{"id":148339,"date":"2019-09-13T07:01:42","date_gmt":"2019-09-13T06:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=148339"},"modified":"2019-09-12T17:08:23","modified_gmt":"2019-09-12T16:08:23","slug":"temos-pouca-relacao-com-os-nossos-eleitos-e-isso-e-muito-negativo-para-o-sistema-democratico-marcal-grilo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/temos-pouca-relacao-com-os-nossos-eleitos-e-isso-e-muito-negativo-para-o-sistema-democratico-marcal-grilo\/","title":{"rendered":"\u00abTemos pouca rela\u00e7\u00e3o com os nossos eleitos e isso \u00e9 muito negativo para o sistema democr\u00e1tico\u00bb \u2013 Mar\u00e7al Grilo"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Defensor da reforma do sistema eleitoral, Eduardo Mar\u00e7al Grilo espera que os dois principais partidos \u201csejam capazes de se entender\u201d j\u00e1 na pr\u00f3xima legislatura para uma reforma que exige a aprova\u00e7\u00e3o por dois ter\u00e7os dos eleitos. Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 ag\u00eancia Ecclesia considera \u201cexcessiva\u201d a cobertura medi\u00e1tica da campanha eleitoral. Fala, ainda, do Papa Francisco, que considera ter mudado o rosto da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Bougard<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-148347 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/01_mgrilo-480x288.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>A pr\u00e9-campanha para elei\u00e7\u00f5es legislativas tem sido marcada por v\u00e1rios debates, s\u00f3 na televis\u00e3o est\u00e3o previstos 15 at\u00e9 dia 23. Estes debates s\u00e3o decisivos, s\u00e3o determinantes?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se ser\u00e3o determinantes. Eu tenho um bocado a ideia de que os partidos pol\u00edticos continuam a fazer campanhas eleitorais muito parecidas com o que eram h\u00e1 30 ou 40 anos. H\u00e1 uma certa diferen\u00e7a com as tecnologias, com o n\u00famero de canais de televis\u00e3o e com o n\u00famero de entrevistas e debates, mas parece-me tudo muito passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pouco inovador, apesar de tudo?<\/em><\/p>\n<p>Inova\u00e7\u00e3o nenhuma. Quer dizer, estes outdoors, estas coisas gigantescas&#8230; onde vivo, ao p\u00e9 da Pra\u00e7a de Espanha, est\u00e1 completamente polu\u00edda com cartazes imensos com as caras das pessoas, com umas frases. Sinceramente tenho muitas d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia que isto tem sobre os eleitores e a decis\u00e3o dos eleitores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a cobertura medi\u00e1tica que \u00e9 feita?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 excessiva. O n\u00famero de entrevistas, de debates, de declara\u00e7\u00f5es, de confer\u00eancias de imprensa torna-se quase insuport\u00e1vel. Eu acompanho mal, digo com fraqueza, n\u00e3o sou capaz de acompanhar o ritmo, ver os debates todos. Normalmente leio o essencial dos debates, alguns jornais fazem uns bons resumos, bem feitos, ficamos com uma ideia do que cada participante diz. Tamb\u00e9m leio algumas entrevistas, mas sou muito seletivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Relativamente aos temas da campanha. O que \u00e9 que em sua opini\u00e3o tem feito falta falar?<\/em><\/p>\n<p>Olhe, tem-se falado relativamente pouco de uma coisa a que eu atribuo muita import\u00e2ncia que \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o da lei eleitoral. Eu fiz parte daquele movimento liderado por algumas pessoas, mas principalmente pelo Jos\u00e9 Ribeiro e Castro, que fez uma proposta de altera\u00e7\u00e3o da lei eleitoral. Julgo que pelo menos os partidos pol\u00edticos dever\u00e3o refletir sobre isto, e estou convencido que sim, que a legislatura que vai entrar vai ser uma legislatura importante para isso. Obviamente que tudo o que se poder\u00e1 fazer em mat\u00e9ria de altera\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser feita na primeira ou segunda sess\u00e3o legislativa, n\u00e3o me parece que isto deva ser deixado para a terceira ou quarta. Tenho esperan\u00e7a que, sobretudo os dois grandes partidos, sejam capazes de se entender nesta mat\u00e9ria. N\u00e3o sei se \u00e9 para cortar o n\u00famero dos deputados, se \u00e9 apenas para fazer ciclos nominais&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa quest\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o, a ideia de que poderia ser um sinal interessante, do ponto de vista pol\u00edtico, reduzir o n\u00famero de deputados. Mas, o que \u00e9 que o pa\u00eds ganharia com isso?