{"id":14132,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/eucaristia-centro-e-fonte-de-vida-crista\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"eucaristia-centro-e-fonte-de-vida-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eucaristia-centro-e-fonte-de-vida-crista\/","title":{"rendered":"Eucaristia &#8211; centro e fonte de vida crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do Bispo de Santar\u00e9m  <!--more--> <i>P\u00f4r-se a caminho<\/i> Come\u00e7ar um novo ano pastoral \u00e9 avan\u00e7ar para uma nova etapa que implica crescimento tanto a n\u00edvel pessoal como a n\u00edvel da comunidade. A f\u00e9 projecta os crentes para um percurso que avan\u00e7a para o futuro de Deus que \u00e9 o Reino da paz, da santidade e do amor. Como os Magos guiados por uma estrela se puseram a caminho \u00e0 procura do Messias, tamb\u00e9m os crentes s\u00e3o peregrinos que buscam a novidade e a beleza de Deus numa atitude de abertura ao futuro, rica de esperan\u00e7a e de responsabilidade. Vimos essa procura nos jovens que, em Agosto, peregrinaram at\u00e9 Col\u00f3nia. &#8220;Procurar Cristo deve ser o incessante anseio dos crentes, dos jovens e dos adultos, dos fi\u00e9is e dos seus pastores. Esta busca deve ser encorajada, apoiada e guiada&#8221;, comentou Bento XVI referindo-se \u00e0s jornadas mundiais da juventude. Vamos iniciar o novo ano pastoral seguindo este apelo para procurar Cristo como caminho para uma exist\u00eancia plena, livre, irradiante e como fonte de uma Igreja viva e empenhada na miss\u00e3o.  Desde as origens, o cristianismo \u00e9 entendido como &#8220;o caminho do Senhor&#8221;. No in\u00edcio de cada ano somos convidados a retomar o caminho com nova frescura e energia. O fundamento da nossa esperan\u00e7a \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que guia a Igreja e renova todas as coisas, incluindo o cora\u00e7\u00e3o do homem. Que o Esp\u00edrito nos d\u00ea for\u00e7a para colaborarmos com renovada esperan\u00e7a na miss\u00e3o da Igreja.  A carta que escrevo no come\u00e7o de cada ano pastoral procura ser uma ajuda para este crescimento cont\u00ednuo da vida crist\u00e3 eclesial e pessoal. Indico, nesse sentido, algumas orienta\u00e7\u00f5es e prioridades em ordem a criar um projecto pastoral comum para a Diocese que seja express\u00e3o e est\u00edmulo da comunh\u00e3o e da miss\u00e3o eclesial.  <b>Continua\u00e7\u00e3o do plano diocesano<\/b> Cada ano tem um contexto pr\u00f3prio o\u00adnde vamos colher as linhas de for\u00e7a para o programa anual. Como ponto de partida situamo-nos, este ano, antes de mais, na continuidade do plano pastoral da Diocese, definido ap\u00f3s o Jubileu dos dois mil anos da Encarna\u00e7\u00e3o que coincidiu com os vinte e cinco anos da Diocese de Santar\u00e9m. Seguindo o \u00edcone de Ema\u00fas, propusemo-nos tamb\u00e9m procurar &#8220;Jesus Cristo vivo na Igreja pela palavra e pelos sacramentos&#8221;. Fizemos uma primeira etapa durante tr\u00eas anos, cultivando a &#8220;lectio divina&#8221; como pedagogia para a leitura meditada e rezada da Palavra de Deus. Estamos na segunda etapa seguindo o lema &#8220;Das fontes da salva\u00e7\u00e3o saciai-vos na alegria&#8221;, dedicada ao reconhecimento do Senhor na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e dos sacramentos. Neste itiner\u00e1rio, o ano pastoral ser\u00e1 orientado para o sacramento da Eucaristia e para os sacramentos do servi\u00e7o (Matrim\u00f3nio e Ordem). \u00c9 sempre enriquecedor reler estes planos para situarmos e compreendermos melhor a proposta para o ano de 2005-2006.  <b>Ano da Eucaristia<\/b> Outra fonte de inspira\u00e7\u00e3o do programa pastoral s\u00e3o as propostas do Magist\u00e9rio para a Igreja universal. Estamos a concluir o ano dedicado \u00e0 Eucaristia. Ter\u00e1 a sua coroa no S\u00ednodo do pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro para continuar e dar frutos no futuro. Podemos considerar o ano da Eucaristia como o testamento do saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II. Na abund\u00e2ncia e riqueza de documentos que publicou, \u00e9 significativo que os \u00faltimos tenham sido sobre a Eucaristia. O \u00faltimo mesmo, assinado j\u00e1 no final da sua exist\u00eancia, na policl\u00ednica Gemelli, foi a &#8220;Carta aos sacerdotes na quinta-feira santa de 2005&#8221; sobre a espiritualidade do sacerd\u00f3cio configurada pela Eucaristia. Em 7 de Outubro de 2004 havia dirigido \u00e0 Igreja a Carta Apost\u00f3lica &#8220;Permanece connosco Senhor&#8221;. Como o t\u00edtulo indica, fundamenta-se no convite que os disc\u00edpulos de Ema\u00fas fazem ao Senhor para nos orientar na viv\u00eancia do ano da Eucaristia. \u00c9, de facto, neste sacramento que se cumpre de modo supremo a promessa de Cristo de permanecer sempre connosco. Em 2003, Jo\u00e3o Paulo II havia apresentado \u00e0 Igreja outros escritos sobre a Eucaristia: &#8220;Ecclesia de Eucharistia&#8221; na quinta-feira santa desse ano e uma carta sobre os quarenta anos da renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do Vaticano II em 4 de Dezembro, designada &#8220;Spiritus et Sponsa&#8221;. No Pentecostes de 1998 havia publicado outro valioso documento sobre o Dia do Senhor (&#8220;Dies Domini&#8221;).  Notamos assim, claramente, como a reflex\u00e3o do venerado Papa Jo\u00e3o Paulo II sobre o mist\u00e9rio da Eucaristia foi uma preocupa\u00e7\u00e3o constante e priorit\u00e1ria no seu magist\u00e9rio de pastor universal da Igreja. Sempre a Eucaristia esteve no centro da vida da Igreja (cf MND 3). Mas, actualmente, devido a algum relativismo sobre esta fonte da vida crist\u00e3, torna-se necess\u00e1rio insistir e esclarecer esta centralidade.  A Missa oferece um projecto de transcend\u00eancia \u00e0 vida humana chamada \u00e0 comunh\u00e3o com Deus e \u00e0 fraternidade. A Eucaristia \u00e9, assim, tamb\u00e9m, fonte e projecto para a miss\u00e3o dos crist\u00e3os no mundo. N\u00e3o s\u00f3 envia ao mundo mas &#8220;exprime valores, inspira atitudes e suscita prop\u00f3sitos de vida&#8221; que s\u00e3o uma proposta de vida e de sociedade para irradiar no mundo (cf MND 25).  <b>Trinta anos da Diocese<\/b> Este ano temos outra efem\u00e9ride que n\u00e3o pode estar ausente e deixar de influenciar o programa pastoral: a celebra\u00e7\u00e3o dos trinta anos da cria\u00e7\u00e3o da Diocese, bem como dos quarenta do Conc\u00edlio. Santar\u00e9m \u00e9 uma Diocese que nasce da eclesiologia conciliar, o que constitui um desafio a revestir um rosto fiel \u00e0 renova\u00e7\u00e3o do Vaticano II que destaca a comunh\u00e3o e a miss\u00e3o como notas dominantes da Igreja de Jesus Cristo. A nossa Diocese inicia, de facto, o seu percurso em 16 de Julho de 1975 sob o signo do Conc\u00edlio e da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8220;Evangelii Nuntiandi&#8221;. Crescer na comunh\u00e3o e na miss\u00e3o s\u00e3o, pois, duas direc\u00e7\u00f5es que decorrem desta mem\u00f3ria hist\u00f3rica e que est\u00e3o em conson\u00e2ncia com a Eucaristia, sacramento da comunh\u00e3o e da miss\u00e3o.  