3os no mundo, e s\u00f3 com esses relat\u00f3rios, com factos, \u00e9 que conseguimos alertar as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal j\u00e1 tem havido di\u00e1logo com o parlamento. Este \u00faltimo relat\u00f3rio tamb\u00e9m ser\u00e1 apresentado \u00e0s autoridades portuguesas?<\/em><\/p>\n<p>Vamos apresent\u00e1-lo, e esperamos vir a ser chamados ao parlamento para o poder tamb\u00e9m discutir com os deputados. Mas temos feito esse esfor\u00e7o de levar estes documentos ao parlamento, \u00e0s inst\u00e2ncias de governo, ao presidente da rep\u00fablica, para que eles tenham consci\u00eancia do que se est\u00e1 a passar e que tamb\u00e9m possam, na medida do poss\u00edvel, exercer a sua press\u00e3o junto das entidades internacionais, de forma a que este tema seja debatido e sejam tomadas medidas. Porque \u00e9 disso que se fala neste relat\u00f3rio, que temos de tomar medidas concretas para poder ajudar estas comunidades que sofrem e que est\u00e3o a ser perseguidas nos seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_151947\" aria-describedby=\"caption-attachment-151947\" style=\"width: 184px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-151947 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-184x260.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-184x260.jpg 184w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-768x1087.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-724x1024.jpg 724w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-1080x1528.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-1280x1811.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-980x1387.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019-480x679.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-019.jpg 1357w\" sizes=\"(max-width: 184px) 100vw, 184px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-151947\" class=\"wp-caption-text\">Foto: AIS<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Olhando agora para os dados do relat\u00f3rio, o que \u00e9 que mais a surpreendeu este ano?<\/em><\/p>\n<p>O mais surpreendente deste relat\u00f3rio foi comprovar o que dissemos h\u00e1 quatro anos atr\u00e1s, de que poder\u00edamos estar a assistir ao fim da presen\u00e7a da comunidade crist\u00e3 no Iraque, e talvez na S\u00edria. De facto, os n\u00fameros s\u00e3o dram\u00e1ticos, este relat\u00f3rio aponta para apenas 150 mil, com possibilidade de serem menos, fala-se de 120 mil, ou seja, estamos praticamente sem presen\u00e7a da comunidade crist\u00e3 no Iraque&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Onde j\u00e1 foram cerca de 1 milh\u00e3o e 500 mil.<\/em><\/p>\n<p>Eram 1 milh\u00e3o e meio em 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esta \u00e9 uma presen\u00e7a hist\u00f3rica, vem do in\u00edcio do cristianismo e a comunidade caldeia, por exemplo, ainda hoje reza o Pai Nosso em aramaico.<\/em><\/p>\n<p>Em aramaico, sim. No fundo \u00e9 o fim das nossas ra\u00edzes enquanto comunidade crist\u00e3 no ocidente, e infelizmente o que n\u00f3s escrevemos h\u00e1 quatro anos parece agora concretizar-se pelos factos. E \u00e9 bom frisar que este relat\u00f3rio \u2013 que quem quiser pode consultar no nosso site &#8211; acaba em julho de 2019, portanto, de julho at\u00e9 hoje, outubro de 2019, a situa\u00e7\u00e3o ainda se deteriorou mais, tanto no Iraque como na S\u00edria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na S\u00edria houve uma interven\u00e7\u00e3o militar por parte da Turquia.