{"id":151266,"date":"2019-10-15T12:31:22","date_gmt":"2019-10-15T11:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=151266"},"modified":"2019-10-23T17:27:53","modified_gmt":"2019-10-23T16:27:53","slug":"a-cruz-escondida-72","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-72\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Paquist\u00e3o vive onda de sequestros e convers\u00f5es for\u00e7adas de jovens crist\u00e3s<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-151278 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao-378x260.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao-378x260.jpg 378w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao-768x528.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao-980x674.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao-480x330.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/ACN-20190910-91375_paquistao.jpg 996w\" sizes=\"(max-width: 378px) 100vw, 378px\" \/><\/a>Crime sem castigo<\/h3>\n<p>Shafilla tinha 14 anos quando foi raptada por familiares mu\u00e7ulmanos. N\u00e3o toleravam que ela fosse crist\u00e3. Quiseram castig\u00e1-la. Violada vezes sem conta, esteve em cativeiro durante meses e foi for\u00e7ada a converter-se ao Isl\u00e3o. Shafilla s\u00f3 foi libertada, a troco do pagamento de um resgate, porque a sua sa\u00fade revelava-se a cada dia mais fr\u00e1gil. Revelando enorme coragem, esta jovem aceitou contar a sua hist\u00f3ria \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<p>\u00c9 apenas uma rapariga. Quando passa na rua, ningu\u00e9m repara na tristeza do seu olhar. Shafilla Qashim esconde-se do mundo e \u00e0s vezes esconde-se at\u00e9 de si pr\u00f3pria. \u00c9 dif\u00edcil fugir da mem\u00f3ria que nos persegue como uma sombra, que nos sobressalta. Shafilla tinha apenas 14 anos quando foi raptada por familiares. No seu caso, nem a fam\u00edlia foi um porto de abrigo. Praticamente todos mu\u00e7ulmanos, n\u00e3o toleravam que ela fosse crist\u00e3. Foi raptada com um \u00f3dio indisfar\u00e7ado. Com desd\u00e9m. Quiseram castig\u00e1-la como se houvesse algum crime por ser crist\u00e3. A hist\u00f3ria de Shafilla, infelizmente, \u00e9 vulgar no Paquist\u00e3o. H\u00e1 dias, o Arcebispo de Lahore alertou, em mensagem enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS, para a exist\u00eancia de uma onda de sequestros e convers\u00f5es for\u00e7adas de raparigas crist\u00e3s menores de idade. Para D. Sebastian Shaw, esta situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 um crime\u201d. \u00c9 um crime sem castigo. N\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas, n\u00e3o se sabe ao certo quantas raparigas crist\u00e3s e hindus j\u00e1 foram sequestradas, j\u00e1 foram violadas e for\u00e7adas a casar convertendo-se ao Isl\u00e3o. \u00c9 um tema quase tabu. N\u00e3o se fala dele porque envergonha. D. Sebastian Shaw denunciou esta situa\u00e7\u00e3o \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS por causa de investiga\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a decorrer na prov\u00edncia do Punjab e que apontam para a exist\u00eancia de cerca de sete centenas de jovens sequestradas. \u201cO sequestro \u00e9 um crime, diz com veem\u00eancia D. Sebastian. \u201cTem que ser tratado como tal. Essa \u00e9 a \u00fanica maneira de acabar com esta realidade.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Palavras em l\u00e1grimas<\/h3>\n<p>Nada poder\u00e1 pagar os dias longos, as semanas intermin\u00e1veis em que Shafilla esteve em cativeiro. As suas palavras, agora, sempre que descreve o que lhe aconteceu, s\u00e3o uma den\u00fancia e est\u00e3o cheias de l\u00e1grimas. J\u00e1 ningu\u00e9m poder\u00e1 apagar da sua mem\u00f3ria o sofrimento por que passou. \u201cEles magoavam-me e batiam-me muito. Mantiveram-me presa numa casa e depois noutra. Quando me recusei a aceitar o Isl\u00e3o, batiam-me, dizendo: \u2018Converte-te; n\u00f3s somos mu\u00e7ulmanos e temos de te converter ao Isl\u00e3o\u2019. Batiam-me, levavam-me at\u00e9 \u00e0 mesquita para ter aulas&#8230;\u201d O seu sofrimento s\u00f3 terminou porque adoeceu. Antes de ser entregue de novo \u00e0 fam\u00edlia, como quem devolve um artigo estragado, que deixou de servir, ainda tentaram negociar a jovem como quem troca um produto no mercado. E conseguiram. \u201cDepois, \u00e0 minha frente, o meu tio ligou aos meus pais e disse: \u2018D\u00e1-nos 500 mil rupias e n\u00f3s devolvemos-te a tua filha\u2019.\u201d Receberam o dinheiro e devolveram o artigo usado. A sobrinha. Shafilla nunca mais ir\u00e1 voltar a ser a mesma rapariga. A sua juventude ficou destro\u00e7ada naqueles meses em que esteve em cativeiro. Foi agredida, maltratada, violada. Foi negociada como uma coisa. Para os captores, ela n\u00e3o tinha valor. Era crist\u00e3. Apenas isso. N\u00e3o se sabe quantas raparigas se suicidam por ano no Paquist\u00e3o por causa de hist\u00f3rias como a de Shafilla. S\u00e3o vistas na sociedade paquistanesa como \u201cmortes de honra\u201d. S\u00e3o crimes que ficam por cumprir. S\u00e3o crimes sem castigo.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paquist\u00e3o vive onda de sequestros e convers\u00f5es for\u00e7adas de jovens crist\u00e3s<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-151266","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151266\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}