{"id":14808,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/aprender-com-teresa-de-lisieux\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"aprender-com-teresa-de-lisieux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/aprender-com-teresa-de-lisieux\/","title":{"rendered":"Aprender com Teresa de Lisieux"},"content":{"rendered":"<p>Um s\u00e9culo depois da sua morte, Santa Teresinha do Menino Jesus realiza as suas \u00e2nsias mission\u00e1rias. Impossibilitada em vida de partir para terras de miss\u00e3o \u2014 Saig\u00e3o, cujo Carmelo fora fundado pelo de Lisieux \u2014 por causa da precaridade da sua sa\u00fade, haveria de tornar-se mission\u00e1ria rezando pelos mission\u00e1rios, sustentando os seus sonhos, animando as suas correrias apost\u00f3licas, encoran-jando a sua entrega, intercedendo pela sua f\u00e9, ardor e, inclusiv\u00e9, resist\u00eancia e sa\u00fade. Em 1994 os seus restos mortais \u2014 isto \u00e9, do pouco que de mortal tinha Teresinha \u2014 peregrinaram aos Santu\u00e1rios franceses, depois aos Carmelos, seguidamente a alguns pa\u00edses da Europa, Am\u00e9rica, \u00c1sia&#8230; Num total de quase 50! O sonho concretizava-se, enfim. Para al\u00e9m do tempo da sua vida Teresinha tornava-se mission\u00e1ria nas cinco partes do mundo, ia aos Pa\u00edses e Ilhas mais distantes concitando multid\u00f5es, assinalando a Boa Nova, chamando para Jesus, propondo a pequena vida da confian\u00e7a, a humildade e op\u00e7\u00e3o pelas pequenas coisas, a entrega ao amor misericordioso e a dedica\u00e7\u00e3o a todos e cada um dos irm\u00e3os, qualquer que ele seja e onde quer que ele se encontre. Neste Outono, Teresinha chegou como peregrina a Portugal. Em Lisboa acolhia-a, em Leiria entreguei-a de m\u00e3o em m\u00e3o, em F\u00e1tima carreguei e velei o seu relic\u00e1rio. J\u00e1 a visitara em Lisieux, surpreendi-a duas vezes em Roma e cruzamo-nos em Paris. Onde vi que a viram vi surpresa c\u00e1lida, proximidade agradecida, intimidade serena, intercess\u00e3o confiante. Aqueles pobres ossos que transportei e agora varrem os cora\u00e7\u00f5es e almas de Portugal como um furac\u00e3o, evocam o triunfo de Cristo que mais se v\u00ea quanto mais fr\u00e1gil e d\u00e9bil \u00e9 o suporte que O d\u00e1 a ver; falam da pequenez e humildade de Teresinha, imensa amiga de Jesus a quem ela amou com amor incondicional, a quem ela nos ensinou a amar no decurso dum caminhinho de confian\u00e7a muito t\u00e9nue, feito incansavelmente montanha acima.  Aqueles ossos s\u00e3o restos, s\u00e3o rasto, s\u00e3o prova. S\u00e3o restos duma mulher que serviu escondidamente a Igreja, rezou pelo mundo, aspirou \u00e0 santidade, \u00e0 uni\u00e3o com Jesus. S\u00e3o restos de quem teve uma alma com hist\u00f3ria em cujo enredo entrou Deus como protagonista principal, a fim de a usar como se usa um instrumento maravilhoso para ensinar a pedagogia do amor a uma cultura que decidira j\u00e1 n\u00e3o necessitar de o aprender. S\u00e3o rasto discreto da inunda\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Deus no fr\u00e1gil vaso de barro que foi a Petit Th\u00e9r\u00e8se. S\u00e3o prova para quem n\u00e3o chega ver sem ver, para quem precisa de ver j\u00e1 n\u00e3o apenas com a f\u00e9 nem com os olhos mas tamb\u00e9m com as m\u00e3os, e s\u00e3o \u00e2nimo at\u00e9 para quem j\u00e1 nem for\u00e7as tem para pedir provas. Aqueles ossos pequeninos s\u00e3o rel\u00edquias, mas n\u00e3o exigem a ades\u00e3o da f\u00e9. S\u00e3o sinais que n\u00e3o t\u00eam valor em si, que n\u00e3o apontam para si mas para Quem a chamou \u00e0 vida, \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 eternidade. As rel\u00edquias de S. Teresinha ainda hoje nos falam porque ontem ela privilegiou a aten\u00e7\u00e3o e o cuidado das pequenas coisas; e porque tamb\u00e9m por entre as ninharias da vida e das pequenas coisas anda e se revela o Senhor. Aquelas rel\u00edquias s\u00e3o sinais de fogo que provam que a morte n\u00e3o vence o amor. E nos levam para al\u00e9m da pra\u00e7a do encontro reenviando-nos para todos os lugares e horizontes onde possamos fazer ao mais pequenino dos irm\u00e3os como se o fiz\u00e9ssemos a Cristo. Aquelas rel\u00edquias s\u00e3o o \u00faltimo resto daquela pequena vida que sofreu e amou, cantou e rezou, duvidou e seguiu em frente, se consagrou e entregou t\u00e3o extraordinariamente. Aquelas rel\u00edquias s\u00e3o fragmentos de luz cuja presen\u00e7a no meio de n\u00f3s falam que \u00abTudo \u00e9 gra\u00e7a\u00bb, e gritam por intercess\u00e3o e al\u00edvio para os cansados da vida, os dizimados pela dor, os prostrados pela injusti\u00e7a, os surpreendidos pelo sem-sentido, os encarcerados no labirinto das d\u00favidas, os b\u00eabados de escurid\u00e3o e de noite sem fim. Que se aprende na escola de Teresinha, junto dos restos do seu corpo santo? Aprende-se a seguir Jesus suceda o que suceder, aconte\u00e7a o que aconte\u00e7a, surpreenda-se quem se surpreender, perturbe-se quem se perturbar. Aprende-se a tudo dar sem medida e dar-se a si mesmo sem olhar a quem, a ouvir a calada voz interior que nos engrandece com sua presen\u00e7a e nos empurra mar adentro, como quando o vento leste suavemente impele as velas da barca. Eu vi claramente visto &#8211; mesmo que n\u00e3o precisasse de ver &#8211; que Teresinha infunde confian\u00e7a, anima os cansados, afasta o des\u00e2nimo, formoseia a almas, chama ao compromisso amoroso com cada irm\u00e3o, porque, nas margens do mundo, tamb\u00e9m eu posso ser o que ela foi no cora\u00e7\u00e3o da Igreja: o amor.  Frei Jo\u00e3o Costa, ocd <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um s\u00e9culo depois da sua morte, Santa Teresinha do Menino Jesus realiza as suas \u00e2nsias mission\u00e1rias. 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