{"id":142260,"date":"2019-07-05T07:00:46","date_gmt":"2019-07-05T06:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=142260"},"modified":"2019-07-05T13:05:56","modified_gmt":"2019-07-05T12:05:56","slug":"e-dificil-mas-nao-e-impossivel-propor-aos-jovens-decisoes-na-vida-para-sempre-c-audio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-dificil-mas-nao-e-impossivel-propor-aos-jovens-decisoes-na-vida-para-sempre-c-audio\/","title":{"rendered":"\u00ab\u00c9 dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel\u00bb propor aos jovens decis\u00f5es na vida \u00abpara sempre\u00bb (c\/\u00e1udio)"},"content":{"rendered":"<p><em>As \u00faltimas semanas de junho e as primeiras de julho s\u00e3o ocasi\u00e3o para celebra\u00e7\u00f5es de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais, em muitas dioceses de Portugal, e a raz\u00e3o para a entrevista com o padre Nuno Amador, do Patriarcado de Lisboa.<\/em><\/p>\n<p><em><!--more--><\/em><\/p>\n<p><em>Vice-reitor do semin\u00e1rio dos Olivais e respons\u00e1vel pela Pastoral Universit\u00e1ria, em Lisboa, o Nuno Amador reserva muito do seu tempo para o acompanhamento de jovens. Uma experi\u00eancia que faz valorizar essa dimens\u00e3o na vida sacerdotal e afirmar que as pessoas \u00abpedem a presen\u00e7a do padre como acompanhador das suas vidas\u00bb<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_142261\" aria-describedby=\"caption-attachment-142261\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-142261 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Nuno_Amador_2_JoanaGon\u00e7alvesRR-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-142261\" class=\"wp-caption-text\">Foto Joana Gon\u00e7alves\/Renascen\u00e7a, Padre Nuno Amador<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos numa altura de ordena\u00e7\u00f5es de novos padres em v\u00e1rias dioceses do pa\u00eds, longe dos n\u00fameros de outros tempos. Mas justifica-se ou n\u00e3o falar de crise de voca\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se se justifica falar de crise de voca\u00e7\u00f5es. Penso que quando falamos disso temos de falar daquilo que \u00e9 a viv\u00eancia da f\u00e9, n\u00e3o s\u00f3 daquilo que \u00e9 voca\u00e7\u00e3o, mas olharmos esta dimens\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o de forma mais alargada e integr\u00e1-la naquilo que \u00e9 a vida da f\u00e9 e no que traz \u00e0 vida de cada um.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o falar s\u00f3 da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, porque h\u00e1 outras voca\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>Talvez a crise seja a de podermos olhar a vida como voca\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 falarmos das voca\u00e7\u00f5es, especificamente naquilo que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 vida consagrada, religiosa, mas da possibilidade da f\u00e9 trazer \u00e0 vida um olhar que olha a vida numa dimens\u00e3o vocacional.<\/p>\n<p>Toda a vida \u00e9 voca\u00e7\u00e3o. Quando eu me entendo assim, aprendo a olhar a vida como uma miss\u00e3o, e penso que \u00e9 preciso trabalhar e ajudar os jovens, sobretudo, a ter essa profundidade de olhar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria vida. E n\u00e3o sei se n\u00e3o tem havido nos \u00faltimos tempos, sobretudo nas grandes cidades &#8211; Lisboa, Porto e tamb\u00e9m Braga &#8211; algum renovar das voca\u00e7\u00f5es. Sei que no resto do pa\u00eds os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o muito animadores, em alguns s\u00edtios h\u00e1 poucos jovens no semin\u00e1rio, mas sobretudo nestes centros grandes tem havido gente a