{"id":145836,"date":"2019-08-05T23:57:21","date_gmt":"2019-08-05T22:57:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=145836"},"modified":"2019-08-13T23:17:08","modified_gmt":"2019-08-13T22:17:08","slug":"quem-te-conhece-melhor-deus-ou-o-facebook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quem-te-conhece-melhor-deus-ou-o-facebook\/","title":{"rendered":"Quem te conhece melhor: Deus ou o Facebook?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A conectividade gratuita tem um pre\u00e7o. Actualmente, as grandes companhias de informa\u00e7\u00e3o, como a Google, Facebook, Amazon, etc., sabem mais sobre n\u00f3s do que n\u00f3s sabemos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. Eu pensava que apenas a Deus atribu\u00eda esta caracter\u00edstica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-145837 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod.jpg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod.jpg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod-400x200.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod-768x384.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/FacebookGod-1080x540.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/a>O document\u00e1rio recente produzido pela Netflix, <em>\u201d<a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/80117542\">Nada \u00e9 Privado<\/a>\u201d<\/em>, leva-nos a pensar no relacionamento que temos com a tecnologia e como essa afecta o nosso comportamento. Ainda que te consideres ser parte do grupo de pessoas que n\u00e3o se deixa influenciar pelos an\u00fancios e conte\u00fados que <em>gratuitamente<\/em> s\u00e3o oferecidos no Facebook, h\u00e1 uma parte significativa de pessoas que se deixa influenciar. E como vivemos numa sociedade democr\u00e1tica, o modo como o comportamento de uma parte das pessoas \u00e9 influenciado pode afectar o modo como \u00e9 narrada a nossa hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 preciso mais do que 0.1% para que um partido ganhe. Para a popula\u00e7\u00e3o Portuguesa de cerca de 10 milh\u00f5es, isso significa apenas 10000 pessoas. N\u00e3o \u00e9 muito. Se uma empresa (<em>spoiler<\/em>) como a Cambridge Analytica, ou um grupo extremista com recursos econ\u00f3micos (como no caso da R\u00fassia), consegue \u201corientar\u201d as inten\u00e7\u00f5es de voto de um pa\u00eds como os Estados Unidos, ser\u00e1 que isto p\u00f5e em causa a democracia?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m quer saber. Por que raz\u00e3o haveria de abdicar de partilhar as minhas alegrias e tristezas com os meus <em>amigos<\/em> do Facebook, prescindir da dopamina que recebo com <em>Likes<\/em>, ou prescindir das buscas que fa\u00e7o no Google que me mostram cada vez mais e melhor o que procuro naquele momento? N\u00e3o faz sentido e tudo parece apenas uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o para animar o nosso dia. Ser\u00e1?<\/p>\n<p>A tecnologia associada \u00e0s redes sociais n\u00e3o surgiu com o intuito de controlar as pessoas, mas de as conectar. O ser humano \u00e9 um ser relacional. Por isso, \u00e9 normal que em t\u00e3o pouco tempo milhares de milh\u00f5es de pessoas tenham aderido \u00e0s redes sociais como o Facebook, Twitter, Instagram (agora parte do Facebook), ou mesmo ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o como o WhatsApp que est\u00e3o numa categoria entre serem um <em>chat<\/em> e uma rede social atrav\u00e9s dos grupos que criamos. Mas se isso leva a que pessoas sem qualquer refer\u00eancia moral se apropriem dos nossos dados e usem a an\u00e1lise dos padr\u00f5es de comportamento para os alterar no sentido que desejam, estamos diante de um cen\u00e1rio que antes fazia parte dos livros ou s\u00e9ries de fic\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, a altera\u00e7\u00e3o de comportamento atrav\u00e9s da an\u00e1lise dos dados pessoais de milh\u00f5es de pessoas devia ser considerado como um <a href=\"https:\/\/towardsdatascience.com\/weapons-of-micro-destruction-how-our-likes-hijacked-democracy-c9ab6fcd3d02\">arma de <em>micro-<\/em>destrui\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Como lidar com este cen\u00e1rio \u00e9 o desafio que temos diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>De facto, quando me referia ao facto de Deus saber mais sobre n\u00f3s do que n\u00f3s sabemos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, queria dizer que Deus conhece-nos intimamente. Mas ao dar-me conta de que o conhecimento e modelos que temos hoje sobre an\u00e1lise comportamental a partir dos dados pessoais que empresas como Facebook disp\u00f5em, permite-me dizer o mesmo, deixou-me um pouco confuso. O que \u00e9 bom. N\u00e3o h\u00e1 nada como algo que nos tira da zona de conforto para nos impelir a aprofundar melhor o pouco que conhecemos de Deus.