{"id":144545,"date":"2019-07-19T07:00:22","date_gmt":"2019-07-19T06:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=144545"},"modified":"2019-07-19T09:17:02","modified_gmt":"2019-07-19T08:17:02","slug":"quando-se-comeca-a-viagem-do-voluntariado-missionario-nunca-mais-se-volta-a-mesma-pessoa-catarina-lopes-antonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quando-se-comeca-a-viagem-do-voluntariado-missionario-nunca-mais-se-volta-a-mesma-pessoa-catarina-lopes-antonio\/","title":{"rendered":"\u00abQuando se come\u00e7a a viagem do voluntariado mission\u00e1rio nunca mais se volta a mesma pessoa\u00bb &#8211; Catarina Lopes Ant\u00f3nio"},"content":{"rendered":"<p><em>Coordenadora da Plataforma de do Voluntariado Mission\u00e1rio analisa os n\u00fameros referentes a 2019.<\/em><!--more--><em>S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe \u00e9 o pa\u00eds que acolhe o grupo maior, num ano em que os reformados representam 7% dos que decidem partir em projetos de longa dura\u00e7\u00e3o, cada vez mais procurados tamb\u00e9m por fam\u00edlias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_144541\" aria-describedby=\"caption-attachment-144541\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-144541 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Catarina_Antonio2-FEC_JB_RR-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-144541\" class=\"wp-caption-text\">Foto Joana Bougard\/Renascen\u00e7a &#8211; Catarina Lopes Ant\u00f3nio\/FEC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Muitos volunt\u00e1rios preparam-se nesta altura para partir em miss\u00e3o, para os mais diversos destinos. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar com os n\u00fameros deste ano relativos ao voluntariado mission\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>Sim, j\u00e1 temos os n\u00fameros fechados. Lan\u00e7\u00e1mos o inqu\u00e9rito \u00e0s nossas 61 entidades, como todos os anos tivemos dificuldades na obten\u00e7\u00e3o de respostas, responderem menos do que em 2018, mas j\u00e1 temos o dado de que s\u00e3o 1.059 os portugueses a fazer voluntariado mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o mais ou menos do que o ano passado?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o cerca de 30 pessoas a mais envolvidas. No entanto, regist\u00e1mos uma descida nas partidas \u2018ad gentes\u2019, para fora de Portugal, o que a nosso ver se justifica com a falta de resposta das organiza\u00e7\u00f5es ao inqu\u00e9rito. Este \u00e9 um inqu\u00e9rito que \u00e9 lan\u00e7ado entre junho e julho, uma altura em que as organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o a preparar os seus volunt\u00e1rios e a fechar equipas e projetos, por isso achamos que esta descida nas partidas \u2018ad gentes\u2019 tem a ver com a falta de resposta, e n\u00e3o com a falta de volunt\u00e1rios a partir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, ainda pode haver um ajuste nos n\u00fameros finais?<\/em><\/p>\n<p>Da nossa parte o comunicado j\u00e1 est\u00e1 fechado e lan\u00e7ado, j\u00e1 n\u00e3o vamos alterar n\u00fameros. \u00c0s vezes v\u00e3o-nos chegando mais informa\u00e7\u00f5es que vamos tentando divulgar no nosso site, no Facebook. Mas, estes dados s\u00e3o os oficiais que lan\u00e7amos enquanto Plataforma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que n\u00e3o quer dizer que nestes dados esteja o n\u00famero de todos os volunt\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Com toda a certeza que n\u00e3o est\u00e3o. Na Plataforma est\u00e3o 61 entidades e responderam 37. Tamb\u00e9m sabemos que das 61, nem todas enviam volunt\u00e1rios em miss\u00e3o este ano, para algumas \u00e9 um per\u00edodo de paragem. Se nos tivessem respondido todas, acredito que este n\u00famero iria para o dobro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos de voluntariado mission\u00e1rio. De que forma \u00e9 que a miss\u00e3o se concretiza nestes projetos?