{"id":14901,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/uma-igreja-para-o-mundo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"uma-igreja-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-igreja-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"Uma Igreja para o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Abertura da Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa &#8211; F\u00e1tima, 14-17 de Novembro de 2005 <!--more--> Dentro de dias, em 7 de Dezembro, celebraremos o quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio do encerramento do Conc\u00edlio do Vaticano II. Importa dar-lhe vitalidade. Ao pensar nessa grande assembleia de todos os Bispos, em uni\u00e3o com o Bispo de Roma, quero iniciar estas minhas palavras testemunhando a nossa mais profunda comunh\u00e3o eclesial com Sua Santidade, o Papa Bento XVI. \u00c9 a primeira Assembleia Plen\u00e1ria ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o, pelo que solicito a Sua Ex.cia Rev.ma o Senhor N\u00fancio Apost\u00f3lico \u2013 a quem sa\u00fado, agradecendo a presen\u00e7a e a solicitude pastoral \u2013 que lhe assegure o nosso sentimento de fidelidade e empenho colegial, ao servi\u00e7o da edifica\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Paulo VI referiu-se ao Conc\u00edlio com palavras que podemos, hoje, assumir programaticamente: \u201cO Conc\u00edlio n\u00e3o conclui os seus trabalhos no meio do esgotamento de for\u00e7as mas antes no meio do entusiasmo que desperta\u2026 O Conc\u00edlio falou ao mundo n\u00e3o com press\u00e1gios funestos mas com uma mensagem de esperan\u00e7a e palavras de confian\u00e7a\u201d (Homilia de encerramento). De facto e apesar de a actual situa\u00e7\u00e3o, especialmente a que se vive no nosso pa\u00eds, parecer evocar o des\u00e2nimo e o pessimismo, o Esp\u00edrito Santo que nos anima interpela-nos a uma palavra de esperan\u00e7a e entusiasmo pelo futuro. No leque de t\u00e3o diversificadas leituras da realidade, a Igreja \u00e9 portadora de um humanismo caracteristicamente crist\u00e3o, que nos torna \u2013 sempre e em toda a parte \u2013 \u201ccultores do homem\u201d, atrav\u00e9s do interesse realista e concreto pelos seus problemas e do respeito pelos seus projectos e sonhos, em clara atitude de esperan\u00e7a. Evocar o Conc\u00edlio do Vaticano II significa, por isso, imprimir \u00e0 ac\u00e7\u00e3o da Igreja uma centraliza\u00e7\u00e3o no ser humano, na profunda convic\u00e7\u00e3o de que \u201cs\u00f3 no mist\u00e9rio do Verbo Incarnado encontra luz o seu mist\u00e9rio\u2026 Cristo, revelando o mist\u00e9rio do Pai e do seu amor revela precisamente o homem ao homem\u201d (Gaudium et Spes 22). A modernidade, ap\u00f3s o fracasso de tantas alternativas propostas para substituir a f\u00e9 no Deus \u00fanico e verdadeiro, parece ter atingido um vazio que a difus\u00e3o quase planet\u00e1ria da chamada \u00abcultura global\u00bb pretende encher, mas sem evoca\u00e7\u00e3o da profundidade humana ou da sua orienta\u00e7\u00e3o para Deus. Por essa via, absolutiza-se a vontade individual como \u00fanica fonte e \u00fanico crit\u00e9rio de liberdade. Fala-se de conviv\u00eancia democr\u00e1tica mas, em realidade, s\u00f3 o \u201ceu\u201d individualista ou os interesses de sistemas an\u00f3nimos parecem determinar e orientar as condutas. Neste contexto e por voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a Igreja dever\u00e1 renovar a consci\u00eancia do papel p\u00fablico que o cristianismo det\u00e9m, propondo as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para uma conviv\u00eancia livre e democr\u00e1tica e conferindo \u00e0 f\u00e9 uma \u00abfun\u00e7\u00e3o civil\u00bb que lhe \u00e9 cong\u00e9nita. Mais do que nunca, teremos de interpelar os crist\u00e3os para a exig\u00eancia de trabalhar pelo bem integral do ser humano, na defesa da dignidade da pessoa, da vida e da fam\u00edlia, assim como na promo\u00e7\u00e3o da paz, atrav\u00e9s de um encontro inter-cultural baseado no respeito, na justi\u00e7a e na verdade. Da\u00ed que n\u00e3o possamos alhear-nos ao presente da hist\u00f3ria portuguesa, contribuindo, individual e colegialmente, para a defesa da vida e para conseguir que esta seja vivida, por todos, de modo cada vez mais humano. Como poderemos realizar este contributo original e insubstitu\u00edvel, que exercemos por direito pr\u00f3prio e sem necessidade de recurso a privil\u00e9gios amb\u00edguos?   <b>1. Transmiss\u00e3o da f\u00e9<\/b> O primeiro caminho, aquele que nos \u00e9 mais pr\u00f3prio, \u00e9 o da transmiss\u00e3o da f\u00e9, como experi\u00eancia de Deus, em Jesus Cristo e por ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Esta f\u00e9 assenta, \u00e9 certo, na op\u00e7\u00e3o pessoal, no mais \u00edntimo de cada sujeito, mas n\u00e3o se reduz \u00e0 dimens\u00e3o privada, devendo repercutir-se no quotidiano pessoal e social. Sabemos que se torna urgente repensar a transmiss\u00e3o da f\u00e9. Sempre labut\u00e1mos e investimos energias neste sector. Sem pessimismos, temos de reconhecer que o confronto com o mundo plural e globalizado exige dos crist\u00e3os uma f\u00e9 consciente de novos desafios, cada vez mais empenhada na configura\u00e7\u00e3o da vida p\u00fablica e na den\u00fancia de eventuais atentados contra a humanidade.  Por isso, no contexto das assembleias plen\u00e1rias da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, iremos reflectir, ao longo dos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, sobre a importante quest\u00e3o da transmiss\u00e3o da f\u00e9, em ordem a novas respostas pastorais.  Na presente assembleia, reflectiremos sobre os novos modelos culturais, que exigem discernimento, em fidelidade ao Esp\u00edrito. Estamos perante um tempo novo, com desafios in\u00e9ditos \u2013 culturais, educativos, morais, econ\u00f3micos, espirituais \u2013 e n\u00e3o podemos ficar indiferentes. Teremos de nos colocar nos caminhos da gente que vive connosco, caminhar com todos e como todos, colher as expectativas mais profundas e a procura de sentido para a vida e para a morte, para o bem e para o mal. Perante a mudan\u00e7a, n\u00e3o basta lamentar a perda de tempos passados nem apegar-se a modelos inadequados. \u00c9 preciso, em muitos casos, modificar tamb\u00e9m as atitudes. S\u00f3 assim poderemos contribuir, na f\u00e9, para criar uma forma de estar e de pensar que alicerce a cidadania e conviv\u00eancia humana em princ\u00edpios s\u00f3lidos, capazes de suscitar e gerar iniciativas nos mais variados \u00e2mbitos: defesa da vida, promo\u00e7\u00e3o humana, respeito pela natureza, promo\u00e7\u00e3o de sadia conviv\u00eancia social, no respeito pela diversidade de culturas e religi\u00f5es, sempre com especial aten\u00e7\u00e3o aos mais pobres e desfavorecidos.  Por outro lado, n\u00e3o podemos resignar-nos \u00e0 inevitabilidade duma sociedade que pretende construir-se sem rumo, originando reac\u00e7\u00f5es violentas e destrutoras, como as que presenci\u00e1mos recentemente. Devemos cultivar uma consci\u00eancia cr\u00edtica e persistente que possa contribuir para acordar a sociedade contempor\u00e2nea, especificamente a sociedade portuguesa. A viol\u00eancia dos \u00faltimos dias \u00e9 sintoma duma sociedade que deve alterar comportamentos e apostar em valores. Em nome da f\u00e9, dever\u00e1 criar-se uma consci\u00eancia c\u00edvica activa, cr\u00edtica e interventiva, para um novo modelo de vida, inspirado nos valores humanos e crist\u00e3os. Trata-se de uma tarefa confiada, prioritariamente, aos leigos, pela sua \u201cpr\u00f3pria e espec\u00edfica \u00edndole secular\u201d (Lumen Gentium 31), como voca\u00e7\u00e3o a viver as realidades do mundo ordenando-as e assumindo a proximidade com todos os homens e mulheres, com todos os seus problemas e percursos s\u00f3cio-culturais. Os crist\u00e3os s\u00e3o \u201ccolaboradores do Evangelho\u201d (Cf. Fil 4, 3), tornando-se protagonistas activos da hist\u00f3ria e dos processos din\u00e2micos que a constroem.   <b>2. Desafios concretos<\/b> A Igreja n\u00e3o se intromete na vida do mundo, como um grupo estranho, mas permanece fiel \u00e0 sua miss\u00e3o de servir a humanidade, numa proposta capaz de suscitar um humanismo integral. Por isso, nada lhe pode ser alheio. Tudo lhe diz respeito e a cada coisa quer dar um sentido. A f\u00e9 no nome de Jesus Cristo n\u00e3o lhe permite o sil\u00eancio, caso contr\u00e1rio as pedras dos caminhos falariam por ela (Cf. Lc. 19, 40). No momento presente da vida social portuguesa, gostaria de referir algumas realidades que exigem interven\u00e7\u00e3o. <i>1 &#8211; Educar para uma ecologia respons\u00e1vel:<\/i> N\u00e3o podemos ficar alheios ao drama dos inc\u00eandios. N\u00e3o \u00e9 do passado e, por isso, no interior das comunidades eclesiais, teremos de recuperar uma catequese sobre a enorme gravidade moral que constitui o acto de pegar fogo \u00e0 floresta e de estimular a corresponsabilidade de todos, mesmo no momento de denunciar potenciais incendi\u00e1rios. N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio voltar a insistir sobre a gravidade de certos pecados, individuais e colectivos?  Sabemos que n\u00e3o ser\u00e1 suficiente a concentra\u00e7\u00e3o nos recursos humanos e materiais, no \u00e2mbito da preven\u00e7\u00e3o ou da ac\u00e7\u00e3o. Como em tudo, importa ir \u00e0s causas de natureza c\u00edvica e questionar-se sobre as raz\u00f5es do desleixo ou dos actos premeditados. A Igreja, assim como a escola e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, t\u00eam de insistir na forma\u00e7\u00e3o duma consci\u00eancia individual e p\u00fablica, de um modo permanente e n\u00e3o se limitando \u00e0 chamada \u2013 de forma muito infeliz e quase motivadora \u2013 \u00ab\u00e9poca de inc\u00eandios\u00bb. Ao arder uma floresta \u2013 longe ou perto \u2013 arde um patrim\u00f3nio e um bem de todos. <i>2 \u2013 Um poder local de servi\u00e7o a todos:<\/i> Particip\u00e1mos, recentemente, no processo de elei\u00e7\u00e3o de autarquias locais. N\u00e3o nos compete olhar os resultados nem formular an\u00e1lises.  O poder aut\u00e1rquico deve ser, cada vez mais, um verdadeiro servi\u00e7o \u00e0 comunidade local, em responsabilidade de resposta a todo o tipo de necessidades, sempre e s\u00f3 numa perspectiva de solidariedade para com todos e dum modo particular para com os mais vulner\u00e1veis e abandonados (idosos, doentes, desempregados, imigrantes, jovens \u00e0 procura do primeiro emprego, etc.). A todos urge oferecer as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para uma vida com dignidade.  Sempre dentro deste princ\u00edpio da proximidade e em colabora\u00e7\u00e3o com as diversas institui\u00e7\u00f5es locais que prestam servi\u00e7o \u00e0 comunidade, a Igreja, num estado laico e de regime de separa\u00e7\u00e3o, nunca deixar\u00e1 de agir sem se prender, preservando a liberdade de quem caminha com o povo e o defende, ainda que para isso possa ser necess\u00e1rio denunciar humildemente o que lhe parece injusto e indigno para com os mais pobres e incapazes de fazer valer os seus direitos.  Gostaria de deixar uma palavra de apre\u00e7o e de est\u00edmulo \u00e0queles autarcas que, a pensar no bem comum, se entregam ao desenvolvimento harm\u00f3nico das localidades e ao crescimento integral de todos os seus habitantes. Fazemos votos de que prossigam, sem des\u00e2nimos, em favor duma democracia verdadeira e de que os crist\u00e3os n\u00e3o tenham receio de participar nesse processo, sempre na procura de solu\u00e7\u00f5es humanizantes. <i>3 \u2013 Para uma cultura da vida:<\/i> A Igreja nunca pode renunciar ao direito e ao dever de defender a vida, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural, defendendo ser a fam\u00edlia o contexto vocacional e comunit\u00e1rio