{"id":14992,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-deus-que-fala-aos-homens\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-deus-que-fala-aos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-deus-que-fala-aos-homens\/","title":{"rendered":"Um Deus que fala aos homens"},"content":{"rendered":"<p>40\u00ba anivers\u00e1rio da \u00abDei Verbum\u00bb <!--more--> No dia 18 de Novembro de 1965, o Conc\u00edlio Vaticano II aprovava a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica &#8220;Dei Verbum&#8221;, sobre a Revela\u00e7\u00e3o Divina. 40 anos depois, o Pe. Nuno Br\u00e1s, professor de Teologia na UCP, explica ao programa ECCLESIA as implica\u00e7\u00f5es e as consequ\u00eancias deste documento central  <i>ECCLESIA \u2013 De que trata esta Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica? Pe. Nuno Br\u00e1s \u2013<\/i> A \u201cDei Verbum\u201d (DV) trata da Palavra de Deus, que \u00e9 Cristo. N\u00e3o \u00e9 um documento exclusivamente sobre a Sagrada Escritura, mas essencialmente sobre a maneira como Deus vem ao encontro do homem e lhe fala.  <i>E \u2013 Deus revela-se por um conjunto de doutrinas? NB &#8211;<\/i> Deus revela-se ao homem n\u00e3o apenas transmitindo informa\u00e7\u00e3o acerca de si pr\u00f3prio, mas vivendo com os homens, fazendo hist\u00f3ria com eles. A DV apresenta a Revela\u00e7\u00e3o de Deus como a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, desde a cria\u00e7\u00e3o ao fim dos tempos, centrada em Jesus Cristo.  <i>E \u2013 Pode-se dizer que este \u00e9 um dos documentos mais importantes do Conc\u00edlio? NB &#8211;<\/i> A DV \u00e9 muitas vezes esquecida, em compara\u00e7\u00e3o com a \u201cGaudium et Spes\u201d, da \u201cLumen Gentium\u201d. Em 1963, o Conc\u00edlio Vaticano II assumiu um plano, que era a Igreja \u2013 o que diz acerca de si pr\u00f3pria e ao mundo. A Constitui\u00e7\u00e3o DV \u00e9 basilar para estas duas outras Constitui\u00e7\u00f5es: a Igreja, para ter consci\u00eancia do que \u00e9, precisa de saber o que Jesus Cristo diz que ela \u00e9, precisa de saber o que Deus quer dela e isso \u00e9 a Revela\u00e7\u00e3o  <i>E \u2013 Que novidades trouxe esta Constitui\u00e7\u00e3o? NB &#8211;<\/i> Em primeiro lugar, a novidade de proclamar Jesus Cristo como Palavra de Deus e centrar tudo nele.  Havia uma tend\u00eancia na teologia de ent\u00e3o, que era a das \u201cduas fontes\u201d, a qual esteve na redac\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio documento. Dizia-se que sab\u00edamos coisas de Deus atrav\u00e9s de duas fontes: uma era a Sagrada Escritura e a outra era a Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio vem dizer que n\u00f3s sabemos quem Deus \u00e9 atrav\u00e9s de uma \u00fanica fonte, que \u00e9 Jesus Cristo. Esta \u00e9 uma realidade revolucion\u00e1ria, porque se diz que Jesus Cristo \u00e9 n\u00e3o apenas o revelador, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria Revela\u00e7\u00e3o. Aquilo que Deus tem para dizer ao mundo n\u00e3o s\u00e3o ideias, um conjunto de doutrinas \u2013 ou pelo menos n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso -, mas aquilo que Deus tem para dizer ao mundo \u00e9 Jesus Cristo.  <i>E \u2013 Essa afirma\u00e7\u00e3o levaria a relativizar a Tradi\u00e7\u00e3o? NB &#8211;<\/i> N\u00e3o, pelo contr\u00e1rio. Percebemos que a Sagrada Escritura se refere essencialmente a Jesus Cristo, que tudo na B\u00edblia a ele diz respeito; por outro lado, a Tradi\u00e7\u00e3o, entendida como realidade teol\u00f3gica, mais n\u00e3o \u00e9 do que a presen\u00e7a, ao longo da hist\u00f3ria do pr\u00f3prio Jesus Cristo.  <i>E \u2013 Qual \u00e9 o lugar do Magist\u00e9rio perante esse n\u00facleo central da Revela\u00e7\u00e3o? NB &#8211;<\/i> Essa \u00e9 outra das novidades do Conc\u00edlio: a Igreja est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o de quem escuta a Palavra de Deus. A primeira coisa que o Magist\u00e9rio faz \u00e9, tamb\u00e9m ele, p\u00f4r-se \u00e0 escuta da Palavra. O Magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 acima da Palavra de Deus, est\u00e1 para o seu servi\u00e7o. Esta realidade de Jesus Cristo estar presente em todos os momentos da hist\u00f3ria, tamb\u00e9m a futura, pode conduzir a vis\u00f5es subjectivistas: n\u00e3o sendo uma realidade de carne e osso, facilmente podemos dizer que Jesus Cristo \u00e9 aquilo que eu acho que ele \u00e9. O Magist\u00e9rio existe para impedir isso, garantindo que o Jesus em quem n\u00f3s acreditamos hoje \u00e9 verdadeiramente Jesus Cristo tal como viveu h\u00e1 dois mil anos.  <i>E \u2013 Esta primazia dada \u00e0 Palavra de Deus tem um alcance ecum\u00e9nico? NB &#8211;<\/i> O documento teve, desde logo, uma preocupa\u00e7\u00e3o essencialmente ecum\u00e9nica. O mundo cat\u00f3lico de h\u00e1 40 anos era um mundo que dava relativamente pouca import\u00e2ncia \u00e0 Sagrada Escritura, ao contr\u00e1rio do mundo protestante, que sempre esteve muito centrado na pr\u00f3pria B\u00edblia. Neste sentido, a DV veio recordar ao mundo cat\u00f3lica a centralidade da B\u00edblia na vida da Igreja: na reflex\u00e3o teol\u00f3gica, na vida pastoral, na prega\u00e7\u00e3o e na vida espiritual. Muitas vezes temos a tenta\u00e7\u00e3o de achar que a Escritura \u00e9 para os peritos e n\u00e3o tem nada a ver com a ora\u00e7\u00e3o quotidiana.  <i>E \u2013 Deste documento fica uma sugest\u00e3o para que todos leiam a B\u00edblia? NB &#8211;<\/i> Claramente. O \u00faltimo cap\u00edtulo, que fala da import\u00e2ncia da Sagrada Escritura na vida da Igreja, faz-nos perceber que a Escritura n\u00e3o \u00e9 para se colocar na prateleira porque, como Palavra de Deus, n\u00e3o \u00e9 um livro que nos fale do passado, mas \u00e9 um livro que nos fala do presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>40\u00ba anivers\u00e1rio da \u00abDei Verbum\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[295,144,321],"class_list":["post-14992","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-biblia","tag-concilio-vaticano-ii","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14992\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}