{"id":14364,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/viajar-com-todos-os-sentidos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"viajar-com-todos-os-sentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viajar-com-todos-os-sentidos\/","title":{"rendered":"Viajar Com Todos Os Sentidos"},"content":{"rendered":"<p>Olhares sobre Angola <!--more--> A inaugura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o D\u2019Angolando, em Lisboa, no dia 7 de Outubro de 2005, marcou o ponto de partida da itiner\u00e2ncia desta mostra fotogr\u00e1fica sobre Angola.  Esta \u00e9 uma Exposi\u00e7\u00e3o em que cada fotografia isolada conta uma hist\u00f3ria \u2013 e \u00e9 exactamente essa a sensa\u00e7\u00e3o que temos quando nos colocamos de frente para cada foto \u2013 suspensa, emoldurada abra\u00e7ada pela moldura A2 de acr\u00edlico, isolando-nos do resto das outras imagens, ficamos s\u00f3 n\u00f3s e a foto&#8230; O fio condutor da disposi\u00e7\u00e3o das fotografias no espa\u00e7o \u00e9 est\u00e9tico, existindo fotografias a preto e branco e fotografias a cores. A fotografia que \u00e9 a imagem de marca da D\u2019Angolando levou-nos, em movimento, atr\u00e1s de um quintandeira que passa, num cen\u00e1rio quase irreal de azul e amarelo, ao in\u00edcio da visita guiada \u00e0 Exposi\u00e7\u00e3o. Espreit\u00e1mos uma Maieno, jovem m\u00e3e que amamenta seu filho de gorro, em que os bra\u00e7os, marcados pelo trabalho e pelo sol, contrastam com o seu rosto inocente. Envered\u00e1mos por um caminho na zona do Namibe, ligando kimbos isolados e distantes, levando-nos a locais t\u00e3o diferentes em paisagens. Tom\u00e1mos de seguida o comboio em Benguela, cheg\u00e1mos ao Musseque em Luanda e deix\u00e1mos para tr\u00e1s o amontoado de lixo urbano. Avizinh\u00e1mo-nos do mar, em duas prov\u00edncias costeiras, Namibe e Benguela. De volta a Luanda, os candongueiros azuis e brancos, circulando dentro da cidade, paralelos \u00e0s quitandeiras que de tudo vendem, apregoando com insist\u00eancia o produto que \u00e0 cabe\u00e7a transportam, fazem-nos desejar uma das mercadorias que vendem. \u00c0 sa\u00edda de Luanda, deparamo-nos com o Museu da Escravatura, de onde partiam os barcos com escravos, hoje transformado em local de recreio onde se vai ao fim-de-semana, estar com os amigos. N\u00e3o pod\u00edamos deixar de quase embater na \u00e1rvore t\u00e3o t\u00edpica de \u00c1frica, particularmente em zonas secas \u2013 um embondeiro que, nesta Exposi\u00e7\u00e3o, desafia o mar&#8230; A cor dos fatos tradicionais e os panos que as mam\u00e3s usam, ora para transportar os seus filhos, ora para servir de xaile, para sentar no ch\u00e3o ou ainda para embrulhar as mercadorias, d\u00e3o vida a tr\u00eas das fotografias.  <b>Voos sobre a realidade angolana<\/b> Porta da 4\u00aa Classe, turma A\/2\u00aa Classe, turma D da Escola N\u00aa Sra. de F\u00e1tima em Malanje, captada pela m\u00e1quina de um t\u00e9cnico volunt\u00e1rio do PAEBA, projecto iniciado em 2003, com o objectivo de melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no interior de Angola, promovendo o uso e o acesso \u00e0 L\u00edngua Portuguesa como instrumento para o sucesso escolar e como elemento para a coes\u00e3o nacional. Os brinquedos feitos e refeitos, aperfei\u00e7oados e tratados com mil cuidados, s\u00e3o motivo do orgulho que encontramos estampado nos rostos dos seus \u201cpais\u201d criadores. O avi\u00e3o em frente \u00e0 Fortaleza de S. Miguel em Luanda relembra o tempo das lutas e mais \u00e0 frente a plataforma petrol\u00edfera no mar de Benguela parece dizer \u201cAngola, segundo maior produtor de petr\u00f3leo da \u00c1frica ao sul do Saara\u201d. J\u00e1 est\u00e1 a ficar tarde, e come\u00e7a a ser tempo de comer alguma coisa, mas o funje que a mulher prepara, apesar de quase fumegar, n\u00e3o est\u00e1 ainda pronto \u2013 podemos sim, levar para casa a receita&#8230; Apesar de estar em quase completa destrui\u00e7\u00e3o, a primeira Catedral do Reino do Congo