{"id":14761,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/para-evangelizar-e-preciso-aprender-a-amar\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"para-evangelizar-e-preciso-aprender-a-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/para-evangelizar-e-preciso-aprender-a-amar\/","title":{"rendered":"\u00abPara evangelizar \u00e9 preciso aprender a amar\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia perante as Rel\u00edquias de Santa Teresa de Lisieux, no in\u00edcio do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o <!--more--> 1. Celebramos a Eucaristia do trig\u00e9simo segundo domingo do tempo comum, no dia da abertura do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, tendo no meio de n\u00f3s as Rel\u00edquias de Santa Teresinha do Menino Jesus, que proclam\u00e1mos padroeira deste Congresso. Ao meditar, convosco, a Palavra de Deus que acab\u00e1mos de escutar, quero dizer-vos como sinto a unidade de todos estes elementos que convergem nesta celebra\u00e7\u00e3o: a Eucaristia, a mais forte express\u00e3o de amor entre Cristo e a Igreja, a evangeliza\u00e7\u00e3o concebida como fidelidade de amor e a mensagem da Santa do Amor, proclamada padroeira das miss\u00f5es. Teresa de Lisieux \u00e9 uma concretiza\u00e7\u00e3o apaixonante da Palavra de Jesus no Evangelho: \u201cO reino dos c\u00e9us pode comparar-se a dez virgens que, tomando as suas l\u00e2mpadas, foram ao encontro do esposo\u201d. O an\u00fancio crist\u00e3o de Jesus morto e ressuscitado, \u00e9 um preg\u00e3o de amor, do amor infinito de Deus, em Jesus Cristo, da nossa \u00e2nsia de O amarmos, apesar da nossa fragilidade e pequenez. E \u00e9-nos dado mergulhar nessa voragem de amor em cada Eucaristia que celebramos. S\u00e3o Paulo, ao referir-se \u00e0 \u00faltima vinda de Cristo, diz que, para n\u00f3s, ela ser\u00e1 um encontro com o Senhor, esse encontro de amor que aprendemos a desejar quando celebramos a Eucaristia. A par\u00e1bola evang\u00e9lica diz-nos que se trata de um encontro nupcial. Santa Teresa foi, em toda a sua vida, esse cora\u00e7\u00e3o virgem que ansiava pelo Seu amado. Num dos seus poemas escreve: \u201cCristo \u00e9 o meu amor, Ele \u00e9 toda a minha vida\u201d. H\u00e1 nela um \u201cel\u00e2n\u201d esponsal, que alimenta continuamente em rela\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo, seu esposo, que suscita nela o desejo da entrega total, do amor extremo, do \u201camar, at\u00e9 morrer de amor\u201d . \tEsta express\u00e3o \u201camar at\u00e9 morrer de amor\u201d \u00e9 sinal de que Teresa percebeu que, neste mundo, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel amar no \u201camor mesmo\u201d, no \u201cpuro amor\u201d que ela toca em Jesus Cristo, exprimindo o seu amor de criatura no pr\u00f3prio mist\u00e9rio pascal de Cristo, amando o crucificado e recebendo, nesse amor, a comunh\u00e3o com o ressuscitado. O seu amor de esposa vai ao encontro do esposo, f\u00e1-la mergulhar nessa voragem infinita de amor divino que se exprime na Paix\u00e3o de Cristo e que, na Eucaristia, se abre para ela na alegria de um amor jubiloso e na paix\u00e3o do an\u00fancio desse amor redentor. \tSegundo o seu pr\u00f3prio testemunho, foi exactamente durante a Eucaristia que ela sentiu a voragem de amor divino, no crucificado, o que despertou nela o desejo infinito de se entregar a esse amor e de o anunciar, amando. Escutemos as palavras do seu testemunho: \u201cNum domingo (durante a missa na Catedral de Lisieux), ao olhar uma fotografia de Nosso Senhor na Cruz, fui tocada pelo sangue que escorria de uma das suas m\u00e3os divinas, experimentei uma dor t\u00e3o grande ao pensar que este sangue ca\u00eda por terra, sem que ningu\u00e9m se apressasse em recolh\u00ea-lo e resolvi ficar, em esp\u00edrito, aos p\u00e9s da Cruz para receber o orvalho divino que dela escorria, compreendendo que, a seguir, eu teria de o espalhar sobre as almas. O grito de Jesus na Cruz ecoava continuamente no meu cora\u00e7\u00e3o: \u00abTenho sede!\u00bb. Estas palavras acendiam em mim um ardor desconhecido e muito vivo. Eu queria dar de beber ao meu Bem-Amado e sentia-me, eu pr\u00f3pria, devorada pela sede das almas\u2026\u201d . \tA linguagem \u00e9 a sua, o mist\u00e9rio \u00e9 o mesmo de sempre, \u00e9 de todos n\u00f3s: na Eucaristia podemos cruzar o nosso cora\u00e7\u00e3o com o amor infinito de Deus, expresso na Paix\u00e3o de Cristo. Esta \u00e9 o acto supremo de amor, expresso na humanidade, com linguagem humana. Entrar nesse amor, deixar-se devorar por ele, \u00e9 sentir na sua carne a urg\u00eancia e a voragem pela salva\u00e7\u00e3o dos homens, perceber que essa \u00e9 uma inquieta\u00e7\u00e3o de amor e assumi-la para toda a nossa vida. Santa Teresa confessa-nos que foi nesse momento que se deixou possuir por esse zelo pela salva\u00e7\u00e3o das almas e que a maneira de o realizar era amar, deixar-se devorar pelo amor, \u201cmorrer de amor\u201d. Se exprim\u00edssemos esse zelo com uma linguagem mais teol\u00f3gica, dir\u00edamos que a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o da caridade, porque \u00e9 sempre o an\u00fancio desse amor infinito de Deus em Jesus Cristo e que s\u00f3 podem fazer esse an\u00fancio aqueles que se deixaram devorar por esse amor. E isso pode acontecer na Eucaristia.  \t2. Esta certeza de que evangelizar \u00e9 uma express\u00e3o da caridade \u00e9 algo que devemos meditar neste momento. Trata-se de perceber que s\u00f3 o amor redentor de Jesus pode transformar os cora\u00e7\u00f5es. Os frutos da evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o brotam da efic\u00e1cia dos meios humanos, mas dessa fonte inesgot\u00e1vel de amor, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de Cristo. Ao deixarmo-nos possuir pelo Seu amor infinito, n\u00f3s tornamo-nos sacramentos do Seu amor. Os nossos meios humanos para testemunharmos o amor salv\u00edfico de Cristo, devem ser os melhores e mais aut\u00eanticos de que formos capazes, na certeza de que s\u00f3 esse amor os torna fecundos. Santa Teresa escolheu o caminho da intensidade de amor, atrav\u00e9s de meios humanos muito simples, compat\u00edveis com a sua vida de religiosa carmelita, a que ela chamou \u201cla petite voie\u201d, o \u201cpequeno caminho\u201d, manifesta\u00e7\u00e3o da sua confian\u00e7a total no poder transformador do amor. \tO primeiro ensinamento que daqui tiramos \u00e9 que, para evangelizar, basta amar e que todos podem evangelizar, desde que aprendam a mergulhar na fonte do amor. Express\u00e3o da caridade, a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, apenas, tarefa de peritos, que para isso se prepararam humanamente. As crian\u00e7as, as m\u00e3es de fam\u00edlia, os jovens na sua escola ou no seu grupo, os trabalhadores no seu local de trabalho, os presos, os doentes e os idosos, podem testemunhar a salva\u00e7\u00e3o, se aprenderem a amar. Todos podem ter a sua \u201cpequena via\u201d para um amor grande, que \u00e9, em si mesmo, testemunho da salva\u00e7\u00e3o. \tEste \u00e9 um aspecto fundamental do dinamismo evangelizador que queremos suscitar na nossa Igreja de Lisboa: para evangelizar \u00e9 preciso aprender a amar. A capacidade de amar \u00e9 um dom do cora\u00e7\u00e3o humano, potenciado pelo dom do Esp\u00edrito Santo, amor divino que Deus derrama nos nossos cora\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o s\u00f3 nos ensina a amar os nossos irm\u00e3os com a marca do amor divino, mas nos permite mergulhar na profundidade do amor de Deus. Essa nova e misteriosa capacidade de amar tem a sua fonte no baptismo e na confirma\u00e7\u00e3o e exprime-se, em aprofundamento progressivo, na Eucaristia. Aprender a amar \u00e9 sempre partir do baptismo com que fomos redimidos, da confirma\u00e7\u00e3o, sacramento do Esp\u00edrito com que fomos santificados, para mergulhar na Eucaristia, sacramento do amor. Para aprender a amar basta deixar-se amar. \tEsta aprendizagem do amor \u00e9 um desafio para todos n\u00f3s. Mas a presen\u00e7a das Rel\u00edquias de Santa Teresa de Lisieux, leva-me a pedir-lhe, de modo particular, que ensine a amar e seja modelo de amor, das mulheres crist\u00e3s da nossa Diocese. A voca\u00e7\u00e3o de amor vivida por esta mulher, foi um amor crist\u00e3o na plenitude do termo, mas foi tamb\u00e9m um amor de mulher. H\u00e1 uma maneira pr\u00f3pria de a mulher amar e tantas vezes foi a elas que o Senhor escolheu para experi\u00eancias marcantes entre Cristo e a criatura. Catarina de Sena, Teresa de \u00c1vila, Teresa de Lisieux, Margarida Maria Alacoque, Isabel da Sant\u00edssima Trindade, Edith Stein, para apenas referir algumas daquelas a quem Deus chamou a um amor feminino por Cristo, total e misteriosamente belo. As mulheres podem ter um papel decisivo na evangeliza\u00e7\u00e3o, se forem mulheres eucar\u00edsticas, se escutarem o convite de amor que brota do cora\u00e7\u00e3o de Cristo. A todas as mulheres crist\u00e3s, mas sobretudo \u00e0s nossas queridas jovens, eu digo hoje, aqui, diante de Santa Teresinha: a Igreja precisa do vosso amor. Se quiserdes aprender a amar, vinde aqui, nestes dias, pedir-lhe que ela vos ensine, na certeza de que ela vos apontar\u00e1 Jesus Cristo Vivo, que espera por v\u00f3s em cada Eucaristia.  S\u00e9 Patriarcal, 6 de Novembro de 2005  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia perante as Rel\u00edquias de Santa Teresa de Lisieux, no in\u00edcio do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,206,261,268,294,298],"class_list":["post-14761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-familia","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-sacramentos","tag-santa-teresinha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}