entrar para o semin\u00e1rio e p\u00f4r a quest\u00e3o vocacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, ainda sobre os n\u00fameros, porque \u00e9 preciso olhar aos recursos, eles preocupam ou n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Ser\u00e1 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o. E uma preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do nosso bispo, D. Manuel. J\u00e1 era uma preocupa\u00e7\u00e3o dos bispos anteriores. Lembro-me do cardeal Ribeiro falar disto como uma preocupa\u00e7\u00e3o: de precisar de cerca de 2.500 padres para a diocese e ter 250 e fazer essa compara\u00e7\u00e3o para se perceber a diferen\u00e7a. Talvez isto obrigue a nos envolvermos todos naquilo que \u00e9 a pastoral vocacional, a n\u00e3o acharmos que \u00e9 apenas uma coisa de especialistas, de quem est\u00e1 no departamento das voca\u00e7\u00f5es ou nos semin\u00e1rios, mas que \u00e9 alguma coisa que deve envolver toda a Igreja, todos os movimentos, as par\u00f3quias, a comunidade eclesial enquanto tal. Isto diz-nos respeito a todos, \u00e9 alguma coisa que deve preocupar a todos. Devemos rezar por isso, podemos rezar por isso, mas se calhar tamb\u00e9m somos chamados a fazer mais e a interpelar os jovens, no sentido de olharem o caminho vocacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os dados divulgados j\u00e1 este ano pela Comiss\u00e3o Episcopal das Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios apontam para uma subida do n\u00famero de alunos que frequentam os semin\u00e1rios. S\u00e3o 580, entre adolescentes, jovens e adultos, do pr\u00e9-semin\u00e1rio aos semin\u00e1rios maiores\u2026 O padre Nuno Amador est\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios anos ligado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seminaristas, primeiro em Caparide, agora nos Olivais. Onde \u00e9 que se &#8216;perdem&#8217; mais seminaristas pelo caminho?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar deixe-me dizer que n\u00e3o sei se \u2018perdem\u2019! Alguns encontram-se pelo caminho, porque o semin\u00e1rio tamb\u00e9m serve para isso, n\u00e3o s\u00f3 para as pessoas se \u2018perderem\u2019, no sentido de sa\u00edrem do semin\u00e1rio. O ideal de cada percurso seria que cada pessoa se encontrasse nesse caminho, que ao fazer o caminho do semin\u00e1rio pudesse p\u00f4r a quest\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o a s\u00e9rio &#8211; onde \u00e9 que Jesus o quer, onde \u00e9 que Ele lhe pede que d\u00ea a vida. Se esse encontro for o poder servir noutro lugar, que n\u00e3o seja dando a vida como sacerdote ministerial, ent\u00e3o isso \u00e9 um encontro com Deus, um encontro consigo pr\u00f3prio e com a sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos agora o ano proped\u00eautico, que \u00e9 um tempo de discernimento forte antes da entrada para o semin\u00e1rio dos Olivais. Este ano proped\u00eautico acontece no semin\u00e1rio de Caparide e h\u00e1 de ser um tempo de discernimento e de encontro consigo pr\u00f3prio, com Deus, com a comunidade, de p\u00f4r a s\u00e9rio esta quest\u00e3o. A\u00ed, h\u00e1 alguns que certamente tomar\u00e3o a decis\u00e3o de sa\u00edda. Depois, nos primeiros anos, sobretudo nos da \u2018etapa discipular\u2019, que s\u00e3o aqueles anos em que esta dimens\u00e3o de ser filho, de ser irm\u00e3o, mas tamb\u00e9m a dimens\u00e3o vocacional antes da passagem para uma etapa j\u00e1 configuradora, tamb\u00e9m leva a que as pessoas se ponham em causa e olhem a fundo esta quest\u00e3o, de onde \u00e9 que Jesus os quer. \u00c9 claro que at\u00e9 ao fim, at\u00e9 ao sexto ano, at\u00e9 \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao finalizar desta etapa da forma\u00e7\u00e3o inicial, h\u00e1 seminaristas que saem. Mas, penso que nos primeiros anos isso \u00e9 mais vis\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O chamamento de Deus acontece em todas as idades<\/strong><\/p>\n<p><em>A op\u00e7\u00e3o vocacional vai sendo tomada em diferentes faixas et\u00e1rias e poder\u00edamos dizer que pass\u00e1mos de um semin\u00e1rio menor, cheio de gente, a uma \u201cdecis\u00e3o maior\u201d, de quem j\u00e1 \u00e9 maior de idade e toma uma decis\u00e3o mais consolidada e mais aprofundada. Isso \u00e9 positivo, na sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Antigamente usava-se a express\u00e3o &#8211; e penso que j\u00e1 todos ouvimos falar &#8211; &#8216;voca\u00e7\u00f5es tardias&#8217;. N\u00e3o a aprecio. A voca\u00e7\u00e3o, o chamamento de Deus, acontece em todas as idades e em todas as fases da vida. De facto, o\u00a0 p\u00f4r em causa a voca\u00e7\u00e3o, no sentido de perceber o que \u00e9 que Jesus quer da vida, tem acontecido progressivamente numa etapa mais tardia da vida, a partir dos vinte, vinte e poucos anos. Tardia, comparativamente \u00e0quilo que existia antigamente. Se calhar tamb\u00e9m \u00e9 normal, porque se olharmos para o mundo em que vivemos e para o tempo em que os jovens tomam as decis\u00f5es de vida, por exemplo sobre o casamento ou o sair de casa, s\u00e3o hoje decis\u00f5es mais tardias. Parece-me normal que em rela\u00e7\u00e3o ao semin\u00e1rio, \u00e0 voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, \u00e0 vida religiosa ou \u00e0 vida consagrada, a quest\u00e3o vocacional apare\u00e7a num momento mais tardio. At\u00e9 porque muitas vezes aparece no momento em que a pessoa se reencontra com a f\u00e9 e com a comunidade eclesial e para alguns isso acontece depois de terem sa\u00eddo do ambiente paroquial ou j\u00e1 na fase universit\u00e1ria ou p\u00f3s-universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma realidade cada vez mais frequente? Faz essa experi\u00eancia no acompanhamento de jovens e grupos de jovens?<\/em><\/p>\n<p>Sim, fa\u00e7o. Com muito gosto, com muita alegria de poder acompanhar pessoas que a certa altura se deixam interpelar. A experi\u00eancia que tenho tido \u00e9 que, por exemplo, na fase universit\u00e1ria, sobretudo aqueles que arriscam e aceitam o desafio de sair de si e de ir ao encontro dos outros em campos de f\u00e9rias, miss\u00f5es universit\u00e1rias, voluntariado, a\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o, depois tamb\u00e9m d\u00e3o o passo de come\u00e7ar um caminho de intimidade com Deus, de sil\u00eancio, ora\u00e7\u00e3o, de acompanhamento espiritual e muitas outras coisas. Muitas vezes come\u00e7am a\u00ed a desenvolver esta aten\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que s\u00e3o os sinais da voca\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a nascer dentro das pessoas este desejo de aprofundar, \u00e0s vezes ainda gen\u00e9rico, sem saber que \u2018mais\u2019 \u00e9 esse, mas que a certa altura se vai concretizando em passos de discernimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o passo para uma decis\u00e3o definitiva? De que forma \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel ser dado na cultura atual, feita muitas vezes do &#8216;viver o momento&#8217;?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 dif\u00edcil fazer essa proposta aos jovens?