imp\u00f5em-se numa das fotografias a preto e branco. Ainda nas ra\u00edzes de Angola, com as guardi\u00e3s do Museu de Mbanza Congo, no seu traje branco imaculado, parece que ouvimos pelas imagens: \u201cEste \u00e9 um lugar com hist\u00f3ria, entrem e conhe\u00e7am&#8230;\u201d As crian\u00e7as, as crian\u00e7as&#8230; pequenos diamantes, assim nos mostra um menino sozinho que brinca numa das ruas de Saurimo, capital de uma prov\u00edncia diamant\u00edfera e nos lembram aqueles sorrisos vindos do internato da Escola S. Jos\u00e9 de Cluny em Malanje onde se aprende a viver e a ser mulher. Terminamos esta visita guiada pela D\u2019Angolando, com as mulheres, pilar da sociedade africana, m\u00e3e, trabalhadora, companheira, amiga. Uma mulher com uma kinda (cesto c\u00f3nico) \u00e0 cabe\u00e7a, no momento do ofert\u00f3rio da missa, marca assim a import\u00e2ncia da religi\u00e3o cat\u00f3lica neste imenso pa\u00eds que \u00e9 Angola. O Porto de Honra que se seguiu foi pautado pelo som dos tr\u00eas batuques que conseguiram criar e  transportar Angola para Lisboa. D\u2019Angolando \u00e9 poss\u00edvel para todos aqueles que se interessam por Angola, por serem angolanos, ou por l\u00e1 terem trabalhado e vivido, mas tamb\u00e9m para todos quantos queiram conhecer esta nova cultura, at\u00e9 30 de Outubro no Pal\u00e1cio Sotto Mayor em Lisboa. A maioria dos autores das obras expostas s\u00e3o t\u00e9cnicos volunt\u00e1rios que registaram, com as suas m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas, recantos e pormenores da zona de Luanda, Namibe, Zaire, Lunda Sul, Malanje e Benguela. Tamb\u00e9m \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o evidenciar o importante papel que tiveram para este certame. Sem a sua sensibilidade e a ced\u00eancia dos direitos de autor n\u00e3o seria poss\u00edvel a D\u2019Angolando. A cria\u00e7\u00e3o desta exposi\u00e7\u00e3o adv\u00e9m da FEC &#8211; entidade promotora &#8211; desenvolver nesse pa\u00eds um projecto de apoio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. P. Jos\u00e9 Maia, presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da FEC, iniciou a sess\u00e3o de abertura oficial da exposi\u00e7\u00e3o com essa nota de esclarecimento. E o Ministro Conselheiro da Embaixada de Angola em Portugal, Rui Orlando Xavier, assegurou que as imagens reflectem a realidade e, no decorrer do discurso inaugural, afirmou \u201cIsto \u00e9 Angola!\u201d. O Secret\u00e1rio de Estado dos Neg\u00f3cios Estrangeiros e da Coopera\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Cravinho, que n\u00e3o deixou de estar presente, sublinhou que \u201c\u00c9 um privil\u00e9gio poder contar com as vontades de colabora\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es como a FEC &#8211; uma for\u00e7a constante, ao longo dos anos, na \u00e1rea da coopera\u00e7\u00e3o.\u201d Este momento inaugural inseriu-nos no esp\u00edrito da exposi\u00e7\u00e3o, que pretende sensibilizar pela emo\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela t\u00e9cnica, em que os pr\u00f3prios autores das fotografias n\u00e3o s\u00e3o fot\u00f3grafos profissionais, mas pessoas interessadas em captar momentos \u2013 Anabela Martins, Ana Pereira, Bruno Louren\u00e7o, Maria Ribeiro, Rui Silva, Sandra Silva, S\u00e9rgio Ang\u00e9lico. A concep\u00e7\u00e3o ficou a cargo de Catarina Lopes, o design gr\u00e1fico esteve nas m\u00e3os de Isa Gomes e a produ\u00e7\u00e3o sob a responsabilidade Ana Filipa Silva.  <i>C\u00e1tia Vieira- respons\u00e1vel pela Comunica\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica D\u2019Angolando<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olhares sobre Angola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,106,154,187,193,207],"class_list":["post-14364","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-angola","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14364"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14364\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}