{"id":146775,"date":"2019-09-01T11:31:56","date_gmt":"2019-09-01T10:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=146775"},"modified":"2019-09-01T11:02:29","modified_gmt":"2019-09-01T10:02:29","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-v-dia-mundial-de-oracao-pela-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-v-dia-mundial-de-oracao-pela-criacao\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para o V Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-146665 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/DOC.20190826.26911319.07795997.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/DOC.20190826.26911319.07795997.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/DOC.20190826.26911319.07795997-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/DOC.20190826.26911319.07795997-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/DOC.20190826.26911319.07795997-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/DOC.20190826.26911319.07795997-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>\u00abDeus viu que era coisa boa\u00bb (<i>Gn<\/i> 1, 25). No in\u00edcio da B\u00edblia, o olhar de Deus pousa-se ternamente sobre a cria\u00e7\u00e3o. Desde a terra habit\u00e1vel at\u00e9 \u00e0s \u00e1guas que sustentam a vida, desde as \u00e1rvores que d\u00e3o fruto at\u00e9 aos animais que povoam a casa comum, tudo \u00e9 benquisto aos olhos de Deus, que oferece a cria\u00e7\u00e3o ao homem como dom precioso que deve guardar.<\/p>\n<p>Desgra\u00e7adamente, a resposta humana ao dom recebido foi marcada pelo pecado, pelo fechamento na pr\u00f3pria autonomia, pela avidez de possuir e explorar. Ego\u00edsmos e interesses fizeram deste lugar de encontro e partilha, que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o, um palco de rivalidades e confrontos. Assim, colocou-se em perigo o pr\u00f3prio ambiente:\u00a0<i>coisa boa<\/i>\u00a0aos olhos de Deus, torna-se\u00a0<i>coisa explor\u00e1vel<\/i>\u00a0nas m\u00e3os humanas. A degrada\u00e7\u00e3o aumentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas: a polui\u00e7\u00e3o constante, o uso incessante de combust\u00edveis f\u00f3sseis, a explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola intensiva, a pr\u00e1tica de abater as florestas\u2026 est\u00e3o a elevar as temperaturas globais para n\u00edveis preocupantes. O aumento da intensidade e frequ\u00eancia de fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos e a desertifica\u00e7\u00e3o do solo est\u00e3o a colocar \u00e0 prova os mais vulner\u00e1veis entre n\u00f3s. A dissolu\u00e7\u00e3o dos glaciares, a escassez de \u00e1gua, o menosprezo das bacias hidrogr\u00e1ficas e a consider\u00e1vel presen\u00e7a de pl\u00e1stico e micropl\u00e1stico nos oceanos s\u00e3o factos igualmente preocupantes, que confirmam a urg\u00eancia de interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o mais adi\u00e1veis. Criamos uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica, que amea\u00e7a gravemente a natureza e a vida, inclusive a nossa.<\/p>\n<p>Na raiz de tudo, o facto de termos esquecido quem somos: criaturas \u00e0 imagem de Deus (cf.