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, e n\u00e3o sabemos o impacto que possa ter ainda mais sobre esta comunidade que \u00e9 cada vez mais pequena. No relat\u00f3rio apontamos para um decr\u00e9scimo de 90% da comunidade crist\u00e3 no Iraque, nos \u00faltimos anos, no per\u00edodo de uma gera\u00e7\u00e3o caiu 90%, portanto estamos a assistir a dias hist\u00f3ricos, tristes mas hist\u00f3ricos, no sentido de que estamos a assistir ao desaparecimento desta comunidade. \u00c9 um facto marcante neste relat\u00f3rio. Outro facto marcante \u00e9 a mudan\u00e7a de continente, ou de zona do mundo, onde h\u00e1 maior persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos o M\u00e9dio Oriente era a grande preocupa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o AIS, era onde havia maior persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os, neste relat\u00f3rio, neste per\u00edodo que \u00e9 analisado, vemos que h\u00e1 um desvio para a \u00c1sia. Temos os ataques do Sri Lanka, temos os ataques das Filipinas, temos a situa\u00e7\u00e3o que se est\u00e1 a deteriorar na China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, a \u00c1sia \u00e9 o continente menos seguro neste momento para os\u00a0 crist\u00e3os?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o menos seguro. Mas continuamos com focos muito importantes, que s\u00e3o tamb\u00e9m mencionados no relat\u00f3rio, mas que j\u00e1 v\u00eam infelizmente dos anteriores, relativamente a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o muito importante \u00e9 que neste per\u00edodo houve uma grande preocupa\u00e7\u00e3o da comunidade internacional para esta quest\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m dizemos neste relat\u00f3rio que nos parece que, infelizmente, poder\u00e1 ter sido tarde para estas comunidades, se olharmos para o que est\u00e1 a acontecer no Iraque e na S\u00edria. Esperemos que n\u00e3o seja demasiado tarde para todas as outras comunidades crist\u00e3s que est\u00e3o a passar neste momento o mesmo que o Iraque e a S\u00edria j\u00e1 passaram.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Quer dizer que no Iraque e na S\u00edria a derrota aparente do autoproclamado Estado Isl\u00e2mico n\u00e3o foi a tempo de evitar males maiores em termos de destrui\u00e7\u00e3o do cristianismo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o foi a tempo. De facto h\u00e1 muitas fam\u00edlias que regressaram \u00e0s suas casas, \u00e0s suas terras de origem, mas temos problemas grav\u00edssimos de seguran\u00e7a, a comunidade crist\u00e3 continua a n\u00e3o se sentir segura. Temos problemas grav\u00edssimos de emprego para os crist\u00e3os, e continuamos a sentir press\u00e3o, porque est\u00e1 neste momento a ser discutida uma nova Constitui\u00e7\u00e3o no Iraque em que as minorias ficam ainda mais desprotegidas do que foram at\u00e9 agora. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito s\u00e9ria da Igreja no Iraque neste sentido de perceber qual vai ser o futuro destes poucos que restam, at\u00e9 que ponto \u00e9 que a press\u00e3o que foi exercida durante anos pelo autoproclamado Estado Isl\u00e2mico marcou o ponto final da presen\u00e7a desta comunidade, apesar de todos os esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-152197 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2876.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Estas comunidades s\u00e3o muitas vezes o alvo de quem quer atacar o Ocidente, ou seja, a sua perten\u00e7a crist\u00e3 \u00e9 vista como sin\u00f3nimo de ser ocidental. Mas, de que forma \u00e9 que o Ocidente olha para estas minorias?<\/em><\/p>\n<p>Muitas vezes esquecemo-nos. Dou um exemplo: no domingo P\u00e1scoa, quando houve os ataques no Sri Lanka, na missa onde fui o padre nem sequer falou nisso. E este \u00e9 apenas um exemplo, provavelmente isto repetiu-se em v\u00e1rias par\u00f3quias, em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p>O autoproclamado Estado Isl\u00e2mico perdeu o seu territ\u00f3rio, mas n\u00e3o perdeu a sua for\u00e7a, a sua ideologia mant\u00e9m-se nestes territ\u00f3rios, e isso \u00e9 o mais perigoso e o mais dif\u00edcil de controlar. De facto quando h\u00e1 um ataque a estas comunidades \u00e9 como se tivessem tamb\u00e9m a atacar o Ocidente, mas a verdade \u00e9 que estamos muitas vezes distra\u00eddos com as nossas coisas e infelizmente ainda n\u00e3o olhamos para isto como sendo uma coisa nossa, n\u00e3o sentimos que nos est\u00e3o a atacar a n\u00f3s tamb\u00e9m, como crist\u00e3os, como comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se h\u00e1 pessoa que tem dedicado aten\u00e7\u00e3o a estas minorias \u00e9 o Papa Francisco. A AIS \u00e9 uma funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia, dependente da Santa S\u00e9. Estes dados s\u00e3o conhecidos e acompanhados pelo Vaticano?