{"id":14331,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/cristaos-perseguidos-em-60-paises\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"cristaos-perseguidos-em-60-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristaos-perseguidos-em-60-paises\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3os perseguidos em 60 pa\u00edses"},"content":{"rendered":"<p>Dados do Relat\u00f3rio sobre a Liberdade Religiosa no Mundo <!--more--> Rezar em p\u00fablico, ler a B\u00edblia sob o olhar de outras pessoas, ter um escapul\u00e1rio ao pesco\u00e7o ou celebrar a Missa s\u00e3o, ainda hoje, gestos considerados \u201ccriminosos\u201d que podem trazer graves consequ\u00eancias em quase 60 pa\u00edses de todo o mundo.  Este \u00e9 um dos dados centrais apresentado pela s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio da Liberdade Religiosa no Mundo, publicado pela Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS). O volume em portugu\u00eas foi apresentado em confer\u00eancia de imprensa hoje, no Gr\u00e9mio Liter\u00e1rio em Lisboa, por Marcelo Rebelo de Sousa.  Esta nova edi\u00e7\u00e3o do &#8220;Relat\u00f3rio sobre a Liberdade Religiosa no Mundo&#8221; retrata uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, a n\u00edvel mundial, da liberdade de culto. Os conflitos militares, o terrorismo e as ditaduras contribu\u00edram para as situa\u00e7\u00f5es mais alarmantes que se verificam em alguns pa\u00edses como o Iraque, a China, Cuba ou a Nig\u00e9ria. O relat\u00f3rio analisa a situa\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa em cada pa\u00eds, com base nos testemunhos de representantes da Igreja local, documentos oficiais, artigos de ag\u00eancias de not\u00edcias e outros media especializados em assuntos religiosos, bem como nas informa\u00e7\u00f5es fornecidas por organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos. As antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, os Estados de regime comunista e os de maioria isl\u00e2mica s\u00e3o aqueles em que se encontram maiores restri\u00e7\u00f5es \u00e0 Liberdade Religiosa, tanto para crist\u00e3os como para outras comunidades religiosas cujos casos s\u00e3o retratados no livro. Nos pa\u00edses que surgiram do desmembramento da antiga URSS, segundo o relat\u00f3rio, \u201ca influ\u00eancia do ate\u00edsmo ideol\u00f3gico sobre os funcion\u00e1rios do Estado \u00e9 ainda extremamente poderosa\u201d. Na Bielor\u00fassia, por exemplo, \u201co controlo estrito do Estado sobre qualquer express\u00e3o de culto tende a sufocar as cren\u00e7as religiosas do povo\u201d. Noutros casos, a intoler\u00e2ncia assume tons nacionalistas como acontece na R\u00fassia, onde os obst\u00e1culos burocr\u00e1ticos prevalecem, mesmo numa situa\u00e7\u00e3o na qual as rela\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas entre as igrejas ortodoxas e cat\u00f3licas est\u00e3o a progredir.  <b>Persegui\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as<\/b> Os pa\u00edses de maioria isl\u00e2mica s\u00e3o avaliados de forma muito negativa no que diz respeito \u00e0 Liberdade Religiosa. Na Turquia, aponta o texto, o respeito pelas minorias de crentes \u201ccontinua a ser totalmente insatisfat\u00f3rio\u201d, sendo negado aos crist\u00e3os o acesso a lugares institucionais civis e militares, para al\u00e9m de ser quase imposs\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de templos. A Nig\u00e9ria \u00e9 outro caso considerado \u201cextremamente grave\u201d. Durante os \u00faltimos anos mais de 10 mil pessoas foram mortas e centenas de milhares foram for\u00e7adas a abandonar as suas casas, na sua maioria pertencentes \u00e0 religi\u00e3o crist\u00e3. No Iraque do p\u00f3s-guerra h\u00e1 a registar que grupos ultra-extremistas isl\u00e2micos dirigiram amea\u00e7as de morte \u00e0s comunidades crist\u00e3s com o objectivo de as levar a abandonar o Iraque. A comunidade mais atingida \u00e9 a ass\u00edrio-caldeia, uma das mais antigas do Cristianismo. Os regimes comunistas tamb\u00e9m n\u00e3o passam no exame da AIS.  Em Cuba a situa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 \u201cgrave\u201d e o Relat\u00f3rio apresenta uma entrevista ao Cardeal Jaime Ortega y Alamino, Arcebispo de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o de Havana, que denuncia o facto de qualquer apelo apresentado ao Governo pela Igreja ser sistematicamente ignorado. O prelado especifica que n\u00e3o existe persegui\u00e7\u00e3o f\u00edsica aos cat\u00f3licos, mas antes uma forma de persegui\u00e7\u00e3o mais subtil. Na Coreia do Norte, durante os \u00faltimos 50 anos, cerca de 300 mil crist\u00e3os desapareceram e j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 no pa\u00eds sacerdotes ou religiosas, que provavelmente ter\u00e3o sido mortos durante as persegui\u00e7\u00f5es. Existem actualmente 100 mil pessoas em campos de trabalho sujeitas \u00e0 fome, \u00e0 tortura e \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.  <b>China, a maior preocupa\u00e7\u00e3o<\/b> A situa\u00e7\u00e3o na China foi apresentada por Marcelo Rebelo de Sousa como \u201ca mais preocupantes\u201d de todas as apresentadas no Relat\u00f3rio. \u201cPersistem restri\u00e7\u00f5es graves \u00e0 Liberdade Religiosa, sinal de restri\u00e7\u00f5es mais amplas a liberdades e direitos de pessoas concretas\u201d, disse. Para Rebelo de Sousa, seria muito preocupante se a comunidade internacional \u201cse convertesse ao poderio econ\u00f3mico da China, aceitando viola\u00e7\u00f5es da Liberdade Religiosa\u201d. O documento assinala que Pequim admite a pratica da f\u00e9 apenas no interior dos grupos religiosos autorizados pelo Governo e cujo pessoal e actividades sejam supervisionadas pelas associa\u00e7\u00f5es patri\u00f3ticas. Tudo isto conduz a uma viv\u00eancia na f\u00e9 na qual os ideais s\u00e3o, acima de tudo, servir a seguran\u00e7a do Estado e o progresso da na\u00e7\u00e3o. Consequentemente, existem 2 tipos de viola\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade religiosa: \u00c9 assumido a priori nas comunidades \u201coficiais\u201d, as que s\u00e3o reconhecidas pelo Governo, que a liberdade de culto n\u00e3o \u00e9 um direito inato dos seres humanos, mas uma concess\u00e3o dada pelo Estado, que estabelece a sua forma e os seus limites. O segundo tipo de viola\u00e7\u00e3o \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o contra todas as express\u00f5es religiosas que \u2013 em refer\u00eancia \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o onde se expressa a liberdade religiosa em sentido lato \u2013 exigem poder expressar livremente a sua f\u00e9 sem serem controladas pelo Estado, desde que n\u00e3o implementem pr\u00e1ticas conspirativas ou violentas.  <b>Onda de secularismo<\/b> \u00c9 com alguma surpresa que o leitor se pode deparar, neste relat\u00f3rio, com pa\u00edses como a Fran\u00e7a e a Alemanha, elencados entre aqueles onde acontecem atropelos \u00e0 Liberdade Religiosa. A Gr\u00e9cia, a Rom\u00e9nia e a Bulg\u00e1ria s\u00e3o outros pa\u00edses com restri\u00e7\u00f5es ao direito de Liberdade Religiosa. O Relat\u00f3rio refere que na Fran\u00e7a se  regista \u201cuma atitude de separa\u00e7\u00e3o activista ou laicista em rela\u00e7\u00e3o aos grupos e \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es religiosas\u201d. Na Alemanha, por outro lado, v\u00e1rias regi\u00f5es \u2013com autonomia relativamente a diversas mat\u00e9rias \u2013 adoptaram normas que regulamentam o uso de s\u00edmbolos religiosos pelos empregados p\u00fablicos no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es. Para Marcelo Rebelo de Sousa estamos na presen\u00e7a de fen\u00f3menos \u201cpreocupantes\u201d por mostrarem \u201crespostas secularistas a pr\u00e1ticas das comunidades crentes\u201d. Nesse sentido, alerta para o surgimento de \u201cposi\u00e7\u00f5es fundamentalistas anti-religiosas\u201d. O documento aponta ainda para medidas tomadas na Holanda e Reino Unido por causa da emerg\u00eancia do extremismo isl\u00e2mico. \u201cEstas medidas parecem n\u00e3o ter um efeito real, e o mesmo se aplica a outros modelos de coexist\u00eancia baseado em pol\u00edticas multiculturais na Holanda e no Reino Unido, onde epis\u00f3dios recorrentes de viol\u00eancia envolvendo as comunidades mu\u00e7ulmanas trazem este problema \u00e0 aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, refere a AIS. Marcelo Rebelo de Sousa lembra que as sociedades a bra\u00e7os com o terrorismo podem correr o risco da generaliza\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o houver liberdade, se as pessoas forem rejeitadas e exclu\u00eddas, isso s\u00f3 aumenta a viol\u00eancia\u201d, adverte. Considerando que o fundamentalismo n\u00e3o se combate com pol\u00edticas repressivas, que considera furto de \u201cuma vis\u00e3o culturalmente pobre\u201d, Rebelo de Sousa explica que \u201c uma coisa \u00e9 travar esses fundamentalismos religiosos, outra coisa \u00e9 converter a interven\u00e7\u00e3o militar na solu\u00e7\u00e3o de um problema de cultura, social\u201d. \u201c\u00c9 preciso construir a democracia, a liberdade e a paz para al\u00e9m da mera interven\u00e7\u00e3o repressiva\u201d, aponta, citando o magist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Relat\u00f3rio sobre a Liberdade Religiosa no Mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[120,189,237],"class_list":["post-14331","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-bento-xvi","tag-direitos-humanos","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14331"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14331\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}