\u00a0<i>Gn<\/i>\u00a01, 26-27), chamadas a habitar como irm\u00e3os e irm\u00e3s a mesma casa comum. N\u00e3o fomos criados para ser indiv\u00edduos que se assenhoreiam; fomos pensados e queridos no centro duma\u00a0<i>rede da vida<\/i>\u00a0constitu\u00edda por milh\u00f5es de esp\u00e9cies, amorosamente unidas por nosso interm\u00e9dio ao Criador. \u00c9 hora de redescobrir a nossa voca\u00e7\u00e3o de filhos de Deus, irm\u00e3os entre n\u00f3s, guardi\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 tempo de arrepender-se e converter-se, de voltar \u00e0s ra\u00edzes: somos as criaturas prediletas de Deus, que, na sua bondade, nos chama a amar a vida e a viv\u00ea-la em comunh\u00e3o, conectados com a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, convido veementemente os fi\u00e9is a dedicar-se \u00e0 ora\u00e7\u00e3o neste tempo que, partindo duma iniciativa oportunamente nascida em campo ecum\u00e9nico, se configurou como\u00a0<i>Tempo da Cria\u00e7\u00e3o<\/i>: um per\u00edodo de ora\u00e7\u00e3o mais intensa e de a\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio da casa comum, que tem in\u00edcio em 1 de setembro, Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o, e termina a 4 de outubro, mem\u00f3ria de S\u00e3o Francisco de Assis. \u00c9 ocasi\u00e3o para nos sentirmos ainda mais unidos aos irm\u00e3os e irm\u00e3s das v\u00e1rias confiss\u00f5es crist\u00e3s. Penso de modo particular nos fi\u00e9is ortodoxos que celebram, desde h\u00e1 trinta anos, este Dia de Ora\u00e7\u00e3o. Sintamo-nos em sintonia profunda tamb\u00e9m com os homens e mulheres de boa vontade, conjuntamente chamados, no contexto da crise ecol\u00f3gica que tem a ver com todos, a promover a salvaguarda da\u00a0<i>rede da vida<\/i>, de que fazemos parte.<\/p>\n<p>Este \u00e9\u00a0<i>o tempo para voltar a habituarmo-nos a rezar<\/i>\u00a0imersos na natureza, onde espontaneamente nasce a gratid\u00e3o a Deus criador. Dizia S\u00e3o Boaventura, cantor da sabedoria franciscana, que a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro \u00ablivro\u00bb que Deus abriu diante dos nossos olhos, para que, admirando a sua ordenada e maravilhosa variedade, f\u00f4ssemos levados a amar e louvar o Criador (cf.\u00a0<i>Breviloquium<\/i>, II, 5.11). Neste livro, cada criatura foi-nos dada como uma \u00abpalavra de Deus\u00bb (cf.\u00a0<i>Commentarius in librum Ecclesiastes<\/i>, I, 2). No sil\u00eancio e na ora\u00e7\u00e3o, podemos escutar a voz sinf\u00f3nica da cria\u00e7\u00e3o, que nos exorta a sair dos nossos fechamentos autorreferenciais, descobrindo-nos envolvidos pela ternura do Pai e felizes por partilhar os dons recebidos. Neste sentido, podemos dizer que a cria\u00e7\u00e3o,\u00a0<i>rede da vida<\/i>, lugar de encontro com o Senhor e entre n\u00f3s, \u00e9 \u00aba\u00a0<i>rede social<\/i>\u00a0de Deus\u00bb (Francisco,\u00a0<i>Discurso \u00e0s guias e aos escuteiros da Europa<\/i>, 3 de agosto de 2019). Isto leva-nos a erguer um c\u00e2ntico de louvor c\u00f3smico ao Criador, como ensina a Escritura: \u00abtudo o que germina na terra bendiga o Senhor; a Ele, a gl\u00f3ria e o louvor eternamente!\u00bb (<i>Dn<\/i>\u00a03, 76).<\/p>\n<p>Este \u00e9\u00a0<i>o tempo para refletir sobre os nossos estilos de vida<\/i>, verificando como muitas vezes s\u00e3o levianas e danosas as nossas decis\u00f5es di\u00e1rias em termos de comida, consumo, desloca\u00e7\u00e3o, utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da energia e de muitos bens materiais. Em demasia, nos estamos assenhoreando da cria\u00e7\u00e3o. Optemos por mudar, assumir estilos de vida mais simples e respeitadores! \u00c9 hora de abandonar a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, empreendendo r\u00e1pida e decididamente transi\u00e7\u00f5es para formas de energia limpa e de economia sustent\u00e1vel e circular. E n\u00e3o esque\u00e7amos de ouvir as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, cuja sabedoria secular nos pode ensinar a viver melhor a rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente.<\/p>\n<p>Este \u00e9\u00a0<i>o tempo de empreender a\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas<\/i>. Muitos jovens est\u00e3o a fazer-se ouvir em todo o mundo, invocando decis\u00f5es corajosas. Sentem-se dececionados com as demasiadas promessas n\u00e3o cumpridas, com compromissos assumidos e depois transcurados por interesses e conveni\u00eancias parciais. Os jovens lembram-nos que a terra n\u00e3o \u00e9 um bem para se dissipar, mas heran\u00e7a a transmitir; lembram-nos que esperar no amanh\u00e3 n\u00e3o se reduz a um belo sentimento, mas \u00e9 um dever que requer a\u00e7\u00f5es concretas hoje. A eles, devemos respostas verdadeiras, n\u00e3o palavras vazias; factos, n\u00e3o ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>As nossas ora\u00e7\u00f5es e os nossos apelos visam sobretudo sensibilizar os respons\u00e1veis pol\u00edticos e civis. Penso de modo particular nos Governos que se v\u00e3o reunir nos pr\u00f3ximos meses para reiterar compromissos decisivos que orientem o planeta para a vida, em vez de o lan\u00e7ar para a morte. V\u00eam-me \u00e0 mente as palavras que Mois\u00e9s proclamou ao povo como uma esp\u00e9cie de testamento espiritual, antes de entrar na Terra Prometida: \u00abEscolhe a vida para viveres, tu e a tua descend\u00eancia\u00bb (<i>Dt<\/i>\u00a030, 19). S\u00e3o palavras prof\u00e9ticas, que poderemos aplicar a n\u00f3s mesmos e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da nossa terra.\u00a0<i>Escolhamos a vida<\/i>! Digamos n\u00e3o \u00e0 avidez de consumos e aos del\u00edrios de omnipot\u00eancia, caminhos de morte; tomemos percursos clarividentes, feitos de ren\u00fancias respons\u00e1veis hoje para garantir perspetivas de vida amanh\u00e3. N\u00e3o cedamos \u00e0s l\u00f3gicas perversas dos lucros f\u00e1ceis; pensemos no futuro de todos!<\/p>\n<p>Neste sentido, reveste-se de particular import\u00e2ncia a iminente Cimeira das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica, durante a qual os Governos dever\u00e3o mostrar vontade pol\u00edtica de acelerar, drasticamente, as medidas para se alcan\u00e7ar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel o n\u00edvel zero de emiss\u00f5es de gases com efeito estufa e conter o aumento m\u00e9dio da temperatura global em 1,5\u00b0C relativamente aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, em conson\u00e2ncia com os objetivos do Acordo de Paris. Al\u00e9m disso, no pr\u00f3ximo m\u00eas de outubro, a Amaz\u00f3nia \u2013 cuja integridade encontra-se gravemente amea\u00e7ada \u2013 estar\u00e1 no centro da aten\u00e7\u00e3o duma Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos. Aproveitemos estas oportunidades para responder ao clamor dos pobres e da terra!<\/p>\n<p>Cada fiel crist\u00e3o, cada membro da fam\u00edlia humana pode contribuir para tecer, como um fio subtil mas \u00fanico e indispens\u00e1vel, a\u00a0<i>rede da vida<\/i>\u00a0que a todos abra\u00e7a. Sintamo-nos implicados e respons\u00e1veis por tomar a peito, com a ora\u00e7\u00e3o e o compromisso, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o. Deus, amante da vida (cf.\u00a0<i>Sb<\/i>\u00a011, 26), nos d\u00ea a coragem de realizar o bem, sem esperar que sejam outros a come\u00e7ar, sem esperar que seja demasiado tarde.<\/p>\n<p>Vaticano, 1 de setembro de 2019.<\/p>\n<p>FRANCISCO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":146665,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[414],"class_list":["post-146775","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-ecologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146775"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146775\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}