<\/em><\/p>\n<p>Sim, receberam-nos antes do p\u00fablico, s\u00e3o do seu conhecimento. O Papa Francisco tem sido, de facto, uma pessoa extraordin\u00e1ria, neste sentido de nos alertar para o que se est\u00e1 a passar no mundo, de nos chamar a aten\u00e7\u00e3o enquanto crist\u00e3os: h\u00e1 comunidades que est\u00e3o a sofrer e n\u00f3s, como crist\u00e3os, temos este dever de nos lembrar deles, de rezar por eles, apoi\u00e1-los na nossa solidariedade e nas nossas ora\u00e7\u00f5es. Isso tem sido extraordin\u00e1rio para chamar a aten\u00e7\u00e3o, porque muitas vezes estes ataques que acontecem pela \u00c1frica, a \u00c1sia, passam como que despercebidos, no Ocidente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No caso da China, os dados tamb\u00e9m apontam para o aumento da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os, apesar de ter havido um acordo entre Pequim e o Vaticano para a nomea\u00e7\u00e3o de bispos. Que impacto \u00e9 que teve este acordo?<\/em><\/p>\n<p>Os dados de que n\u00f3s dispomos \u2013 recolhidos atrav\u00e9s das viagens que fazemos a estes pa\u00edses e atrav\u00e9s das pr\u00f3prias congrega\u00e7\u00f5es, da Igreja local \u2013 apontam para uma deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. Hoje \u00e9 mais dif\u00edcil, apesar de haver um acordo provis\u00f3rio, a presen\u00e7a da comunidade crist\u00e3. Tem havido como que uma \u2018limpeza\u2019 dos s\u00edmbolos, uma press\u00e3o sobre a comunidade crist\u00e3 muito grande, nos \u00faltimos tempos, maior at\u00e9 do que antes do acordo. Isto s\u00e3o factos que podemos mostrar: a situa\u00e7\u00e3o piorou para a comunidade crist\u00e3 na China nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aqui voltamos ao tema do Ocidente. A China \u00e9 uma pot\u00eancia mundial e estes dados, entre outros relativos a viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos, n\u00e3o deveria levar os pa\u00edses ocidentais a repensar as suas rela\u00e7\u00f5es com Pequim? Ou o dinheiro fala sempre mais alto?<\/em><\/p>\n<p>O que n\u00f3s vemos, de facto, \u00e9 que o dinheiro acaba por falar mais alto. As rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas acabam por ter uma for\u00e7a muito grande, n\u00e3o vemos os governos nem as inst\u00e2ncias internacionais a falar desta quest\u00e3o abertamente, ou a dizer \u2018n\u00e3o h\u00e1 neg\u00f3cios, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es comerciais e econ\u00f3micas se n\u00e3o houver respeito pelos Direitos Humanos\u2019 na China. Portanto, continuamos a ver que o dinheiro tem mais poder do que tudo o resto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Antes de avan\u00e7armos para \u00e1frica gostava de voltar de novo ao M\u00e9dio Oriente, para falar da S\u00edria. Houve uma ofensiva militar da Turquia, tudo indica que agora haver\u00e1 um cessar-fogo, mas isso n\u00e3o evitou que neste per\u00edodo da ofensiva tenha havido a morte de civis e a fuga de alguns crist\u00e3os, de novo. Que ecos \u00e9 que t\u00eam, do terreno?<\/em><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo no \u00faltimo relat\u00f3rio, porque aconteceu agora, mas os relatos que temos \u00e9 que nalgumas zonas onde a comunidade crist\u00e3 estava presente, mais uma vez, foram obrigados a fugir e a ir para outras zonas. Continuam a ser uma comunidade pequena e continuam a ser uma comunidade desprotegida. Os \u00faltimos relatos que recebemos mostram que a Igreja est\u00e1 preocupada com a situa\u00e7\u00e3o, com qual ser\u00e1 o impacto destes ataques numa comunidade t\u00e3o pequena e que, provavelmente, vai tentar fugir e escapar de novo. \u00c9 mais um fator que far\u00e1 aumentar o \u00eaxodo e deixar de vez o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve territ\u00f3rios em que j\u00e1 se tinha iniciado um processo de reconstru\u00e7\u00e3o e de regresso dos crist\u00e3os. Isso pode estar em causa?