{"id":141760,"date":"2019-07-02T16:35:55","date_gmt":"2019-07-02T15:35:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=141760"},"modified":"2019-07-02T16:35:55","modified_gmt":"2019-07-02T15:35:55","slug":"a-cruz-escondida-61","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-61\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Frans der Lugt assassinado em 2014 em casa, na cidade de Homs<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-141761 size-medium alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/PadreFransderLugt.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Um homem bom<\/strong><\/h3>\n<p>Tinha 75 anos e vivia na S\u00edria h\u00e1 tanto tempo que na cidade de Homs quase ningu\u00e9m se lembrava que o Pe. Frans era holand\u00eas. Homem de paz, defensor dos mais fracos e humildes, o Pe. Frans n\u00e3o resistiu \u00e0s duas balas disparadas cobardemente contra si em Abril de 2014. No entanto, a sua mem\u00f3ria permanece viva e o seu t\u00famulo transformou-se em ponto de encontro, em lugar de ora\u00e7\u00e3o. A morte n\u00e3o teve a \u00faltima palavra.<\/p>\n<p>Foi assassinado no dia 7 de Abril de 2014, no jardim em frente \u00e0 resid\u00eancia dos jesu\u00edtas, em Homs, na S\u00edria. Foi com incredulidade que se soube da not\u00edcia do seu assassinato brutal. O Pe. Frans van der Lugt era um homem bom. Isso bastava para o definir. Era bom, procurava ajudar os mais pobres e necessitados, e tinha sempre a porta de sua casa aberta a todos. E todos o estimavam: cat\u00f3licos, ortodoxos, mu\u00e7ulmanos. A sua figura alta, fr\u00e1gil, ligeiramente encurvado, o sorriso com que recebia os que batiam \u00e0 porta de sua casa, faziam dele um amigo, um homem de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o. Foi com incredulidade e raiva que se soube da not\u00edcia da sua morte. Era ainda manh\u00e3 quando bateram \u00e0 porta da sua casa, em Homs. Arrastado para fora da resid\u00eancia, o Pe. Frans foi espancado e depois assassinado a tiro. Dispararam duas vezes para confirmar que estava mesmo morto. No ano de 2014 a guerra j\u00e1 tinha transformado a S\u00edria num lugar infernal. Homs era o espelho da destrui\u00e7\u00e3o e da desesperan\u00e7a de todo o pa\u00eds. Bairros inteiros jaziam em escombros e n\u00e3o havia sinais de que os combates iriam abrandar de ferocidade. As cidades, vilas e aldeias esvaziavam-se. As pessoas fugiam para salvar a pr\u00f3pria vida. O Pe. Frans ficou. Mesmo quando todos lhe diziam que era mais prudente partir. O Pe. Frans nasceu na Holanda. Depois de uma breve passagem pelo L\u00edbano, assentou arraiais na S\u00edria em 1966, passando os \u00faltimos anos numa constante luta em defesa das popula\u00e7\u00f5es de Homs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Socorrer pessoas<\/strong><\/h3>\n<p>Com a viol\u00eancia insana da guerra a deixar marcas profundas vis\u00edveis nas ru\u00ednas das casas e no sofrimento das pessoas, o Pe. Frans n\u00e3o tinha descanso. Era preciso acabar com a guerra, era preciso socorrer as popula\u00e7\u00f5es. O Pe. Frans n\u00e3o descansava na urg\u00eancia de acudir os que viviam encurralados em bairros, em ruas, em casas onde tudo faltava\u2026 alimentos, rem\u00e9dios, \u00e1gua e luz. Foi com incredulidade que se soube da not\u00edcia do assassinato brutal do Pe. Frans. O Papa Francisco disse-o. Evocando o confrade jesu\u00edta holand\u00eas de 75 anos, o Santo Padre lembrou que ele \u201cera amado e estimado por crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos\u201d, e que durante as d\u00e9cadas de vida e de miss\u00e3o na S\u00edria \u201csempre fez o bem a todos, com gratuidade e amor\u201d. Em Abril deste ano, quando se assinalaram cinco anos do assassinato, uma pequena delega\u00e7\u00e3o de sacerdotes jesu\u00edtas, que incluiu o Superior Geral, Pe. Arturo Sosa, esteve em Homs para uma homenagem ao Pe. Frans van der Lugt. Foi uma homenagem ao m\u00e1rtir cuja causa de beatifica\u00e7\u00e3o vai fazendo o seu caminho. Em vida, o Pe. Frans ergueu a sua voz na defesa dos mais necessitados, de todas as pessoas que foram v\u00edtimas dos algozes jihadistas que decidiam, com a arrog\u00e2ncia da for\u00e7a das armas, como as popula\u00e7\u00f5es haveriam de se vestir, de comer, de rezar, de se comportar. O Pe. Frans foi assassinado, mas a causa da liberdade que sempre defendeu ficou mais forte com o seu exemplo. Homem de paz, defensor dos mais fracos e dos humildes, o Pe. Frans n\u00e3o resistiu \u00e0s duas balas disparadas cobardemente contra si, mas a sua mem\u00f3ria permanece viva e o seu t\u00famulo transformou-se mesmo em ponto de encontro, em lugar de ora\u00e7\u00e3o. A morte n\u00e3o teve a \u00faltima palavra.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | <a href=\"www.fundacao-ais.pt\">www.fundacao-ais.pt<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Frans der Lugt assassinado em 2014 em casa, na cidade de Homs<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-141760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}