{"id":15185,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/concilio-ainda-nao-mudou-os-catolicos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"concilio-ainda-nao-mudou-os-catolicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/concilio-ainda-nao-mudou-os-catolicos\/","title":{"rendered":"Conc\u00edlio ainda n\u00e3o mudou os cat\u00f3licos"},"content":{"rendered":"<p>Passados 40 anos do encerramento do II Conc\u00edlio do Vaticano, D. Carlos Azevedo, historiador e bispo auxiliar de Lisboa, aborda as quest\u00f5es essenciais e aponta caminhos para a concretiza\u00e7\u00e3o plena deste comp\u00eandio. <!--more--> Ag\u00eancia ECCLESIA &#8211; O II Conc\u00edlio do Vaticano est\u00e1 a comemorar os 40 anos de encerramento. Ainda se mant\u00e9m actual ou j\u00e1 est\u00e1 ultrapassado? D. Carlos Azevedo \u2013 Considero que h\u00e1 dimens\u00f5es actuais, sobretudo no estilo que foi criado na vida da Igreja. No estilo de participa\u00e7\u00e3o sinodal, de escuta do Povo de Deus. Na capacidade de di\u00e1logo com aqueles que andam longe e afastados e de comunh\u00e3o e di\u00e1logo com as v\u00e1rias confiss\u00f5es crist\u00e3s. Toda essa dimens\u00e3o aberta pelo Conc\u00edlio, no estilo de ser Igreja, continua actual\u00edssima e est\u00e1 sempre em processo de realiza\u00e7\u00e3o.  AE \u2013 Numa confer\u00eancia sobre o II Conc\u00edlio Vaticano, D. Carlos Azevedo afirmou que \u00abmuitos ultrapassaram-no pela direita e outros pela esquerda mas poucos chegaram ao n\u00facleo\u00bb. Qual a explica\u00e7\u00e3o para poucos atingirem o centro nevr\u00e1lgico? CA \u2013 Porque este Conc\u00edlio foi de convers\u00e3o e operou, de modo surpreendente, uma mudan\u00e7a no estilo de ser Igreja e de ser crist\u00e3o. Essa mudan\u00e7a apanhou alguns desprevenidos. O Papa Jo\u00e3o XXIII n\u00e3o pensava que ia dar isto que deu. Portanto, acho natural que alguns, aproveitando as aberturas dadas pelo Conc\u00edlio, quisessem ir mais longe. \u00c9 isto o ultrapassar pela esquerda. Outros ultrapassaram-no pela direita, os mais conservadores, que querem fazer de conta que o Conc\u00edlio n\u00e3o existiu. Estas s\u00e3o as formas de n\u00e3o passar pelo n\u00facleo que implica mudan\u00e7a e altera\u00e7\u00e3o na vida e no estilo de ser Igreja.  <b>Ler os sinais dos tempos<\/b> AE \u2013 Passados 40 anos j\u00e1 podemos fazer uma avalia\u00e7\u00e3o da recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio? CA \u2013 \u00c9 um tempo razo\u00e1vel para se fazer essa an\u00e1lise. Aquela ideia pr\u00f3pria dos anos sessenta \u2013 um certo entusiasmo do progresso e avan\u00e7o do mundo \u2013 mudou muito em rela\u00e7\u00e3o aos nossos dias. O Conc\u00edlio d\u00e1 elementos e ajudou a ler os sinais dos tempos. Ele foi capaz de ler, em simult\u00e2neo, as fontes da revela\u00e7\u00e3o e os sinais dos tempos. Foi capaz de fazer a ponte \u2013 esse \u00e9 o trabalho da Teologia e da Pastoral \u2013 entre a fidelidade a um dep\u00f3sito revelado e atender \u00e0 realidade em mudan\u00e7a. E esta mudan\u00e7a \u00e9 muito veloz no tempo que vivemos.  AE \u2013 Disse que \u00ableu os sinais dos tempos\u00bb. Agora n\u00e3o consegue ler esses sinais? CA \u2013 N\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio que n\u00f3s aprendamos, continuamente, a olhar para a realidade de hoje com a mesma capacidade de inova\u00e7\u00e3o e de criatividade que o Conc\u00edlio teve ao olhar aquela \u00e9poca. Essa \u00e9poca j\u00e1 passou.  