<\/em><\/p>\n<p>O voluntariado mission\u00e1rio para n\u00f3s assume duas express\u00f5es diferentes, o voluntariado da miss\u00e3o \u2018ad gentes\u2019, para fora de Portugal, e o voluntariado mission\u00e1rio em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, inclui uma dimens\u00e3o espiritual e evangelizadora?<\/em><\/p>\n<p>Inclui. A grande diferen\u00e7a entre o voluntariado internacional e o voluntariado mission\u00e1rio \u00e9 a f\u00e9. N\u00f3s costumamos falar muito disto nas nossas forma\u00e7\u00f5es, e ao longo da prepara\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios, que aquilo que n\u00f3s levamos diferente dos volunt\u00e1rios que v\u00e3o com projetos espec\u00edficos de voluntariado internacional \u00e9 a f\u00e9, \u00e9 a dimens\u00e3o evangelizadora. Isso tamb\u00e9m se reflete no trabalho pastoral que v\u00e3o desenvolver no terreno. A maior diferen\u00e7a e o maior cunho pessoal que se d\u00e1 ao voluntariado mission\u00e1rio \u00e9 mesmo este levar Deus a outros povos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos anos tem havido muitas miss\u00f5es solid\u00e1rias, por cat\u00e1strofes naturais ou por necessidades muito identificadas. Estes projetos ligados a ONG&#8217;s, a organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil , tamb\u00e9m est\u00e3o em franco crescimento?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Os volunt\u00e1rios, os jovens e os menos jovens, nunca ficam indiferentes a respostas de emerg\u00eancia, como costumamos dizer. Vimos o que aconteceu com o ciclone Idai (Mo\u00e7ambique), em que muitas pessoas se colocaram ao servi\u00e7o sem ter planeado, sem ter pensado, n\u00e3o ficaram indiferentes. E como o volunt\u00e1rio mission\u00e1rio, al\u00e9m de toda a boa vontade, e vontade de ajudar, tem tamb\u00e9m o cunho da f\u00e9, n\u00e3o pode ficar indiferente perante o sofrimento do outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa dimens\u00e3o crente \u00e9 que diferencia o voluntariado mission\u00e1rio das miss\u00f5es\u00a0<\/em><em>solid\u00e1rias?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um perfil do volunt\u00e1rio, em termos de idade, das miss\u00f5es que se prop\u00f5e fazer?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Falando dos que partem entre janeiro e dezembro de 2019, a maioria vai em miss\u00f5es de curta dura\u00e7\u00e3o, entre 15 dias a seis meses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitas delas concentram-se nesta altura do ver\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Grande parte sim, porque muitos dos que partem v\u00e3o no seu per\u00edodo de f\u00e9rias. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o empregadas, ou ent\u00e3o estudantes, que usam o seu tempo de f\u00e9rias. T\u00eam entre 18 e 30 anos, e 82 v\u00e3o repetir a experi\u00eancia. Ou seja, foram pessoas que j\u00e1 participaram em miss\u00f5es, e agora v\u00e3o repetir, ou como coordenadores de projetos, ou pura e simplesmente porque os marcou bastante e querem voltar a dar de si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso tamb\u00e9m acontece cada vez ao mais longo dos anos, t\u00eam essa perce\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim,\u00a0 o n\u00famero de pessoas que vai repetindo a experi\u00eancia vai aumentando de ano para ano, o que tamb\u00e9m tem a ver com os grupos que integram esta rede do voluntariado mission\u00e1rio. Falando, por exemplo, de organiza\u00e7\u00f5es ligadas a universidades, de ano para ano muda a coordena\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o, e os que hoje s\u00e3o volunt\u00e1rios, amanh\u00e3 ser\u00e3o coordenadores, por isso integram novamente a miss\u00e3o, com novas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E quem se candidata mais a miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas que j\u00e1 t\u00eam o seu emprego, o seu curso conclu\u00eddo, j\u00e1 est\u00e3o numa fase de maior estabilidade, se bem que o nosso contexto nacional nunca d\u00e1 muita estabilidade. Mas s\u00e3o pessoas a partir dos 25 anos, a grande parte, muitos pedem uma licen\u00e7a sem vencimento, ou despedem-se mesmo, para partir em miss\u00f5es mais longas, a partir de seis meses, mas muitas vezes v\u00e3o pelo menos por um ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 relevante o n\u00famero dos que pedem licen\u00e7a sem vencimento ou deixam emprego para partir em miss\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Este ano, por exemplo, tivemos 16 pessoas a deixar o seu emprego, e 17 a pedir uma licen\u00e7a sem vencimento.