{"id":15026,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/d-diogo-de-sousa-o-revolucionario\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"d-diogo-de-sousa-o-revolucionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-diogo-de-sousa-o-revolucionario\/","title":{"rendered":"D. Diogo de Sousa, o revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Simp\u00f3sio assinala V centen\u00e1rio da investidura do Arcebispo de Braga <!--more--> D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, considerou ontem \u00abimperioso\u00bb conhecer melhor o passado da cidade, pois \u00abos comportamentos do quotidiano vivido com avidez faz perder o sentido da hist\u00f3ria\u00bb.  O prelado, que falava na abertura do Simp\u00f3sio do V Centen\u00e1rio da investidura de D. Diogo de Sousa, notou que \u00abse estamos aqui deve-se \u00e0 interven\u00e7\u00e3o inteligente de muitos antepassados que projectaram e delinearam a cidade que nem sempre conhecemos\u00bb.  O simp\u00f3sio, que prossegue hoje, pretende dar a conhecer as v\u00e1rias facetas de D. Diogo, um humanista que contactou com o expoente do Renascimento europeu e que revolucionou a cidade a n\u00edvel pastoral, arquitect\u00f3nico, assistencial, cultural e social. D. Jorge Ortiga apelou \u00e0 necessidade de conhecer melhor o passado, de forma a n\u00e3o se perder o sentido da hist\u00f3ria da cidade, pois \u00absem mem\u00f3ria o presente n\u00e3o tem ra\u00edzes e o futuro est\u00e1 amea\u00e7ado\u00bb.  \u00abOlhando para a nossa cidade, naquilo que ela \u00e9, parece-me imperioso suscitar o dever de conhecer o nosso passado. Caminhamos em comportamentos dum quotidiano vivido com avidez e come\u00e7a-se a perder o sentido da hist\u00f3ria\u00bb, alertou o arcebispo, notando que \u00abse estamos aqui, para o bem ou para o mal, deve-se \u00e0 interven\u00e7\u00e3o inteligente de muitos antepassados que projectaram e delinearam a cidade que nem sempre conhecemos\u00bb.  D. Jorge Ortiga real\u00e7ou que, qual cidade dos Arcebispos, Braga, vai recordar dois paladinos da causa bracarense, agora D. Diogo como \u00abo reedificador da cidade\u00bb e, em princ\u00edpios de Dezembro, D. Frei Caetano Brand\u00e3o. Mas, ressalvou, \u00abn\u00e3o estamos a circunscrever- nos a homens da Igreja \u00bb, pois \u00abs\u00e3o pessoas do seu tempo que ouviram as necessidades e se concentraram nas respostas\u00bb.  O arcebispo real\u00e7ou ainda \u00aba paix\u00e3o e qualidade\u00bb que estes dois nomes maiores de Braga colocaram no seu trabalho e a import\u00e2ncia do esp\u00f3lio cultural que nos legaram. \u00abCultivamos a mem\u00f3ria e trabalhamos pelo futuro\u00bb, vincou D. Jorge, desejando que os trabalhos do Simp\u00f3sio \u2013 que prossegue durante o dia de hoje, no audit\u00f3rio de S. Frutuoso \u2013 \u00absejam frut\u00edferos nos conhecimentos hist\u00f3ricos e nas luzes que poder\u00e3o trazer para o actual conhecimento de Braga\u00bb.  O prelado notou ainda que \u00aba sociedade deixou de ser um conjunto de s\u00fabditos passivos e obedientes para tornar-se uma realidade de cidadania participativa e respons\u00e1vel\u00bb, pelo que a par dos m\u00faltiplos direitos \u00abtalvez seja chegada a hora de estabelecer uma carta dos deveres\u00bb, que integrando todos os direitos promova uma responsabilidade social, j\u00e1 que a cidadania pode esvaziar-se se o cidad\u00e3o n\u00e3o for capaz de articular os seus esfor\u00e7os e potencialidades para construir com os outros uma melhor casa comum\u00bb.   <b>Um senhor sem patrim\u00f3nio pessoal<\/b> Por sua vez na introdu\u00e7\u00e3o ao primeiro dia de trabalhos, o De\u00e3o da S\u00e9 de Braga, Pio Alves de Sousa, salientou a \u00abmultifacetada e prodigiosa actividade\u00bb da grande personagem que foi D. Diogo de Sousa, que soube ser \u00abverdadeiro arcebispo e verdadeiro senhor de Braga\u00bb, duas realidades que para n\u00f3s, hoje, seriam irreconcili\u00e1veis, mas que no seu tempo \u00abforam assumidas e vividas por D. Diogo de um modo exemplar, como concretiza\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica voca\u00e7\u00e3o: servir, em toda a extens\u00e3o do termo o seu povo\u00bb.  Neste sentido, o Simp\u00f3sio sobre D. Diogo pretende \u2013 nas palavras de Pio Alves de Sousa \u2013 \u00abconhecer melhor o humanista convicto e abrangente, o urbanista re-fundador da cidade de Braga, n\u00e3o apenas mecenas, mas re-criador de cultura, atento \u00e0s gritantes necessidades das popula\u00e7\u00f5es, reformador de institui\u00e7\u00f5es, pastor e amigo de reis a quem, com igual respeito e firmeza, soube dizer n\u00e3o quando o bem do seu povo assim o pedia\u00bb.  D. Diogo de Sousa governou a Arquidiocese durante 27 anos, de 1505 a 1532, mas \u00abn\u00e3o \u00e9 a extens\u00e3o temporal do seu pontificado nem os recursos financeiros pessoais que explicam a riqueza da sua ac\u00e7\u00e3o \u00bb, referiu o De\u00e3o da S\u00e9, notando que D. Diogo \u00abentrou em Braga com d\u00edvidas e morreu sem patrim\u00f3nio pessoal\u00bb.  As d\u00edvidas resultavam das despesas da embaixada a Roma, a pedido de D. Manuel I a fim de prestar homenagem de obedi\u00eancia ao Papa J\u00falio II que outorgou o Tratado de Tordesilhas, e das contas a pagar \u00e0 Santa S\u00e9. Quanto \u00e0s suas pretensas riquezas, o pr\u00f3prio afirmou a D. Manuel I: \u00abTodo o meu tempo e fazenda despendo em meu of\u00edcio, sem me lembrar sen\u00e3o o p\u00e3o de cada dia. Nem espero que, pela minha morte, me achem heran\u00e7as compradas nem tesouros escondidos\u00bb. Mais tarde diria a D. Jo\u00e3o III: \u00abE assim lhe juro que nunca tive desejo de ser rico (&#8230;) tudo o que possuo acaba por mim, nem tenho herdeiros nem pessoas para que haja de comprar heran\u00e7a\u00bb.   <b>Um humanista que contactou com o expoente do Renascimento<\/b> A clareza do seu pensamento e o desprendimento de bens materiais, n\u00e3o impediram, contudo, que D. Diogo seja hoje admirado como um dos maiores arcebispos de Braga, tendo deixado \u00abum obra extraordin\u00e1ria no campo pastoral, arquitect\u00f3nico, assistencial, cultural e social\u00bb, como assinalou o investigador Amadeu Torres.  Este investigador e professor jubilado da Universidade Cat\u00f3lica, que falou sobre \u201cD. Diogo de Sousa no contexto cultural do Renascimento\u201d, notou que n\u00e3o h\u00e1 duvidas de que \u00aba sua obra n\u00e3o seria a mesma se D. Diogo n\u00e3o tivesse contactado com o humanismo europeu\u00bb, nomeadamente atrav\u00e9s dos seus estudos em Salamanca e em Paris.  D. Diogo encontrou-se tamb\u00e9m em Roma no expoente da Renascen\u00e7a liter\u00e1ria e art\u00edstica, cuja influ\u00eancia e abertura de esp\u00edrito tamb\u00e9m transportou para cidade de Braga, onde alargou e abriu ruas e pra\u00e7as e, entre muitas outras obras, fundou, j\u00e1 no final da sua prelatura, o Col\u00e9gio de Artes e Teologia, no Largo de S. Paulo (actual Semin\u00e1rio Maior), com o qual pretendia combater a ignor\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o e do pr\u00f3prio clero de ent\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simp\u00f3sio assinala V centen\u00e1rio da investidura do Arcebispo de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[172,187,285,297],"class_list":["post-15026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-porto","tag-patrimonio","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15026\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}