{"id":15090,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/construcao-do-mundo-tarefa-reflexao-e-compromisso\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"construcao-do-mundo-tarefa-reflexao-e-compromisso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/construcao-do-mundo-tarefa-reflexao-e-compromisso\/","title":{"rendered":"Constru\u00e7\u00e3o do mundo: tarefa, reflex\u00e3o e compromisso"},"content":{"rendered":"<p>D. Armindo Lopes Coelho no encerramento das Jornadas dos Leigos <!--more--> Ao ritmo da Liturgia e das actividades pastorais diocesanas, celebr\u00e1mos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Em tempos de maior entusiasmo porventura triunfalista e talvez de mais fervoroso e sentido ardor apost\u00f3lico, celebrava-se a festa de Cristo Rei, com menor fundamenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e mais aparente verdade hist\u00f3rica. A Palavra de Deus, que acabamos de ouvir, permite-nos encontrar os fundamentos objectivos de uma Realeza que vem de Deus, passa por Jesus Cristo e permanece em n\u00f3s como dom e miss\u00e3o. O Profeta Ezequiel fala-nos da realeza de um Deus que \u00e9 Pastor e que concretiza essa realeza atrav\u00e9s das tarefas, t\u00e3o diversas e numerosas, que s\u00e3o pr\u00f3prias de um ex\u00edmio Pastor, sem media\u00e7\u00e3o: \u201cEu pr\u00f3prio, diz o Senhor Deus, irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontr\u00e1-las\u201d (Ez. 34,11). As fun\u00e7\u00f5es pastorais que Deus reivindica e anuncia culminam conceptualmente com a palavra que \u00e9 s\u00edntese e compreens\u00e3o mais vasta: \u201cEu apascentarei as minhas ovelhas\u201d (Ez. 34,14). E depois de enumerar, dir\u00edamos exaustivamente, todas as ac\u00e7\u00f5es e gestos de um Pastor, termina dizendo: \u201cHei-de apascentar com justi\u00e7a\u201d (Ez. 34,16). E a n\u00f3s seu rebanho nada pede para de novo garantir: \u201cHei-de fazer justi\u00e7a (entre todos) entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e cabritos\u201d (Ez. 34,17). Porque o conceito b\u00edblico de justi\u00e7a corresponde essencialmente \u00e0 santidade, devemos concluir que o Pastor que \u00e9 Deus enquanto Pai nos afirma profeticamente que \u00e9 a fonte da santidade que o Seu povo \u00e9 chamado a cultivar como sinal de realeza, que consiste sobretudo na vit\u00f3ria sobre o pecado e na consci\u00eancia do que \u00e9 a \u201cimagem e semelhan\u00e7a com Deus\u201d (cf. Gen. 1,26). Jesus Cristo apresentou-se ao mundo como pastor. Depois de ter contado uma par\u00e1bola sobre o pastor e o comportamento do rebanho, afirmou: \u201cSou Eu o Bom Pastor; o bom pastor d\u00e1 a vida pelas suas ovelhas\u201d (Jo. 10,11). Se confrontarmos as palavras de Ezequiel sobre Deus Pai (\u201cEu pr\u00f3prio irei em busca das minhas ovelhas\u201d \u2013 Ez. 34,11) com as palavras de Cristo em S. Jo\u00e3o (\u201cSou Eu o Bom Pastor\u201d \u2013 Jo. 10,11), descobrimos e conclu\u00edmos que Cristo \u00e9 Deus, um com o Pai: \u201cAssim como o Pai Me conhece, tamb\u00e9m Eu conhe\u00e7o o Pai e dou a minha vida pelas minhas ovelhas\u201d (Jo. 10,15). O mesmo Evangelista tinha j\u00e1 apresentado a chave deste mist\u00e9rio quando escreveu: \u201cDeus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu filho \u00fanico\u2026 porque Deus n\u00e3o enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele\u201d (Jo. 3,16-17). S. Paulo integra estes factos no \u00e2mbito de uma Cristologia salv\u00edfica que se percebe quanto poss\u00edvel pela l\u00f3gica do contradit\u00f3rio: \u201cUma vez que a morte veio por um homem, tamb\u00e9m por um homem veio a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos; porque, do mesmo modo que em Ad\u00e3o todos morreram, assim tamb\u00e9m em Cristo ser\u00e3o todos restitu\u00eddos \u00e0 vida\u201d (1 Cor. 15,21-22). Esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o em que vivemos, na expectativa e esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o depois da morte, mas na consci\u00eancia de uma vida em Deus, como consequ\u00eancia e fruto das sementes que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo difundiu como \u201cprim\u00edcias dos que morreram\u201d. Esta situa\u00e7\u00e3o, nossa e do mundo em geral, consta de um processo hist\u00f3rico e escatol\u00f3gico. O ap\u00f3stolo fala da sujei\u00e7\u00e3o a Cristo por parte de \u201ctodos os inimigos\u201d, \u201cde todas as coisas\u201d, e diz que \u201co \u00faltimo inimigo a ser aniquilado \u00e9 a morte\u201d. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que Ele reine\u201d. \u201cDepois ser\u00e1 o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai\u201d (cf. 1Cor. 15,20-26). A figura do Pastor que apascenta e d\u00e1 a vida por aqueles que ama manifesta-nos a profundidade da Realeza de Deus em Cristo \u2013 e chama-se Amor misericordioso e infinito. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que Ele reine\u201d. De facto acreditamos neste Amor que reina e venceu a morte pela ressurrei\u00e7\u00e3o, e acreditamos nesta vit\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 escatol\u00f3gica mas tamb\u00e9m hist\u00f3rica e terrena. Mas continuamos a celebrar a Realeza de Cristo e a proclamar com solicitude e zelo apost\u00f3lico: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que Ele reine\u201d. O pr\u00f3prio Cristo reassumiu o cen\u00e1rio do Pastor que vem na sua gl\u00f3ria e esplendor sentar-se no trono que lhe pertence, convocar todas as na\u00e7\u00f5es como convoca o rebanho a quem pede contas. E julgar-nos-\u00e1 a partir da justi\u00e7a que foi prometida mediante o profeta e a partir do amor infinito que Deus manifestou pela morte do Filho que nos enviou. Sabemos que \u201ctodos na Igreja, quer perten\u00e7am \u00e0 Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, s\u00e3o chamados \u00e0 santidade (justi\u00e7a), segundo a palavra do Ap\u00f3stolo: \u201cesta \u00e9 a vontade de Deus, a vossa santifica\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 1 Tess. 4,3\u201d (L.G.39). \u201cTodas as coisas Lhe est\u00e3o sujeitas, at\u00e9 que Ele se submeta, e a todas as criaturas, ao Pai, para que Deus seja tudo em todos (cf. 1Cor. 15,27-28)\u201d. A Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja (Lumem Gentium) recorda que Cristo \u201ccomunicou este poder aos disc\u00edpulos, para que tamb\u00e9m eles sejam constitu\u00eddos em r\u00e9gia liberdade e, com a abnega\u00e7\u00e3o de si mesmos e a santidade da vida, ven\u00e7am em si pr\u00f3prios o reino do pecado; mais ainda, para que, servindo a Cristo tamb\u00e9m nos outros, conduzam os seus irm\u00e3os, com humildade e paci\u00eancia, \u00e0quele Rei, a quem servir \u00e9 reinar. Pois o Senhor deseja dilatar tamb\u00e9m por meio dos leigos o Seu reino, reino de verdade e de vida, reino de santidade e de gra\u00e7a, reino de justi\u00e7a, de amor e de paz\u201d (LG.36). Estes s\u00e3o conceitos do Pref\u00e1cio da Solenidade de Cristo Rei. Assim rezamos porque assim acreditamos (Lex orandi, lex credendi). A Lumen Gentium comenta: \u201cGrande \u00e9 a promessa, grande o mandamento que \u00e9 dado aos disc\u00edpulos\u201d (Ibid.). Grande o mandamento, em profundidade e extens\u00e3o. \u00c9 o pr\u00f3prio Cristo que o dimensiona, quando, ao falar da heran\u00e7a que \u00e9 o \u201creino preparado desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo\u201d, integra no \u00e2mbito do amor os seguintes problemas: a fome e sede, o acolhimento ao peregrino, a aten\u00e7\u00e3o ao que n\u00e3o tem que vestir, a visita ao doente e ao preso. S\u00e3o exemplos de manifesta\u00e7\u00f5es de amor e express\u00f5es de justi\u00e7a. E se algu\u00e9m se surpreender com estes modos, crit\u00e9rios e processos de constituir o reino de Deus neste mundo, e se tiver esquecido de que o segundo mandamento (amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo) \u00e9 semelhante ao primeiro (amar\u00e1s o Senhor teu Deus), Cristo lembra ainda outra vez: \u201cEm verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irm\u00e3os mais pequeninos a Mim o fizestes\u201d (Mt. 25,40). A Solenidade de Cristo Rei tem vindo a ser recuperada, nesta Diocese, como oportunidade para reflex\u00e3o e compromisso. Como Jornadas Diocesanas do Apostolado dos Leigos, abrangem reflex\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o neste ano sobre Carisma e Miss\u00e3o, sobre caminhos andados e sugest\u00f5es para caminhar, ora\u00e7\u00e3o que culmina com esta Celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Presentes est\u00e3o representantes dos Movimentos e Obras, e tamb\u00e9m uma representa\u00e7\u00e3o especial do Secretariado Diocesano de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, constitu\u00edda por um grupo de 31 Catequistas que completaram o Curso Geral de Forma\u00e7\u00e3o Catequ\u00edstica, e v\u00e3o receber o respectivo Diploma. Torna-se assim mais forte e mais vis\u00edvel o sinal do prop\u00f3sito que nos anima na grande tarefa comum de evangelizar e construir o Reino de Deus cuja realidade e amplitude celebramos nesta Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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