<\/p>\n<p>Um dado curioso deste ano \u00e9 que, numa faixa et\u00e1ria superior, temos 27 reformados que v\u00e3o em miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o. \u00c9 um dado que at\u00e9 agora n\u00e3o tinha sido expressivo, mas este ano representa 7% no universo de partidas, e n\u00e3o deixa de ser interessante. Estamos a come\u00e7ar a ter pessoas que quando terminam a sua vida ativa no mundo profissional dedicam o seu tempo a realizar este sonho, ou estes projetos de vida de h\u00e1 muitos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos tamb\u00e9m indica\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 cada vez mais fam\u00edlias a participarem nas miss\u00f5es em conjunto com os seus filho. \u00c9 verdade?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Este ano j\u00e1 partiram duas ou tr\u00eas fam\u00edlias. Uma delas partiu em junho, para estar durante um m\u00eas e meio em Mo\u00e7ambique. Foi com o Grupo Miss\u00e3o Mundo, ligado \u00e0s Irm\u00e3s Concepcionistas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma fam\u00edlia composta pelos pais, pelo casal, e quatro filhos, de 16, 11 e nove anos, e a mais pequenina com cinco anos, que foi adotada com 10, 11 meses, e que tem trissomia 21. E, pelas partilhas que v\u00e3o fazendo nas redes sociais, vemos que est\u00e1 t\u00e3o bem integrada, est\u00e1 a fazer tamb\u00e9m miss\u00e3o \u00e0 sua maneira, dentro daquilo que os seus cinco anos de idade permitem. Est\u00e1 tamb\u00e9m a ser semeada esta semente do voluntariado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma disponibilidade em termos familiares que n\u00e3o ser\u00e1, com certeza, para todos, mas \u00e9 de sublinhar?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma entrega muito grande. Primeiro esta fam\u00edlia, a nosso ver, e olhando um bocadinho para a sua hist\u00f3ria de vida, j\u00e1 \u00e9 uma fam\u00edlia de miss\u00e3o, tem a sua estabilidade, j\u00e1 tinha tr\u00eas filhos e decidiu adotar uma crian\u00e7a. E uma crian\u00e7a que traz consigo todo um historial, at\u00e9 ao n\u00edvel de sa\u00fade, mas que encararam com uma grande alegria, uma grande d\u00e1diva e uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 para todas as fam\u00edlias, mas estamos cada vez mais a ser contactados por fam\u00edlias que querem partir em miss\u00e3o, e os grupos que v\u00e3o ter que come\u00e7ar a pensar em formas de incluir estas fam\u00edlias, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em rela\u00e7\u00e3o aos jovens, demonstram cada vez mais interesse em rela\u00e7\u00e3o ao voluntariado em geral, e ao voluntariado mission\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>Sim, est\u00e3o cada vez mais interessados. A verdade \u00e9 que tamb\u00e9m estamos num momento em que se fala muito de solidariedade. Quando falamos de voluntariado, \u00e0 nossa cabe\u00e7a vem sempre o ajudar popula\u00e7\u00f5es mais carentes, ajudar os doentes. Mas, estamos a ver tamb\u00e9m um grande movimento de volunt\u00e1rios pelo clima, volunt\u00e1rios nas praias, jovens que se envolvem em movimentos concretos de mudan\u00e7a na sociedade, e \u00e9 um n\u00famero que vai crescendo em Portugal. A Cases (Cooperativa Ant\u00f3nio S\u00e9rgio para a Economia Social), que nesta altura tutela o voluntariado em Portugal, vai lan\u00e7ar dados sobre a express\u00e3o do voluntariado em Portugal, e nota-se cada vez mais os jovens envolvidos.<\/p>\n<p>No voluntariado mission\u00e1rio \u00e9 um passo um bocadinho maior. Questionavam-me h\u00e1 dias numa escola &#8216;porque \u00e9 que eu vou para fora se tenho tanto para fazer c\u00e1 dentro?