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, se n\u00f3s n\u00e3o centrarmos tudo em n\u00f3s e naquilo que s\u00e3o as nossas capacidades. A descoberta da voca\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, \u00e9 a descoberta da amizade com algu\u00e9m, de uma hist\u00f3ria de amor com algu\u00e9m que nos chama essa hist\u00f3ria. Depois h\u00e1 de ser tamb\u00e9m a descoberta de que o caminho vocacional n\u00e3o se centra apenas nos nossos dotes, nas nossas aptid\u00f5es e capacidades, mas se centra pondo\u00a0 aquilo que n\u00f3s temos e somos a render, a ser capacitado. Centra-se na gra\u00e7a e na for\u00e7a de um Outro que nos acompanha e caminha connosco. Ou seja, <strong>quando Deus chama, acompanha aquele que chama, est\u00e1 com aquele que chama. Se pusemos o acento nisso, ent\u00e3o ser\u00e1 mais f\u00e1cil perceber que eu n\u00e3o tenho de fazer tudo depender de mim, nem das minhas capacidades e for\u00e7as.<\/strong>Se, pelo contr\u00e1rio, tudo incidir sobre a for\u00e7a pessoal, parece-me mais dif\u00edcil, porque a decis\u00e3o de um &#8216;para sempre&#8217;, a decis\u00e3o do arriscar a vida, aparece como alguma coisa que, de facto, mete medo, para a qual n\u00e3o nos sentimos nem dignos, nem capacitados. E isso \u00e9 verdade, nunca seremos dignos nem capazes de uma coisa t\u00e3o grande como a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, a n\u00e3o ser que seja no horizonte da alian\u00e7a com Deus e da intimidade com Ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o nos semin\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p><em>O S\u00ednodo dos Bispos sobre os jovens e o discernimento vocacional inaugurou uma nova fase na abordagem deste tema das voca\u00e7\u00f5es? O que \u00e9 que j\u00e1 mudou na forma\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos anos?<\/em><\/p>\n<p>Aqui em Lisboa houve algumas mudan\u00e7as, at\u00e9 muito objetivas, n\u00e3o s\u00f3 a partir do S\u00ednodo dos Bispos, mas tamb\u00e9m da \u2018Ratio Fundamentalis&#8217; para os semin\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O decreto orientador para a forma\u00e7\u00e3o dos padres&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Antigamente t\u00ednhamos os alunos do semin\u00e1rio em duas casas. Faziam os tr\u00eas primeiros anos &#8211; proped\u00eautico, 1\u00ba e 2\u00ba ano &#8211; no semin\u00e1rio de S. Jos\u00e9 de Caparide e depois entravam para os Olivais. Neste momento temos um tempo proped\u00eautico, que tem uma din\u00e2mica pr\u00f3pria, diferente do resto do tempo de semin\u00e1rio, e s\u00f3 depois a entrada para o semin\u00e1rio. Esta foi uma mudan\u00e7a objetiva. Temos neste momento os seis anos juntos no Semin\u00e1rio dos Olivais, com uma equipa de oito padres formadores, e penso que a pouco e pouco tamb\u00e9m se v\u00e3o dando passos ao n\u00edvel da pastoral vocacional&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa foi uma mudan\u00e7a j\u00e1 resultante deste documento, que \u00e9 de 2016, \u00e9 recente.<\/em><\/p>\n<p>Mas, j\u00e1 vinha a ser pensada. J\u00e1 v\u00ednhamos a fazer um trabalho de pensar os semin\u00e1rios, com o senhor patriarca, e de poder olhar a realidade que t\u00ednhamos e projetar a realidade para a frente. Este documento, de facto, vai ao encontro disso, com algumas orienta\u00e7\u00f5es muito concretas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referiu oito padres formadores nos Olivais. N\u00e3o devia haver mais leigos a dar forma\u00e7\u00e3o aos seminaristas?