AE \u2013 Aquele impacto inicial diluiu-se com o tempo? CA \u2013 Temos dimens\u00f5es que n\u00e3o. O aspecto lit\u00fargico, aquele onde a recep\u00e7\u00e3o foi maior mas mais superficial, n\u00e3o se diluiu com o tempo. Na vertente lit\u00fargica ficou-se na epiderme (celebrante voltado para o povo, c\u00e2nticos mais moderna\u00e7os) da renova\u00e7\u00e3o.  Nos pontos doutrinais mais profundos, sobretudo em Portugal &#8211; onde a ignor\u00e2ncia religiosa continua a ser grande -, n\u00e3o foram aprofundados pelo Povo de Deus. Para este, o que passou e foi recebido, foi o aspecto lit\u00fargico apesar de muita gente continuar a dizer que vai assistir \u00e0 missa. A mentalidade das pessoas ainda n\u00e3o \u00e9 de participarem na celebra\u00e7\u00e3o.  <b>O interior das pessoas ainda n\u00e3o mudou<\/b> AE \u2013 As quest\u00f5es de terminologia ainda n\u00e3o mudaram porqu\u00ea? CA \u2013 N\u00e3o mudaram porque a mentalidade continua a ser a mesma. Mudou o aspecto exterior mas n\u00e3o mudou a atitude. O interior das pessoas ainda n\u00e3o mudou. H\u00e1 ainda um trabalho por fazer, no sentido de apanhar os grandes dinamismos que n\u00e3o s\u00e3o meramente aparentes. H\u00e1 documentos oficiais que falam em administrar os sacramentos mas \u00e9 uma linguagem totalmente ultrapassada. Os sacramentos n\u00e3o s\u00e3o para administrar mas para celebrar. N\u00f3s n\u00e3o somos donos da gra\u00e7a nem dos sacramentos.  Na origem, a palavra \u00abadministrar\u00bb era muito bonita e significava \u00abservi\u00e7o\u00bb. Hoje, est\u00e1 carregada de sentido econ\u00f3mico e n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos. Tanto a Un\u00e7\u00e3o dos Doentes como o sacramento da Penit\u00eancia \u00e9 para serem celebrados. Todos os sacramentos t\u00eam uma atitude de celebra\u00e7\u00e3o. Falta uma catequese lit\u00fargica adequada para que o esp\u00edrito conciliar seja, verdadeiramente, absorvido.   AE \u2013 Existiram e existem diversas atitudes sobre o II Conc\u00edlio Vaticano: as minorias e maiorias conciliares. Como conciliar estas duas tend\u00eancias? CA \u2013 Foi e \u00e9 um trabalho do Esp\u00edrito Santo. Ele moveu os cora\u00e7\u00f5es dos bispos presentes no Conc\u00edlio e tamb\u00e9m no p\u00f3s-Conc\u00edlio para que pequenos redutos de gente que n\u00e3o queriam mudan\u00e7as e de outros que queriam mudar tudo, conseguissem encontrar o meio-termo.   <b>As grandes inova\u00e7\u00f5es est\u00e3o nos aspectos pastorais e lit\u00fargicos<\/b> AE &#8211; O Conc\u00edlio foi ecum\u00e9nico, dog-m\u00e1tico, pastoral e lit\u00fargico. Destas quatro facetas, qual destacaria? CA \u2013 Na vertente dogm\u00e1tica n\u00e3o houve grandes afirma\u00e7\u00f5es do ponto de vista da f\u00e9 e dos costumes. A \u00abLumen Gentium\u00bb teve um papel importante e estruturante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 no\u00e7\u00e3o e estilo de ser Igreja: valorizou a dimens\u00e3o da Igreja como Povo de Deus, a santidade como caminho para todos e o papel da vida religiosa no seio das comunidades crist\u00e3s e dioceses. Nos documentos mais dogm\u00e1ticos \u2013 \u00abDei Verbum\u00bb e \u00abLumen Gentium\u00bb &#8211; n\u00e3o aparecem grandes inova\u00e7\u00f5es mas um modo novo de entender o mist\u00e9rio da Igreja. As grandes inova\u00e7\u00f5es est\u00e3o nos aspectos pastorais e lit\u00fargicos. A dimens\u00e3o do Conc\u00edlio mais preparada era a lit\u00fargica. Um s\u00e9culo antes, j\u00e1 o movimento lit\u00fargico partia pedra e preparava o terreno para que essa dimens\u00e3o pudesse ser acolhida. Apesar desta prepara\u00e7\u00e3o, ainda h\u00e1 resist\u00eancias de abertura. O campo pastoral \u00e9 aquele que d\u00e1 mais abertura. A Doutrina Social da Igreja foi um campo f\u00e9rtil e de grande evolu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, gra\u00e7as \u00e0s interven\u00e7\u00f5es de Paulo VI e de Jo\u00e3o Paulo II.   