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o penso que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de deputados seja o ponto fundamental. Eles s\u00e3o 230, e menos 10 ou menos\u2026 isso n\u00e3o resolve problema nenhum, na minha perspetiva. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 muito sens\u00edvel (a isso) porque a popula\u00e7\u00e3o tem vindo a ser, em certa medida, intoxicada contra a classe pol\u00edtica, e a classe pol\u00edtica tem gente muito boa e tem gente menos boa, como em todas as profiss\u00f5es e atividades. O que me parece mais importante \u00e9 alterar o sistema pelo qual n\u00f3s nos sentimos ou n\u00e3o nos sentimos representados.<\/p>\n<p>Eu voto em Lisboa, e h\u00e1 uns tempos at\u00e9 pensei em n\u00e3o votar, por n\u00e3o concordar com a lei eleitoral, mas depois refleti uma segunda vez e vou-me atrai\u00e7oar a mim pr\u00f3prio e irei votar. Qualquer dos partidos em que eu vote, o meu voto o que vai influenciar \u00e9 o 13\u00ba do PS, ou o 12\u00ba do PSD, ou o quarto ou quinto do CDS, ou o segundo ou terceiro de outro partido qualquer. N\u00f3s temos pouca rela\u00e7\u00e3o com os nossos eleitos, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o muito t\u00e9nue, o que \u00e9 muito negativo para o sistema democr\u00e1tico, porque no fundo os nossos deputados n\u00e3o s\u00e3o delegados, s\u00e3o representantes, t\u00eam a sua pr\u00f3pria opini\u00e3o e devem prestar contas da opini\u00e3o que t\u00eam. N\u00f3s elegemo-los, devemos saber o que \u00e9 que eles pensam, o que \u00e9 que eles pretendem fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas faz sentido pensar que esse distanciamento durante a legislatura se pode atenuar com uma maior proximidade?<\/em><\/p>\n<p>A quest\u00e3o central \u00e9 esta, \u00e9 que o deputado, o membro do parlamento, depende muito mais da vontade do secret\u00e1rio-geral ou do presidente do partido do que propriamente do eleitor. Presta contas a quem o colocou na lista, que n\u00e3o fui eu, eu n\u00e3o o coloquei na lista. Eu voto num conjunto de pessoas, certamente tudo pessoas muito estim\u00e1veis, mas que na maior parte n\u00e3o conhe\u00e7o, n\u00e3o sei quem s\u00e3o. Posso tentar ver o curr\u00edculo deles, os que j\u00e1 foram deputados, o que \u00e9 que votaram e o que \u00e9 que n\u00e3o votaram. Por exemplo, nos Estados Unidos isso \u00e9 muito significativo, quando um Senador se candidata \u00e0 presid\u00eancia apresenta o seu curr\u00edculo, com o que \u00e9 que fez em cada uma das vota\u00e7\u00f5es ao longo do n\u00famero de anos em que esteve como Senador. \u00c9 por isso que os Senadores t\u00eam muita dificuldade em ser eleitos nos Estados Unidos, porque t\u00eam um curr\u00edculo em que se diz &#8216;votaste contra aqui, votaste contra ali, aqui votaste a favor, eu n\u00e3o gosto disto, eu n\u00e3o gosto daquilo&#8217;. Aqui o que acontece \u00e9 que os nossos deputados est\u00e3o dependentes \u00e9 da posi\u00e7\u00e3o do partido, do presidente ou secret\u00e1rio-geral do partido.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o \u00f3bvia para isto, mas o que me parece \u00e9 que ao longo destes 40 e tal anos de democracia que n\u00f3s temos h\u00e1 experi\u00eancia suficiente para se poder refletir sobre o sistema e perceber se ele deve, ou n\u00e3o, ser alterado, e em que medida e com que orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que deve ser alterado. Eu julgo que deve ser aumentado o n\u00famero de circunscri\u00e7\u00f5es, maior proximidade. N\u00e3o estou a falar propriamente de c\u00edrculos uninominais, mas tamb\u00e9m n\u00e3o tenho nada contra os ciclos uninominais, desde que eles sejam lan\u00e7ados de tal forma que n\u00e3o se crie nenhuma distor\u00e7\u00e3o, tem de haver alguns mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A proposta que foi apresentada pelo movimento de que fui subscritor parece-me uma solu\u00e7\u00e3o muito equilibrada. N\u00e3o quer dizer que seja a solu\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 certamente um contributo muito grande para esse debate sobre a lei eleitoral.