&#8217;, e eu respondo sempre a mesma coisa, que ningu\u00e9m pode ser volunt\u00e1rio em Mo\u00e7ambique, em Angola, em S\u00e3o Tom\u00e9, se n\u00e3o for volunt\u00e1rio na sua pr\u00f3pria comunidade. Os jovens v\u00e3o-se envolvendo aqui e ali, mas come\u00e7am a perceber que t\u00eam disponibilidade para dar mais, e ir mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1 por isso que projetos como a \u2018Miss\u00e3o Pa\u00eds\u2019, que envolve universit\u00e1rios, tamb\u00e9m tem vindo a crescer?<\/em><\/p>\n<p>A \u2018Miss\u00e3o Pa\u00eds\u2019 \u00e9 um exemplo fant\u00e1stico do que \u00e9 o envolvimento dos jovens na sociedade, e c\u00e1 no nosso territ\u00f3rio. Estamos a falar de entre tr\u00eas a cinco mil jovens envolvidos, e \u00e9 por isso que me espanta quando dizem que os jovens n\u00e3o se envolvem. Isso \u00e9 totalmente falso, porque os jovens est\u00e3o cada vez mais com uma f\u00e9 mais viva. O que n\u00e3o significa que os jovens volunt\u00e1rios tenham de ser obrigatoriamente cat\u00f3licos. \u00c9 \u00f3bvio que no voluntariado mission\u00e1rio h\u00e1 aqui uma express\u00e3o diferente, mas h\u00e1 tanta forma de demonstrar a nossa f\u00e9 e de viver a nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o voluntariado mission\u00e1rio j\u00e1 est\u00e1 a incluir as novas causas sociais, como a ambiental?<\/em><\/p>\n<p>Olhando para os dados que recebemos, j\u00e1 temos organiza\u00e7\u00f5es a trabalhar quest\u00f5es ambientais, que era uma coisa que uma ou outra organiza\u00e7\u00e3o trabalhava, mas agora j\u00e1 s\u00e3o mais, j\u00e1 se est\u00e3o a envolver mais nestas causas. Obviamente que um volunt\u00e1rio mission\u00e1rio que se prop\u00f5e a ir, por exemplo, um ano para fora, n\u00e3o pode ficar indiferente \u00e0 quest\u00e3o ambiental, \u00e9 a nossa casa comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que valor acrescenta ao percurso acad\u00e9mico e \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de uma voca\u00e7\u00e3o, de um percurso profissional, a experi\u00eancia de voluntariado mission\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>Isto muda a vida toda. Quando se come\u00e7a esta viagem do voluntariado mission\u00e1rio, nunca mais se volta a mesma pessoa, porque se vai encontrar realidades muito diferentes. N\u00e3o melhores ou piores do que as nossas, mas diferentes. E isto vai fazer com que n\u00f3s tomemos consci\u00eancia de que somos cidad\u00e3os do mundo, e que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a em vivermos com tanto e outros com t\u00e3o pouco. Isto vai mudar a vida toda do volunt\u00e1rio.<\/p>\n<p>A n\u00edvel acad\u00e9mico, sabemos que as universidades est\u00e3o a pedir muito que os estudantes fa\u00e7am voluntariado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Seguindo o exemplo de outros pa\u00edses, que valorizam muito a experi\u00eancia de voluntariado.<\/em><\/p>\n<p>Sim. No entanto, h\u00e1 uma coisa que \u00e9 importante que se realce: o voluntariado nunca pode ser obrigat\u00f3rio, porque o voluntariado \u00e9 um ato gratuito e livre, n\u00e3o pode contradizer a palavra.<\/p>\n<p>Fui h\u00e1 dias falar \u00e0 universidade onde estudei e uma aluna perguntava-me se o voluntariado deveria ser requisito para os est\u00e1gios. E eu disse \u2018o voluntariado \u00e9 gratuito, \u00e9 livre\u2019. Acrescenta no curr\u00edculo, e sabemos que cada vez mais as empresas, as ONG\u2019s, procuram pessoas que tenham ou fa\u00e7am voluntariado, porque implica um compromisso. O voluntariado n\u00e3o \u00e9 um ato que fazemos hoje e amanh\u00e3 j\u00e1 n\u00e3o queremos fazer. Quando nos comprometemos a visitar os doentes, eles est\u00e3o \u00e0 nossa espera, estamos a criar expectativas num p\u00fablico alvo que, se mudarmos de ideias, vai ficar ainda mais dececionado com a sociedade em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E uma experi\u00eancia de voluntariado mission\u00e1rio tem repercuss\u00f5es posteriores na inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho?<\/em><\/p>\n<p>Acredito que tem, muito positivas. Uma pessoa que participa numa experi\u00eancia de voluntariado mission\u00e1rio vem totalmente diferente, vem mais predisposta \u00e0 mudan\u00e7a, \u00e9 mais flex\u00edvel, \u00e9 mais \u2018multitask\u2019, como se diz agora no mercado de trabalho. \u00c9 uma pessoa mais atenta ao outro, e isso faz toda a diferen\u00e7a num profissional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 muitas miss\u00f5es c\u00e1 dentro e l\u00e1 fora. Para onde \u00e9 que os portugueses partem mais?<\/em><\/p>\n<p>Este ano, o pa\u00eds que recebe mais volunt\u00e1rios ser\u00e1 S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. \u00c9 um n\u00famero novo, nunca esteve em primeiro lugar no nosso top de partidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que pa\u00eds costumava estar?<\/em><\/p>\n<p>O ano passado era Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9-Bissau. Este ano temos S\u00e3o Tom\u00e9, que acolhe 80 volunt\u00e1rios, Mo\u00e7ambique recebe 63, Angola 55, Guin\u00e9-Bissau 53. Depois temos tamb\u00e9m voluntariado mission\u00e1rio em Portugal, que acolhe este ano 22 volunt\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse n\u00famero tamb\u00e9m cresceu.<\/em><\/p>\n<p>Cresceu! O ano passado a organiza\u00e7\u00e3o \u2018Leigos para o Desenvolvimento\u2019 abriu uma miss\u00e3o em Portugal nos mesmos moldes que vive a miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Abriu no Pragal, em Almada&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim. Este ano temos j\u00e1 temos mais organiza\u00e7\u00f5es que o fazem, embora n\u00e3o ainda por um ano. Tirando os\u2019 Leigos para o Desenvolvimento\u2019, que continuam a desenvolver a sua miss\u00e3o em Portugal, este ano com quatro volunt\u00e1rios, temos o projeto Sabi, ligado \u00e0 par\u00f3quia do Parque das Na\u00e7\u00f5es, que tamb\u00e9m envia volunt\u00e1rios para miss\u00f5es c\u00e1 dentro, o G.A.S.Porto (Grupo de A\u00e7\u00e3o Social do Porto), que envia volunt\u00e1rios por mais do que 15 dias, por tr\u00eas, quatro semanas, para territ\u00f3rios espec\u00edficos em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quais s\u00e3o as principais \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o nos projetos de voluntariado mission\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p><em>Continua a ser a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o. Grande parte do trabalho desenvolvido na<\/em>miss\u00e3o \u2018ad gentes\u2019 continua a ser nesse campo. Tamb\u00e9m trabalham muito na parte pastoral, na anima\u00e7\u00e3o sociocultural, desenvolvimento de atividades, din\u00e2micas com crian\u00e7as e jovens. A sa\u00fade tamb\u00e9m cresceu este ano e tem uma express\u00e3o de 16%. Mas, as organiza\u00e7\u00f5es trabalham sempre em v\u00e1rias \u00e1reas ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o de quem chega a uma miss\u00e3o por um ou dois meses, ou mesmo por um ano, com aqueles que l\u00e1 est\u00e3o a vida toda?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9-se sempre recebido com o mesmo entusiasmo! Tanto recebem com alegria quem vai por um m\u00eas, como quem vai por um ano. Obviamente que, quem vai por um m\u00eas, quando chega entra logo na rotina, n\u00e3o tem per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o. Assim que chega, entra no campo de trabalho e adapta-se \u00e0 realidade que tem quem vive l\u00e1 a vida toda. Porque o volunt\u00e1rio vai mas regressa, mesmo quem vai por um ano ou dois anos. Os mission\u00e1rios que est\u00e3o no terreno &#8211; grande parte s\u00e3o congrega\u00e7\u00f5es religiosas &#8211; est\u00e3o l\u00e1 a vida toda. Por isso, os volunt\u00e1rios n\u00e3o v\u00e3o mudar nada! Vamos contribuir para o trabalho que \u00e9 desenvolvido, mas a maior mudan\u00e7a \u00e9 sempre para o volunt\u00e1rio, \u00e9 sempre a pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falando um pouco sobre a FEC, a Funda\u00e7\u00e3o F\u00e9 e Coopera\u00e7\u00e3o. Que organismo \u00e9 este e a que \u00e9 que se dedica ao longo do ano?