{"id":145380,"date":"2019-07-29T09:25:20","date_gmt":"2019-07-29T08:25:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=145380"},"modified":"2019-08-02T17:46:32","modified_gmt":"2019-08-02T16:46:32","slug":"da-lua-a-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/da-lua-a-terra\/","title":{"rendered":"Da Lua \u00e0 Terra"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/MoonShotApollo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-145386  alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/MoonShotApollo.jpg\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/MoonShotApollo.jpg 978w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/MoonShotApollo-337x260.jpg 337w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/MoonShotApollo-768x593.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/a>Num <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2019\/07\/19\/climate\/moon-shot-climate-change.html\">artigo<\/a>; do <em>New York Times<\/em> escrito pelo jornalista John Schwartz, colocou-se uma quest\u00e3o pertinente: se conseguimos ir \u00e0 Lua h\u00e1 50 anos, e isso foi um feito, por que raz\u00e3o n\u00e3o poder\u00edamos fazer algo com a mesma envergadura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas? A resposta \u00e9 duramente simples. Ir \u00e0 Lua dependia da engenharia, mas as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas dependem da vontade pol\u00edtica. Mas eu acrescentaria que depende de ti e de mim, de cada um.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"MoonShotApollo.jpg\" \/><\/figure>\n<p>O Papa Francisco escreveu uma Enc\u00edclica in\u00e9dita, a <em>Laudato Si\u2019<\/em>, que coloca o relacionamento com o mundo natural ao n\u00edvel da nossa uni\u00e3o com Deus. Se amas Deus, ama a sua cria\u00e7\u00e3o. Assim, uma falta de amor para com a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma falta de amor para com Deus. \u00c9 como chegares \u00e0 Mona Lisa de Leonardo da Vinci exposta no Louvre, e pintares uns bigodes com uma caneta de marca branca. Muitos considerariam um crime, mas umas gramas a mais de CO2 equivalente n\u00e3o se sentem, ou v\u00eaem, logo, n\u00e3o produzem o mesmo impacte que vandalizar uma pintura como a Mona Lisa. Basta pensar na <em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emailoecologia\/\">Emailoecologia<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por motivos pol\u00edticos que se torna dif\u00edcil p\u00f4r a nossa intelig\u00eancia ao servi\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o de Deus, mas deve-se, sobretudo, \u00e0 nossa consci\u00eancia, distra\u00edda pela economia da aten\u00e7\u00e3o, que leva a lentas ou ineficazes mudan\u00e7as no nosso estilo de vida. Aparentemente, a Enc\u00edclica do Papa n\u00e3o chega (ainda). Nem mesmo iniciativas como a protagonizada por Greta Thunberg. Muitos ficam sensibilizados, enchem o espa\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o intern\u00e9tico com m\u00e3os de polegar para cima, mas continuam a usar o carro como antes, viajar como antes, consumir como antes, <em>responder-a-todos<\/em> por email como sempre, etc. O que fazer?<\/p>\n<p>Enfrentar um problema global leva-nos a pensar que a minha parte e a tua s\u00e3o demasiado pequenas para produzir efeito, mas essa \u00e9 a idea de algu\u00e9m que se considera <em>solit\u00e1rio<\/em> nesta cruzada. Bastaria mudar uma letra para se abrir todo um horizonte e o solit\u00e1rio converter-se em <em>solid\u00e1rio.<\/em> Tudo depende de todos, e de cada um, porque, na natureza, tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com tudo, cada coisa com cada coisa, cada um com cada um. Assim, o que eu e tu fazemos, n\u00e3o afecta apenas a nossa vida pessoal, mas o planeta porque a vida \u00e9 relacional.