<\/p>\n<p>Outro ponto que me parece muito relevante, e que importa que os partidos se manifestem, \u00e9 a quest\u00e3o europeia. Julgo que os pr\u00f3ximos quatro anos na Europa v\u00e3o ser dominados por uma reflex\u00e3o e uma eventual reforma de algumas das institui\u00e7\u00f5es europeias. \u00c9 importante os pa\u00edses europeus entenderem-se relativamente a algumas coisas essenciais, que s\u00e3o aquelas que nenhum pa\u00eds \u00e9 capaz de resolver sozinho, e s\u00f3 havendo entendimento entre os pa\u00edses pode haver uma estrat\u00e9gia comum&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por exemplo, as migra\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Quest\u00f5es como as migra\u00e7\u00f5es, os refugiados, o ambiente, o mar, quest\u00f5es de seguran\u00e7a e defesa. A defesa \u00e9 uma \u00e1rea muito sens\u00edvel, porque os pa\u00edses europeus, na esmagadora maioria, est\u00e3o integrados numa organiza\u00e7\u00e3o militar que \u00e9 a NATO. N\u00e3o me parece particularmente feliz a proposta do presidente Macron de cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de for\u00e7a de defesa europeia, porque ter\u00edamos sempre de encontrar aqui um equil\u00edbrio entre o que \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o na NATO e uma participa\u00e7\u00e3o numa for\u00e7a dessas. Ali\u00e1s, Portugal n\u00e3o tem sido muito favor\u00e1vel a essa ideia, pelo menos o presidente da rep\u00fablica n\u00e3o se mostrou particularmente sens\u00edvel a essa proposta, n\u00e3o lhe agradou.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, se estas quest\u00f5es n\u00e3o foram suficientemente debatidas na campanha para as elei\u00e7\u00f5es europeias, que decorreram em maio, muito menos ser\u00e3o agora\u2026<\/em><\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 esta, as campanhas eleitorais, no fundo, acabam por ser um reposit\u00f3rio de discuss\u00f5es de pequenos temas, porque a discuss\u00e3o dos grandes temas n\u00e3o pode ser feita no meio deste alarido todo das campanhas eleitorais, com as bandeiras, os carros, os com\u00edcios, as bandas a tocar. Estas mat\u00e9rias mais sens\u00edveis implicam muita serenidade e tranquilidade. Sobretudo aquilo que me faz muita impress\u00e3o nalguns destes debates \u00e9 o conjunto de certezas que as pessoas t\u00eam. T\u00eam muitas certezas, e eu com a idade, confesso que tenho cada vez mais d\u00favidas. Quer dizer, h\u00e1 coisas em que eu posso estar convicto de que a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 esta, e h\u00e1 algumas quest\u00f5es que parecem mais ou menos evidentes. Por exemplo, quando n\u00f3s dizemos que a quest\u00e3o do ambiente \u00e9 uma quest\u00e3o que n\u00e3o pode ser tratada por cada pa\u00eds por si, parece-me uma evid\u00eancia, tenho a certeza disto, agora se me perguntar assim &#8216;qual \u00e9 o modelo que os pa\u00edses europeus devem adotar para enfrentar estas grandes quest\u00f5es? Precisamos de mais uni\u00e3o pol\u00edtica?\u2019\u2026 aquela frase que se diz muito, que &#8216;\u00e9 preciso mais Europa&#8217;, eu n\u00e3o sei se em todas as mat\u00e9rias \u00e9 preciso mais Europa, algumas se calhar n\u00e3o \u00e9 preciso, mas h\u00e1 outras em que se calhar \u00e9 preciso, e precisamos de ter mecanismos que permitam uma maior facilidade na decis\u00e3o conjunta dos pa\u00edses envolvidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-148346 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/02_mgrilo-480x288.