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 leigos a dar forma\u00e7\u00e3o. Na Universidade Cat\u00f3lica, onde os seminaristas fazem o estudo da filosofia e o mestrado integrado em Teologia, h\u00e1 padres e leigos como professores da faculdade, por isso, participaram tamb\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o dos seminaristas. Depois, em particular no 6\u00ba ano, que \u00e9 um ano pastoral, as disciplinas s\u00e3o pensadas para os seminaristas que est\u00e3o j\u00e1 nesta fase de passagem, de acabar a etapa configuradora e entrar numa etapa de s\u00edntese pastoral e a\u00ed tamb\u00e9m h\u00e1 bastantes leigos empenhados na forma\u00e7\u00e3o dos futuros padres, n\u00e3o s\u00f3 de forma pontual, mas alguns at\u00e9 com disciplinas anuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O semin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um aqu\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><em>At\u00e9 que ponto podemos dizer que os semin\u00e1rios s\u00e3o uma redoma para os seminaristas? Est\u00e3o a ser preparados para o embate depois com a realidade fora do semin\u00e1rio e no interior das comunidades?<\/em><\/p>\n<p>Bem, o semin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um aqu\u00e1rio, ainda que, de facto, o embate com a realidade seja muito diferente daquilo que n\u00f3s idealizamos da pr\u00f3pria realidade, sempre.<\/p>\n<p>Os seminaristas progressivamente v\u00e3o tendo uma inser\u00e7\u00e3o pastoral. Aos domingos n\u00e3o temos missa no semin\u00e1rio, temos \u00e0 tarde a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e as v\u00e9speras comunit\u00e1rias, \u00e9 o tempo de regressarmos a casa, mas os seminaristas do 1\u00ba ano saem com o prefeito para visitarem par\u00f3quias, comunidades eclesiais, participarem em atividades de jovens pela diocese fora, com o intuito de conhecerem a pr\u00f3pria diocese e as suas realidades.<\/p>\n<p>Os do 2\u00ba ano, metade tem trabalhos fixos no Hospital de Santa Maria, onde t\u00eam contacto com a fragilidade humana, com as pessoas que est\u00e3o no hospital, na visita aos doentes, no levar da comunh\u00e3o aos doentes, e est\u00e3o l\u00e1 ao domingo de manh\u00e3. A outra metade est\u00e1 nas irm\u00e3s da Caridade, em Chelas, e fazem um trabalho tamb\u00e9m de voluntariado, participando na celebra\u00e7\u00e3o dominical na par\u00f3quia de S. Maximiliano Kolbe. Os outros seminaristas, do 3\u00ba, 4\u00ba, 5\u00ba e 6\u00ba, t\u00eam trabalhos pastorais nas par\u00f3quias, ou no pr\u00e9-semin\u00e1rio, e v\u00e3o fazendo progressivamente uma inser\u00e7\u00e3o pastoral. Penso que \u00e9 uma forma de conhecermos a realidade concreta das par\u00f3quias e da Igreja.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui uma outra dimens\u00e3o que tem a ver com a dimens\u00e3o intelectual, cultural, que \u00e9 a possibilidade de, no semin\u00e1rio, tamb\u00e9m se trabalhar a abertura \u00e0quilo que \u00e9 a realidade \u00e0 nossa volta, de termos os olhos abertos e despertos para o que nos envolve, para o que se passa no mundo, para a vida real das pessoas, que tamb\u00e9m \u00e9 a nossa, mas que \u00e0s vezes, por estarmos a viver uma vida interna numa comunidade, nos pode passar despercebida. \u00c9 um trabalho que n\u00e3o est\u00e1 nunca acabado e para o qual tentamos sensibilizar tamb\u00e9m os seminaristas, para esta abertura cultural, para podermos entender o mundo onde vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ser padre, hoje<\/strong><\/p>\n<p><em>No mundo em que vivemos, o que \u00e9 que significa ser padre hoje, ser um l\u00edder religioso cat\u00f3lico?<\/em><\/p>\n<p>Penso que significa hoje aquilo que significou sempre: ser padre \u00e9 poder ser a presen\u00e7a concreta de Jesus, pastor no meio do seu povo, chamado a cuidar daqueles que j\u00e1 est\u00e3o dentro na Igreja, mas tamb\u00e9m \u2013 hoje muito, mas sempre foi assim &#8211; com a miss\u00e3o de poder ser aquele que vai para fora das fronteiras, para poder chegar a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Noutra perspetiva, quando \u00e9 que a sociedade reclama a presen\u00e7a do padre? Para que \u00e9 que um padre \u00e9 preciso na sociedade atual, em que circunst\u00e2ncias?