<\/p>\n<p>Se o Universo tem milhares de milh\u00f5es de anos, e se n\u00f3s surgimos somente no \u00faltimo par\u00e1grafo da hist\u00f3ria deste pequeno planeta que navega pelo espa\u00e7o, e se a emerg\u00eancia do ser humano na Terra correspondesse ao aparecimento da intelig\u00eancia poder\u00edamos dizer &#8211; <em>\u201dpor que raz\u00e3o Deus demorou tanto para produzir t\u00e3o pouco&#8230;\u201d<\/em> &#8211; mas n\u00e3o. Em n\u00f3s, Deus criou a <strong>consci\u00eancia<\/strong> e a capacidade de entrar em <strong>comunh\u00e3o<\/strong>, ou seja, a capacidade de entrar em intimidade relacional interior, exterior e para al\u00e9m disso. E o que fizemos dessa capacidade de comunh\u00e3o consciente?<\/p>\n<p>Hoje sentimo-nos mais conectados entre n\u00f3s do que nunca. O fluxo de informa\u00e7\u00e3o permite-nos estar do outro lado do mundo e conseguir comunicar com os que mais amamos. A rede permitiu-nos esse feito, mas surgiu, tamb\u00e9m, um efeito secund\u00e1rio inesperado. N\u00e3o usamos apenas a rede para comunicar, mas consumir grandes quantidades de informa\u00e7\u00e3o, de tal modo que, contemplamos mais o nosso ecr\u00e3, do que o mundo ao nosso redor. O efeito secund\u00e1rio de nos ligarmos \u00e0 rede foi <em>desligarmo-nos do mundo<\/em>. Entrar em comunh\u00e3o implica re-conectarmo-nos com a realidade natural \u00e0 nossa volta. Mas est\u00e1 a ser dif\u00edcil porque andamos depressa demais.<\/p>\n<p>Se GPRS n\u00e3o chegava, cri\u00e1mos o 2G, 3G, 4G e estamos a caminho do 5G. O que queremos atingir s\u00f3 fica satisfeito com o <em>j\u00e1 e agora<\/em>. Gradualmente esquecemos o lado escatol\u00f3gico da nossa vida, isto \u00e9, o <em>j\u00e1, mas n\u00e3o ainda.<\/em> Quando andamos a uma velocidade vertiginosa, a \u00fanica forma de n\u00e3o enjoar \u00e9 olhar para o ponto mais inerte no nosso horizonte, ou seja, aquele que relativamente a n\u00f3s se encontra mais lento. S\u00f3 me pergunto, \u00e9 preciso continuar \u00e0 mesma velocidade? E se, simplesmente, desaceler\u00e1ssemos?<\/p>\n<p>O ritmo das conex\u00f5es entre n\u00f3s e o mundo natural n\u00e3o obedece \u00e0 velocidade da rede, mas ao equil\u00edbrio dos diversos ritmos. Mesmo cada um n\u00f3s tem dificuldade em desacelerar e encontrar o ritmo certo para avaliar se o seu estilo de vida \u00e9, ou n\u00e3o, compat\u00edvel com os ritmos do planeta e de outros com quem co-habitamos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dExiste mais na vida do que aumentar a sua velocidade.\u201d (Gandhi)<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o estamos apenas a esgotar os recurso do nosso planeta, mas esgotamo-nos, tamb\u00e9m, a n\u00f3s pr\u00f3prios. A velocidade certa n\u00e3o \u00e9 a r\u00e1pida, nem a lenta, mas aquela que permite o espa\u00e7o e tempo necess\u00e1rios para entrarmos em comunh\u00e3o com os ritmos do nosso planeta. Isso significa darmo-nos conta desses ritmos e fazermos a experi\u00eancia de sermos parte deles e n\u00e3o viver \u00e0 parte. Desacelerar \u00e9 reclamar o tempo e a serenidade de criar conex\u00f5es &#8211; com as pessoas, a cultura, a natureza &#8211; com significado espiritual. Mas em tudo isto, qual \u00e9 o ponto de partida para realizar com o planeta um feito maior do que chegar \u00e0 Lua?<\/p>\n<p>Talvez, reavaliar o nosso relacionamento com o tempo, come\u00e7ando pelas pequenas coisas, tais como, tempo para <em>parar<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-145380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145380"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145380\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}