<\/em><\/p>\n<p>Somos uma ONGD (Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental para o Desenvolvimento) ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, fomos criados pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Desenvolvemos o nosso trabalho essencialmente em duas grandes \u00e1reas: a educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento e advocacia social. Grande parte do trabalho \u00e9 feito em Portugal, relacionado com direitos das crian\u00e7as, direitos humanos, estilos de vida sustent\u00e1veis e voluntariado mission\u00e1rio. Na Guin\u00e9-Bissau, em Angola e Mo\u00e7ambique trabalhamos em projetos de coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento, que s\u00e3o mais espec\u00edficos, dirigidos ao p\u00fablico alvo dos pa\u00edses. Por exemplo, na Guin\u00e9-Bissau, temos projetos com as mulheres, e lan\u00e7\u00e1mos h\u00e1 dias os dados sobre a situa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, no pr\u00e9-escolar, e trabalhamos muito no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o, nomeadamente para a sa\u00fade. Fazemos um trabalho alargado a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E d\u00e3o forma\u00e7\u00e3o, quer aos volunt\u00e1rios, quer aos pr\u00f3prios formadores?<\/em><\/p>\n<p>Em Portugal dinamizamos esta rede de voluntariado mission\u00e1rio desde 2002. Temos um plano anual de cinco sess\u00f5es te\u00f3ricas, a que as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o convidadas a enviar os seus volunt\u00e1rios, temos uma forma\u00e7\u00e3o de formadores e uma atividade pr\u00e1tica de miss\u00e3o em Portugal, em que os volunt\u00e1rios experimentam c\u00e1 dentro o que v\u00e3o sentir l\u00e1 fora: s\u00e3o levados ao limite e testados nas diferentes \u00e1reas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como?<\/em><\/p>\n<p>Temos realizado esta atividade sempre em casas de sa\u00fade mental. Eles t\u00eam de experimentar uma realidade em que t\u00eam de obedecer a ordens de quem est\u00e1 no terreno (no caso, as irm\u00e3s hospitaleiras, que est\u00e3o diariamente entregues \u00e0quele servi\u00e7o), t\u00eam de viver em grupo com pessoas que por vezes n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis (e mesmo quem faz a prepara\u00e7\u00e3o em conjunto, quando vivem juntos, 24 sobre 24 horas, as coisas mudam um pouco de figura). T\u00eam de criar situa\u00e7\u00f5es de resolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de conflitos&#8230; enfim, \u00e9 uma vida em comunidade, com tudo o que isso implica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que interessa dizer a quem nunca fez voluntariado mission\u00e1rio, e pensa em arriscar?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenham medo! o Papa Francisco na Mensagem para o Dia Mundial das Miss\u00f5es deste ano tem uma frase que \u00e9 muito importante: \u2018Eu sou sempre uma miss\u00e3o. Tu \u00e9s sempre uma miss\u00e3o. Cada batizada e batizado \u00e9 uma miss\u00e3o. Quem ama, p\u00f5e-se em movimento\u2019.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenham medo! N\u00f3s \u00e0s vezes ficamos com medo de arriscar, seja o voluntariado c\u00e1 dentro ou para fora, seja fazer alguma coisa diferente, porque achamos sempre \u2018o que \u00e9 que os outros v\u00e3o pensar?\u2019\u2026<\/p>\n<p>Quem tem Deus no cora\u00e7\u00e3o e quem ama, nada tem a temer. Acho que \u00e9 o mais importante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coordenadora da Plataforma de do Voluntariado Mission\u00e1rio analisa os n\u00fameros referentes a 2019.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":144541,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[261,330],"class_list":["post-144545","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-missoes","tag-voluntariado-missionario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144545\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}