<\/em><\/p>\n<p>Da minha experi\u00eancia como sacerdote, penso que os momentos da vida das pessoas, os momentos importantes e os momentos limite da vida, s\u00e3o aqueles que mais pedem a presen\u00e7a do sacerdote, sobretudo os que est\u00e3o mais fora da realidade eclesial. Mas, tem sido uma grande gra\u00e7a, um dom muito grande, um dom imenso, acompanhar os universit\u00e1rios, os jovens e os casais, pares de namorados, na prepara\u00e7\u00e3o para o casamento, casais jovens que pedem a presen\u00e7a do padre como acompanhador das suas vidas. Ou seja, algu\u00e9m que est\u00e1 e os acompanha&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como o Papa pede na Exorta\u00e7\u00e3o &#8216;Cristo Vive&#8217;?<\/em><\/p>\n<p>Sim, de certa maneira penso que \u00e9 isso que as pessoas pedem ao padre, n\u00e3o que as substitua na sua vida da f\u00e9 e no caminho que precisam de fazer, mas algu\u00e9m que as anima no caminho da f\u00e9 e as acompanha nesse caminho, que as anima nas suas buscas. Porque a vida traz buscas pessoais e \u00e0s vezes os momentos limite s\u00e3o esses momentos de busca e de busca intensa. Mas, mesmo quando n\u00e3o acontece num momento limite, a vida \u00e9 isso, \u00e9 procura, \u00e9 busca, e \u00e0s vezes \u00e9 preciso ajudar a catalisar, dar \u00e2nimo para que a busca aconte\u00e7a. Depois, essa dimens\u00e3o do acompanhamento, as pessoas pedirem tamb\u00e9m que os sacerdotes sejam pr\u00f3ximos e sejam express\u00e3o de uma proximidade de Deus.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney, o Santo cura d&#8217;Ars, dizia que &#8216;o sacerd\u00f3cio \u00e9 o amor do cora\u00e7\u00e3o de Jesus&#8217;. E \u00e9 isso que as pessoas pedem: uma presen\u00e7a pr\u00f3xima, que seja manifesta\u00e7\u00e3o desse amor de Deus tamb\u00e9m para elas, em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Movimentos na Pastoral Vocacional<\/strong><\/p>\n<p><em>Que import\u00e2ncia t\u00eam os diversos movimentos da Igreja que existem no apelo vocacional dos jovens?<\/em><\/p>\n<p>T\u00eam uma import\u00e2ncia grande. \u00c9 claro que a voca\u00e7\u00e3o e o apelo vocacional, como dizia h\u00e1 pouco, deve ser alguma coisa que interessa, que interpela e que envolve toda a comunidade eclesial.<\/p>\n<p>A realidade dos movimentos traz aos jovens muitas vezes aquela experi\u00eancia do encontro, da intimidade com Jesus e da vida em Igreja, que \u00e9 tamb\u00e9m o terreno essencial para o desabrochar e para o desenvolvimento da voca\u00e7\u00e3o. Mas isso tamb\u00e9m pode acontecer, e acontece, nas par\u00f3quias e em todas as realidades eclesiais. Os movimentos, dando a possibilidade da experi\u00eancia forte do encontro com Deus e com os outros, de facto, t\u00eam uma base, um substrato essencial a esse desabrochar da voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem havido experi\u00eancias particularmente interessantes, como a \u2018Miss\u00e3o Pa\u00eds\u2019 e os N\u00facleos Cat\u00f3licos, que v\u00e3o crescendo em v\u00e1rias faculdades. S\u00e3o experi\u00eancias importantes?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o e s\u00e3o complementares, essas duas em espec\u00edfico. Uma das coisas que a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Papa Francisco aos jovens &#8216;Cristo Vive&#8217; diz \u00e9 que n\u00e3o basta suscitar nos jovens o encontro com Cristo, no sentido: fazemos um encontro, fazemos uma miss\u00e3o, fazemos um tempo forte de encontro com Jesus, isso deixa uma chama no cora\u00e7\u00e3o da pessoa, deixa um desejo de seguimento, um desejo de mais, mas depois \u00e9 preciso dar continuidade a isso. E isso exige um processo, um caminho, n\u00e3o se faz s\u00f3 no momento.