{"id":14857,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/questoes-do-fim-da-vida-pedem-respostas-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"questoes-do-fim-da-vida-pedem-respostas-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/questoes-do-fim-da-vida-pedem-respostas-da-igreja\/","title":{"rendered":"Quest\u00f5es do fim da vida pedem respostas da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>As problem\u00e1ticas da eutan\u00e1sia e do final da vida estiveram hoje em destaque no ICNE, na confer\u00eancia intitulada \u201cA morte, \u00faltimo tabu, e o renascer da esperan\u00e7a\u201d. Isabel Galri\u00e7o Neto, m\u00e9dica de cuidados paliativos e Assistente da Faculdade de Medicina de Lisboa, referiu por repetidas vezes que a eutan\u00e1sia n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima resposta e que os doentes merecem mais, por parte dos m\u00e9dicos, do que um simples \u201cn\u00e3o podemos fazer mais nada\u201d quando a doen\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o tem cura. Esta especialista lembrou que a vida humana tem dignidade \u201cmesmo quando precisamos de algu\u00e9m at\u00e9 para nos limpar as l\u00e1grimas\u201d e criticou as correntes que consideram a morte como uma esp\u00e9cie de \u201cderrota\u201d da ci\u00eancia toda-poderosa. \u201cApesar de todos os progressos da ci\u00eancia, a morte continua a ser uma certeza para cada ser humano\u201d, sublinhou, contestando assim o chamado \u201cdireito a morrer\u201d, dado que este facto n\u00e3o \u00e9 uma escolha. &#8220;A maioria dos pedidos de eutan\u00e1sia e de suic\u00eddio assistido t\u00eam que ver com perda de dignidade, a perda de sentido da vida, por acharem que n\u00e3o vale a pena viver. Os pedidos t\u00eam a ver muito mais, do que com a quest\u00e3o dos sintomas n\u00e3o controlados. E s\u00f3 isto bastaria para que n\u00f3s reflect\u00edssemos sobre como ajudar as pessoas a encontrarem um sentido e a recuperarem a sua dignidade&#8221;, afirmou Isabel Neto. O prolongamento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida tem levantado novos desafios, que a Igreja tamb\u00e9m \u00e9 chamada a responder. A qualidade \u201cno final de vida e no morrer\u201d \u00e9 um dos principais, sobretudo quando confrontados com a falta de estruturas \u201cespecificamente preparadas para tratar doentes cr\u00f3nicos e em fim de vida\u201d. O primeiro passo \u00e9 \u201ccontrolar os sintomas\u201d, porque segundo Isabel Neto, \u201cse n\u00e3o removermos determinadas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de sofrimento, dificilmente a pessoa doente se poder\u00e1 centrar nos aspectos mais profundos e transcenderes da busca de sentido\u201d. \u00c9 nesta busca, em seguida, que o papel da espiritualidade pode ganhar import\u00e2ncia: \u201cEncontrar um sentido para vida, mesmo quando se vive uma doen\u00e7a terminal, passa por ter a convic\u00e7\u00e3o, por sentir que se est\u00e1 a cumprir um papel e um fim que s\u00e3o \u00fanicos, numa vida que traz consigo a responsabilidade de ser vivida plenamente\u201d, disse a especialista. \u201c\u00c9 interessante ver que doentes com uma forte viv\u00eancia espiritual e religiosa encaram o fim de vida com mais serenidade. E isto est\u00e1 fundamentado&#8221;, acrescentou. Como resposta \u00e0 eutan\u00e1sia, Isabel Neto prop\u00f5e a promo\u00e7\u00e3o de melhores cuidados paliativos, que \u201cafirmam a vida, mas defendem que ela n\u00e3o tem de ser mantida obstinadamente a todo o custo, aceitando a morte como um processo natural\u201d. Os temas da vida j\u00e1 tinham estado em destaque na primeira confer\u00eancia do ICNE, com a confer\u00eancia de Walter Osswald professor de Medicina e membro do Conselho Nacional de \u00c9tica.  Numa interven\u00e7\u00e3o subordinada ao tema \u201cProblem\u00e1tica geral da cultura da vida\u201d, Osswald apresentou alguns desafios que s\u00e3o hoje levantados \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 Igreja no campo da bio\u00e9tica: o aborto, a eutan\u00e1sia e a clonagem. O especialista come\u00e7ou por referir que \u00e9 poss\u00edvel encontrar pontos comuns entre crentes e n\u00e3o crentes sobre mat\u00e9rias morais relacionadas com quest\u00f5es da vida humana. \u201cMesmo entre os que defendem a despenaliza\u00e7\u00e3o, reconhece-se que o aborto deve ser limitado, no tempo ou a determinadas condi\u00e7\u00f5es\u201d, referiu. Walter Osswald criticou ainda a possibilidade de se abortar no entendimento de que h\u00e1 vidas &#8220;mais valiosas do que outras&#8221;, caso dos que t\u00eam defici\u00eancia e que s\u00e3o recusados. \u201cO crist\u00e3o n\u00e3o pode ignorar as palavras do Mestre que disse ser o Caminho, a Verdade e a Vida\u201d, prosseguiu. D. Jos\u00e9 Policarpo, ao lan\u00e7ar a sess\u00e3o lisboeta do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, tinha anunciado que o tema central seria \u201cAnunciar a Vida\u201d, concretizando o lema \u201cCristo Vivo\u201d que anima toda a iniciativa. \u201cO tema central do Congresso sublinha que a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o an\u00fancio da Vida, porque o \u00e9 de Jesus Cristo, o Vivo\u201d, explicava o Cardeal-Patriarca ao receber na S\u00e9 de Lisboa todos os que est\u00e3o, agora, envolvidos nesta grande iniciativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As problem\u00e1ticas da eutan\u00e1sia e do final da vida estiveram hoje em destaque no ICNE, na confer\u00eancia intitulada \u201cA morte, \u00faltimo tabu, e o renascer da esperan\u00e7a\u201d. 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