{"id":144822,"date":"2019-07-22T12:28:48","date_gmt":"2019-07-22T11:28:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=144822"},"modified":"2019-07-22T12:30:00","modified_gmt":"2019-07-22T11:30:00","slug":"emailoecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emailoecologia\/","title":{"rendered":"Emailoecologia"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p>A consci\u00eancia ecol\u00f3gica cresce de dia para dia e come\u00e7a pelas mais pequenas coisas como\u2026 o <strong>email<\/strong>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/e-mail-489518_960_720.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-144825 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/e-mail-489518_960_720.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/e-mail-489518_960_720.jpg 713w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/e-mail-489518_960_720-257x260.jpg 257w\" sizes=\"(max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/a>Sabiam que, em m\u00e9dia, enviamos por dia 281 000 000 000 de emails? De acordo com o trabalho exaustivo e criativo de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mike_Berners-Lee\">Mike Berners-Lee<\/a> (irm\u00e3o de Sir Tim Berners-Lee, inventor da www) em <em>&#8220;<a href=\"https:\/\/amzn.to\/2YsBJGq\">How Bad are Bananas?: The Carbon Footprint of Everything<\/a>\u201d<\/em>, o custo de um email em CO2 equivalente \u00e9:<\/p>\n<ul>\n<li>3g para um email spam;<\/li>\n<li>4g para um email normal sem imagens ou ficheiros;<\/li>\n<li>20g para um email com uma imagem ou ficheiro at\u00e9 1MB;<\/li>\n<li>50g para os reencaminhamentos desse email ou considerando anexos grandes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Ag\u00eancia do Ambiente e Gest\u00e3o de Energia Francesa estima num <a href=\"https:\/\/www.ademe.fr\/sites\/default\/files\/assets\/documents\/guide-pratique-face-cachee-numerique.pdf\">relat\u00f3rio<\/a>; recente que, em termos profissionais, os emails gerados podem corresponder at\u00e9 13.6 toneladas de CO2 equivalente de emiss\u00e3o de gases com efeito de estufa, ou seja, 136 kg por cada funcion\u00e1rio. Algo equivalente a 13 viagens de ida e volta entre Paris e Nova Iorque. Isso deve-se ao percurso energ\u00e9tico percorrido pela informa\u00e7\u00e3o na era digital que pode chegar, em m\u00e9dia, aos 15000km. E \u00e0 quantidade de energia necess\u00e1ria para manter os servidores que fazem essa gest\u00e3o.<\/p>\n<p>O assunto \u00e9 mais s\u00e9rio do que poder\u00edamos imaginar.<\/p>\n<p>Por exemplo, se algu\u00e9m enviar um email simples, e sem imagens, para 10 pessoas (40g). E se todos responderem a esse email, fizendo \u201cResponder-para-Todos\u201d (<em>Reply-to-all<\/em>) s\u00e3o 400g de CO2 equivalente gerados. Quando era novo ouvi de um especialista em publicidade que, qualquer reac\u00e7\u00e3o a uma ac\u00e7\u00e3o, podemos sempre multiplicar por 1000 para ter uma ideia do impacte. Logo, neste exemplo, se 1000 pessoas tiverem o mesmo comportamento, a quantidade aumenta para 400kg de CO2 equivalente. De acordo com Mike Berners-Lee, a reac\u00e7\u00e3o em cadeia de um simples email, seria pouco mais do que emite um carro pequeno eficiente (330kg).<\/p>\n<p>Se 1000 palavras equivalem a cerca de 0.5g de CO2, uma imagem de 1MB num email, como vimos atr\u00e1s, representa 40x mais. Nunca <em>uma imagem vale mais do que 1000 palavras<\/em> produziu uma interpreta\u00e7\u00e3o t\u00e3o literal como esta.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o email \u00e9 um dos meios de contacto virtuais mais pessoais que existe no mundo. Mais pessoal do que qualquer mensagem partilhada em redes sociais. Mas n\u00e3o escapa \u00e0s coisas pequenas que podemos mudar no nosso estilo de vida para diminuir a nossa pegada ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>H\u00e1 20 anos, quando algu\u00e9m enviava um email, considerava-se uma <em>boa pr\u00e1tica<\/em> responder, nem que seja com um \u201cobrigado\u201d, independentemente da pessoa que o enviou esperar ou n\u00e3o uma resposta. \u00c9 t\u00e3o simples responder que seria uma falta de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o o fazer. &#8211; <em>\u201dN\u00e3o v\u00eas emails!?\u201d<\/em> &#8211; come\u00e7\u00e1mos a ouvir dos nossos amigos e familiares. Por\u00e9m, a escalada tornou-se cada vez mais \u00edngreme, e com mais pessoas a dominar a <em>arte de enviar emails<\/em>, mais e mais come\u00e7aram a entrar na nossa Caixa de Correio (<em>Inbox<\/em>). H\u00e1 quem receba mais de 100 emails de trabalho por dia, fora os emails pessoais. Se tivesse de responder a todos, seguramente que, na sua campa, ao fim de uma vida de trabalho, veria escrito &#8230; <em>\u201cEle via emails.