<\/p>\n<p>Deus conhece o nosso \u00edntimo, mas n\u00e3o s\u00f3. Deus <em>compreende<\/em> o nosso \u00edntimo melhor do que n\u00f3s o <em>compreendemos<\/em>. Dito de outra forma, Deus <em>percepciona<\/em> o nosso \u00edntimo melhor do que a <em>percep\u00e7\u00e3o<\/em> que temos de n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>O modo como interpretamos a realidade depende do fluxo de informa\u00e7\u00e3o que circula, e da\u00ed a capacidade que certas companhias t\u00eam de alterar o nosso comportamento atrav\u00e9s de an\u00fancios e v\u00eddeos especialmente dirigidos a n\u00f3s. Mas o modo como <strong>vivemos<\/strong> a realidade n\u00e3o depende apenas do modo como a interpretamos, incluindo, tamb\u00e9m, o modo como a <em>percepcionamos<\/em>. E a percep\u00e7\u00e3o depende do fluxo da <strong>consci\u00eancia<\/strong>. Quanto mais nos damos conta, e estamos cientes, daquilo que nos envolve e afecta, mais conscientes nos tornamos de n\u00f3s mesmos e das nossas escolhas, bem como do efeito que essas podem ter na narrativa humana.<\/p>\n<p>Quando o fluxo da consci\u00eancia \u00e9 menor do que o fluxo de informa\u00e7\u00e3o significa que nos tornamos mais consumidores de informa\u00e7\u00e3o do que questionamos a informa\u00e7\u00e3o que circula. E o resultado de qualquer excesso de consumo \u00e9 a obesidade, neste caso, a obesidade digital que afecta a nossa personalidade. Tornamo-nos aut\u00f3matos por sermos controlados pelo v\u00eddeo, an\u00fancio, coment\u00e1rio, link que nos oferecem a seguir e clic\u00e1mos. E gastamos um tempo sem fim no consumo de informa\u00e7\u00e3o ficando com a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos em cima do acontecimento quando, na realidade, somos n\u00f3s o acontecimento que algu\u00e9m quis controlar.<\/p>\n<p><strong>Despertar<\/strong> a consci\u00eancia \u00e9 o que aumenta o seu fluxo. E isso consegue-se aprendendo a questionar o que lemos, a diminuir o consumo de informa\u00e7\u00e3o, sobretudo atrav\u00e9s das redes sociais, e a dedicar mais tempo \u00e0 escuta do nosso \u00edntimo. E a raz\u00e3o \u00e9 simples.<\/p>\n<p>Deus habita no \u00edntimo de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o motivo pelo qual Deus nos conhece e compreende bem, melhor do que qualquer empresa que domine os nossos dados. Pois, por mais que partilhemos, nunca partilhamos tudo ou da melhor forma. A percep\u00e7\u00e3o que as empresas de dados (<em>Big Data<\/em>) t\u00eam de n\u00f3s pode-se alinhar com os nossos desejos, mas nem sempre o que desejamos \u00e9 o que nos constr\u00f3i, faz felizes, ou nos evolui como seres humanos. Por\u00e9m, no \u00edntimo est\u00e1 toda a verdade e o facto de Deus habitar o nosso \u00edntimo \u00e9 o que Lhe permite entrela\u00e7ar-se connosco, dando-nos a possibilidade de viver <em>a<\/em> Verdade.<\/p>\n<p>Escutar o \u00edntimo significa dar espa\u00e7o \u00e0 escuta d\u2019Aquele que nele habita. Aquele que quer sempre o melhor para n\u00f3s sem colidir com o melhor para os outros, apesar das diferen\u00e7as, ou ainda com o melhor para o mundo que nos rodeia que faz, tamb\u00e9m, parte da Sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nossa vida precisa de mais espa\u00e7o para a <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quietude\/\">quietude<\/a>; do que tempo para as redes sociais. Ali\u00e1s, no document\u00e1rio que recomendo ao leitor est\u00e1 expl\u00edcita parte da raz\u00e3o pela qual deixei as redes sociais: o direito humano \u00e0 posse dos seus dados que n\u00e3o existe ainda.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e tempo para estar com a nossa intimidade \u00e9 a <em>solid\u00e3o<\/em> que Jesus ter\u00e1 experimentado no deserto que precedeu o seu apostolado que mudou o curso da nossa Hist\u00f3ria. Uma solid\u00e3o que n\u00e3o isola como o nosso ecr\u00e3, mas liberta o nosso horizonte para sermos de novo livres para olhar em frente e \u00e0 nossa volta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-145836","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145836\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}