Neste contexto destaco tr\u00eas linhas de for\u00e7a para o ano 2005-2006:  a)- sacramentalidade da Palavra de Deus;  b)- Eucaristia, fonte e \u00e1pice de vida crist\u00e3; c)- Da Missa \u00e0 miss\u00e3o.  1. Sacramentalidade da Palavra de Deus No primeiro tri\u00e9nio deste plano procur\u00e1mos aprofundar o conhecimento da Sagrada Escritura e cultivar a atitude de escuta da Palavra de Deus. &#8220;Nos livros sagrados o Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us vem ao encontro dos seus filhos para conversar cm eles&#8221; (DV 21). Por isso, a B\u00edblia n\u00e3o \u00e9 apenas um livro sagrado para ler e conhecer. Atrav\u00e9s da leitura do texto sagrado, Deus dirige-se \u00e0queles que escutam agora. A Sua Palavra, pela luz do Esp\u00edrito Santo que a inspirou, \u00e9 uma palavra sempre actual, dirigida a n\u00f3s hoje, com significado para a nossa vida quotidiana. Mais ainda: n\u00e3o \u00e9 apenas uma mensagem com interesse, um recado de Deus que chega at\u00e9 n\u00f3s. A Sua Palavra \u00e9 sinal e instrumento da Sua presen\u00e7a. Como sucedeu com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, tamb\u00e9m connosco Jesus se torna companheiro de jornada, interpreta os acontecimentos da nossa vida \u00e0 luz da Escritura, aquece o nosso cora\u00e7\u00e3o, alimenta a nossa f\u00e9 e faz renascer a esperan\u00e7a. A Palavra da Escritura, escutada no contexto da f\u00e9, torna-se Palavra viva e presen\u00e7a sacramental. Deve, portanto, ser lida como Palavra divina (&#8220;lectio divina&#8221;). Palavra e sacramento completam-se e formam uma unidade como verificamos \u00e0 luz do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o. O Verbo, palavra e express\u00e3o eterna de Deus, encarnou e habitou no meio de n\u00f3s. Pela Encarna\u00e7\u00e3o, a Palavra adquire corporeidade, torna-se vis\u00edvel e palp\u00e1vel na pessoa hist\u00f3rica de Jesus de Nazar\u00e9. &#8220;O Verbo encarnou&#8230; e n\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria&#8221; (Jo 1,14). A Palavra conduz ao sacramento, como no \u00edcone de Ema\u00fas a explica\u00e7\u00e3o das Escrituras prepara para o encontro com a pessoa do Senhor Ressuscitado na Eucaristia. Os disc\u00edpulos v\u00eaem o Senhor na &#8220;Frac\u00e7\u00e3o do P\u00e3o&#8221; porque primeiramente O escutaram e Ele lhes aqueceu o cora\u00e7\u00e3o. A Palavra permite-nos percorrer o caminho da f\u00e9 para o reconhecimento sacramental de Cristo. Sem este conhecimento, sem esta escuta das Escrituras no itiner\u00e1rio de f\u00e9 de Ema\u00fas, que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o do itiner\u00e1rio de f\u00e9 da catequese, os disc\u00edpulos n\u00e3o estavam preparados para o encontro sacramental com o Senhor Ressuscitado. Ainda hoje Jesus vem ao nosso encontro e alimenta a nossa f\u00e9 em duas mesas: na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia. As duas completam-se e fazem uma unidade que tem o seu fundamento no pr\u00f3prio mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o em que Jesus \u00e9 a Palavra que ilumina e o P\u00e3o do C\u00e9u