{"id":1489,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/religiao-e-liberdade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"religiao-e-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/religiao-e-liberdade\/","title":{"rendered":"Religi\u00e3o e liberdade"},"content":{"rendered":"<p>Recordo-me &#8211; ainda n\u00e3o estava corrida a cortina de ferro &#8211; de uma reportagem que fiz num pa\u00eds do Leste. Com mil cuidados e outros tantos pol\u00edcias disfar\u00e7ados de guias generosos. Sabendo do meu interesse, conduziram-me, num domingo, a um templo cat\u00f3lico durante a celebra\u00e7\u00e3o de uma missa. Com duas condi\u00e7\u00f5es: n\u00e3o perturbar as cerim\u00f3nias, nem sair antes do fim. Tudo certo, com uma liturgia t\u00e3o rubricista como se n\u00e3o tivesse acontecido o Vaticano II e a reforma lit\u00fargica. Mas o que aqueles senhores me queriam demonstrar abundantemente era que ali \u2013 estava na Alemanha do Leste, nos anos setenta &#8211; havia liberdade religiosa. Bem me lembrei de Portugal e do tempo em que todas as missas eram permitidas mas onde havia um certo n\u00famero de temas que n\u00e3o se podiam abordar, como eram apreendidas publica\u00e7\u00f5es, vigiados alguns movimentos cat\u00f3licos, controlados os passos de leigos e cl\u00e9rigos a quem era f\u00e1cil imputar perigos para a seguran\u00e7a nacional. E por a\u00ed adiante, salvas naturalmente as diferen\u00e7as, mas mais frequentes do que se pensa as concep\u00e7\u00f5es id\u00eanticas de liberdade e de religi\u00e3o. Liberdade religiosa n\u00e3o \u00e9 apenas liberdade de culto. \u00c9 o direito de exprimir e celebrar a f\u00e9 em toda a extens\u00e3o da vida. Esta simples enuncia\u00e7\u00e3o pode acordar fantasmas, como se uma investida do religioso pretendesse dominar e sufocar a vida social e pol\u00edtica de um pa\u00eds. Muitas das reac\u00e7\u00f5es que se expressam por actos p\u00fablicos de borbulha agn\u00f3stica ainda se enquadram como grito de liberta\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio do religioso sobre o civil. N\u00e3o se nega que tal j\u00e1 aconteceu, mas importa perceber o que se pretende ao afirmar a amplitude do religioso nos tempos de hoje. A Europa vive um processo de unifica\u00e7\u00e3o no alargamento da Uni\u00e3o Europeia a outros pa\u00edses, abrangendo boa percentagem do Leste. Muitos deles conheceram a antiga falta de liberdade religiosa. Hoje, outros mecanismos se podem urdir para restringir a presen\u00e7a das igrejas na cultura, na arte, nos centros de decis\u00e3o, na comunica\u00e7\u00e3o social. Algumas subtilezas manhosas de laicismo lembram velhos truques dos regimes totalit\u00e1rios. Pelo sim ou pelo n\u00e3o, conv\u00e9m estarmos prevenidos na separa\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e na clarifica\u00e7\u00e3o dos conceitos. A persegui\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o se reduz \u00e0 expuls\u00e3o de mission\u00e1rios ou pris\u00e3o de sacerdotes ou religiosos. Como dizia h\u00e1 pouco Jo\u00e3o Paulo II podemos estar por vezes diante de uma \u201capostasia silenciosa\u201d que vive e pretende criar uma sociedade como se Deus n\u00e3o existisse. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recordo-me &#8211; ainda n\u00e3o estava corrida a cortina de ferro &#8211; de uma reportagem que fiz num pa\u00eds do Leste. Com mil cuidados e outros tantos pol\u00edcias disfar\u00e7ados de guias generosos. Sabendo do meu interesse, conduziram-me, num domingo, a um templo cat\u00f3lico durante a celebra\u00e7\u00e3o de uma missa. 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