{"id":1497,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igrejas-para-tempo-e-lugar-de-ferias\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igrejas-para-tempo-e-lugar-de-ferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igrejas-para-tempo-e-lugar-de-ferias\/","title":{"rendered":"Igrejas para tempo e lugar de f\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p>Diogo Lino Pimentel <!--more--> <\/p>\n<p>&Eacute; um facto, de h&aacute; muito constatado, que as igrejas dos centros urbanos no Ver&atilde;o quase se esvaziam: encerram o ano das actividades pastorais (catequese, obras e organismos paroquiais, os ensaios do coro, etc.); as crian&ccedil;as est&atilde;o em f&eacute;rias e o tempo pede praia, campo ou, para alguns, viagem.<\/p>\n<p>Come&ccedil;a ent&atilde;o um aut&ecirc;ntico movimento migrat&oacute;rio. Parques de campismo, hot&eacute;is ou pens&otilde;es e segundas casas v&atilde;o ser utilizados em pleno. Pequenos aglomerados v&ecirc;em decuplicar a sua escassa popula&ccedil;&atilde;o fixa com a chegada dos veraneantes ou a passagem dos turistas. A pastoral fica ent&atilde;o quase reduzida &agrave; missa dominical, para assembleias rarefeitas nas par&oacute;quias da cidade, e sobrelotadas nas pequenas capelas e nas igrejas dos locais de veraneio. Nestas, grande parte das pessoas ficam &agrave; porta ou fora dela e outras em sequer tentam l&aacute; ir.<\/p>\n<p>A melhoria das estradas e acessos, imposta pela crescente procura, facilitam uma utiliza&ccedil;&atilde;o cada vez mais ass&iacute;dua dessas segundas casas ou das caravanas que se estacionam nos parques de campismo. Para al&eacute;m do Ver&atilde;o, s&atilde;o as f&eacute;rias de Natal, Carnaval e P&aacute;scoa, os fins de semana alargados pelas &ldquo;pontes&rdquo; ou mesmo os simples fins de semana sem &ldquo;ponte&rdquo;.<\/p>\n<p>Turistas e veraneantes tornam-se ent&atilde;o &ldquo;migrantes&rdquo; intermitentes, ou sazonais. E, nessa condi&ccedil;&atilde;o, correm o risco de se desenraizarem ou de se &ldquo;desligarem&rdquo; provisoriamente.<\/p>\n<p>Creio que a pastoral de turismo dever&aacute; ter por objectivo manter a &ldquo;religa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ou seja, a religi&atilde;o desse &ldquo;migrante&rdquo; que at&eacute; n&atilde;o toma consci&ecirc;ncia dessa sua condi&ccedil;&atilde;o. Dever&aacute; ser como uma esp&eacute;cie de servi&ccedil;o de acolhimento a emigrantes provis&oacute;rios. Ainda por cima trata-se de emigrantes n&atilde;o s&oacute; no sentido geogr&aacute;fico, mas principalmente no dom&iacute;nio da sua pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia, em que as pessoas tendem a fazer f&eacute;rias de si pr&oacute;prias, dos &ldquo;irm&atilde;os&rdquo; e, por consequ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m do pr&oacute;prio Pai.<\/p>\n<p>H&aacute; pois que estruturar uma verdadeira pastoral de f&eacute;rias e de turismo. Como todas as actividades comunit&aacute;rias e colectivas, tamb&eacute;m essa actividade pastoral ir&aacute; exigir instala&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias: um espa&ccedil;o de celebra&ccedil;&atilde;o, um espa&ccedil;o de sil&ecirc;ncio e ora&ccedil;&atilde;o e um espa&ccedil;o de encontro e conv&iacute;vio. Eventualmente, pode at&eacute; justificar-se alguma &ldquo;variante lit&uacute;rgica&rdquo;, tal como se admite para algumas ocasi&otilde;es ou contextos especiais, como seja, por exemplo, uma celebra&ccedil;&atilde;o de &ldquo;bodas de ouro&rdquo;. Ser&aacute; uma quest&atilde;o de sintonia com o momento vivido e com o enquadramento da celebra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Neste caso, o momento &eacute; de f&eacute;rias e o contexto de corte com a rotina das habituais ocupa&ccedil;&otilde;es predominantes durante o ano. Raramente as igrejas e equipamentos locais se mostram capazes de acolherem essa enorme popula&ccedil;&atilde;o flutuante.