{"id":14679,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-proximidade-de-deus-com-o-homem-sentido-da-missao-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-proximidade-de-deus-com-o-homem-sentido-da-missao-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-proximidade-de-deus-com-o-homem-sentido-da-missao-da-igreja\/","title":{"rendered":"A proximidade de Deus com o Homem, sentido da miss\u00e3o da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos, num encontro internacional, cada um dos participantes era convidado a assinalar a sua proveni\u00eancia geogr\u00e1fica colocando uma bandeira, a qual n\u00e3o tinha nada a ver com a nacionalidade dos participantes, num mapa-mundi. Dentro do espectro poss\u00edvel e dispon\u00edvel de cores, cada participante identificava-se com uma cidade e uma cor atrav\u00e9s de uma simples bandeirinha. A observa\u00e7\u00e3o da escolha das cores por parte de cada um dos participantes e das respectivas proveni\u00eancias poderia levar-nos bastante longe, contudo gostaria apenas de assinalar um desvio da normalidade para lan\u00e7ar algumas pistas de reflex\u00e3o. Um dos participantes, natural de Los Angeles, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, sentiu a necessidade de acrescentar a express\u00e3o \u201ca state of mind\u201d junto da bandeira que assinalava a sua proveni\u00eancia. Independemente do ju\u00edzo de valor que possamos formular \u00e0cerca do indiv\u00edduo e da sua nacionalidade, o efeito foi o de conseguir tornar-se pr\u00f3ximo, atrav\u00e9s da sua originalidade, de todos os participantes daquele encontro.  Mais do que ficarmos pelo ex\u00f3tico do \u201cfait-divers\u201d, vale a pena olhar para a exig\u00eancia da miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo na perspectiva da proximidade entre Deus e o Homem. Tal perspectiva permite-nos assumir, em termos de atitude, desafios e uma identidade cujo horizonte de realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre o de dar corporeidade ao desejo de amor de Deus por todo o Homem.  Num tempo e numa sociedade marcados pela tribaliza\u00e7\u00e3o dos comportamentos e das perten\u00e7as, sem deixar de ter presente que a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria desta realidade tribal se traduz por uma afirma\u00e7\u00e3o de identidades m\u00faltiplas (1), a Igreja vive o desafio de n\u00e3o se deixar confundir com mais uma tribo entre outras. H\u00e1, por vezes, a tenta\u00e7\u00e3o de olhar a Igreja identificando-a com as suas pr\u00e1ticas rituais ou com algumas das suas propostas de natureza moral &#8211; raras s\u00e3o as vezes onde as propostas de natureza teol\u00f3gica s\u00e3o entendidas como crit\u00e9rio de identidade, mas este \u00e9 apenas o desabafo do te\u00f3logo. Este olhar sobre a Igreja n\u00e3o \u00e9 apenas o de quem se encontra fora dos seus limites vis\u00edveis. Por vezes s\u00e3o os pr\u00f3prios membros da Igreja quem manifesta uma incapacidade em perceber a dimens\u00e3o do mist\u00e9rio que os habita. A Igreja enfrenta este desafio de afirmar a sua identidade, a qual ser\u00e1 mais que uma simples identifica\u00e7\u00e3o ou denomina\u00e7\u00e3o. A Igreja assume a tarefa de saber que nela, e por ela, Deus se quer tornar pr\u00f3ximo do Homem e de permitir, ao Homem, a perman\u00eancia nessa proximidade, a qual se transforma mesmo em intimidade de vida.  Joseph Dor\u00e9, actual arcebispo de Estrasburgo, inscrevendo-se numa tradi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vem da Patr\u00edstica, tem como ponto de partida para a descoberta da pessoa de Cristo a vida de cada crist\u00e3o. Inscrevendo a sua vida num contexto socio-hist\u00f3rico marcado pelo dinamismo da ressurrei\u00e7\u00e3o, o crist\u00e3o assume, pelo concreto da sua exist\u00eancia, a responsabilidade de se saber a forma mais eloquente de Cristo se dizer em todos os tempos e lugares. Olhar o mist\u00e9rio de Cristo a partir da vida de cada crist\u00e3o permite-nos redescobrir a miss\u00e3o da Igreja. Permite redescobrir a nossa pr\u00f3pria humanidade \u00e0 luz da humanidade de Cristo como o lugar onde Deus se deixa encontrar porque se deixa dizer. Nesse olhar tamb\u00e9m somos convidados a alargar a nossa pr\u00f3pria compreens\u00e3o do significado do an\u00fancio: n\u00e3o se trata de propaganda nem de proselitismo; \u00e9 a express\u00e3o deste desejo de intimidade de Deus com o Homem. Esta breve reflex\u00e3o coloca-nos perante as duas coordenadas nas quais se define a miss\u00e3o da Igreja: a sociedade e Cristo. Retomando a nossa hist\u00f3ria inicial e \u00e0 luz destes dois princ\u00edpios de compreens\u00e3o da miss\u00e3o eclesial, o principal desafio vivido pela Igreja de todos os tempos \u00e9 o de, sabendo-se inscrita neste dinamismo do dizer-se de Deus na hist\u00f3ria, ser capaz de encontrar a originalidade que lhe permita manifestar a proximidade de Deus com todo o Homem.  <i>Pe. Jo\u00e3o Eleut\u00e9rio<\/i>  <i>1 Inspiro-me nas reflex\u00f5es de Michel Maffesoli \u2013 cf. \u201cLe tribalisme postmoderne. De l\u2019identit\u00e9 aux identifications\u201d, in http:\/\/www.la-science-politique.com\/revue\/revue2\/papier5.htm.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos, num encontro internacional, cada um dos participantes era convidado a assinalar a sua proveni\u00eancia geogr\u00e1fica colocando uma bandeira, a qual n\u00e3o tinha nada a ver com a nacionalidade dos participantes, num mapa-mundi. 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