<\/p>\n<p>Creio que a experi\u00eancia da \u2018Miss\u00e3o Pa\u00eds\u2019, e depois a experi\u00eancia dos N\u00facleos, mas tamb\u00e9m dos movimentos, da vida paroquial, pode ser muito complementar nestes aspetos.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o \u2018Miss\u00e3o Pa\u00eds\u2019 desde 2009, 2010, e a experi\u00eancia que tenho \u00e9 que para muitos jovens \u00e9 uma experi\u00eancia muito forte, de encontro consigo pr\u00f3prios, com Deus e com os outros, onde h\u00e1 uma quest\u00e3o que muda na vida, n\u00e3o s\u00f3 a quest\u00e3o da identidade, \u2018quem \u00e9 que eu sou?&#8217;, mas do &#8216;para quem \u00e9 que eu sou?&#8217;. Ou seja, na experi\u00eancia do servi\u00e7o, da perten\u00e7a, abre-se um horizonte novo de vida, que faz com que a pessoa se interpele acerca da f\u00e9 e acerca da voca\u00e7\u00e3o no horizonte da f\u00e9. Depois \u00e9 preciso dar continuidade a isso, e penso que os N\u00facleos Cat\u00f3licos, de certa maneira, e em alguns casos, t\u00eam sido o espa\u00e7o da continuidade disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JMJ 2022 e o despertar vocacional<\/strong><\/p>\n<p><em>Que expectativa tem para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) neste setor vocacional e de compromisso dos jovens, n\u00e3o s\u00f3 com voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o, mas com a voca\u00e7\u00e3o batismal?<\/em><\/p>\n<p>Eu gostava de sintonizar com a expectativa que Deus tem para esta JMJ e que deve ser certamente muito grande!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas a JMJ pode dar um novo impulso \u00e0s voca\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Penso que ser\u00e1 muito bom, n\u00e3o s\u00f3 naquilo que acontecer\u00e1 naquela semana, ou no tempo mais pr\u00f3ximo da Jornada que, como sabemos, \u00e9 um tempo muito forte para os jovens que nele participam, mas creio que para n\u00f3s aqui, em Lisboa em particular, todo este caminho de prepara\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 que acontecer pode ser um momento muito f\u00e9rtil para voltar a dinamizar os jovens, fazer um trabalho de comunh\u00e3o e de conjunto,\u00a0 trabalhar a unidade. E isso certamente tamb\u00e9m dar\u00e1 frutos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 a possibilidade de muitos se perguntarem sobre a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 claro que o momento ser\u00e1 fundamental, suscitar\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de alguns, como j\u00e1 aconteceu em v\u00e1rias Jornadas, jovens sentirem-se interpelados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 voca\u00e7\u00e3o. Mas creio que a prepara\u00e7\u00e3o das Jornadas &#8211; que j\u00e1 est\u00e1 a acontecer, mas que se intensificar\u00e1 cada vez mais &#8211; , tamb\u00e9m h\u00e1 de ser um momento muito importante para podermos dinamizar a pastoral juvenil, a pastoral vocacional, a pastoral universit\u00e1ria tamb\u00e9m, no sentido de, em conjunto e em caminho, nos interpelarmos sobre o que \u00e9 que Deus quer de n\u00f3s: o que \u00e9 que Deus quer para a Jornada, mas o que \u00e9 que, a partir deste caminho, Deus quer para cada um.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-142260-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Padre-Nuno-Amador_Entrevista-RR_Ecclesia.mp3?_=1\" \/><a 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