que alimenta. A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u00e9, assim, o momento culminante do itiner\u00e1rio de crescimento na f\u00e9. A centralidade da Eucaristia n\u00e3o tira a import\u00e2ncia da catequese como alicerce da vida crist\u00e3. <i>Sinais que d\u00e3o visibilidade \u00e0 Palavra<\/i> Na economia sacramental da Igreja, a Palavra de Deus tem, portanto, uma dimens\u00e3o sacramental. Sem esta sacramentalidade, a Palavra seria apenas doutrina para conhecermos. Como quase-sacramento, o an\u00fancio da Palavra deve ser acompanhado de sinais ou gestos que mostram como Deus continua a intervir hoje na hist\u00f3ria dos homens. Na vida e na mem\u00f3ria da Igreja encontramos muitos sinais vivos da presen\u00e7a e da ac\u00e7\u00e3o de Deus, como por exemplo, a vida dos santos, a pr\u00e1tica crist\u00e3 das comunidades (sinais da vida lit\u00fargica e da caridade), a mem\u00f3ria crist\u00e3 gravada no patrim\u00f3nio art\u00edstico, etc. Cabe \u00e0 catequese e \u00e0 prega\u00e7\u00e3o mostrar esses sinais que concretizam a visibilidade e a efic\u00e1cia da Palavra. N\u00e3o deixemos de valorizar, este ano pastoral, a vida de Santa Teresa do Menino Jesus, cujas rel\u00edquias nos visitam.  Assim, ao dedicarmos este ano ao aprofundamento da Eucaristia como centro de vida crist\u00e3, n\u00e3o esquecemos a prioridade da Palavra de Deus como alicerce da f\u00e9. Numa cultura de relativismo em que se esbatem as convic\u00e7\u00f5es e aumenta a confus\u00e3o, precisamos de itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para todas as idades que estruturem uma f\u00e9 firme e testemunhante. A &#8220;lectio divina&#8221; \u00e9 para continuar a cultivar cada vez mais profundamente. O ano da Eucaristia pede-nos, ali\u00e1s, uma catequese mais intensa \u00e0 volta deste mist\u00e9rio. Neste ano pastoral comemoramos os 40 anos da &#8220;Dei Verbum&#8221;, a Constitui\u00e7\u00e3o Conciliar que educou os fi\u00e9is para um contacto mais ass\u00edduo e mais rico com a Sagrada Escritura. Esta comemora\u00e7\u00e3o \u00e9 um convite n\u00e3o s\u00f3 para conhecer a B\u00edblia mas para escutar Deus que hoje continua a vir ao nosso encontro e a falar-nos pela Sagrada Escritura.  2. Eucaristia &#8211; fonte e cume da vida crist\u00e3. A Palavra ficaria incompleta sem os sacramentos. De facto, os sacramentos realizam o que a Palavra anuncia. Deste modo, a Eucaristia \u00e9 o momento culminante da Palavra. Na Eucaristia encontramos o Senhor que conhecemos na Palavra, vemos e vivemos os factos e os gestos narrados pela Escritura. &#8220;A Eucaristia \u00e9 a fonte e o cume da vida crist\u00e3&#8221; (LG 11). Na Eucaristia n\u00e3o s\u00f3 recebemos a Palavra da vida que irradia luz sobre a nossa exist\u00eancia. \u00c9 o pr\u00f3prio Senhor que nos convida para a sua mesa e reparte connosco o P\u00e3o da vida. Por isso, a Eucaristia \u00e9 a grande riqueza da Igreja e dos fi\u00e9is \u2013 pois &#8220;cont\u00e9m todo o bem espiritual da Igreja&#8221; (PO 5), ou seja, a presen\u00e7a do nosso Salvador e Senhor que nos comunica a for\u00e7a do Seu Esp\u00edrito e nos oferece-nos o P\u00e3o da vida eterna (cf PO 5). Sem a Eucaristia n\u00e3o podemos viver. Na Eucaristia a nossa exist\u00eancia, pobre e mesquinha, adquire significado e valor de salva\u00e7\u00e3o pois se une \u00e0 obla\u00e7\u00e3o de Cristo ao Pai. Para a Eucaristia