{"id":14306,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pessoas-e-ideologias-no-tribunal-popular\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pessoas-e-ideologias-no-tribunal-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pessoas-e-ideologias-no-tribunal-popular\/","title":{"rendered":"Pessoas e ideologias no tribunal popular"},"content":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas t\u00eam uma caracter\u00edstica no conjunto dos jogos eleitorais: atingindo todos os cidad\u00e3os \u2013 mesmo os que n\u00e3o votam ou n\u00e3o gostam de pol\u00edtica \u2013 abrangem, mais que qualquer outra elei\u00e7\u00e3o, um elevado n\u00famero de candidatos. Isto quer dizer que, feitas as contas, h\u00e1 milhares de pessoas no nosso pa\u00eds que foram sujeitas a uma esp\u00e9cie de julgamento popular. Um conforto ou uma ferida no ego, entre os escolhidos e os preteridos. Nem todos tiveram honras nacionais de tribuna medi\u00e1tica nas manifesta\u00e7\u00f5es de festa ou desagravo. Mas todos sentiram o estremecimento do seu nome nas bocas do povo com a consequente escolha ou rejei\u00e7\u00e3o. As aut\u00e1rquicas revestem-se duma t\u00f3nica pessoal de estima, que ultrapassa a l\u00f3gica da ast\u00facia pol\u00edtica ou da capacidade mobilizadora das massas. Votar, por isso, \u00e9 tamb\u00e9m um acto de afecto. Aqui surge um problema: preferir o Partido e rejeitar a pessoa que o representa. Ou o contr\u00e1rio. Foi esta a principal clivagem destas elei\u00e7\u00f5es que, feitas as contas finais, deram um resultado que se pode explorar e manipular nas direc\u00e7\u00f5es de quem ganha e quem perde, criando laudas para os vencedores e desculpas para os vencidos. O discurso pol\u00edtico goza destas imunidades. Tudo pode ser mais perfeito, mesmo em democracia. Com a verdade basilar de que \u00e9 o cidad\u00e3o an\u00f3nimo, com a sua escolha implac\u00e1vel, quem proporciona toda a anima\u00e7\u00e3o deste complexo jogo de poder. Aqui chegados, e com alguns casos in\u00e9ditos na escolha de eleitos tecnicamente falidos mas no final vencedores, voltamos ao quotidiano dos pequenos e grandes senhores nos pequenos e grandes locais. O esquema pouco varia e o exerc\u00edcio do poder como acto \u00e9tico apenas se diversifica quantitativamente. Em subst\u00e2ncia, est\u00e3o em causa os mesmos valores. Mas no terreno pol\u00edtico h\u00e1 sempre um fio subterr\u00e2neo e invis\u00edvel que se junta a outros para tecer os meandros de nomes, jogos, influ\u00eancias, prest\u00edgios. E o contr\u00e1rio: o aniquilamento discreto de concorrentes, advers\u00e1rios ou inimigos pol\u00edticos. Neste todo parecem cada vez menos decisivas as originalidades ideol\u00f3gicas. Tr\u00eas ou quatro pontos distanciam partidos e concorrentes. Os acess\u00f3rios pol\u00edticos, anexados ao afecto, fazem o resto. O que resta deste todo? O santu\u00e1rio \u00edntimo da consci\u00eancia dos cidad\u00e3os (eleitos) que, cientes das realidades e linguagens do universo pol\u00edtico, n\u00e3o vendem os seus princ\u00edpios ao rodopio de interesses ocultos que por vezes envolvem o universo pol\u00edtico. O povo \u00e9 s\u00e1bio. Mas nem sempre est\u00e1 senhor de todos os dados que comp\u00f5em a complexa teia pol\u00edtica. Tamb\u00e9m na pol\u00edtica a forma\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 geradora de lucidez.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas t\u00eam uma caracter\u00edstica no conjunto dos jogos eleitorais: atingindo todos os cidad\u00e3os \u2013 mesmo os que n\u00e3o votam ou n\u00e3o gostam de pol\u00edtica \u2013 abrangem, mais que qualquer outra elei\u00e7\u00e3o, um elevado n\u00famero de candidatos. 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