<\/p>\n<p>Por outro lado, ser&aacute; insensato e pouco vi&aacute;vel construir nesses locais novas igrejas dimensionadas para uma popula&ccedil;&atilde;o que s&oacute; ocasionalmente para l&aacute; converge.&nbsp; Ser&aacute; no entanto poss&iacute;vel e adequado recorrer a outro tipo de equipamentos, que poderemos designar por espa&ccedil;os polivalentes, capazes de servirem para reuni&otilde;es de v&aacute;rios tipos, desde as assembleias eucar&iacute;sticas &agrave;s actividades festivas, passando pelas de simples conv&iacute;vio ou pelas culturais, incluindo concertos ou representa&ccedil;&otilde;es, promovidas pelos pr&oacute;prios veraneantes e diversos grupos et&aacute;rios.<\/p>\n<p>N&atilde;o se trataria propriamente de uma igreja ou de um &ldquo;sal&atilde;o&rdquo; mas de um simples recinto vedado, envolvendo uma pequena capela. A capela, com alguns anexos, serviria &agrave; popula&ccedil;&atilde;o residente fixa, e abriria franca e facilmente para o dito recinto vedado. Este &uacute;ltimo, eventualmente e em parte tratado &agrave; maneira de anfiteatro, tamb&eacute;m parcialmente coberto por simples toldos ou por uma cobertura ligeira, poderia ser utilizado para missas campais, ou para as outras actividades que o planeamento pastoral ou a iniciativa dos fi&eacute;is viessem a promover.&nbsp;<\/p>\n<p>O altar poder&aacute; ser o mesmo, na capela ou no exterior. Os degraus pr&oacute;prios do esquema em anfiteatro, dispensar&atilde;o bancos ou cadeiras no exterior. Quando muito poder&atilde;o utilizar-se algumas almofadas que cada um recolha e depois devolva. Para os veraneantes, o espa&ccedil;o-capela ser&aacute; o local de recolhimento e ora&ccedil;&atilde;o que muitos n&atilde;o dispensar&atilde;o. Alguma arboriza&ccedil;&atilde;o envolvente, para al&eacute;m de dar sombra, contribuir&aacute; para o conveniente resguardo do espa&ccedil;o, em complemento do indispens&aacute;vel muro de veda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>De qualquer modo, parece inadi&aacute;vel reflectir sobre esta realidade t&atilde;o actual, e experimentar modos pastorais que n&atilde;o dependam ou que n&atilde;o se dirijam exclusivamente &agrave; estrutura territorial da par&oacute;quia residencial.<\/p>\n<p>A perten&ccedil;a comunit&aacute;ria tende, em parte, a n&atilde;o ser essencialmente territorial. &Eacute; bom que a situa&ccedil;&atilde;o de turista ou de veraneante n&atilde;o seja impeditiva da continuidade da perten&ccedil;a &agrave; comunidade e da participa&ccedil;&atilde;o nas manifesta&ccedil;&otilde;es que a realizam.<\/p>\n<p>Em apoio e para melhor entendimento da ideia de poss&iacute;veis equipamentos pastorais para zonas de turismo e vilegiatura, prop&otilde;e-se um esquema gr&aacute;fico &agrave; maneira de sugest&atilde;o. &Eacute; que, se &eacute; certo que o programa pastoral determina o equipamento, tamb&eacute;m pode acontecer que uma ideia de equipamento possa sugerir uma diferente atitude pastoral mais adequada a novas situa&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Diogo Lino Pimentel, Julho 2003<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diogo Lino Pimentel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,211,267,320],"class_list":["post-1497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-ferias","tag-natal","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1497\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}