devemos encaminhar toda a nossa exist\u00eancia, as nossas actividades profissionais, a nossa vida em comunidade, os nossos sofrimentos, problemas e alegrias para as tornar uma oferta agrad\u00e1vel ao Senhor. Ent\u00e3o a nossa exist\u00eancia adquire sentido, apoio e grandeza. Da Eucaristia somos enviados para levar ao mundo a paz e a fraternidade e colaborar com empenho na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor. A Eucaristia deve, portanto, tornar-se o centro \u00e0 volta do qual gravita a vida dos fi\u00e9is. Realiza, de facto, a comunh\u00e3o com Deus, meta e sentido da vida humana, confere unidade aos momentos dispersos da exist\u00eancia, liga a vida quotidiana com a f\u00e9. \u00c9 como o sol de cada dia que ilumina a Santa Igreja, afirmamos num c\u00e2ntico. Na verdade, atrav\u00e9s deste sacramento, a luz de Cristo Ressuscitado ilumina os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o para compreendermos o mist\u00e9rio de Deus e o sentido da vida humana (cf MND 11). <i>Envolver todos os grupos<\/i> O ano da Eucaristia pede-nos que realcemos este centro na vida e nas actividades dos fi\u00e9is e das comunidades. Nesse sentido, a Eucaristia dominical deve ser um momento preparado por todos, no qual todos s\u00e3o envolvidos e participam activamente e para o\u00adnde convergem as actividades pastorais do pastor e dos fi\u00e9is. &#8220;Os sacerdotes prestem uma aten\u00e7\u00e3o ainda maior \u00e0 missa dominical como celebra\u00e7\u00e3o o\u00adnde a comunidade paroquial se encontra em conjunto, contando ordinariamente com a participa\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios grupos, movimentos e associa\u00e7\u00f5es nela presentes&#8221; (MND 23). A Eucaristia congrega \u00e0 volta da mesa do Senhor os que andam dispersos, aproxima os que andam distantes, estabelece a comunh\u00e3o com Cristo e a comunh\u00e3o fraterna entre os crentes. Numa palavra, o Corpo eucar\u00edstico de Cristo forma o Corpo eclesial. Ajuda a vencer o individualismo e a solid\u00e3o: &#8220;Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo&#8221; afirmamos logo no in\u00edcio da celebra\u00e7\u00e3o a lembrar a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da celebra\u00e7\u00e3o. A Eucaristia faz a Igreja: &#8220;Nenhuma comunidade crist\u00e3 se constr\u00f3i se n\u00e3o tiver a sua raiz e o seu centro na celebra\u00e7\u00e3o da Sagrada Eucaristia&#8221; (PO 6). <i>A beleza da Eucaristia<\/i> A Eucaristia confere conte\u00fado e significado ao Domingo como dia do Senhor e do homem, dia da liberdade e da comunidade. Com a Eucaristia o domingo, primeiro dia da semana, torna-se o dia do Senhor Ressuscitado, um novo in\u00edcio que renova constantemente a exist\u00eancia humana. Dilui-se actualmente o sentido do domingo e a necessidade da Eucaristia. Para muitos fi\u00e9is a Eucaristia deixou de ser o centro e ficou \u00e0 margem das suas exist\u00eancias. Como conduzir \u00e0 descoberta da alegria do domingo? Que motiva\u00e7\u00f5es apresentar para criar o desejo da Eucaristia dominical? A descoberta ou redescoberta passa, na nossa cultura, pela via da beleza, ou seja, pela Eucaristia bem celebrada, viva, festiva, participada por todos. Este ser\u00e1 um fruto importante a alcan\u00e7ar com o ano da Eucaristia: &#8220;O ano da Eucaristia seja para todos ocasi\u00e3o preciosa para uma renovada consci\u00eancia do tesouro