{"id":147817,"date":"2019-09-10T11:34:28","date_gmt":"2019-09-10T10:34:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=147817"},"modified":"2019-09-17T11:06:56","modified_gmt":"2019-09-17T10:06:56","slug":"a-cruz-escondida-67","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-67\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>Lembrar os m\u00e1rtires de Gui\u00faa a prop\u00f3sito da visita do Papa a Mo\u00e7ambique<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-147818\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/martires_Guiua-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Fama de santidade<\/h3>\n<p>A guerra civil estava quase a chegar ao fim. O acordo de paz seria assinado dali a menos de sete meses, mas a 22 de Mar\u00e7o de 1992 haveria de ocorrer o massacre de 23 crist\u00e3os. Foram mortos nessa noite e logo nasceu uma fama de santidade que tem crescido, impar\u00e1vel, ao longo do tempo\u2026<\/p>\n<p>Para Paulo Cunhana aquela n\u00e3o era uma viagem qualquer. Precisava de sobreviver \u00e0 armadilha da pr\u00f3pria mem\u00f3ria.\u00a0 Paulo sabia que tinha de regressar a Gui\u00faa. Tinha de regressar ao local onde viu matar alguns dos seus amigos, alguns dos seus companheiros. Paulo escapou da morte por um mero acaso. Foi em 1992 quando a guerra civil estava a chegar ao fim. Desde a independ\u00eancia, em 1975, Mo\u00e7ambique vivia debaixo de um regime comunista. A Frelimo assumiu o poder e teve uma atitude muito agressiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica que passou por tempos complicados. Foi uma \u00e9poca de persegui\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. D. Diamantino Antunes, Bispo de Tete, recordou esses anos numa iniciativa recente da Funda\u00e7\u00e3o AIS em Leiria. \u201cIsso traduziu-se em ac\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas como a nacionaliza\u00e7\u00e3o das miss\u00f5es, expuls\u00e3o de mission\u00e1rios, encerramento de semin\u00e1rios, de modo a impedir a forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes locais, e tamb\u00e9m persegui\u00e7\u00e3o. Houve sacerdotes, mas sobretudo catequistas, que foram discriminados, perseguidos, colocados na pris\u00e3o, e alguns deram a pr\u00f3pria vida por fidelidade \u00e0 Igreja.\u201d Paulo Saela Cunhana era um desses catequistas que o regime perseguia. Estava em Gui\u00faa, na Diocese de Inhambane, no sul do pa\u00eds, em 22 de Mar\u00e7o de 1992. O Bispo de Tete conhece a hist\u00f3ria do massacre como poucos. Mission\u00e1rio da Consolata, foi postulador da causa da beatifica\u00e7\u00e3o dos catequistas m\u00e1rtires de Gui\u00faa. No encontro em Leiria recordou o ataque. \u201cEra de noite. Os catequistas foram apanhados em suas casas. Uns conseguiram fugir no meio da confus\u00e3o, outros n\u00e3o. Foram sequestrados\u2026 A quatro quil\u00f3metros do centro catequ\u00e9tico foram interrogados. Quem os matou sabia quem eles eram. Sabia que eram da Igreja, que eram catequistas.\u201d Apesar disso, foram mortos. Mataram-nos como quem quer extirpar um mal, cort\u00e1-lo pela raiz. Mas a verdade \u00e9 que nasceu logo nessa noite de 22 de Mar\u00e7o de 1992 uma fama de santidade que nunca mais haveria de se extinguir em rela\u00e7\u00e3o aos catequistas m\u00e1rtires de Gui\u00faa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O regresso<\/h3>\n<p>Vinte e um anos depois, Paulo Saela Cunhana regressou ao local onde tudo aconteceu acompanhando uma equipa de filmagem da Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u201c\u00c9 a primeira vez que aqui volto\u201d, disse na ocasi\u00e3o. \u201cMal cheguei, comecei a ver tudo como naquele dia\u2026 At\u00e9 consigo ver onde estava sentado, como fugi\u2026\u201d Paulo sobreviveu porque conseguiu fugir. Escapou ao massacre. Vinte e tr\u00eas pessoas foram brutalmente assassinadas com catanas. Entre elas, nove mulheres e nove crian\u00e7as. A mulher de Paulo foi uma dessas v\u00edtimas. O massacre dos catequistas de Gui\u00faa ganhou eco at\u00e9 no estrangeiro. A assinatura do acordo de paz que poria fim \u00e0 guerra civil aconteceu pouco depois, a 4 de Outubro desse ano de 1992. Gui\u00faa ficou para a Hist\u00f3ria como um exemplo da crueldade humana. H\u00e1 tr\u00eas anos, a Igreja local decidiu abrir a causa de canoniza\u00e7\u00e3o dos que morreram neste epis\u00f3dio final da guerra de Mo\u00e7ambique. No passado dia 23 de Mar\u00e7o foi encerrada a fase diocesana com mais de uma centena de testemunhos, entre os quais o de Paulo Cunhana. Os 23 mortos de Gui\u00faa representam todos os que pagaram com a vida a fidelidade \u00e0 Igreja nos tempos conturbados desta guerra que custou a vida a mais de 1 milh\u00e3o de pessoas. O pa\u00eds ficou quase destru\u00eddo. Ainda hoje Mo\u00e7ambique tem cicatrizes desses 17 de guerra civil. O dia 22 de Mar\u00e7o de 1992 ficaria para a hist\u00f3ria por causa do massacre de 23 catequistas e suas fam\u00edlias. De 23 crist\u00e3os. A reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre caminho para a verdadeira paz. Um caminho que em Mo\u00e7ambique passa, inevitavelmente, por Gui\u00faa, hoje transformado em local de ora\u00e7\u00e3o e de peregrina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembrar os m\u00e1rtires de Gui\u00faa a prop\u00f3sito da visita do Papa a Mo\u00e7ambique<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-147817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}