AE &#8211; Mas o conceito de abertura \u00e9 muito lato. CA \u2013 Nesse ponto responsabilizou-se muito as Confer\u00eancias Episcopais para que a adapta\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es fosse muito local. A liturgia \u00e9 a viv\u00eancia do Ser Humano com as suas dimens\u00f5es muito culturalmente marcadas. Por isso assistimos a uma pluralidade de respostas: nos ritos e introdu\u00e7\u00e3o de elementos aut\u00f3ctones. A abertura n\u00e3o \u00e9 cada um fazer o que lhe apetece mas as Confer\u00eancias Episcopais terem alguma maleabilidade e liberdade para fazerem determina\u00e7\u00f5es segundo os costumes. Essa abertura que foi dada, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 aproveitada.   AE \u2013 Com o Conc\u00edlio, as Confer\u00eancias Episcopais ganharam mais poder. Uma grande inova\u00e7\u00e3o? CA \u2013 O funcionamento da Igreja passou a ser mais sinodal. Os pr\u00f3prios S\u00ednodos dos bispos s\u00e3o express\u00e3o de um certo Conc\u00edlio permanente. De tr\u00eas em tr\u00eas anos, bispos de todo o mundo reflectem sobre um tema importante para a vida da Igreja.   AE \u2013 Boa aceita\u00e7\u00e3o no in\u00edcio mas os entraves surgiram no p\u00f3s-Conc\u00edlio. Qual a raz\u00e3o de ser destas barreiras? CA \u2013 Na dimens\u00e3o lit\u00fargica foram os abusos que retrocederam as medidas. Na dimens\u00e3o mais interna da vida da Igreja e na pr\u00f3pria estrutura\u00e7\u00e3o da vida da Igreja, alguns defendem que era preciso que o pr\u00f3prio governo central da Igreja adquirisse uma nova estrutura. Al\u00e9m do Papa e do Col\u00e9gio dos Cardeais que houvesse uma outra forma mais permanente de conselho e de ajuda. Descentralizando \u2013 como este Papa j\u00e1 fez com as beatifica\u00e7\u00f5es \u2013 dimens\u00f5es que n\u00e3o necessitavam de estar reservadas ao governo central.  <b>Di\u00e1logo dif\u00edcil com a cultura<\/b> AE \u2013 E o di\u00e1logo Igreja\/ Cultura? CA \u2013 Ainda continua a ser dif\u00edcil. A cultura contempor\u00e2nea tem dimens\u00f5es t\u00e3o fragment\u00e1rias e diversificadas que o di\u00e1logo \u00e9 muito caso a caso. Ou se arrisca a lan\u00e7ar perspectivas que n\u00e3o dizem nada a ningu\u00e9m porque querem dizer tudo a todos ou ent\u00e3o, se vai responder a uma micro-cultura, parece que se est\u00e1 a falhar numa resposta unit\u00e1ria. Esta \u00e9 a maior crise.  AE \u2013 Passados 40 anos, ainda n\u00e3o sabe dialogar com as micro-culturas? CA \u2013 Existe essa dificuldade mas temos gente com sentido prof\u00e9tico que consegue abrir algumas portas de di\u00e1logo. Neste di\u00e1logo, a vertente do combate e da cruzada est\u00e3o ultrapassados. Se assumirmos uma atitude de di\u00e1logo e de aproxima\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o, isto exige uma grande pobreza como atitude e uma grande fortaleza como identidade. S\u00f3 quem est\u00e1 plenamente seguro e muito confiante na sua forma de entender a verdade crist\u00e3 \u00e9 que \u00e9 capaz de se aproximar, anunciar e de ir ao encontro dos outros nas suas diferen\u00e7as. Tem existido algumas experi\u00eancias e a\u00ed a Igreja ganha no f\u00f4lego \u2013 exemplo das interven\u00e7\u00f5es do Patriarca de Lisboa com o mundo da cultural -, as pessoas ficam reconhecidas nessas atitudes e respiram fundo de ter algu\u00e9m que \u00e9 capaz de esclarecer.  