{"id":14811,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/na-missao-de-fronteira\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"na-missao-de-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/na-missao-de-fronteira\/","title":{"rendered":"Na miss\u00e3o de fronteira"},"content":{"rendered":"<p>Em 1927 Pio XI proclamou Santa Teresinha do Menino Jesus, \u201cpadroeira principal das miss\u00f5es de todo o mundo, juntamente com S. Francisco Xavier\u201d. Estes modelos condensam as duas grandes vertentes da actividade mission\u00e1ria: a contempla\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o. Teresa de Jesus, com o seu carisma de contemplativa situa-se no mais profundo do mist\u00e9rio da miss\u00e3o. Foi o Vaticano II que devolveu a miss\u00e3o a sua vertente contemplativa: a miss\u00e3o nasce no cora\u00e7\u00e3o de Deus, no seio da Trindade. O amor \u00e9 a fonte da miss\u00e3o. \u00c9 pelo contacto com esta fonte que a miss\u00e3o se comunica. Teresa de Jesus, vivendo mergulhada no amor infinito de Deus, bebia a miss\u00e3o na sua nascente, com a pureza das \u00e1guas vivas. \u201cVivi, escreveu ela, a minha vida no Carmelo como uma aventura de amor a Jesus. E no cora\u00e7\u00e3o de Jesus eu encontrei duas grande paix\u00f5es: a seu Pai e a toda a humanidade, sobretudo os pobres, os pequeninos, os pecadores&#8230; Eu queria anunciar o Evangelho nas cinco partidas do mundo. Queria ser sacerdote, ap\u00f3stolo, doutor da Igreja , m\u00e1rtir&#8230; A minha voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o Amor. Compreendi que o Amor encerra todas as voca\u00e7\u00f5es, que o Amor abarca todos os tempos e lugares\u201d\u201d. Durante toda a sua vida, Teresa de Jesus quis ser mission\u00e1ria, esperando ser enviada para o Vietnam, onde havia dois conventos, historicamente ligados ao Carmelo de Lisieux: o de Saig\u00e3o, fundado por Lisieux em 1861 e o de Hanoi, fundado pelo de Saig\u00e3o em 1895. Era como carmelita que ela queria ir para as terras de miss\u00e3o. As suas superioras reconheceram a sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, mas a sua sa\u00fade n\u00e3o permitiu que ela fosse enviada para essas terras. Mas na sua autobiografia, nas suas poesias, nas suas conversas, nas suas cartas, as miss\u00f5es de fronteira n\u00e3o lhe sa\u00edam do cora\u00e7\u00e3o. Vale a pena recordar um dos mais belos textos que algum dia se escreva sobre esta miss\u00e3o de fronteira: \u201c Entrei no convento porque me fascinavam os grandes espa\u00e7os, as imensas paisagens, os horizontes sem fronteiras&#8230; No Carmelo, os grandes espa\u00e7os s\u00e3o interiores&#8230; s\u00e3o a imensidade dos votos. No Carmelo&#8230; o Amor \u00e9 maior que o mar e maior que o c\u00e9u. As paredes do Carmelo s\u00e3o transparentes aos olhos do cora\u00e7\u00e3o. O Caramelo permitia-me viver quer na \u00c1frica quer na \u00cdndia. Ao entrar no Carmelo eu entrei em todas as partes. Entrei nas casas dos pobres e na casa dos ricos, na casa dos que estavam afastados e na casa dos que estavam pr\u00f3ximos. No Carmelo eliminam-se as fronteiras, elas s\u00e3o ilimitadas&#8230; Ao fazer-me carmelita fiz-me chinesa, indiana, japonesa. Sou de todo o mundo. O meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 livre de ir por onde quiser. O Amor tornou poss\u00edvel ao meu cora\u00e7\u00e3o dar a volta ao mundo. Tudo o que acontece no mundo acontece no cora\u00e7\u00e3o de quem ama. O mais pequeno h\u00e1lito de amor escondido pode ser \u00fatil a quem viver aplicado na ac\u00e7\u00e3o. Ao entrar no Carmelo eu passei a anunciar o Amor nas cinco partidas do mundo, nas cidades mais remotas&#8230; eu passei a ser mission\u00e1ria&#8230; e s\u00ea-lo-ei ate ao fim do mundo. S\u00f3 o Amor \u00e9 caminho que leva ao fim do mundo. Quando o cora\u00e7\u00e3o se torna pobre j\u00e1 n\u00e3o vive agarrado \u00e0 sua casa, ao seu quarto, \u00e0 sua rua, aos seus neg\u00f3cios: \u00e9 livre&#8230; pode partir! Pode ir e pode vir. \u00c8 um navio que solta as marras. Pode fazer-se mar adentro, pode navegar pelo mar alto!.\u201d Esta paix\u00e3o pela miss\u00e3o levou-a a corresponder-se com dois mission\u00e1rios: o P. Maurice Belli\u00e8re e o P. Adolphe Roulland, cuja voca\u00e7\u00e3o partilhou, a pedido da prioresa do Carmelo. Quando a prioresa lhe pediu pela primeira vez para ser a irm\u00e3 do primeiro futuro mission\u00e1rio, Teresa exclamou: \u201c Senti que nesse momento a minha alma estava a estrear-se. Era como se algu\u00e9m tivesse tocado, pela primeira vez, umas notas musicais at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas\u201d Retenhamos como conclus\u00e3o uma outra passagem dos seus escritos: \u201c Quereria percorrer a Terra para pregar o teu nome e implantar a tua gloriosa Cruz sobre o solo infiel. Todavia, \u00f3 meu Amado, uma s\u00f3 miss\u00e3o n\u00e3o seria suficiente: quereria anunciar o Evangelho em cada uma das cinco partes do mundo e at\u00e9 mesmo nas ilhas mais remotas. Gostaria de ser mission\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 por alguns anos mas desde o princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o dos tempos. Mas sobretudo, \u00f3 meu Amado Salvador, queria derramar at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota o meu sangue por Ti\u201d.  Ad\u00e9lio Torres Neiva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1927 Pio XI proclamou Santa Teresinha do Menino Jesus, \u201cpadroeira principal das miss\u00f5es de todo o mundo, juntamente com S. 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