<\/em><\/p>\n<p>Nas zonas em que n\u00f3s estamos a ajudar, neste momento, \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o e ao regresso, ainda n\u00e3o est\u00e1 em causa. N\u00e3o sabemos, efetivamente, o que vai acontecer, pelo que temos de esperar. O que sabemos, porque recebemos essa informa\u00e7\u00e3o da Igreja local, \u00e9 que j\u00e1 h\u00e1 pequenas comunidades \u2013 em zonas historicamente crist\u00e3s, mas para as quais os crist\u00e3os ainda n\u00e3o tinham voltado -, pequenos grupos que ainda resistiam, e que tiveram de sair, desta vez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-152195 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_2868.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u00c1frica \u00e9 um continente onde o cristianismo est\u00e1 a crescer, h\u00e1 muitas voca\u00e7\u00f5es, mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica em termos de persegui\u00e7\u00e3o religiosa. Onde \u00e9 que \u00e9 pior?<\/em><\/p>\n<p>Neste relat\u00f3rio mostramos que a situa\u00e7\u00e3o piorou na Rep\u00fablica Centro-Africana, mas temos a Nig\u00e9ria, o Sud\u00e3o, o Egito, onde tudo se mant\u00e9m igual. N\u00e3o houve altera\u00e7\u00f5es significativas, a situa\u00e7\u00e3o manteve-se dram\u00e1tica: n\u00e3o piorou, mas tamb\u00e9m n\u00e3o melhorou. Continuamos a assistir \u00e0 presen\u00e7a de grupos radicais, que atuam de uma forma impune, com algum esquecimento do Ocidente\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No caso da Nig\u00e9ria, o Boko Haram j\u00e1 surgiu h\u00e1 10 anos\u2026<\/em><\/p>\n<p>E continua a atuar, a provocar o deslocamento de milhares e milhares de pessoas, continua a provocar a morte, a destruir aldeias. No Ocidente continuamos, mais uma vez, a n\u00e3o olhar para a \u00c1frica, um continente riqu\u00edssimo, com muitas potencialidades. Em termos de Igreja, \u00e9 um continente muito vivo, com muitas voca\u00e7\u00f5es, mas que continua a sofrer, diariamente, estas persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m da amea\u00e7a radical isl\u00e2mica, h\u00e1 conflitos tribais, que complicam muito as coisas.<\/em><\/p>\n<p>A \u00c1frica tem uma mistura de v\u00e1rios fatores: al\u00e9m da quest\u00e3o da religi\u00e3o, temos tamb\u00e9m os conflitos tribais, o conflito pela posse das terras, para poder alimentar o gado, para a sobreviv\u00eancia da tribo. H\u00e1 muitas dificuldades para as comunidades, al\u00e9m das quest\u00f5es econ\u00f3micas: s\u00e3o pa\u00edses riqu\u00edssimos, mas com uma corrup\u00e7\u00e3o enorme, em que muitas vezes as pessoas acabam por ser expulsas porque vivem em zonas onde poder\u00e1 haver explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 um conjunto de fatores, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a religi\u00e3o que faz com que seja o continente com o maior n\u00famero de deslocados e o maior n\u00famero de pessoas pobres. \u00c9 um continente com muito potencial, mas que est\u00e1 sozinho, muitas vezes, a tentar combater estes grupos radicais, que querem construir um califado e ser um continente isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja Cat\u00f3lica tem a\u00ed uma presen\u00e7a social muito importante e a Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre tem como miss\u00e3o, precisamente, ajudar as comunidades cat\u00f3licas, sobretudo nos pa\u00edses onde vivem com maior dificuldade. Que tipo de apoio \u00e9 que a AIS presta no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio esteve connosco o padre Gideon, da Nig\u00e9ria, que veio exatamente da diocese mais m\u00e1rtir do pa\u00eds, Maiduguri, onde o Boko Haram nasceu e est\u00e1 muito ativo, ainda. Ele falou-nos da import\u00e2ncia da AIS, e disse uma coisa muito bonita: \u2018o t\u00edtulo deste relat\u00f3rio \u00e9 \u2018Perseguidos e Esquecidos?