onde mais originariamente se possibilita o seu crescimento e a sua dignidade. Sabemos que a vida de cada pessoa humana nunca poder\u00e1 ser sujeita a vota\u00e7\u00e3o. Nenhuma maioria pode decidir sobre a vida, pr\u00f3pria ou dos outros. Trata-se de um dom gratuito, de que nenhum ser humano pode dispor, sem correr o grave risco de destruir a pr\u00f3pria humanidade. Para os crentes, essa vida \u00e9 dom de Deus criador, a acolher e a trabalhar, para a tornar experi\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o. Assumindo-a como direito inviol\u00e1vel, estaremos sempre do seu lado e interpelaremos os crist\u00e3os para que, neste grav\u00edssimo assunto, vivam os compromissos inerentes \u00e0 sua f\u00e9. Reconhecendo que a vida n\u00e3o \u00e9 referend\u00e1vel, sabemos que a nossa posi\u00e7\u00e3o encontra o seu fundamento \u00faltimo, sem d\u00favida, na f\u00e9 que professamos, mas trata-se de uma posi\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 e dever\u00e1 ser compreendida e assumida por qualquer ser humano, independentemente de ser ou n\u00e3o crente, com pr\u00e1tica religiosa ou n\u00e3o.  O adiamento tempor\u00e1rio da quest\u00e3o n\u00e3o pode provocar alheamento, mas antes ser motivo de maior esclarecimento dos crist\u00e3os e de todos os demais cidad\u00e3os, para que, de forma livre e em ambiente de sadio debate, todos possam compreender que se trata, aqui, de uma realidade incondicional, por isso n\u00e3o referend\u00e1vel.  Aproveito, ainda, a ocasi\u00e3o para agradecer a muitos homens e mulheres \u2013 crist\u00e3os ou n\u00e3o \u2013 que se empenharam e empenham para que Portugal possua uma legisla\u00e7\u00e3o alicer\u00e7ada num sadio humanismo e nunca em correntes de pensamento que, por facilitismo ou mesmo aus\u00eancia de valores, possa abrir as portas do futuro a muitas outras formas de desumanidade.  Para n\u00f3s, a porta do futuro, o progresso que desejamos para todos os seres humanos, situa-se antes ao n\u00edvel do empenho em criar condi\u00e7\u00f5es de vida para que todas as m\u00e3es possam ter os seus filhos dignamente e para que todos os filhos possam conhecer uma vida digna, a que t\u00eam direito.  Compete-nos continuar a suscitar uma cultura da vida. Estamos confiantes de que o povo portugu\u00eas e os profissionais de sa\u00fade n\u00e3o querer\u00e3o onerar a sua consci\u00eancia com actos que, parecendo resolver ang\u00fastias moment\u00e2neas, geram situa\u00e7\u00f5es pessoais e sociais de clara infelicidade ou mesmo de desumanidade. Pretendendo ilibar muitas mulheres, criar-se-iam condi\u00e7\u00f5es para que a sociedade lhes viesse a exigir algo, cujo peso iria marcar as suas consci\u00eancias pela vida fora, tornando essa vida mais indigna. <i>4. Educar para a sexualidade:<\/i> Entre as iniciativas v\u00e1lidas para fazer frente ao grave problema do aborto encontra-se, sem d\u00favida, o empenho por realizar uma educa\u00e7\u00e3o da sexualidade aprofundada e equilibrada. Saliento que a fam\u00edlia \u00e9 o contexto primordial dessa educa\u00e7\u00e3o, admitindo que a escola possa desempenhar um papel auxiliar. Alerto, contudo, para o perigo de enveredar por facilitismos ou de ceder a intromiss\u00f5es ideol\u00f3gicas e econ\u00f3micas. Assim sendo, por um lado sa\u00fado a inten\u00e7\u00e3o de integrar a educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas sem cria\u00e7\u00e3o de uma disciplina espec\u00edfica mas simplesmente no contexto da educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade p\u00fablica. Com isso, reconhece-se que a abordagem de outras dimens\u00f5es n\u00e3o pode ser assumida de \u00e2nimo leve.  Por outro lado, contudo, temo que a concentra\u00e7\u00e3o do assunto na quest\u00e3o da sa\u00fade possa induzir os jovens a uma compreens\u00e3o redutora da sexualidade. Ser\u00e1 necess\u00e1rio, por isso, que a escola tamb\u00e9m tome iniciativas, em estreita colabora\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias, no sentido de abordar de modo mais integral a sexualidade humana, sem excluir dimens\u00f5es afectivas, \u00e9ticas, s\u00f3cio-culturais, etc.  \u00c0s escolas s\u00e3o lan\u00e7ados, agora, desafios importantes. Em primeiro lugar, dever\u00e3o saber trabalhar em conjunto com os pais, nunca desrespeitando as convic\u00e7\u00f5es e valores das fam\u00edlias. \u00c9 certo que muitas fam\u00edlias precisam de ajuda neste campo especial da tarefa educativa. Mas a escola nunca pode tomar iniciativas sem que as fam\u00edlias sejam escutadas e respeitadas. Em segundo lugar, uma equilibrada educa\u00e7\u00e3o da sexualidade implica, da parte dos docentes, forma\u00e7\u00e3o acrescida, quer ao n\u00edvel da biologia, quer sobretudo ao n\u00edvel da hist\u00f3ria cultural, da psicologia, da antropologia, da \u00e9tica e de tudo o que tem a ver com o desenvolvimento da afectividade. Sa\u00fado todas as iniciativas j\u00e1 levadas a cabo, neste campo, alertando os respons\u00e1veis para a necessidade de um grande investimento, tendo sempre em vista o futuro sadio e feliz, das gera\u00e7\u00f5es mais jovens.  <b>3 \u2013 Conclus\u00e3o:<\/b> Nesta perspectiva de redescoberta do Conc\u00edlio Vaticano II e no esp\u00edrito da Gaudium et Spes, a Igreja reconhece-se como parte integrante do mundo, em comportamento solid\u00e1rio com o ser humano, e n\u00e3o se resigna ao estatuto de \u201cgheto\u201d, que muitos contempor\u00e2neos pretendem empurrar para o foro meramente pessoal e intimista. Ela recusa esse estatuto, n\u00e3o no seu pr\u00f3prio interesse, mas para bem de todos os humanos, com as suas \u201calegrias e esperan\u00e7as, tristezas e ang\u00fastias\u201d (Lumen Gentium 1). Nunca poder\u00e1 aceitar qualquer dicotomia entre f\u00e9 e vida quotidiana, mas aceita o desafio presente no facto de que a \u201cruptura entre evangelho e cultura \u00e9 sem d\u00favida o drama da nossa \u00e9poca\u201d (Evangelii Nuntiandi 20). Saberemos reconhecer a leg\u00edtima autonomia da cultura, da economia, da ci\u00eancia e da pol\u00edtica\u2026 S\u00f3 n\u00e3o poderemos aceitar que esta se torne anti-religiosa na promo\u00e7\u00e3o de qualquer falso humanismo, sem horizontes vastos e profundos.  Com estas palavras n\u00e3o pretendo insinuar qualquer tipo de condena\u00e7\u00e3o ou ataque de ordem pol\u00edtica. Reconhe\u00e7o a exist\u00eancia de for\u00e7as que agem com maior ou menor clareza, mas sei que do Evangelho emanam for\u00e7as e luzes com capacidade geradora de uma comunidade humana renovada. N\u00e3o queremos nem podemos ser meros espectadores. Teremos de participar, redescobrindo permanentemente e propondo, com aud\u00e1cia, o homem novo, Cristo, donde nascer\u00e1 uma verdadeira humanidade e um mundo novo, marcado por um humanismo integral. \u00c9 verdade que a Igreja parece ser mais uma presen\u00e7a, entre outras presen\u00e7as na hist\u00f3ria humana. Contudo \u2013 sem vangl\u00f3ria mas sim com responsabilidade \u2013 ela \u00e9 lugar de uma outra presen\u00e7a, mem\u00f3ria viva de Cristo que, participando na hist\u00f3ria, n\u00e3o se reduziu nem se reduz aos seus par\u00e2metros. N\u00e3o pretendemos, por isso, quaisquer privil\u00e9gios. Temos, isso sim, a responsabilidade de mostrar outros horizontes.   F\u00e1tima, 14 de Novembro de 2005 <i>D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abertura da Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa &#8211; F\u00e1tima, 14-17 de Novembro de 2005<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,127,144,147,191,193,206,207,232,261,285,314],"class_list":["post-14901","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-fatima","tag-incendios","tag-missoes","tag-patrimonio","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14901"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14901\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}