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O tema espec\u00edfico do ambiente e das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas entrou em for\u00e7a nesta campanha, ser\u00e1 uma das grandes novidades no discurso pol\u00edtico. Parece-lhe que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00edna, ou h\u00e1 aqui uma ideia de \u2018cavalgar a onda\u2019?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00edna. Eu n\u00e3o diria que \u00e9 uma moda, porque seria desagrad\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 uma moda, \u00e9 um problema de fundo, e que tem de ser tratado. Mas, em Portugal n\u00e3o temos tido verdadeiramente nenhum partido a que se possa chamar um partido \u2018verde\u2019, porque o partido ecologista \u2018Os Verdes\u2019 est\u00e1 integrado no Partido Comunista, \u00e9 um partido sat\u00e9lite na CDU, n\u00e3o \u00e9 um partido com grande autonomia nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o PAN?<\/em><\/p>\n<p>O PAN n\u00e3o come\u00e7a por ser um partido ecologista, come\u00e7a por ser um partido, sim, que trata das pessoas e dos animais, dos direitos do homem e dos direitos dos animais, etc. A ideia que eu tenho &#8211; pode ser que esteja enganado \u2013 \u00e9 que o trend europeu \u00e9 muito no sentido dos verdes. Quer dizer, o crescimento dos Verdes na Alemanha \u00e9 brutal, est\u00e1 praticamente a sugar o eleitorado do SPD, que est\u00e1 a \u2018desmilinguir-se\u2019, e o partido dos Verdes vai certamente ter alguma import\u00e2ncia no futuro pr\u00f3ximo na Alemanha, e n\u00e3o apenas na Alemanha, em muitos outros pa\u00edses. Vai ter em Fran\u00e7a, e em It\u00e1lia tamb\u00e9m vai ter. Aqui, aquilo que me parece \u00e9 que o PAN est\u00e1 um bocadinho a apanhar esta onda de ambientalismo e de ecologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A aproveitar-se disso?<\/em><\/p>\n<p>Sim, no sentido de \u2018estamos aqui numa posi\u00e7\u00e3o em que podemos pegar neste tema&#8217;. Agora, este n\u00e3o \u00e9 um tema para ser tratado apenas por partidos minorit\u00e1rios, \u00e9 um tema de uma import\u00e2ncia tal que tem de ser uma bandeira de qualquer governo que seja criado, n\u00e3o \u00e9 apenas na pr\u00f3xima legislatura, \u00e9 nos pr\u00f3ximos anos, porque \u00e9 uma quest\u00e3o central\u00edssima. N\u00f3s estamos a dar cabo do planeta, estamos a utilizar recursos que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o reequilibr\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pelo que tem acompanhando na campanha, os v\u00e1rios partidos, independentemente de quem venha a ganhar as elei\u00e7\u00f5es, est\u00e3o mais sens\u00edveis para esta tem\u00e1tica e dispostos a enfrent\u00e1-la seriamente?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 praticamente obrigat\u00f3rio, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 uma quest\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o perante os factos. N\u00f3s podemos negar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como faz o presidente Trump, mas as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o \u00e0 vista. Tudo isto vai ter uma influ\u00eancia enorme na vida das pessoas e, portanto, esta mat\u00e9ria da defesa do ambiente e do planeta parece-me ser uma obriga\u00e7\u00e3o de qualquer governo, em qualquer pa\u00eds hoje em dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse tema entrou em for\u00e7a no pensamento social da Igreja cat\u00f3lica, em especial com o Papa Francisco. Num pa\u00eds como o nosso, que ainda se diz maioritariamente cat\u00f3lico, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s chamadas quest\u00f5es fraturantes, seria importante os partidos esclarecerem o que cada um pretende fazer nesta legislatura?