{"id":142860,"date":"2019-07-09T16:37:08","date_gmt":"2019-07-09T15:37:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=142860"},"modified":"2019-07-30T11:05:57","modified_gmt":"2019-07-30T10:05:57","slug":"refugiados-um-dia-vamos-ter-de-explicar-porque-deixamos-morrer-milhares-de-pessoas-miguel-duarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/refugiados-um-dia-vamos-ter-de-explicar-porque-deixamos-morrer-milhares-de-pessoas-miguel-duarte\/","title":{"rendered":"Refugiados: \u00abUm dia vamos ter de explicar porque deix\u00e1mos morrer milhares de pessoas\u00bb &#8211; Miguel Duarte"},"content":{"rendered":"<p><em>Volunt\u00e1rio portugu\u00eas que enfrenta lei italiana por aux\u00edlio \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o ilegal, critica \u00abduplo discurso\u00bb do Ocidente que vende armas e fecha fronteiras a quem foge da guerra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_142863\" aria-describedby=\"caption-attachment-142863\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-142863\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/miguel_duarte_ecclesia-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/miguel_duarte_ecclesia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/miguel_duarte_ecclesia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/miguel_duarte_ecclesia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/miguel_duarte_ecclesia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/miguel_duarte_ecclesia.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-142863\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 09 jul 2019 (Ecclesia) \u2013 A crise humanit\u00e1ria dos refugiados \u00e9 para Miguel Duarte, volunt\u00e1rio portugu\u00eas do navio de resgate \u00abIuventa\u00bb acusado pela lei italiana de aux\u00edlio \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o ilegal, a crise da atual gera\u00e7\u00e3o e que anos mais tarde \u201cter\u00e1 de prestar contas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUm dia mais tarde vamos ter de explicar aos nossos netos como \u00e9 que deixamos morrer dezenas de milhares de pessoas ao longo de cinco, seis, ou sete anos e eu sei de que lado \u00e9 que quero estar\u201d, afirma \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Miguel Duarte, atualmente com 26 anos.<\/p>\n<p>Foi por assistir a esta \u201ccrise humanit\u00e1ria\u201d e se considerar um privilegiado que n\u00e3o conseguiu ficar sossegado e, em 2015, procurou organiza\u00e7\u00f5es que aceitassem volunt\u00e1rios para auxiliar os milhares de pessoas que arriscavam a sorte para, em barcos, atravessar o mar Mediterr\u00e2neo para procurar asilo e uma vida melhor para si e para os seus filhos.<\/p>\n<p>Miguel Duarte participou em quatro miss\u00f5es, cerca de tr\u00eas semanas cada, ao longo de um ano e conta que ele e a tripula\u00e7\u00e3o do \u00abIuventa\u00bb salvaram 14 mil pessoas durante esse per\u00edodo.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cVejo esse n\u00famero mais com indigna\u00e7\u00e3o do que esperan\u00e7a, na verdade. Se uma equipa de 15 volunt\u00e1rios, de cada vez, consegue resgatar 14 mil pessoas ao longo de um ano, alguma coisa est\u00e1 fundamentalmente errada no que est\u00e1 a ser feito para que estas pessoas n\u00e3o percam a vida\u201d, sublinha.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar das vidas salvas, o volunt\u00e1rio portugu\u00eas pensa mais nas que n\u00e3o conseguiu resgatar.<\/p>\n<p>\u201cInevitavelmente h\u00e1 sempre um sentimento de responsabilidade, ficamos sempre a pensar que pod\u00edamos ter sido mais r\u00e1pidos, pod\u00edamos ter feito mais\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Os 84 dias no mar Mediterr\u00e2neo, n\u00e3o hesita, foram os \u201cmais \u00fateis\u201d da sua vida.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nada propriamente que nos prepare para o que vamos ver ali, para a emo\u00e7\u00e3o, para o sofrimento humano e para as situa\u00e7\u00f5es que encontramos de facto quando nos encontramos frente a frente com essas pessoas. Uma coisa \u00e9 ver os v\u00eddeos e ler as not\u00edcias, outra \u00e9 estar ali, e ser propriamente a ponte que liga estas pessoas \u00e0 vida. N\u00f3s fomos a \u00fanica barreira entre eles e a morte, isso \u00e9 uma responsabilidade enorme e penso que me mudou a vida pelo sentimento de utilidade que tive\u201d, garante.