{"id":14505,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-precursor-portugues-do-concilio-vaticano-ii\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-precursor-portugues-do-concilio-vaticano-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-precursor-portugues-do-concilio-vaticano-ii\/","title":{"rendered":"Um precursor portugu\u00eas do Conc\u00edlio Vaticano II"},"content":{"rendered":"<p>A vida e obra do Pe. Sena Freitas, da Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o, reflectidas num congresso na UCP  <!--more--> \u201cUm percursor de muitas intui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na base do Conc\u00edlio Vaticano II, nomeadamente na abertura da Igreja ao mundo e no di\u00e1logo com as realidades temporais\u201d \u2013 foi assim que Eduardo Franco, elemento da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Congresso Internacional \u00abIgreja, Sociedade e Cultura \u2013 o Pe. Sena Freitas e o seu tempo\u00bb, definiu o Pe. Sena Freitas (1840-1913), sacerdote da Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o. A decorrer na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP), em Lisboa, dias 20 e 21 de Outubro, esta iniciativa  pretende recordar a \u201cmem\u00f3ria deste importante intelectual cat\u00f3lico\u201d \u2013 sublinha Manuel Braga da Cruz, Reitor da UCP. O Pe. Sena Freitas pode definir-se como \u201co homem da palavra\u201d. O seu percurso\u2013 da juventude at\u00e9 \u00e0 morte (morreu a escrever a sua autobiografia) \u00e9 de contacto com a palavra. \u201cA \u00e1rea de express\u00e3o onde ele se sentia melhor e por onde come\u00e7a\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Luis Machado de Abreu, elemento da comiss\u00e3o cient\u00edfica do congresso e que proferiu a confer\u00eancia \u00abSena de Freitas: uma vida ao servi\u00e7o da palavra\u00bb. E acrescenta: \u201cpalavra de pregador e de catequizador que leva o \u00abrecado\u00bb da Boa Nova\u201d.  <b>Div\u00f3rcio entre a Igreja e cultura<\/b> No s\u00e9culo XIX estabeleceu-se um div\u00f3rcio entre a Igreja e a cultura \u201cdevido ao medo que a Igreja teve em se abrir \u00e0 sociedade moderna\u201d. Esta fechou-se em si pr\u00f3pria como \u201cauto-defesa em rela\u00e7\u00e3o ao mundo\u201d. Apesar deste quadro surgiram algumas figuras que tentaram \u201cquebrar esse muro e estabelecer pontes de contactos. Tentaram mostrar que a religi\u00e3o era compat\u00edvel com a sociedade moderna\u201d \u2013 descreveu Eduardo Franco. O Pe. Sena Freitas destacou-se nesse quadro como \u201cum intelectual brilhante. Camilo Castelo Branco reconheceu-lhe m\u00e9ritos e uma excelente craveira intelectual\u201d \u2013 salienta aquele elemento da Comiss\u00e3o cient\u00edfica.  A vis\u00e3o de Igreja deste sacerdote Vicentino ou padre Lazarista, nascido nos A\u00e7ores, v\u00ea para \u201cal\u00e9m dos horizontes fechados\u201d. Contribui de forma prof\u00e9tica e diz \u00e0 Igreja de ent\u00e3o \u201cque \u00e9 preciso dialogar com o mundo mas, em simult\u00e2neo, ter uma presen\u00e7a cred\u00edvel\u201d.  Ao olhar para a sociedade de hoje e para aquele onde viveu o Pe. Sena de Freitas, o Provincial da Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o, Pe. Jos\u00e9 Alves, esclarece que \u201ch\u00e1 um paralelismo muito grande\u201d. \u00c9pocas com mudan\u00e7as \u201cculturais profundas e por isso uma inadequa\u00e7\u00e3o  de linguagem para verbalizar a f\u00e9\u201d. O m\u00e9rito do Pe. Sena Freitas est\u00e1 no questionar-se sobre \u201ccomo comunicar a mensagem crist\u00e3 aos homens de hoje. Procurou faz\u00ea-lo pela palavra e pela escrita. Ele mesmo se cultivou e procurou que o clero daquela \u00e9poca se cultivasse\u201d \u2013 disse o Pe. Jos\u00e9 Alves.  <b>Falta de forma\u00e7\u00e3o seminar\u00edstica<\/b> Ao descrever a sociedade dos finais do s\u00e9culo XIX e princ\u00edpios do s\u00e9culo XX, o Pe. Sena Freitas confessa que a acha \u201cdemasiado passiva\u201d. E aponta quatro raz\u00f5es: \u201ca in\u00e9rcia t\u00edpica do caracter portugu\u00eas\u201d; \u201ccomodismo pr\u00f3prio de quem pretende conciliar o inconcili\u00e1vel\u201d; \u201ca falta de forma\u00e7\u00e3o seminar\u00edstica  do pr\u00f3prio episcopado\u201d e o \u201ccesarismo\u201d. Perante estas defini\u00e7\u00f5es, Luis Machado de Abreu explicou que este sacerdote era conhecido \u201ccomo grande polemista ao servi\u00e7o da causa da Igreja numa sociedade ora acomodada e t\u00edbia, ora sobressaltada por f\u00farias de anticlericalismo oportunista\u201d.   O Pe. Sena Freitas sendo um sacerdote da Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o \u201cdeixou-nos uma tradi\u00e7\u00e3o interna: comunicar a palavra. Entre n\u00f3s s\u00e3o \u00abcl\u00e1ssicas\u00bb as miss\u00f5es populares que correspondem a uma catequese de adultos. As miss\u00f5es populares t\u00eam essa finalidade: ajudar a descobrir novas linguagens para transmitir a f\u00e9\u201d \u2013 confessou o Pe. Jos\u00e9 Alves. Problemas de sa\u00fade dificultaram que ele se dedicasse mais \u201cintensamente \u00e0 palavra\u201d. A partir de 1872 \u201cassistimos \u00e0 convers\u00e3o do homem da palavra falada para o homem da palavra escrita\u201d. O escritor que escreve ensaios, textos de pol\u00e9mica, nos jornais (est\u00e1 na origem do \u00abProgresso Cat\u00f3lico\u00bb de Guimar\u00e3es), discursos e serm\u00f5es. As \u00faltimas d\u00e9cadas da sua vida s\u00e3o dedicadas \u00e0 palavra escrita. At\u00e9 pela forma\u00e7\u00e3o, o Pe. Sena Freitas (ordenado em 1865) pode contactar de \u201cmaneira trabalhada com os textos b\u00edblicos\u201d. Foi professor, num Semin\u00e1rio em Minas Gerais (Brasil), de Sagrada Escritura e Teologia Dogm\u00e1tica. \u201cEsse contacto com os textos b\u00edblicos tornou-o sagaz na interpreta\u00e7\u00e3o dos textos e oportuno na transmiss\u00e3o da Boa Nova. Muito mais que uma ret\u00f3rica vazia, oca e de grande eloqu\u00eancia, o Pe. Sena Freitas sabe medir a palavra e aplic\u00e1-la de modo oportuna\u201d \u2013 proferiu Luis Machado de Abreu.  <b>O Pe. Ant\u00f3nio Vieira do seu tempo<\/b> Para argumentar e contra-argumentar, o Pe. Sena Freitas estuda as v\u00e1rias correntes do pensamento \u201cda boca dos mestres\u201d. S\u00f3 assim o seu di\u00e1logo \u201cera cred\u00edvel\u201d e \u201ccientificamente argumentado\u201d \u2013 acrescenta Eduardo Franco. Estudioso e viajante, o Pe. Sena Freitas sentia-se desgostoso com a sociedade do seu tempo. \u201cSonhava e pedia que os prelados portugueses denunciassem a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d \u2013 disse. E adianta: \u201crepudiava a timidez do episcopado portugu\u00eas\u201d. As suas viagens s\u00e3o \u201cfabricadoras de utopia\u201d porque \u201ctentou abrir os olhos \u00e0 cegueira daquele momento\u201d. E conclui Eduardo Franco: \u201cfoi considerado o Pe. Ant\u00f3nio Vieira do seu tempo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida e obra do Pe. 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