incompar\u00e1vel que Cristo entregou \u00e0 sua Igreja. Seja est\u00edmulo para a sua celebra\u00e7\u00e3o mais viva e sentida, da qual brote uma exist\u00eancia crist\u00e3 transformada pelo amor&#8221; (MND 29). O ano da Eucaristia n\u00e3o \u00e9 um ano de passagem. Os frutos do ano da Eucaristia precisam de continuar a ser cultivados para que a celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da f\u00e9 se torne verdadeiramente o centro da vida crist\u00e3. Vamos, nesse sentido, continuar a promover a participa\u00e7\u00e3o activa, consciente e frutuosa dos fi\u00e9is; a cuidar do decoro da celebra\u00e7\u00e3o; a formar os diversos minist\u00e9rios para um bom desempenho das fun\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias; a valorizar a m\u00fasica lit\u00fargica e a preparar grupos corais; a desenvolver a arte sacra. Estes objectivos foram j\u00e1 indicados no programa pastoral do ano passado e ir\u00e3o estar presentes este ano e no futuro. Neste ano procuraremos realizar algumas ac\u00e7\u00f5es significativas como: solenizar a prepara\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o da Primeira Comunh\u00e3o como momento marcante na inicia\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as no mist\u00e9rio da Eucaristia; proporcionar aos fi\u00e9is, designadamente aos pais das crian\u00e7as, catequeses mistag\u00f3gicas sobre a Sagrada Eucaristia; promover ac\u00e7\u00f5es de consciencializa\u00e7\u00e3o e de adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento da Eucaristia.  3. Da Missa \u00e0 miss\u00e3o  A Missa conduz \u00e0 miss\u00e3o, ao testemunho do evangelho no mundo: &#8220;O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucar\u00edstica, suscita na Igreja e em cada crist\u00e3o a urg\u00eancia de testemunhar e evangelizar&#8221; (MND 24). Assim, a Eucaristia \u00e9 princ\u00edpio e projecto de miss\u00e3o, envia-nos ao mundo a levar a paz e o dom do Esp\u00edrito que recebemos na celebra\u00e7\u00e3o. Deste modo, a Eucaristia oferece n\u00e3o apenas a for\u00e7a interior para o testemunho da f\u00e9 no mundo mas prop\u00f5e tamb\u00e9m valores e atitudes para irradiar na sociedade e na cultura (cf MND 24-28). A Eucaristia cont\u00e9m um projecto de um mundo reconciliado, de transcend\u00eancia da vida humana, de uma exist\u00eancia agradecida e harmoniosa, de fraternidade universal que n\u00e3o podemos guardar s\u00f3 para n\u00f3s. A Missa conclui com o envio dos fi\u00e9is, fortalecidos pelo encontro com o Senhor, para irradiar no mundo a comunh\u00e3o de vida, a beleza do amor que salva, a esperan\u00e7a num mundo novo do Esp\u00edrito, a paz e a alegria: &#8220;Ide em paz e o Senhor vos acompanhe&#8221;. Por isso, a Igreja que vive da Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m enviada em miss\u00e3o como sinal e instrumento de unidade no seio da sociedade (cf LG 1), como &#8220;for\u00e7a moral e social&#8221; de renova\u00e7\u00e3o do mundo, segundo a express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II. <i>Diocese casa e escola de comunh\u00e3o<\/i> Na celebra\u00e7\u00e3o dos trinta anos da diocese vamos prestar uma aten\u00e7\u00e3o especial ao crescimento da comunh\u00e3o eclesial. Fazer da Diocese uma casa e escola de comunh\u00e3o \u00e9 um testemunho de vida eucar\u00edstica que devemos cultivar de forma especial na celebra\u00e7\u00e3o desta data. Na