\u201d<\/em> \u00c9 isso que queremos para a nossa vida? Ser\u00e1 <em>\u201cesta maneira de viver o trabalho [que nos torna] mais capazes de ter cuidado e respeito pelo meio ambiente, impregnando de <strong>sadia sobriedade<\/strong> a nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo\u201d?<\/em> (Papa Francisco, Laudato Si\u2019, 126)<\/p>\n<p>Algo tem de mudar porque os emails falam mais de n\u00f3s pr\u00f3prios do que pensamos.<\/p>\n<p>A psicologia tem estudado que, o modo como gerimos o nosso email est\u00e1 relacionado com a nossa abordagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida em geral. H\u00e1, inclusiv\u00e9, um <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/50420015_Impact_of_text_and_email_messaging_on_the_sexual_health_of_young_people_A_randomised_controlled_trial\">estudo<\/a>; que mostrou como \u00e9 poss\u00edvel usar o email para alterar o comportamento das pessoas. \u00c9 cada vez mais relevante questionar diante de cada email &#8211; <em>\u201dpedem-me para responder?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Existem tr\u00eas <strong>SIM<\/strong>s simples que podem colocar-nos no caminho de uma pegada ecol\u00f3gica digital mais amiga do ambiente em rela\u00e7\u00e3o aos emails.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3>SIM aos emails longos<\/h3>\n<p>Parece um contra-senso que esteja a recomendar que os emails sejam longos quando \u00e9 representativa a sua pegada ecol\u00f3gica. Mas os emails curtos s\u00e3o mais poluidores ainda porque aumentam o risco de proliferarem sem acrescentar valor \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Pensamos que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam tempo para ler emails, logo, \u00e9 melhor encurtar a mensagem. \u00c9 verdade, mas isso \u00e9 um fruto da massifica\u00e7\u00e3o de um meio de comunica\u00e7\u00e3o destinado a ser pessoal, relacional, e n\u00e3o banal.<\/p>\n<p>Um email longo:<\/p>\n<ul>\n<li>est\u00e1 menos sujeito a ser mal interpretado;<\/li>\n<li>d\u00e1 trabalho a escrever e, por isso, mostra como tem valor o que pretendemos dizer ao outro;<\/li>\n<li>ou acabamos por perceber, a meio da sua escrita, que o melhor \u00e9 telefonar, estimulando o relacionamento entre as pessoas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Depois\u2026<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3>SIM \u00e0s respostas longas e pessoais<\/h3>\n<p>Se algu\u00e9m nos envia um email curto e sentimos que seria necess\u00e1rio responder, sejamos longo pelas mesmas raz\u00f5es que antes recomendei do SIM anterior. Assim, al\u00e9m de dar mais valor ao CO2 equivalente que esse email custa, de certo modo, ajudamos os outros a ter um comportamento mais ecol\u00f3gico atrav\u00e9s do nosso exemplo. &#8211; <em>\u201dse queres que responda ao teu email, j\u00e1 sabes, pode ser que seja longa \ud83d\ude09 porque penso em ti\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por outro lado <strong>EVITAR<\/strong> <em>\u201dResponder-para-Todos\u201d (Reply-to-All)<\/em>. Essa tend\u00eancia deve-se ao modo como algumas aplica\u00e7\u00f5es &#8211; penso no Gmail &#8211; interpretaram o email como se fosse um <em>chat<\/em>, semelhante ao Messenger, WhatsApp, etc. Por\u00e9m, o custo ecol\u00f3gico de uma mensagem de texto \u00e9 100x inferior ao de um email.<\/p>\n<p>Por fim\u2026<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3>SIM a apagar emails<\/h3>\n<p>N\u00e3o custa tanto como pensamos. Liberta a nossa Caixa de Correio (<em>Inbox<\/em>) e evita que a informa\u00e7\u00e3o esteja a gastar energia num servidor, assumindo que esvaziamos o Lixo (<em>Trash<\/em>).<\/p>\n<p>Por outro lado, quando chegamos a uma <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/inbox-zero\/\"><em>Inbox Zero<\/em><\/a> experimentamos um sentido de realiza\u00e7\u00e3o que vale a pena. Faz parte do <em>Reduzir<\/em> da sustentabilidade, ou do minimalismo das coisas simples. Expressa o desapego. E se porventura pensarmos &#8211; <em>\u201dmas, e se precisar desse email mais tarde?\u201d<\/em> &#8211; acaba por ser uma oportunidade de experimentarmos como <em>saber perder<\/em> \u00e9 t\u00e3o importante na vida como <em>ganhar a valer.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-144822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144822\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}