{"id":141578,"date":"2019-07-01T10:30:25","date_gmt":"2019-07-01T09:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=141578"},"modified":"2019-07-01T10:30:25","modified_gmt":"2019-07-01T09:30:25","slug":"parar-o-antidoto-para-a-vida-frenetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/parar-o-antidoto-para-a-vida-frenetica\/","title":{"rendered":"Parar: o ant\u00eddoto para a vida fren\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u201cP\u00e1ra para pensar!\u201d &#8211; uma recomenda\u00e7\u00e3o s\u00e1bia de todos os tempos, mas n\u00e3o fazia a ideia de que <em>parar<\/em> pudesse ir muito al\u00e9m de pensar, e ser um verdadeiro ant\u00eddoto para o mundo acelerado em que vivemos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_141579\" aria-describedby=\"caption-attachment-141579\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-141579 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mundo_acelerado.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-141579\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Robbin Pierre em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o psicoterapeuta americano David Kundtz<\/p>\n<blockquote><p>\u201d<strong>Parar<\/strong> \u00e9 nada fazer tanto quanto poss\u00edvel, por um determinado per\u00edodo de tempo (desde um segundo a um m\u00eas) com o prop\u00f3sito de nos tornarmos mais despertos e lembrar quem somos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>No mundo acelerado em que vivemos, cada coisa que aumenta a velocidade dos acontecimentos da nossa vida \u00e9 uma pedra que vamos amontoando e, num determinado momento da nossa hist\u00f3ria, esse monte de pedras acaba por se tornar na Montanha do Demasiado. E da\u00ed adv\u00e9m a impress\u00e3o de termos <em>demasiadas<\/em> coisas para fazer, para atender, prazos a cumprir, de tal modo que o tempo &#8211; recurso finito &#8211; come\u00e7a a escassear e a vida n\u00e3o tem o mesmo sabor.<\/p>\n<p>\u00c9 como se nos mov\u00eassemos pela vida sem a <em>experimentar<\/em> realmente.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dEu tenho uma vida cheia e muito ocupada e, ocasionalmente, perguntam-me &#8211; \u2018Scotty, como consegues fazer tudo o que fazes?\u2019 &#8211; A resposta mais clara que dou \u00e9 &#8211; \u2018Porque gasto, pelo menos, duas horas por dia a n\u00e3o fazer nada.\u201d (M. Scott Peck, psiquiatra americano, 1936-2005)<\/p><\/blockquote>\n<p><em>Parar<\/em>, nada fazendo, acaba por ser algo muito importante porque deixamos que a vida aconte\u00e7a, levando a estarmos mais atentos a cada momento que vivemos, em vez de tudo nos passar ao lado. \u00c9 viver o tempo de <em>ser<\/em>, sem o restringir ao que temos para <em>fazer.<\/em><\/p>\n<blockquote><p>\u201d\u00c9 bom ter uma meta para a qual caminhamos, mas o caminho \u00e9 a meta.\u201d (Ursula LeGuin, escritora)<\/p><\/blockquote>\n<p>Podemos ter a sensa\u00e7\u00e3o de que <em>parar<\/em> \u00e9 uma perda de tempo, mas n\u00e3o ser\u00e1 o contr\u00e1rio? Quando tudo acontece \u00e0 velocidade da rede, parar, nem que seja por um minuto apenas, pode tornar-se no tempo mais significativo da nossa vida.<\/p>\n<p>O problema da acelera\u00e7\u00e3o a 4G que em breve passar\u00e1 a 5G, \u00e9 o de sobrevoar sobre tudo, sem parar sobre nada. Logo, aumenta a tend\u00eancia para a superficialidade, ou seja, deixarmos de pensar nas coisas profundas que trazem significado e valor \u00e0 nossa vida para dar lugar ao <em>pensamento-do-momento<\/em>, aquele que produz uma gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea atrav\u00e9s de um Like, ou emoji. Sinais &#8211; penso &#8211; de uma reac\u00e7\u00e3o que se traduz numa mensagem superficial onde as palavras perdem gradualmente o seu valor.<\/p>\n<p><em>Parar<\/em> \u00e9 dar espa\u00e7o para viver o tempo. O tempo que temos no momento presente. Tempo para a mem\u00f3ria, a consci\u00eancia e a contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro-me de em jovem passar muito tempo em adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo. Nada fazia sen\u00e3o gozar da simples presen\u00e7a silenciosa de Deus comigo. N\u00e3o tenho d\u00favidas da import\u00e2ncia daqueles momentos em que confiava a minha interioridade a Deus. Quantas emo\u00e7\u00f5es se resolviam, ou preocupa\u00e7\u00f5es se desvaneciam.<\/p>\n<p><em>\u201dN\u00e3o tenho vagar para isso!\u201d<\/em> &#8211; mas n\u00e3o \u00e9 <em>devagar<\/em> que se vai ao longe? Quando paramos, desaceleramos e come\u00e7amos a notar os pequenos e importantes detalhes que podem fazer toda a diferen\u00e7a na nossa vida. Enquanto a <em>lentid\u00e3o<\/em> permite lembrar, a velocidade leva a esquecer.<\/p>\n<figure id=\"attachment_141580\" aria-describedby=\"caption-attachment-141580\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-141580 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parar.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-141580\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Josh Calabrese em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Parar<\/em> \u00e9 um acto de contempla\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neo porque nos prepara para acolher a Vontade de Deus no momento presente que se arrisca a passar ao lado quando aceleramos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dO todo da vida reside no verbo <strong>ver<\/strong>.\u201d (P. Teilhard de Chardin SJ)<\/p><\/blockquote>\n<p>Quando paramos, notamos melhor os detalhes da nossa vida, mas tamb\u00e9m come\u00e7amos a dar mais valor ao espa\u00e7os vazios que antes pareciam invis\u00edveis diante da massa imensa de coisas que temos para fazer.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dLido com as notas como muitos pianistas. Mas as pausas entre as notas &#8211; ah, \u00e9 a\u00ed que reside a arte!\u201d (Artur Schnabel, pianista)<\/p><\/blockquote>\n<p><em>Parar<\/em> \u00e9 come\u00e7ar a <em>ver<\/em> os espa\u00e7os entre as notas e transform\u00e1-los em momentos de mem\u00f3ria e maior tomada de consci\u00eancia daquilo que pode mudar a nossa vida para a vivermos realmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso muito para come\u00e7ar a experimentar mais e melhor a vida. Basta <em>parar<\/em> durante um minuto. Experimenta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-141578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}