{"id":15128,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-concilio-para-a-historia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-concilio-para-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-concilio-para-a-historia\/","title":{"rendered":"Um Conc\u00edlio para a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Igreja 40 anos depois do Vaticano II <!--more--> H\u00e1 40 anos, no dia 8 de Dezembro de 1965, Paulo VI fechava o Conc\u00edlio Vaticano II, abrindo na Igreja uma nova \u00e9poca de desejos, expectativas, esperan\u00e7as. Articulada na multiplicidade de minist\u00e9rios e enriquecida pela variedade de carismas, a Igreja Una, Santa, Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica passava a entender-se como Comunh\u00e3o, na linha da Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica \u201cLumen Gentium\u201d. As mudan\u00e7as da concep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio sobre o lugar do laicado \u00e9 uma das suas marcas mais importantes, que ainda hoje perduram. Eduardo Borges de Pinho, professor de Teologia na UCP, refere ao programa ECCLESIA que \u201ca partir dali voltou-se a tomar consci\u00eancia de que o crist\u00e3o, cada um, \u00e9 sujeito da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de f\u00e9\u201d. Nesse sentido, refere o especialista, a experi\u00eancia dos primeiros s\u00e9culos \u00e9 \u201cum dos elementos absolutamente decisivos para que n\u00f3s hoje falemos da Igreja como comunh\u00e3o, que se sabe realizada em cada lugar \u2013 da\u00ed a import\u00e2ncia da Igreja local, que o Conc\u00edlio coloca novamente em primeiro plano \u2013 e suportada pelas variad\u00edssimas voca\u00e7\u00f5es, pelo chamamento de cada um ao que Deus lhe pede\u201d. \u201cH\u00e1 distin\u00e7\u00f5es feitas por n\u00f3s que ser\u00e3o permanentes porque s\u00e3o funcionais, como aquela entre leigos e cl\u00e9rigos, mas \u00e9 preciso lembrar que os primeiros crist\u00e3os viviam a f\u00e9 de uma maneira muito mais natural, expont\u00e2nea, muito menos marcada por essas concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas que, em grande parte, v\u00eam de uma hist\u00f3ria de quase 2 mil anos\u201d, refere Borges de Pinho. O \u201cretomar\u201d do lugar dos leigos dentro da Igreja \u00e9 considerado \u201cdecisivo\u201d pelo professor, mas n\u00e3o isenta de riscos: \u201chouve uma altura em que se pensou o Povo de Deus, os leigos, de um lado, e os ministros ordenados por outro\u201d. \u201cNa realidade todos pertencem ao Povo de Deus, n\u00e3o h\u00e1 essa dicotomia, mas \u00e9 evidente que n\u00e3o se trata aqui de fazer qualquer tipo de questionamento ao lugar do minist\u00e9rio ordenado na Igreja. Trata-se de reposicionar as quest\u00f5es, equilibrar aquilo que cada um \u00e9 chamado a fazer\u201d, acrescenta. A valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade de carismas \u00e9, para Borges de Pinho, um dos maiores dados do Conc\u00edlio em termos de reflex\u00e3o eclesiol\u00f3gica, ao \u201cchamar a  aten\u00e7\u00e3o para o Esp\u00edrito Santo no nascimento e constru\u00e7\u00e3o da Igreja ao longo dos tempos\u201d. \u201cN\u00e3o podemos compreender a ac\u00e7\u00e3o da Igreja sem esta ac\u00e7\u00e3o continuada do Esp\u00edrito\u201d, indica. \u201cTudo isto era uma grande mudan\u00e7a. O esquema piramidal era um esquema cristomonista, e o Conc\u00edlio veio dizer que \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, que vem do Pai e de Jesus, que d\u00e1 a capacidade de perceber e de viver o que Jesus significa para n\u00f3s e para a hist\u00f3ria da humanidade\u201d, prossegue. Nesta linha, compreender-se-\u00e1 que \u201ccada crist\u00e3o \u00e9 capacitado pelo Esp\u00edrito para uma determinada voca\u00e7\u00e3o, para um determinado caminho e servi\u00e7o\u201d. \u201cA quest\u00e3o do ser leigo na Igreja adquire um sentido positivo: n\u00e3o \u00e9 um n\u00e3o-cl\u00e9rigo, mas aquele que tem carismas que informam positivamente a sua exist\u00eancia e que \u00e9 chamado a realizar na Igreja e no mundo\u201d, esclarece Borges de Pinho.  <b>Igreja aberta a todos<\/b> A Constitui\u00e7\u00e3o lan\u00e7a os fundamentos para uma Igreja aberta \u00e0 humanidade, conceito que viria a ser desenvolvido na \u201cGaudium et Spes\u201d. Para Eduardo Borges de Pinho, esta ideia come\u00e7a a estar presente logo no in\u00edcio da \u201cLumen Gentium\u201d, quando se diz que \u201ca Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u201d (n\u00ba 1). \u201cA Igreja \u00e9 colocada numa linha de servi\u00e7o, afirmando-se que n\u00e3o existe para si mesma, mas para ser um sinal. Portanto, tudo o que ela faz s\u00f3 tem sentido se for an\u00fancio, testemunho do Evangelho no mundo em que vivemos\u201d, precisa. Esta reflex\u00e3o \u00e9 desenvolvida nos nn. 13 a 16, quando se aborda a quest\u00e3o da perten\u00e7a \u00e0 Igreja num sentido positivo. \u201cToda a humanidade, no plano salv\u00edfico de Deus, est\u00e1 de uma maneira ou de outra relacionada com a Igreja\u201d, observa Borges de Pinho. Sobre a possibilidade de um novo Conc\u00edlio, o te\u00f3logo assegura que ainda h\u00e1 muito caminho por fazer relativamente ao Vaticano II, \u201cporque todo o acontecimento conciliar tem o seu processo de recep\u00e7\u00e3o e h\u00e1 quest\u00f5es que s\u00f3 o tempo ajudar\u00e1 a amadurecer\u201d. \u201cA tarefa primeira \u00e9, neste momento, explicitar, concretizar e ser fi\u00e9is ao Conc\u00edlio Vaticano II\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Igreja 40 anos depois do Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[144,321],"class_list":["post-15128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-concilio-vaticano-ii","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}