<\/em><\/p>\n<p>Primeiro deixe-me dizer algo sobre o Papa. O Papa Francisco \u00e9 uma voz que se ouve em todo mundo e colocou a Igreja numa situa\u00e7\u00e3o diferente daquela que tinha anteriormente. Apareceu como um homem da periferia, porque veio da Argentina, \u00e9 um homem humilde, simples, com um discurso muito direto e muito compreens\u00edvel, e t\u00e3o compreens\u00edvel para os crist\u00e3os como para os n\u00e3o-crist\u00e3os. E esta abertura\u2026 \u00e0s vezes tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 mais compreendido e a sua palavra mais aceite fora da Igreja do que dentro da Igreja, e isto pode ter duas leituras, uma \u00e9 de cr\u00edtica, outra \u00e9 de louvor. A minha \u00e9 de louvor, porque a Igreja tem internamente muitas correntes hoje em dia\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Acompanha a vida da Igreja com aten\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o digo com muita aten\u00e7\u00e3o, mas com alguma aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel ficar fora da palavra do Papa, quer dizer, o Papa diz coisas verdadeiramente extraordin\u00e1rias, com uma enorme simplicidade, e coisas que t\u00eam a ver com as pessoas. Ele est\u00e1 preocupado com a vida das pessoas, com os que sofrem, os doentes, os marginalizados, os deficientes, aqueles que n\u00e3o t\u00eam quem os proteja, os que n\u00e3o t\u00eam voz.<\/p>\n<p>O Papa veio trazer uma voz a muitas pessoas que n\u00e3o a tinham. O Papa sempre que fala\u2026 at\u00e9 a forma como ele se move, como ele anda, a forma como se veste, quer dizer, basta olhar para os sapatos para perceber a humildade e o grau de simplicidade daquele homem. Ou a vida que faz no Vaticano, onde vive, com quem come e com quem conversa no Vaticano. Estas coisas s\u00e3o muito importantes. Portanto a palavra do Papa \u00e9, nestas mat\u00e9rias fraturantes, como falou h\u00e1 pouco&#8230; eu n\u00e3o sou um grande entusiasta destas mat\u00e9rias fraturantes, com todo o respeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, deviam ser tratadas na campanha? Sabemos, por exemplo, que na pr\u00f3xima legislatura vai voltar-se ao tema da eutan\u00e1sia. N\u00e3o seria importante os v\u00e1rios partidos esclarecerem nesta fase o que \u00e9 que pretendem fazer?<\/em><\/p>\n<p>Mas, ser\u00e1 que esta \u00e9 uma mat\u00e9ria que deve ser tratada pelos partidos no seu conjunto, ou isto s\u00e3o quest\u00f5es mais de consci\u00eancia? Nas quest\u00f5es de consci\u00eancia n\u00e3o penso que os partidos devam dizer &#8216;a nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 esta, e agora os 40, 50, 20 ou 10 deputados que aqui est\u00e3o v\u00e3o todos ter de votar desta maneira\u2019. N\u00e3o me parece que isto deva ser discutido desta forma.<\/p>\n<p>Quando foi a quest\u00e3o do aborto, por exemplo, foi essencialmente uma quest\u00e3o de consci\u00eancia e n\u00f3s vimos como no parlamento as pessoas votaram em consci\u00eancia. Ali\u00e1s, na vota\u00e7\u00e3o sobre eutan\u00e1sia houve muita gente que n\u00e3o seguiu a vota\u00e7\u00e3o que a maioria do partido tinha, houve pessoas que votaram de acordo com a sua consci\u00eancia. Respondendo diretamente \u00e0 vossa pergunta: n\u00e3o penso que deva ser um tema que deva ser colocado &#8216;diga l\u00e1 o que o que \u00e9 que acha sobre a eutan\u00e1sia, porque o partido vai tomar esta posi\u00e7\u00e3o ou aquela&#8217;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 esta semana a Igreja (Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa) aconselhou a que os eleitores se informem sobre o cada partido pensa destas mat\u00e9rias, e apelou ao voto, para contrariar os n\u00fameros da absten\u00e7\u00e3o, que nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es atingiu m\u00e1ximos hist\u00f3ricos. Como \u00e9 que v\u00ea a interven\u00e7\u00e3o da Igreja nesta mat\u00e9ria?<\/em><\/p>\n<p>Em Portugal temos um sistema democr\u00e1tico e um sistema de liberdade, liberdade em praticamente tudo. Porque \u00e9 preciso que as pessoas percebam\u2026 por exemplo, falamos muito da Inglaterra, a Inglaterra \u00e9 uma democracia, talvez a mais antiga, mas ainda hoje tem uma religi\u00e3o do Estado, coisa que n\u00f3s n\u00e3o temos.