{"id":14452,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mongois-em-busca-da-espiritualidade-perdida\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mongois-em-busca-da-espiritualidade-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mongois-em-busca-da-espiritualidade-perdida\/","title":{"rendered":"Mong\u00f3is em busca da espiritualidade perdida"},"content":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rios da Consolata na Mong\u00f3lia <!--more--> H\u00e1 dois anos que os mission\u00e1rios e mission\u00e1rias da Consolata est\u00e3o na Mong\u00f3lia. Corrado Benigni, jornalista italiano, que viveu uns meses com a comunidade, escreve sobre a realidade desta miss\u00e3o.   Viajando pelas des\u00e9rticas estepes da Mong\u00f3lia saltam \u00e0 vista os montes de pedras, lenha e outros materiais (entre estes tamb\u00e9m podemos encontrar algumas cabe\u00e7as de alce ou yak, garrafas de vodka e len\u00e7os de seda), que voam com as suas cores ao sabor do vento, \u00e0 dist\u00e2ncia nos cimos das colinas e montanhas. S\u00e3o os ovoo, assim se chamam na l\u00edngua mongol essas constru\u00e7\u00f5es, que na tradi\u00e7\u00e3o xamanista \u2013 ainda com fortes ra\u00edzes nestas partes \u2013 representam uma esp\u00e9cie de oferta aos deuses. Este \u00e9 o sinal mais vis\u00edvel de uma tradi\u00e7\u00e3o e sensibilidade espiritual, que desde a antiguidade distinguiu a Mong\u00f3lia. Hoje, poucos pa\u00edses orientais vivem um fermento religioso e espiritual t\u00e3o vivaz e complexo como esta terra. Visitando a capital Ulaan Baatar, onde se concentra mais de um ter\u00e7o da totalidade da popula\u00e7\u00e3o, fica-se impressionado pela quantidade de templos budistas presentes. Ao seu lado florescem lugares de culto menos relevantes, sobretudo protestantes. S\u00e3o numerosas as seitas religiosas, dos M\u00f3rmones aos seguidores de Moon, da igreja da paz aos carism\u00e1ticos. Realidades que, depois da queda do regime sovi\u00e9tico, no in\u00edcio dos anos noventa, encontraram na Mong\u00f3lia um terreno f\u00e9rtil de prega\u00e7\u00e3o. O mais impressionante \u00e9 pensar que a Mong\u00f3lia foi um estado sat\u00e9lite da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica durante setenta anos. Apenas h\u00e1 uma dezena de anos, em homenagem \u00e0 ideologia marxista-leninista, foi proibida toda a pr\u00e1tica religiosa p\u00fablica, os mosteiros foram arrasados e milhares de monges budistas foram mortos e perseguidos. No entanto, o povo n\u00e3o parece ter perdido o sentido do religioso e uma profunda sensibilidade espiritual. Esta tem ra\u00edzes profundas na hist\u00f3ria deste pa\u00eds: na corte de Gengis Khan, em 1200, estavam representadas todas as filosofias e religi\u00f5es do seu reino, entre outras o cristianismo (nessa altura frades franciscanos sa\u00edam da Europa para levar \u00e0 antiga capital da Mong\u00f3lia, Karakorum, a mensagem do evangelho, livres de qualquer obst\u00e1culo da parte das autoridades locais). Falando com alguns mong\u00f3is de Ulaan Baatar, pareceu-nos sentir uma grande sede de espiritualidade, um desejo do religioso, que nasce, quem sabe, do vazio que o regime sovi\u00e9tico deixou. Depois dos anos da persegui\u00e7\u00e3o, diz-se que muitos mong\u00f3is esperam a vinda de um grande personagem, capaz de fazer mexer o mundo com verdade e sabedoria: um homem que possa abrir uma nova era. \u201cQuando cheguei \u00e0 Mong\u00f3lia, h\u00e1 dois anos, encontrei neste pa\u00eds um grande despertar espiritual. \u00c9 um povo que h\u00e1 s\u00e9culos est\u00e1 impregnado de religi\u00e3o, seja pela presen\u00e7a do budismo, seja pela pr\u00f3pria cultura xamanista