verdade, todos precisamos de cultivar a espiritualidade de comunh\u00e3o. \u00c9 um convite feito a todos os fi\u00e9is nas suas v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es e responsabilidades. Aos ministros ordenados, integrados pelo sacramento da Ordem na fraternidade do presbit\u00e9rio, recomenda-se que cres\u00e7am no acolhimento e na amizade m\u00fatua, na partilha e no di\u00e1logo e, na ac\u00e7\u00e3o pastoral, na implementa\u00e7\u00e3o do trabalho em equipa. Aos religiosos (as) que manifestem no estilo de vida a fraternidade universal. Aos fi\u00e9is que vivam a uni\u00e3o fraterna, o di\u00e1logo, a partilha e a participa\u00e7\u00e3o activa na miss\u00e3o. Na Carta para o ano da Eucaristia, \u00e9 pedido a todos os crist\u00e3os que tenham um maior empenho em testemunhar com mais vigor a presen\u00e7a de Deus no mundo. \u00c9 uma recomenda\u00e7\u00e3o muito oportuna. Nota-se hoje um esquecimento pr\u00e1tico de Deus, alguma m\u00e1-vontade em rela\u00e7\u00e3o a sinais religiosos, \u00e0s vezes at\u00e9 uma certa hostilidade contra o cristianismo como se fosse um estorvo \u00e0 liberdade ou ao desenvolvimento da pessoa e das sociedades. Mas a realidade mostra-nos o contr\u00e1rio: sem Deus a exist\u00eancia do homem permanece fechada nos seus limites, sem grandeza nem sentido. Sem Deus a vida e a dignidade humanas ficam amea\u00e7adas. N\u00e3o nos envergonhemos da f\u00e9: &#8220;N\u00e3o tenhamos medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da f\u00e9&#8221; (MND 26). No testemunho da f\u00e9 que nasce da Eucaristia deve sempre ter lugar a caridade fraterna, associada desde as origens \u00e0 frac\u00e7\u00e3o do P\u00e3o. Quem \u00e9 convidado para a mesa de Deus n\u00e3o pode esquecer de partilhar o seu p\u00e3o com os mais necessitados. A Eucaristia sempre esteve ligada \u00e0 caridade. As formas de pobreza que hoje reclamam a nossa ajuda s\u00e3o numerosas. Nesse sentido, procurem os pastores e fi\u00e9is que nas suas comunidades funcione a &#8220;C\u00e1ritas&#8221;, ou outro movimento com actividade semelhante, para organizar a ajuda fraterna em situa\u00e7\u00f5es de calamidade e de car\u00eancia.  A Eucaristia est\u00e1 tamb\u00e9m orientada para os dois sacramentos do servi\u00e7o: Ordem e Matrim\u00f3nio. Dentro do programa pastoral que temos vindo a seguir vamos prestar aten\u00e7\u00e3o particular a estes dois sacramentos, tanto na sua prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o como no ideal de vida que prop\u00f5em. <i>Eucaristia e sacramento da Ordem<\/i> Nesta linha, procuraremos aprofundar, ao longo do ano, a identidade do presb\u00edtero em rela\u00e7\u00e3o com a Eucaristia, como servi\u00e7o de comunh\u00e3o na comunidade. O pastor exerce uma influ\u00eancia relevante em fazer da Igreja uma casa e uma escola de comunh\u00e3o. De facto, ele \u00e9 a alma, o rosto principal e o mestre habitual da comunidade crist\u00e3. O estilo de comunh\u00e3o precisa de ser manifesto nas suas palavras e atitudes, nos seus gestos e forma de vida. Este perfil leva a cultivar uma rela\u00e7\u00e3o pessoal compreensiva e af\u00e1vel, real\u00e7ando as atitudes de acolhimento, de aproxima\u00e7\u00e3o de todos, sobretudo dos que sofrem, de di\u00e1logo, de aten\u00e7\u00e3o aos problemas humanos e sociais. A rela\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio ordenado com a Eucaristia