<\/p>\n<p>Quando a Igreja nos diz &#8216;voc\u00eas devem votar&#8217;, &#8216;n\u00f3s apelamos ao voto&#8217;, &#8216;\u00e9 importante que os cat\u00f3licos votem&#8217;, \u00e9 um bocadinho repetir aquilo que dizem as institui\u00e7\u00f5es. O presidente da rep\u00fablica faz sempre, na v\u00e9spera das elei\u00e7\u00f5es, um apelo ao voto, no sentido do aumento da participa\u00e7\u00e3o. E a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante n\u00e3o apenas no voto, nas elei\u00e7\u00f5es, mas a participa\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es, a que cada um pertence. Nas universidades, a que estou ligado h\u00e1 muitos anos e a que presto uma grande aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito importante a participa\u00e7\u00e3o de todos, n\u00e3o apenas os \u00f3rg\u00e3os que foram eleitos e n\u00e3o apenas em termos institucionais, quer dizer, h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de participar na vida coletiva. \u00c9 nessa perspetiva que vejo a posi\u00e7\u00e3o da Igreja, que \u00e9 dizer, no fundo, os crist\u00e3os fazem parte desta comunidade, vivemos neste pa\u00eds, a posi\u00e7\u00e3o deles \u00e9 importante que seja expressa. Portanto, quando se diz &#8216;votem&#8217;, \u00e9 no sentido de &#8216;participem, n\u00e3o sejam neutros&#8217;. Eu, por exemplo, tenho muito orgulho em ser independente, mas n\u00e3o sou neutro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Eu n\u00e3o sou neutro, tomo posi\u00e7\u00f5es de acordo com aquilo que \u00e9 a minha convic\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a cada um dos pontos, e posso votar num partido ou votar noutro. N\u00e3o tenho nenhuma depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a qualquer for\u00e7a pol\u00edtica, e isso \u00e9 algo que prezo muito em mim pr\u00f3prio, ter a capacidade de dizer &#8216;nesta mat\u00e9ria estou com estes, naquela mat\u00e9ria estou com os outros&#8217;.<\/p>\n<p>O Macron (em Fran\u00e7a) quando fez a sua campanha dizia &#8216;eu n\u00e3o sou de esquerda nem de direita, mas tenho coisas de direita e tenho coisas de esquerda&#8217;. Eu identifico-me muito com isto, sinceramente. Porque quando olhamos para o que os partidos s\u00e3o na sua ess\u00eancia vemos os que s\u00e3o manifestamente contra a iniciativa privada, como sendo a base da cria\u00e7\u00e3o da riqueza, atrav\u00e9s das empresas e aquilo que \u00e9 a iniciativa de cada um, a import\u00e2ncia da sociedade civil. Aqui posso dizer &#8216;sou de direita&#8217;, porque entendo que a riqueza \u00e9 criada essencialmente n\u00e3o pelo Estado, mas pelos cidad\u00e3os atrav\u00e9s da sua iniciativa. H\u00e1 outras mat\u00e9rias em que manifestamente sou um pouco mais \u00e0 esquerda. E sou \u00e0 esquerda quando se trata de direitos das pessoas que s\u00e3o muitas vezes espezinhados em favor apenas de um lucro, que \u00e0s vezes j\u00e1 n\u00e3o se percebe para que \u00e9 esse lucro. Quando h\u00e1 uma obsess\u00e3o nas empresas pela distribui\u00e7\u00e3o dos dividendos, feita \u00e0 custa do suor dos trabalhadores, eu sou contra, porque penso que deve aqui haver um equil\u00edbrio entre as v\u00e1rias partes que est\u00e3o envolvidas, o trabalho e o capital, o capital e o trabalho, aqueles que s\u00e3o capazes de distribuir ou redistribuir, e o papel que o Estado deve ter no meio disto.<\/p>\n<p>Portanto, o apelo da Igreja ao voto \u00e9 sempre bem-vindo, na minha perspetiva. Porque a Igreja, e voc\u00eas sabem isto melhor do que eu, tem hoje muitas for\u00e7as internas, algumas ligeiramente contradit\u00f3rias. H\u00e1 movimentos dentro da Igreja muito radicais, muito ortodoxos, excessivamente conservadores na minha opini\u00e3o, mas tamb\u00e9m temos uma outra Igreja que \u00e9 muito mais aberta, mais compreensiva e mais pr\u00f3xima dos problemas das pessoas, e isto tem muito a ver tamb\u00e9m com as regi\u00f5es. Quando n\u00f3s olhamos para a Am\u00e9rica do Sul ou para \u00c1frica a maneira como se olha para determinado tipo de problemas das pessoas \u00e9 diferente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":148347,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-148339","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148339"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148339\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}