ainda muito forte entre eles. Devido \u00e0 repress\u00e3o russa, durante anos n\u00e3o houve possibilidade de forma\u00e7\u00e3o religiosa e agora sentem, como exig\u00eancia, o desejo do regresso \u00e0 pr\u00f3pria religi\u00e3o, o budismo, mas sentem tamb\u00e9m o de abrir-se a outra f\u00e9. \u00c9 um popula\u00e7\u00e3o com uma forte predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o espiritual\u201d, explica o padre Jorge Marengo, sacerdote mission\u00e1rio da Consolata, natural de Turim, que forma comunidade com o padre Ernesto Viscardi e as irm\u00e3s L\u00facia Bortolomasi, Sandra Garay e Giovanna Villa, tamb\u00e9m da Consolata. H\u00e1 dois anos que est\u00e3o presentes na Mong\u00f3lia para fundar uma miss\u00e3o cat\u00f3lica. \u00c9 uma resposta ao grande desejo de Jo\u00e3o Paulo II, que sempre olhou para o continente asi\u00e1tico como o lugar ideal para dar in\u00edcio ao processo de di\u00e1logo entre as religi\u00f5es, um dos pontos fortes do seu pontificado. Wojtyla muitas vezes mostrou ter muito presentes no seu cora\u00e7\u00e3o as pequenas comunidades cat\u00f3licas dispersas, como esta da Mong\u00f3lia, actualmente constitu\u00edda por menos de 300 fi\u00e9is. Jo\u00e3o Paulo II pensou visitar a Mong\u00f3lia, mas, quando todo estava pronto para a viagem, foi obrigado a renunciar a esta viagem. A liberdade religiosa, reconquistada nos anos noventa, permitiu que muitas outras igrejas, sobretudos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, chegassem a este pa\u00eds, e penetrassem no seu tecido social, nem sempre respeitando os costumes e a cultura desta terra, influenciada principalmente pelo budismo. Muitas vezes aproveitando-se do entusiasmo e da fragilidade pr\u00f3prios de uma liberdade reencontrada. A classe intelectual mongol e as autoridades budistas, apesar de manterem uma atitude de grande toler\u00e2ncia, temem hoje uma verdadeira invas\u00e3o destas igrejas e seitas, que muitas vezes se come\u00e7am a instalar com apenas duas pessoas, conseguindo depois alargar-se lentamente e ter muitos seguidores, gra\u00e7as tamb\u00e9m \u00e0 grande quantidade de dinheiro de que disp\u00f5em. \u201cInfelizmente as pessoas nem sempre sabem distinguir entre as v\u00e1rias igrejas crist\u00e3s e seitas que nestes dez anos floresceram\u201d, explica o padre Ernesto Viscardi, respons\u00e1vel da comunidade religiosa dos mission\u00e1rios da Consolata na Mong\u00f3lia. \u201cA igreja cat\u00f3lica orienta-se por par\u00e2metros diferentes: procuramos o contacto com as autoridades, pedindo as autoriza\u00e7\u00f5es e explicando quem somos e qual a nossa miss\u00e3o. Mantemos sempre um grande respeito pela cultura e costumes deste povo. Outros movimentos religiosos, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o mais agressivos. Chegam, constr\u00f3em o seu lugar de culto, fazem proselitismo sem respeitar a realidade religiosa local, e est\u00e1 feita a igreja. Este \u00e9 o aspecto que as autoridades pol\u00edticas e religiosas, al\u00e9m da classe intelectual, come\u00e7am a n\u00e3o ver com bons olhos. O que de certeza n\u00e3o vai facilitar no futuro o nosso trabalho como mission\u00e1rios\u201d.  <i>Corrado Benigni | F\u00e1tima Mission\u00e1ria<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rios da Consolata na Mong\u00f3lia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[199,203,207,213,237,260,316],"class_list":["post-14452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-fatima","tag-franciscanos","tag-joao-paulo-ii","tag-missionarios-da-consolata","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14452\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}