{"id":14763,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/evangelizar-lisboa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"evangelizar-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evangelizar-lisboa\/","title":{"rendered":"Evangelizar Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>Discurso do Cardeal-Patriarca na abertura da sess\u00e3o lisboeta do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o <!--more--> 1. \u00c9 com alegria e emo\u00e7\u00e3o que declaro aberta a terceira Sess\u00e3o do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Amontoam-se no meu esp\u00edrito, constituindo a densidade e a beleza deste momento, os diversos sentimentos que ocuparam o nosso cora\u00e7\u00e3o durante este j\u00e1 longo percurso: a ousadia de ter aceite que Lisboa participasse neste dinamismo apaixonante de manifesta\u00e7\u00e3o, aos nossos contempor\u00e2neos e concidad\u00e3os, da actualidade de Jesus Cristo e da Sua mensagem libertadora; a alegria de um Pastor ao ver a sua Diocese, que n\u00e3o fora consultada para a decis\u00e3o, mas abra\u00e7ou a iniciativa com entusiasmo; a beleza da comunh\u00e3o entre diversas Igrejas, empenhadas num mesmo projecto evangelizador, o que nos ajudou, a n\u00f3s, Igreja de Lisboa, a redescobrir a nossa voca\u00e7\u00e3o de abertura \u00e0 universalidade, matriz constitutiva da nossa cultura e da nossa hist\u00f3ria; o louvor pelas gra\u00e7as recebidas de Deus, a gratid\u00e3o por tanta colabora\u00e7\u00e3o abnegada e entusiasta. Este n\u00e3o \u00e9 momento para triunfalismos. Vivemo-lo com a humildade de quem confia, a emo\u00e7\u00e3o de quem agradece, a ousadia de quem acredita. \tSa\u00fado todos os Congressistas vindos de Viena, Paris, Bruxelas e Budapeste. Queremos acolher-vos com a amizade fraterna com que os Congressistas de Lisboa foram recebidos em Viena e Paris. De v\u00f3s aprendemos o entusiasmo contagiante que nos sustentou na longa prepara\u00e7\u00e3o do Congresso em Lisboa. Representantes das Igrejas de cinco capitais europeias, juntos na determina\u00e7\u00e3o de dar actualidade ao Evangelho nas nossas sociedades, podem ser a fonte de uma esperan\u00e7a renovada para a Europa, este velho continente que busca arduamente novos caminhos de unidade e de solidariedade, para os quais tem de contribuir, de forma decisiva, a matriz crist\u00e3 da sua cultura. A vossa presen\u00e7a aqui oferecer\u00e1 ao testemunho de f\u00e9 que queremos dar a esta cidade, a dimens\u00e3o da voz un\u00edssona de uma Igreja unida.  \t2. Sa\u00fado, tamb\u00e9m, a nossa querida cidade de Lisboa, os seus autarcas, e quantos nela lutam por construir uma cidade de converg\u00eancia e de conviv\u00eancia. E uma maneira de saudar Lisboa \u00e9 apresent\u00e1-la \u00e0queles que nos visitam. Segundo uma antiqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o, Lisboa veio do mar, quando navegadores se abrigaram no abra\u00e7o acolhedor do estu\u00e1rio do Tejo. A alma de Lisboa \u00e9 incompreens\u00edvel sem a sua rela\u00e7\u00e3o com o rio que a projecta para a universalidade do oceano infinito. Lisboa \u00e9 uma cidade sempre \u00e0 espera de quem chega e sempre disposta a partir, como se o mundo fosse o seu prolongamento natural. Aqui aportaram mensageiros amigos e ex\u00e9rcitos dominadores, comerciantes e aventureiros. Aqui se misturaram culturas e credos, o cristianismo, o juda\u00edsmo, o islamismo, que aqui ensaiaram experi\u00eancias de conviv\u00eancia, que bem poderiam ser inspiradoras para desafios da sociedade contempor\u00e2nea. Tamb\u00e9m a f\u00e9 crist\u00e3 veio do mar, pois o an\u00fancio de Jesus Cristo chegou at\u00e9 n\u00f3s, atrav\u00e9s da f\u00e9 de soldados e comerciantes, implantando em terras que haveriam de chamar-se de Santa Maria, a \u00e1rvore frondosa do cristianismo. \tMas porque Lisboa \u00e9 uma cidade onde os seus habitantes est\u00e3o sempre prontos a partir, atra\u00eddos pelo fasc\u00ednio do desconhecido, daqui partiram \u00e1 descoberta do mundo, navegadores e exploradores, soldados e homens de neg\u00f3cios, mission\u00e1rios