{"id":14398,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/arquitectura-religiosa-e-arquitectura-sagrada\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"arquitectura-religiosa-e-arquitectura-sagrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/arquitectura-religiosa-e-arquitectura-sagrada\/","title":{"rendered":"Arquitectura Religiosa e Arquitectura Sagrada"},"content":{"rendered":"<p>Uma igreja n\u00e3o \u00e9 um simples monumento, mas antes um santu\u00e1rio. A sua finalidade n\u00e3o se limita a &#8220;reunir fi\u00e9is&#8221;, mas a criar para eles um ambiente que permita \u00e0 Gra\u00e7a, a sua melhor manifesta\u00e7\u00e3o, e consegue-o na medida em que consegue arrastar, canalizar para o interior, num jogo subtil de influencias, para um fim &#8211; a comunh\u00e3o com o Divino &#8211; o fluxo das sensa\u00e7\u00f5es, dos sentimentos e das ideias. As novas Igrejas t\u00eam que ser um &#8220;instrumento&#8221; de recolhimento, de alegria, de sacrif\u00edcio e de eleva\u00e7\u00e3o. Quando h\u00e1 mais de quinze anos me pediram para desenhar uma Capela para o Funchal, quando ainda estava residente em Lisboa, foi para mim uma experi\u00eancia nova, que me obrigou a investigar e aprofundar os meus conhecimentos religiosos e posso afirmar que foi um mundo novo que se abriu.  Como arquitecto sempre gostei de projectar edif\u00edcios, cujos espa\u00e7os tivessem efeitos sobre o comportamento dos seus utilizadores, quer pelo jogo de volumes, quer pelos materiais, quer pela ilumina\u00e7\u00e3o, mas nunca me tinha debru\u00e7ado sobre a concep\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os sacros.  Ap\u00f3s aprofundada investiga\u00e7\u00e3o, pode concluir que nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, as Igrejas eram projectadas como um corpo e que n\u00e3o s\u00f3 respondiam a uma determinada fun\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, mas utilizavam simbologia e proporcional idade sagrada.  Com o aparecimento do movimento rom\u00e2ntico j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, aceitou-se que por raz\u00f5es de individualismo est\u00e9tico, o arquitecto poderia introduzir a sua interpreta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o sacro e projectar ao &#8220;gosto&#8221; da \u00e9poca, utilizando o sentimentalismo caprichoso t\u00e3o bem caracterizado pela literatura de ent\u00e3o.  A arquitectura contempor\u00e2nea, continuou esta tend\u00eancia de dessacraliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o religioso e \u00e9 necess\u00e1rio recuperar com rigor a forma como que se projectam as novas Igrejas, embora tenhamos que aceitar e apoiar as novas express\u00f5es da arquitectura religiosa contempor\u00e2nea. As novas Igrejas devem exprimir a sua \u00e9poca, mas tem que ser o elo de liga\u00e7\u00e3o entre o passado e o presente sem roturas e justificar plenamente os seus princ\u00edpios e as suas f\u00f3rmulas de concep\u00e7\u00e3o utilizando os princ\u00edpios b\u00e1sicos da arte sagrada.  Consequentemente, devemos ter em considera\u00e7\u00e3o elementos essenciais:  &#8211; A arte sagrada n\u00e3o deve ser apenas o resultado dos sentimentos, fantasias e at\u00e9 &#8220;pensamentos&#8221; do artista, mas deve ser a tradu\u00e7\u00e3o de uma realidade, que ultrapassa os limites da individualidade humana. \u00c9 precisamente essa a caracter\u00edstica pr\u00f3pria da arte sagrada: Uma arte supra-humana.  Para tal, torna-se necess\u00e1rio recordar a verdadeira dignidade da arte, que representa a tradu\u00e7\u00e3o no plano sens\u00edvel da Beleza ideal, portanto a Beleza \u00e9 uma forma do Divino, um atributo de Deus, &#8220;um reflexo da Beatitude divina&#8221;.  Eis porque o Belo \u00e9, segunda forma plat\u00f3nica&#8221; o esplendor do Verdadeiro&#8221;. O objectivo da arte consiste em revelar a imagem da Natureza divina impressa na cria\u00e7\u00e3o, mas oculta nela, realizando objectos vis\u00edveis que sejam s\u00edmbolos de Deus invis\u00edveis.  \u00c9 obvio que, numa arte assim concebida, com valor quase &#8220;sacramental&#8221;, o artista n\u00e3o se deve guiar pelas suas pr\u00f3prias inspira\u00e7\u00f5es; o seu trabalho n\u00e3o consiste em exprimir a sua personalidade, mas em procurar uma forma perfeita que corresponda a prot\u00f3tipos sagrados de inspira\u00e7\u00e3o celeste.  Uma Igreja n\u00e3o \u00e9 simplesmente um monumento, mas um santu\u00e1rio, um templo. A sua finalidade n\u00e3o se limita a &#8220;reunir fi\u00e9is&#8221;, mas a criar para eles um ambiente que permita \u00e0 Gra\u00e7a, a sua melhor manifesta\u00e7\u00e3o, e consegue-o na medida em que consegue arrastar, canalizar para o interior, num jogo subtil de influencias, para um fim &#8211; a comunh\u00e3o com o Divino &#8211; o fluxo das sensa\u00e7\u00f5es, dos sentimentos e das ideias.  As novas Igrejas t\u00eam que ser um &#8220;instrumento&#8221; de recolhimento, de alegria, de sacrif\u00edcio e de eleva\u00e7\u00e3o.  A base do pensamento das novas Igrejas, tem que ser igual ao pensamento que orientou a concep\u00e7\u00e3o das Igrejas nos primeiros anos do cristianismo, ou seja temos que estar convictos que a sua concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 entregue \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o pessoal do arquitecto, mas sim entregue nas m\u00e3os de Deus que o ilumina atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo,  &#8220;Edifiquem-me um santu\u00e1rio para que eu habite no meio deles. Executaras o santu\u00e1rio e todos os seus utens\u00edlios, exactamente conforme o modelo que te mostrarei&#8221; (Ex. 25, 8-9).   <i>Jo\u00e3o Cunha Paredes, Arquitecto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma igreja n\u00e3o \u00e9 um simples monumento, mas antes um santu\u00e1rio. A sua finalidade n\u00e3o se limita a &#8220;reunir fi\u00e9is&#8221;, mas a criar para eles um ambiente que permita \u00e0 Gra\u00e7a, a sua melhor manifesta\u00e7\u00e3o, e consegue-o na medida em que consegue arrastar, canalizar para o interior, num jogo subtil de influencias, para um fim [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[186],"class_list":["post-14398","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14398","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14398"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14398\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}