{"id":15123,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-responsabilidade-social-dos-cristaos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-responsabilidade-social-dos-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-responsabilidade-social-dos-cristaos\/","title":{"rendered":"A Responsabilidade Social dos Crist\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz &#8211;  Diocese de Portalegre e Castelo Branco <!--more--> \u00c9 com o Papa Le\u00e3o XIII que se inicia a publica\u00e7\u00e3o de um conjunto de documentos, afirmando a dignidade do homem e seus direitos, deixando antever a import\u00e2ncia e a necessidade da doutrina social da Igreja. Na sequ\u00eancia desta preocupa\u00e7\u00e3o, a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contempor\u00e2neo, 30, refere: \u201cQue todos tomem a peito considerar as rela\u00e7\u00f5es sociais como um dos principais deveres do homem contempor\u00e2neo e, como tais, as respeitar. Com efeito, quanto mais o mundo se unifica, tanto mais claro se torna que os deveres do homem ultrapassam os grupos, para se estenderem pouco a pouco ao mundo inteiro. E isto s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se os indiv\u00edduos e os grupos sociais cultivarem em si mesmos e difundirem na sociedade os valores morais e sociais, de forma que sejam verdadeiramente homens novos e art\u00edfices duma nova humanidade, com o necess\u00e1rio aux\u00edlio da gra\u00e7a\u201d. A \u00edndole do homem mostra que o seu desenvolvimento como pessoa e o crescimento da pr\u00f3pria sociedade est\u00e3o mutuamente condicionados. Por isso, o princ\u00edpio e o fim de todas as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam em vista a pessoa, a qual, pela sua natureza, tem necessidade da vida social. Mas que valores morais e sociais devem reger essa vida? Destacar\u00edamos, de entre os primeiros, a <i>verdade<\/i>. Esta traduz-se numa conformidade entre o pensamento e a sua express\u00e3o. Isto \u00e9: se pensamos uma coisa e dizemos outra, n\u00e3o somos verdadeiros; se dizemos uma coisa e fazemos outra, n\u00e3o somos verdadeiros. A verdade manifesta-se tanto nos pequenos gestos como nas grandes resolu\u00e7\u00f5es. Assim, quando um pai ou uma m\u00e3e reprimem e condenam a agressividade de um filho mas, eles pr\u00f3prios, marido e mulher, constantemente a exibem perante os outros ou se digladiam, n\u00e3o est\u00e3o a ser verdadeiros e a sua efic\u00e1cia educativa perde-se. Quando uma pessoa se diz cat\u00f3lica e, at\u00e9, publicamente, manifesta as suas convic\u00e7\u00f5es mas, no emprego, tenta ultrapassar o colega a qualquer pre\u00e7o, prejudicando-o e, em casa, humilha o c\u00f4njuge e brutaliza os filhos, n\u00e3o est\u00e1 a ser verdadeira; ela, contradizendo nos actos a doutrina de paz e de amor que diz professar, \u00e9 um contra-testemunho do ser crist\u00e3o. Quando um pol\u00edtico, na oposi\u00e7\u00e3o, defende ardentemente uma posi\u00e7\u00e3o e, estando no governo, pugna pelo seu contr\u00e1rio, n\u00e3o est\u00e1 a ser verdadeiro e perde credibilidade. Quando se assumem os \u00eaxitos mas se alijam os fracassos; quando nos tornamos respons\u00e1veis pelos resultados felizes mas esconjuramos e atribu\u00edmos aos outros as responsabilidades dos insucessos, n\u00e3o estamos a ser verdadeiros.  A verdade \u00e9 a m\u00e3e da idoneidade, da autoridade, da coragem e da fidelidade. Nem sempre ser verdadeiro \u00e9 f\u00e1cil. Pelo contr\u00e1rio, a defesa da verdade pode custar sacrif\u00edcios que podem ir ao da pr\u00f3pria vida. Assim aconteceu com Jesus Cristo. Ele pr\u00f3prio se intitulou a Verdade. Foi por ela que Ele, em coer\u00eancia com a sua vida, nos legou uma doutrina de paz e de amor; mas foi tamb\u00e9m, em nome dessa Verdade, que denunciou a mentira e a hipocrisia. Por isso O mataram.  Mas a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contempor\u00e2neo tamb\u00e9m refere a necessidade de se cultivarem os valores sociais. Ora, de entre estes, destacar\u00edamos o da <i>caridade<\/i>. Esta palavra, tendo adquirido um sentido pr\u00f3ximo do de esmola, caiu um pouco em desuso. No entanto, ela encerra o que de mais puro tem a doutrina crist\u00e3: o amor ao pr\u00f3ximo. Praticar a caridade ultrapassa o acto merit\u00f3rio de fazer o bem, dando do que temos. \u00c9 certo que, perante as grandes necessidades individuais e colectivas, sermos generosos para com aqueles que precisam representa um acto de solidariedade que s\u00f3 dignifica quem o exerce. Mas, muitas vezes, esse acto esgota-se no momento em que se d\u00e1. Ele aquieta-nos a consci\u00eancia. E, perante certas circunst\u00e2ncias, talvez n\u00e3o possamos fazer mais. Mas a caridade \u00e9, fundamentalmente, dar o que somos; \u00e9 colocarmo-nos ao servi\u00e7o dos outros, fazendo apelo \u00e0s nossas capacidades e compet\u00eancias e com o nosso esfor\u00e7o termos o prop\u00f3sito exclusivo de ajudarmos quem de n\u00f3s precisa, sem estarmos \u00e0 espera de qualquer recompensa. Ou melhor, a recompensa que se vai ter \u00e9 uma imensa alegria interior que resultou do bem que pratic\u00e1mos.   Praticar a caridade implica, tamb\u00e9m, combater a discrimina\u00e7\u00e3o, colocarmo-nos ao lado dos mais fracos, lutar contra as desigualdades que afrontam a dignidade humana, pugnar pela paz e pela justi\u00e7a, enfim, estar ao lado do nosso pr\u00f3ximo. E h\u00e1 sempre m\u00faltiplas maneiras, em conformidade com o Evangelho, de se fazer ouvir a nossa voz e de exercer a nossa vontade! Enfim, ser um crist\u00e3o respons\u00e1vel no mundo actual \u00e9, pois, pela palavra e pelos actos, fazer o exerc\u00edcio continuado da verdade e da caridade no compromisso com Cristo.   Portalegre, 24 de Novembro de 2005<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz &#8211; Diocese de Portalegre e Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[314],"class_list":["post-15123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}