{"id":1472,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-nostalgia-do-mundo-piscatorio\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-nostalgia-do-mundo-piscatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-nostalgia-do-mundo-piscatorio\/","title":{"rendered":"A nostalgia do mundo piscat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>A nostalgia do mundo piscat\u00f3rio Conhece as \u00e1guas do rio e do mar. Com 66 anos passou grande parte da sua vida na \u00e1gua, \u201cumas vezes mais revolta ou outras vezes mais calma\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Constantino Padinha, pescador natural de Alhandra. Se no rio \u201ca ida e volta faz-se diariamente\u201d, nos tempos em que ia para \u201ca Nazar\u00e9 e Peniche\u201d passava alguns dias fora de casa. \u201cOutros tempos\u201d \u2013 sublinha Constantino Padinha. No seu rosto via-se a nostalgia e a saudade misturada com o \u00abbronzeado\u00bb dos sacrif\u00edcios feitos para alimentar uma fam\u00edlia tamb\u00e9m ela ligada ao mundo piscat\u00f3rio. Uma realidade de diferente, dos h\u00e1bitos quotidianos \u00e0 religiosidade vivida, \u201cainda h\u00e1 pouco tempo tivemos aqui uma prociss\u00e3o em honra de S. Jo\u00e3o Baptista, que \u00e9 o padroeiro dos pescadores do Rio Tejo\u201d. Uma \u00abcaminhada nocturna no mar\u00bb, qual Mois\u00e9s a atravessar o Mar Vermelho, porque \u201cn\u00f3s fazemos muitas promessas\u201d. Os pescadores, \u201ce n\u00e3o falo s\u00f3 por mim, s\u00e3o muito agarrados aos santinhos\u201d. E adianta: \u201cno meu barco tenho uma imagem\u201d, quando as dificuldades surgem \u201cdirigimo-nos \u00c0quele que nos pode salvar\u201d.  Uma actividade cheia de incertezas, \u201cdesde a quantidade de pescado at\u00e9 aos sustos que aparecem sem n\u00f3s esperarmos\u201d \u2013 salienta aquele pescador de Alhandra e acrescenta: \u201cuma vez estive tr\u00eas dias no mar sem poder entrar na porto da Nazar\u00e9 porque o mar parecia um furac\u00e3o\u201d.  Mas o mar n\u00e3o \u00e9 sempre assim muitas vezes \u201cparece que se espregui\u00e7a \u00e0 nossa frente\u201d e \u201cquando quer \u00e9 nosso amigo\u201d. Uma amizade, que para este pescador est\u00e1 relacionada com a quantidade e qualidade de peixe apanhado na faina. Se o pescador e o mar est\u00e3o de costas voltadas \u201cpedimos aos santinhos para nos ajudarem no lance\u201d. Quando h\u00e1 empatia \u201centre n\u00f3s e a nossa estrada ficamos todos contentes e agradecemos a Deus e a Nossa Senhora\u201d. Homens com uma terminologia pr\u00f3pria e que caminham em direc\u00e7\u00e3o ao horizonte na busca do peixe \u201cque \u00e9 o sangue pescador\u201d. Um horizonte cada vez mais curto \u201cderivado \u00e0 falta des pescadores e tamb\u00e9m a hip\u00f3tese de nos reduzirem as milhas\u201d. E sublinha: \u201cqualquer dia n\u00e3o temos nada, os nossos vizinhos espanh\u00f3is invadem tudo\u201d. Sem esquecer \u201co abate constante da frota piscat\u00f3ria\u201d e o \u201cretirar as licen\u00e7as de pesca\u201d. As muitas horas de trabalho e o esfor\u00e7o constante \u201cafastam a juventude desta profiss\u00e3o\u201d \u2013 afirma Constantino Padinha, que nasceu dentro de um barco e que tem o curso de \u00abpescador\u00bb.  Uma inf\u00e2ncia em contacto com as \u00e1guas que se tornaram \u201cminhas confidentes\u201d. Naquela altura \u201cn\u00e3o havia trabalho infantil\u201d, desde mi\u00fado \u201ccomecei a ajudar o meu irm\u00e3o e o meu pai na pesca do S\u00e1vel\u201d. Aos dezoito anos j\u00e1 \u201candava sozinho no rio\u201d. Por isso costuma dizer: \u201cse me tirarem o mar ou o rio tiram-me parte de mim\u201d. Um pescador por voca\u00e7\u00e3o que teve outras propostas de trabalho mas \u201cs\u00f3 me sentia bem em contacto com este azul\u201d. E acrescenta: \u201c\u00e9 o meu trabalho e o meu desporto\u201d. Um desporto que n\u00e3o d\u00e1 para \u201cganhar milh\u00f5es\u201d mas \u201ctemos outros prazeres\u201d. S\u00f3 sabe quem passa por l\u00e1&#8230; E Constantino Padinha sabe porque as l\u00e1grimas soltaram-se quando fala dos tempos passados. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nostalgia do mundo piscat\u00f3rio Conhece as \u00e1guas do rio e do mar. Com 66 anos passou grande parte da sua vida na \u00e1gua, \u201cumas vezes mais revolta ou outras vezes mais calma\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Constantino Padinha, pescador natural de Alhandra. 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