{"id":15166,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/d-eurico-arrasa-comissao-do-centenario-da-republica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"d-eurico-arrasa-comissao-do-centenario-da-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-eurico-arrasa-comissao-do-centenario-da-republica\/","title":{"rendered":"D. Eurico arrasa comiss\u00e3o do Centen\u00e1rio da Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro sobre D. Ant\u00f3nio Barroso, em Remelhe <!--more--> O Bispo em\u00e9rito de Braga lan\u00e7ou no passado Domingo uma cr\u00edtica contundente ao processo de forma\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de honra das comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da Rep\u00fablica Portuguesa. D. Eurico Nogueira, que presidia, na igreja paroquial de Remelhe, Barcelos, \u00e0 cerim\u00f3nia de apresenta\u00e7\u00e3o do livro \u201cD. Ant\u00f3nio Barroso e a Primeira Rep\u00fablica\u201d, da autoria do padre Ad\u00edlio Macedo, referiu mesmo que \u00abesta comiss\u00e3o n\u00e3o merece qualquer confian\u00e7a, apesar de todos reconhecerem a capacidade cient\u00edfica dos elementos que a comp\u00f5em\u00bb.Sem pretender cair em generaliza\u00e7\u00f5es ou censurar o Governo, o ex-titular da c\u00e1tedra arquidiocesana sugeriu que os discursos proferidos durante os festejos, que t\u00eam lugar daqui a cinco anos, fossem marcados pelo\u00abrigor hist\u00f3rico, evitando-se o facciosismo\u00bb.Perante um templo lotado de pessoas, D. Eurico Nogueira contextualizou a vida e a obra de D. Ant\u00f3nio Barroso, que sofreu as dificuldades da Primeira Rep\u00fablica, sem deixar de se referir a algumas decis\u00f5es governamentais consideradas por sectores da Igreja Cat\u00f3lica como resqu\u00edcios do republicanismo primitivo.\u00abConvidaram-me, ainda como Arcebispo titular, para a inaugura\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua de Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalic\u00e3o. Rejeitei o convite por n\u00e3o querer estar presente na homenagem promovida a um corifeu do regime daquela \u00e9poca, que ajudou a perseguir os meus antecessores\u00bb, contou o prelado bracarense, que, no entanto, salientou que, \u00aba Igreja deve perdoar, mas nunca esquecer os factos da hist\u00f3ria\u00bb.Classificando os acontecimentos da Primeira Rep\u00fablica como \u00aba degrada\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de uma sociedade\u00bb, D. Eurico Nogueira criticou \u00abos her\u00f3is que se julgavam os representantes da vontade popular, que nunca procederam a uma consulta nacional\u00bb.\u00abN\u00e3o estou contra a Rep\u00fablica actual\u00bb, sustentou o Arcebispo em\u00e9rito de Braga, que recordou, igualmente, os \u00absacrif\u00edcios\u00bb de D. Ant\u00f3nio Barroso e dos bispos nortenhos da \u00e9poca, D. Manuel Vieira de Matos e D. Sebasti\u00e3o Vasconcelos, destitu\u00eddos das suas fun\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas por decreto governamental.  <b>Telegramas elucidativos<\/b>  Por seu turno, o autor da obra sobre o Bispo mission\u00e1rio \u2013 prelado nos continentes africano, asi\u00e1tico e europeu \u2013 come\u00e7ou por dizer que \u00abo livro nasceu de uma investiga\u00e7\u00e3o e de um achado\u00bb.\u00abInvestiga\u00e7\u00e3o feita no arquivo restante da casa de D. Ant\u00f3nio Barroso. N\u00e3o \u00e9 um grande arquivo. Est\u00e1 contido numa \u00fanica gaveta. Seria grande, certamente, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e \u00e0s vicissitudes do nosso homenageado. Dele ficou apenas uma pequena parte restante, onde descobri um envelope de valor\u00bb, contou o padre Ad\u00edlio Macedo, que acrescentou que a\u00ed se encontravam \u00abos originais dos telegramas de Afonso Costa, respeitantes \u00e0 luta ardorosa da Pastoral Colectiva. Estavam pela sua ordem, acompanhados das minutas de respostas. Tudo o que era necess\u00e1rio para compreender o ardor da luta entre Afonso Costa e D. Ant\u00f3nio Barroso\u00bb.Este conflito institucional, \u00abo n\u00facleo fundamental do livro\u00bb, culminaria com a destitui\u00e7\u00e3o do Bispo mission\u00e1rio. \u00abFoi nesta altura que D. Ant\u00f3nio Barroso afirmou aos seus amigos que h\u00e1 duas coisas de que o Bispo do Porto n\u00e3o h\u00e1-de morrer: nem de parto, nem de medo!\u00bb, explicou o p\u00e1roco de Remelhe, cuja obra tamb\u00e9m aborda o ex\u00edlio do prelado barcelense e a Lei da separa\u00e7\u00e3o do Estado das Igrejas, um decreto de 20 de Abril de 1911.\u00abUm segundo ex\u00edlio, desta vez em Coimbra, terminou de forma diferente: enquanto D. Ant\u00f3nio sa\u00eda em liberdade, Afonso Costa entrava na pris\u00e3o\u00bb, referiu o padre Ad\u00edlio Macedo, afian\u00e7ando que \u00ab\u00e9 Deus quem orienta os cordelinhos da hist\u00f3ria. No fim da sua vida de luta, D. Ant\u00f3nio ainda teve a bondade e a caridade de mandar escrever no seu testamento: \u201cDe todo o cora\u00e7\u00e3o e diante de Deus, perdoo a todos os que voluntariamente ou involuntariamente me ofenderam\u2026\u201d\u00bbNo final da cerim\u00f3nia de apresenta\u00e7\u00e3o, os presentes dirigiram-se ao monumento dedicado a D. Ant\u00f3nio Barroso, que se situa diante da igreja de Remelhe, onde foi depositada uma coroa de flores. Seguiu-se um conv\u00edvio no sal\u00e3o paroquial.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro sobre D. 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