<\/p>\n<p>Miguel fala numa \u201cobriga\u00e7\u00e3o moral\u201d da Uni\u00e3o Europeia na ajuda aos refugiados que chegam \u00e0 procura de condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAntes de falar de ajudas para o desenvolvimento temos que conversar sobre a venda de armas em situa\u00e7\u00f5es de conflito. N\u00e3o podemos estar a lucrar com a venda de armas em pa\u00edses. Estas pessoas est\u00e3o a fugir das bombas que s\u00e3o criadas em solo europeu e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, n\u00e3o podemos fechar-lhes as portas quando est\u00e3o a fugir de armas produzidas por n\u00f3s\u201d, esclarece o jovem portugu\u00eas.<\/p><\/blockquote>\n<p>O trabalho de resgate, esclarece, foi feito em \u201ccoordena\u00e7\u00e3o com as autoridades italianas\u201d: \u201cA esmagadora maioria dos casos que atendemos, as pessoas eram passadas para bordo de navios italianos, que os levavam depois a terra italiana; n\u00e3o \u00e9ramos n\u00f3s que t\u00ednhamos essa decis\u00e3o, a decis\u00e3o era das autoridades italianas que tinha a responsabilidade de coordenar o resgate mar\u00edtimo\u201d.<\/p>\n<p>A enfrentar a lei italiana, por aux\u00edlio \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o ilegal, Miguel Duarte \u00e9 perent\u00f3rio: o foco n\u00e3o \u00e9 ele nem a a\u00e7\u00e3o judicial que o tirou do anonimato e fez protagonista de uma campanha de crowfunding \u00abSalvar Vidas n\u00e3o \u00e9 crime\u00bb.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00f3s que enfrentamos uma possibilidade de 20 anos na pris\u00e3o por ajuda humanit\u00e1ria ainda conseguimos ser os privilegiados no meio desta situa\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 pessoas que todos os dias arriscam a vida simplesmente \u00e0 procura de seguran\u00e7a e \u00e9 nessas pessoas e situa\u00e7\u00e3o que temos de nos focar. E \u00e9 com isso que temos de nos indignar mais\u201d, indica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Tendo recolhido entre a sociedade civil portuguesa e algumas institui\u00e7\u00f5es um massivo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/hubb.humansbeforeborders\/\">apoio<\/a>, \u201cconsensual\u201d at\u00e9 sobre o problema, Miguel Duarte sublinha haver um dever de informa\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deve cessar na opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 (preciso) continuar a indignar-se. Informar-se criticamente sobre esta situa\u00e7\u00e3o, sobre as migra\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00f3, e \u00e9 preciso fazer press\u00e3o sobre as entidades que t\u00eam poder para fazer alguma coisa em rela\u00e7\u00e3o a isto. \u00c9 preciso garantir que os nossos representantes sabem que estamos atentos e que a forma como a UE est\u00e1 a tratar os migrantes e refugiados n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel, e n\u00f3s n\u00e3o aceitamos isso num estado democr\u00e1tico\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Sem querer porta-voz, \u201cn\u00f3s quer\u00edamos resgatar pessoas, n\u00e3o fazer comunica\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece, Miguel Duarte voltava amanh\u00e3 para o mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>\u201cAcho que vivi o melhor e o pior da vida no mar Mediterr\u00e2neo. Tive muito em contacto com o desespero das pessoas, mas tamb\u00e9m com a esperan\u00e7a e entreajuda; vi atos de hero\u00edsmo que n\u00e3o pensei que fossem poss\u00edveis. Vi pessoas a por em risco a sua pr\u00f3pria vida para salvar outras e isso j\u00e1 ningu\u00e9m me tira\u201d, recorda.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"wmQFZE4XzY\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-se-esquece-as-pessoas-anonimas-a-quem-chegamos-tarde\/\">\u00abN\u00e3o se esquece as pessoas an\u00f3nimas a quem cheg\u00e1mos tarde\u00bb<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;\u00abN\u00e3o se esquece as pessoas an\u00f3nimas a quem cheg\u00e1mos tarde\u00bb&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-se-esquece-as-pessoas-anonimas-a-quem-chegamos-tarde\/embed\/#?secret=jvwYO5SyRF#?secret=wmQFZE4XzY\" data-secret=\"wmQFZE4XzY\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" 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