\u2019. N\u00f3s somos perseguidos, mas n\u00e3o somos esquecidos pela AIS\u2019. Ele diz que, se est\u00e3o vivos, \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 ajuda da AIS, e \u00e0 ajuda de outras institui\u00e7\u00f5es da Igreja, que d\u00e3o um apoio fundamental nestes momentos mais dif\u00edceis para a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ajuda pastoral?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ajuda pastoral, porque neste momento, para se poder ajudar pastoralmente uma comunidade, primeiro tem que se alimentar, que ter seguran\u00e7a. O padre Gideon mostrou fotografias extraordin\u00e1rias do que foi destru\u00eddo e que foi reconstru\u00eddo, duas e tr\u00eas vezes. \u00c9 necess\u00e1rio ajudar, ter espa\u00e7os para que as pessoas se encontrem, apoiar a parte da forma\u00e7\u00e3o e da mobilidade para os padres.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos um bocadinho da Nig\u00e9ria, que \u00e9 um pa\u00eds enorme, onde as necessidades s\u00e3o muitas. A AIS tem estado presente, naquilo que a Igreja necessita, porque essa \u00e9 uma forma de as comunidades crist\u00e3s conseguirem continuar a estar presentes, nos seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quantos projetos est\u00e3o a apoiar, neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Em 2018 apoi\u00e1mos cerca de 5 mil projetos, em 145 pa\u00edses. H\u00e1 sempre esta generosidade, foram cerca de 80 milh\u00f5es de euros que n\u00f3s envi\u00e1mos para estes pa\u00edses, em projetos concretos de ajuda pastoral: constru\u00e7\u00e3o de igrejas, de locais de apoio \u00e0s par\u00f3quias, de ajuda \u00e0 mobilidade, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social. Porque em muitos destes pa\u00edses as dist\u00e2ncias s\u00e3o t\u00e3o grandes que \u00e9 preciso o apoio da comunica\u00e7\u00e3o social. E depois a parte de emerg\u00eancia, da sobreviv\u00eancia das pr\u00f3prias pessoas, que \u00e9 fundamental. Tudo isto se vai materializando com a generosidade dos benfeitores, em Portugal e um pouco por todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A contribui\u00e7\u00e3o de Portugal tem sido significativa?<\/em><\/p>\n<p>Tem aumentado, sempre. H\u00e1 esta preocupa\u00e7\u00e3o, cada vez mais os portugueses sentem esta necessidade: \u201cn\u00e3o estamos bem, mas h\u00e1 muitos que est\u00e3o pior do que eu e eu tenho de ajudar\u201d.<\/p>\n<p>O padre Gideon falava de um apoio extraordin\u00e1rio que a AIS tem dado a n\u00edvel psicol\u00f3gico, de tratamento das pessoas, contou como \u00e9 dif\u00edcil, especialmente para as mulheres, e as mulheres crist\u00e3s s\u00e3o uma v\u00edtima ainda maior. Muitas foram raptadas, estiveram dois, tr\u00eas anos com o Boko Haram, foram violadas e quando regressam as suas fam\u00edlias, muitas vezes, n\u00e3o as aceitam, porque v\u00eam com filhos que s\u00e3o filhos de terroristas. \u00c9 muito dif\u00edcil lidar com tudo isto. A Igreja tem tido este papel de apoio psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A mensagem que o bispo de Maiduguri nos enviou foi essa: sem a ajuda da Igreja, de institui\u00e7\u00f5es como a AIS, n\u00e3o seria poss\u00edvel que eles estivessem vivos e se mantivessem presentes no s\u00edtio onde querem estar, porque nasceram ali, viveram ali e t\u00eam o direito de ali estar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_151946\" aria-describedby=\"caption-attachment-151946\" style=\"width: 1357px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-003.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-151946 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-003.jpg\" alt=\"\" width=\"1357\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-PE-2019_WEB_PT-page-003.jpg 1357w, 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