e homens de cultura, que levaram consigo a f\u00e9 e a l\u00edngua. Partir em miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9, propriamente, uma experi\u00eancia in\u00e9dita para Lisboa. Na actual implanta\u00e7\u00e3o do catolicismo no mundo, s\u00e3o cerca de quinhentas as dioceses que t\u00eam na sua origem a missiona\u00e7\u00e3o portuguesa. E se a nossa l\u00edngua \u00e9, hoje, a verdadeira fronteira da Na\u00e7\u00e3o Lusa, a f\u00e9 e a cultura crist\u00e3s s\u00e3o a nossa principal plataforma de presen\u00e7a e de di\u00e1logo com o resto do mundo. \tEvangelizar Lisboa \u00e9 faz\u00ea-la reencontrar-se com esta hist\u00f3ria, tecida de l\u00e1grimas, de aventuras e ideais. \u00c9 continuar \u00e0 espera de quem chega \u2013 e continuam a chegar aos milhares \u2013 para os acolher \u00e0 nossa maneira, com o calor da fraternidade crist\u00e3, e n\u00e3o deixar morrer essa disponibilidade para partir, sempre em miss\u00e3o, seja qual for o motivo da partida. Evangelizar Lisboa \u00e9 ensinar a acolher com amor aqueles que chegam, \u00e9 preparar todos os que partem, para partirem em miss\u00e3o, porque levam no cora\u00e7\u00e3o a alegria da vida e o ideal da fraternidade, valores h\u00e1 s\u00e9culos semeados na nossa cultura pela f\u00e9 crist\u00e3. \tMas evangelizar Lisboa \u00e9 tamb\u00e9m olhar com solicitude e amor a sua complexa realidade de grande cidade, onde o \u201cchegar\u201d e \u201cpartir\u201d t\u00eam mais a ver com a dolorosa mobilidade exigida pela cidade moderna, da periferia para o centro e deste para a grande Lisboa, em busca de trabalho, de divertimento, de ajuda e consola\u00e7\u00e3o; o trabalho n\u00e3o realiza, o amor n\u00e3o \u00e9 sempre caminho de felicidade, a solid\u00e3o compromete a alegria, a precaridade leva a identificar a vida com as respostas imediatas que se alcan\u00e7am. E porque a constru\u00e7\u00e3o da felicidade \u00e9 indeslig\u00e1vel da profundidade, \u00e9 urgente acordar no cora\u00e7\u00e3o das pessoas os seus anseios de felicidade e de profundidade, para poderem n\u00e3o desistir da vida. Como Jesus chorou sobre Jerusal\u00e9m, tamb\u00e9m a mim me apetece, por vezes, chorar sobre a nossa cidade, esta cidade que eu amo.  \t3. Em Paris o Senhor Cardeal Lustiger entregou-me, como quem comunica o testemunho, um exemplar dos \u201clivros da vida\u201d. Nestes \u201clivros da vida\u201d, solenemente trazidos \u00e0 Catedral pelas par\u00f3quias da cidade e depostos aos p\u00e9s de Maria, os parisienses escreveram, durante a semana, os seus anseios e alegrias, os seus sofrimentos e preces. S\u00e3o peda\u00e7os da vida de uma grande cidade, apresentados em prece e com esperan\u00e7a, atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o da Igreja, a Deus, fonte da Vida. \tQueremos que durante esta semana esteja erguido diante do altar de Deus e confiadamente posto aos p\u00e9s de Maria, o grande livro da vida de todos os habitantes de Lisboa, crentes e descrentes, os seus sofrimentos e anseios, os seus projectos e ideais, as suas lutas e dificuldades, tanto na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, comunh\u00e3o de pessoas, como na constru\u00e7\u00e3o de uma cidade mais justa e fraterna. Tamb\u00e9m por isso escolhemos como mensagem central do Congresso, a plenitude da Vida, que nos \u00e9 manifestada e oferecida em Cristo Vivo. Cristo habita na cidade, \u00e9 uma proposta cont\u00ednua de comunh\u00e3o de vida e de amor. Esta actualidade de Jesus Cristo \u00e9 uma realidade inilud\u00edvel. Felizes aqueles que a experimentam, porque acreditam. E esses t\u00eam de dar testemunho disso, com alegria.   Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 6 de Novembro de 2005  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do Cardeal-Patriarca na abertura da sess\u00e3o lisboeta do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[203,268,314],"class_list":["post-14763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-europa","tag-nova-evangelizacao","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}