convida tamb\u00e9m a aprofundar o estilo mission\u00e1rio de ir \u00e0 procura dos afastados, de congregar os dispersos e, ao mesmo tempo, de testemunhar uma rela\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o com a sociedade o\u00adnde a igreja \u00e9 enviada como sinal e instrumento de comunh\u00e3o. A ordena\u00e7\u00e3o dos primeiros Di\u00e1conos Permanentes da Diocese \u00e9 um incentivo a esclarecer a identidade deste primeiro grau do minist\u00e9rio ordenado e a desenvolver o trabalho pastoral em equipa. A considera\u00e7\u00e3o do sacramento da Ordem convida-nos tamb\u00e9m a prestar maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pastoral das voca\u00e7\u00f5es consagradas. A pastoral vocacional deve estar presente em toda a vida e ac\u00e7\u00e3o da Igreja e envolver os pastores, as comunidades, a catequese, os centros educativos e a fam\u00edlia. Procure cada p\u00e1roco e cada par\u00f3quia constituir e apoiar um grupo paroquial de apoio \u00e0s voca\u00e7\u00f5es. Esforce-se cada presb\u00edtero por viver a preocupa\u00e7\u00e3o de encontrar continuadores para o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. <i>Eucaristia e Matrim\u00f3nio<\/i> O Matrim\u00f3nio como comunh\u00e3o \u00edntima de pessoas, encontra tamb\u00e9m na Eucaristia, sacramento da Nova Alian\u00e7a, o alimento que fortalece e renova o amor dos esposos, dos pais e filhos para ser vivido como sinal do amor de Deus. A pastoral do matrim\u00f3nio leva a insistir, ao longo do ano, na prepara\u00e7\u00e3o de todos os noivos para a celebra\u00e7\u00e3o do Matrim\u00f3nio cat\u00f3lico e no apoio \u00e0s fam\u00edlias, aos casais novos e aos movimentos familiares. A Igreja diocesana de Santar\u00e9m \u00e9 jovem. N\u00e3o tanto por ter sido criada h\u00e1 trinta anos. Mas porque vive apoiada no mist\u00e9rio de Deus que, na sua perfei\u00e7\u00e3o infinita, \u00e9 sempre novo e convida os fi\u00e9is a abrir-se ao futuro e a prepar\u00e1-lo. Como afirmou o Papa Bento XVI na homilia da Missa do in\u00edcio do seu pontificado: &#8220;A Igreja est\u00e1 viva. Precisamente nestes dias tristes da doen\u00e7a e da morte do Papa Jo\u00e3o Paulo II, algo de maravilhoso se manifestou diante dos nossos olhos: A Igreja est\u00e1 viva. E a Igreja \u00e9 jovem. Ela leva, em si mesma, o futuro do mundo e, portanto, indica tamb\u00e9m a cada um de n\u00f3s o caminho para o futuro&#8221;. Na celebra\u00e7\u00e3o dos trinta anos da nossa Diocese ponhamo-nos a caminho e colaboremos activamente, como pedras vivas, para a vitalidade da ac\u00e7\u00e3o pastoral guiados por Nossa Senhora da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o que anuncia e prepara com a Igreja o caminho para o futuro.  <i>D. Manuel Pelino, Bispo de Santar\u00e9m<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do Bispo de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[108,119,120,295,125,127,154,168,180,191,199,206,231,237,240,285,294],"class_list":["post-14132","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-da-eucaristia","tag-arte-sacra","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-caritas","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-santarem","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-imaculada-conceicao","tag-joao-paulo-ii","tag-jornadas-mundiais-da-juventude","tag-patrimonio","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}