AE \u2013 O II Conc\u00edlio Vaticano respondeu \u00e0 pergunta \u00abIgreja que dizes de ti mesma\u00bb? CA \u2013 Ela disse o que pensava de si do ponto de vista do ideal da sua defini\u00e7\u00e3o. Foi um grande avan\u00e7o em percebermos qual \u00e9 o papel e dimens\u00e3o da vida eclesial. Outra coisa \u00e9 perceber \u2013 numa dimens\u00e3o que necessita de ser reflectida \u2013 o minist\u00e9rio da Igreja. A Igreja para responder \u00e0s necessidades actuais precisa de ir mais longe nesse modo de entender a anima\u00e7\u00e3o das comunidades.  AE \u2013 Passou-se de Eurocentrismo eclesial para uma eclesialidade mundial? CA \u2013 Alguns referem que este Conc\u00edlio ainda foi demasiado eurocentrico. Os grandes te\u00f3logos que estiveram na g\u00e9nese das perspectivas mais marcantes do Conc\u00edlio eram europeus.  <b>Alguns ficam escandalizados com algumas perspectivas da exegese<\/b> AE \u2013 A Teologia s\u00f3 estava desenvolvida na Europa? CA \u2013 As Faculdades de Teologia, as Universidades Cat\u00f3licas e o desenvolvimento do pensamento estava a come\u00e7ar. No s\u00e9culo XIX assistimos a muita pujan\u00e7a espiritual e mission\u00e1ria mas de pouca profundidade Teol\u00f3gica. No s\u00e9culo XX, as pessoas estavam muito envolvidas nas duas grandes guerras. Praticamente desde o s\u00e9culo XVI\/XVII que n\u00e3o havia um grande desenvolvimento na \u00e1rea teo-l\u00f3gica.Com o Conc\u00edlio deu-se um salto enorme na vertente b\u00edblica. Alguns ficam escandalizados com algumas perspectivas da exegese actual. A \u00abDei Verbum\u00bb \u00e9 um documento dif\u00edcil de ler e as perspectivas abertas para a leitura da Palavra de Deus levam a pormos em causa algumas ideias pr\u00e9-concebidas sobre a pr\u00f3pria Palavra de Deus. Os grupos b\u00edblicos, criados posteriormente, ainda atingem um pequeno n\u00famero de pessoas. Passados 40 anos, j\u00e1 temos uma Teologia feita na Am\u00e9rica Latina e um desenvolvimento norte-americano.  AE \u2013Hoje, com estas escolas teol\u00f3gicas, um novo Conc\u00edlio seria diferente. Ter\u00edamos mais minorias conciliares? CA \u2013 As minorias que se constitu\u00edram durante o Conc\u00edlio e durante os primeiros tempos do p\u00f3s-Conc\u00edlio estavam mar-cadas por dimens\u00f5es de concep\u00e7\u00f5es de Igreja. Agora, a diverg\u00eancia cultural \u00e9 muito mais profunda. A Teologia africana desenvolveu-se apesar de estar muito nos in\u00edcios. A Teologia asi\u00e1tica ainda n\u00e3o despertou. Quando os te\u00f3logos asi\u00e1ticos come\u00e7arem a pensar segundo a sua pr\u00f3pria cultura trar\u00e3o um enriquecimento imenso. N\u00f3s fomos marcados por uma cultura greco-romana e o pensamento e as formas mentais com que transmitimos as no\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas ainda tem muito sabor da cultura grega. Quando tivermos bases de outras culturas, chegaremos muito mais \u00e0 pureza do Evangelho.   <b>Mudan\u00e7as de mentalidade<\/b> AE \u2013 A valoriza\u00e7\u00e3o do papel dos leigos foi outra dimens\u00e3o inovadora? CA \u2013 Uma dimens\u00e3o que vinha sendo desenvolvida. N\u00e3o devemos esquecer quanto foi importante a Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica que desde os anos 30 foi antecipando e preparando essa dimens\u00e3o conciliar. Quando se chegou ao Conc\u00edlio, o pensamento j\u00e1 estava maduro sobre a participa\u00e7\u00e3o dos leigos na vida da Igreja. Agora, o concreto dessa participa\u00e7\u00e3o ainda exige muita mudan\u00e7a de mentalidade nos pastores. Muitas vezes, as estruturas n\u00e3o funcionam bem porque n\u00e3o h\u00e1 uma atitude de verdadeiro acolhimento. Ainda h\u00e1 uns certos \u00abpropriet\u00e1rios da quinta\u00bb e os outros n\u00e3o s\u00e3o bem propriet\u00e1rios. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que possa ser exclu\u00eddo de uma participa\u00e7\u00e3o. Isto exige um trabalho muito longo de forma\u00e7\u00e3o dos leigos e dos animadores das comunidades (padres e bispos).  AE \u2013 Existem folhas caducas neste conc\u00edlio? CA \u2013 N\u00e3o vejo nada que se possa dizer ultrapassado.   AE \u2013 Como a evolu\u00e7\u00e3o e a rapidez s\u00e3o apan\u00e1gios do nosso tempo&#8230; CA \u2013 Penso que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma p\u00e1gina do Conc\u00edlio que possamos dizer que caiu. Desenvolveu-se e foi-se mais longe numa ou noutra dimens\u00e3o mas, a partir do embri\u00e3o que estava no Conc\u00edlio, n\u00e3o temos perspectivas que anulassem p\u00e1ginas anteriores. Esse desenvolvimento foi fruto da pr\u00e1tica que antes n\u00e3o existia. A pr\u00f3pria pr\u00e1tica na vida da Igreja, se em rela\u00e7\u00e3o aos abusos colocou um dique para limitar algumas criatividades sem sentido por outro lado veio dar um novo alcance \u00e0quilo que era ainda uma intui\u00e7\u00e3o (h\u00e1 40 anos) e depois se descobriu uma riqueza.  <b>A Igreja n\u00e3o est\u00e1 preparada para um novo Conc\u00edlio<\/b> AE \u2013 Onde falta apostar para que este Conc\u00edlio seja levado a bom porto? CA \u2013 Os grandes desafios est\u00e3o situados no di\u00e1logo inter-religioso, na opera-cionalidade das comunidades, o repensar o papel do minist\u00e9rio e a viv\u00eancia moral e espiritual. Temos demasiadas orienta\u00e7\u00f5es e documentos mas falta tornar operacional a vida da Igreja e ainda n\u00e3o se conseguiu evangelizar a cultura.  AE \u2013 \u00c9 a cultura que n\u00e3o deixa entrar o Evangelho ou \u00e9 o Evangelho que n\u00e3o \u00e9 capaz de entrar na cultura? CA \u2013 H\u00e1 as duas dificuldades mas coloco o assento na nossa dificuldade. Existe muita aspira\u00e7\u00e3o espiritual em quem anda na busca de novos caminhos e n\u00f3s temos algumas dificuldades em encontrar uma linguagem que v\u00e1 ao encontro do seu modo de perceber o mist\u00e9rio. Esse esfor\u00e7o, aplicado mais a Portugal, n\u00e3o tem tido trabalhadores capazes para os ajudar a crescer na f\u00e9.  AE \u2013 A Igreja est\u00e1 preparada para acolher um novo Conc\u00edlio? CA \u2013 Penso que n\u00e3o. Nem seria bom que isso acontecesse.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 40 anos do encerramento do II Conc\u00edlio do Vaticano, D. Carlos Azevedo, historiador e bispo auxiliar de Lisboa, aborda as quest\u00f5es essenciais e aponta caminhos para a concretiza\u00e7\u00e3o plena deste comp\u00eandio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[95,104,127,167,187,203,237,238,246,294],"class_list":["post-15185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-accao-catolica","tag-america","tag-catequese","tag-dialogo-inter-religioso","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii","tag-liturgia","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}