{"id":146809,"date":"2019-09-01T15:29:40","date_gmt":"2019-09-01T14:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=146809"},"modified":"2019-09-01T15:30:48","modified_gmt":"2019-09-01T14:30:48","slug":"como-levar-alguem-para-onde-nao-quer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/como-levar-alguem-para-onde-nao-quer\/","title":{"rendered":"Como levar algu\u00e9m para onde n\u00e3o quer"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Lu\u00eds Nunes Martins<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-146811\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1004\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer-388x260.jpg 388w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer-768x514.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Como-levar-alguem-para-onde-nao-quer-1080x723.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando se procura controlar algu\u00e9m, uma das estrat\u00e9gias mais eficazes \u00e9 a de o fazer desacreditar nos seus costumes, rela\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias. Para que se possa sentir t\u00e3o livre, que, assim perdido, seja f\u00e1cil de manipular.<\/p>\n<p>A identidade de algu\u00e9m depende de um profundo respeito pelo seu passado, pelas suas rela\u00e7\u00f5es, mesmo as que j\u00e1 se quebraram, e por aquilo em que acredita. N\u00f3s n\u00e3o somos o que sentimos ou queremos: somos sobretudo o que recebemos dos que nos geraram e criaram. N\u00e3o ser\u00edamos quem somos se tiv\u00e9ssemos nascido noutro contexto, tempo ou lugar.<\/p>\n<p>Quem pretende que pensemos e escolhamos de forma diferente tem, por isso, de nos afastar das tradi\u00e7\u00f5es, das liga\u00e7\u00f5es humanas, pr\u00f3ximas e casuais, e dos nossos valores. O que fica quando tudo isto est\u00e1 em causa? Algu\u00e9m, a quem se lhe tirou tudo o que recebeu e moldou a sua personalidade, est\u00e1 a precisar de uma orienta\u00e7\u00e3o urgente, ficando mais aberto que nunca a propostas de vida que antes teria considerado imbecis.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m com liga\u00e7\u00f5es enfraquecidas ao passado, nem valores ativos, n\u00e3o tem nada a defender e, por isso, \u00e9 uma esp\u00e9cie de potencial mercen\u00e1rio, porque est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea de quem o conquiste para uma causa qualquer.<\/p>\n<p>Quando se trata de tentar vender qualquer produto, em primeiro lugar, \u00e9 preciso criar a necessidade dele. Sendo que se j\u00e1 existirem propostas semelhantes, ent\u00e3o h\u00e1 que desacredit\u00e1-las.<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia \u00e9 simples: quem nos quer manipular, prometendo-nos o c\u00e9u da liberdade, corta as \u00e2ncoras da identidade a fim de que, connosco \u00e0 deriva, lhes seja muito mais f\u00e1cil levar-nos para onde n\u00e3o ir\u00edamos. S\u00f3 pode ser tudo, quem n\u00e3o \u00e9 nada.<\/p>\n<p>Isto resulta mesmo, tanto com os adolescentes que querem a admira\u00e7\u00e3o rendida e o amor de quem n\u00e3o os quer, como com uma qualquer ideologia pol\u00edtica. Este tipo de utopias explora sempre os desgra\u00e7ados, prometendo mundos e fundos a quem, como eles, n\u00e3o tem nada a perder.<\/p>\n<p>Desrespeitar o passado, as liga\u00e7\u00f5es e os princ\u00edpios de algu\u00e9m \u00e9 uma forma eficaz de aliciar, atrav\u00e9s da liberdade, \u00e0 abertura completa a uma nova posi\u00e7\u00e3o, em virtude do vazio que se cria.<\/p>\n<p>A nossa identidade \u00e9 definida ao longo do tempo, pelas nossas heran\u00e7as (gen\u00e9tica, cultural e familiar) bem como pelas nossas escolhas (a respeito de n\u00f3s, dos outros e daquilo em que acreditamos). Sem a solidez desta coluna vertebral, deste tronco, seremos um nada \u00e0 procura de alguma coisa, t\u00e3o famintos que nos alimentaremos da primeira coisa que nos apresentarem. Depois de naufragados, aceitaremos qualquer m\u00e3o que se nos estenda.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outro fator muito importante: a multid\u00e3o. Em conjunto com outros tendemos sempre a fazer coisas que nunca far\u00edamos sozinhos, at\u00e9 porque \u00e9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m que se considere inferior a n\u00f3s. Uma multid\u00e3o \u00e9 sempre infantil e importa que n\u00e3o nos deixemos converter pela sua irracionalidade.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 maior porque s\u00e3o poucos os que percebem que a verdade n\u00e3o resulta da vontade coletiva. Ainda que haja unanimidade em torno de uma falsidade, isso nada altera a sua perversidade.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o importante que consigamos sempre respeitar-nos ao ponto de pensarmos e sentirmos por n\u00f3s mesmos. Na verdade, o que pensam sobre mim n\u00e3o tem valor, s\u00f3 me deve importar o que sou.<\/p>\n<p>Hoje vivemos num mundo onde se valoriza mais o tempor\u00e1rio e relativo e do que o permanente e absoluto. O novo parece-nos ser melhor do que o antigo, porqu\u00ea? Porque para nos venderem o novo, nos convencem a detestar o antigo, com tantos argumentos e sentimentos que&#8230; acabamos por nos deixar encaminhar para destinos que s\u00e3o no lado oposto aos nossos.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es humanas devem cultivar-se, n\u00e3o servem para as consumirmos.<\/p>\n<p>A nossa heran\u00e7a \u00e9 um valor que traz consigo a sabedoria, feita de sucessos e fracassos, dos que nos antecederam, n\u00e3o nos aprisiona ou pesa, antes nos permite voar para mais longe. As nossas escolhas devem ser alicer\u00e7adas naquilo em que acreditamos, concretizando a nossa liberdade da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ser mais livres do que quando somos obedientes a n\u00f3s mesmos. Respeitando e assumindo as nossas heran\u00e7as gen\u00e9tica, familiar e cultural.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos devemos deixar levar por caminhos que n\u00e3o s\u00e3o os nossos, que fogem da verdade, ainda que nos prometam liberdade e felicidade.<\/p>\n<p>Cuidado: eu n\u00e3o sou o centro do mundo. De nenhum mundo, nem do meu.<\/p>\n<p>Sou ch\u00e3o dos que amo, de mais ningu\u00e9m, muito menos o serei dos que apenas se querem servir de mim.<\/p>\n<p>Sou um caminho. A caminho de mim. Rumo ao c\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Nunes Martins<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":103305,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-146809","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146809"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146809\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}