{"id":14078,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-fabricantes-de-ciclones\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-fabricantes-de-ciclones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-fabricantes-de-ciclones\/","title":{"rendered":"Os fabricantes de ciclones"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Amanh\u00e3 temos bom tempo? Eis uma pergunta que sempre irritava o meu amigo meteorologista.\u201dMas o que \u00e9 o bom tempo? \u201d, perguntava. E logo vinha uma disserta\u00e7\u00e3o sobre o sol e a chuva, o calor e o frio, o vento e a bonan\u00e7a. E como se entrejogam estes elementos com acertos geol\u00f3gicos tecidos em milhares de milh\u00f5es de anos, dentro duma harmonia que se n\u00e3o concilia com as nossas contagens nervosas e apressadas. Para nosso pragm\u00e1tico uso consideramos bom tempo os dias de sol, de estrada seca e vis\u00edvel para que o nosso carro deslize \u00e0 velocidade confort\u00e1vel, sem recursos a abs de emerg\u00eancia. Possivelmente a nossa concep\u00e7\u00e3o optimizada de meteorologia integra-se na nossa comodidade imediata, sem nos interessarmos minimamente com o equilibro de conjunto em que se enquadra o nosso planeta e a pequena aldeia que habitamos. Esquecemos a nossa perten\u00e7a a um sistema complexo, e a nossa responsabilidade directa no equil\u00edbrio ou desequil\u00edbrio da morada das nossas vidas. Fomos aprendendo, ao longo deste ano, que o bom tempo n\u00e3o \u00e9 o que parece. Mesmo estimando o nosso c\u00e9u azul, a maravilhosa luz que nos embala e as suaves brisas que inebriam o nascer e o declinar de cada dia, olhamos com desola\u00e7\u00e3o para as nossas terras ressequidas, as albufeiras rebaixadas e sem brilho, os rios sem alegria no seu curso e os jazigos de \u00e1gua impotentes para matar a sede das popula\u00e7\u00f5es. Nada se recompor\u00e1 sem uma chuva intensa e um vento capaz de a gerar e mover, sem uma esp\u00e9cie de toque de viol\u00eancia que sempre acompanha os ritmos descompensados da terra. Que podemos fazer? Pedir a Deus que olhe por n\u00f3s. E tentar compreender a complexidade das cadeias que envolvem o nosso planeta e em cuja coer\u00eancia se encontra o conjunto de equil\u00edbrios que desejamos. Mas h\u00e1 um terceiro ponto que \u00e9 de consci\u00eancia. Que responsabilidade tem cada um de n\u00f3s no contributo para os equil\u00edbrios necess\u00e1rios do sistema que nos sustenta a vida? At\u00e9 que ponto somos fabricantes de ciclones nas nossas op\u00e7\u00f5es de consumo, na nossa ignor\u00e2ncia interesseira sobre as causas de aquecimento do planeta, e que contribuem, como se sabe, para um progressivo aumento das cat\u00e1strofes naturais. E a nossa maneira de construir cidades, ocupar leitos de rios, violar sequ\u00eancias geol\u00f3gicas que funcionariam muito melhor no respeito pelas leis internas da sua harmonia? Nem sempre o benef\u00edcio imediato \u00e9 o melhor. O equil\u00edbrio da Terra \u00e9 um problema pol\u00edtico, econ\u00f3mico, cultural e \u00e9tico. Mesmo que a nossa assinatura n\u00e3o esteja no Acordo de Quioto, est\u00e1 nas nossas m\u00e3os o presente e o futuro do Planeta.  Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Amanh\u00e3 temos bom tempo? Eis uma pergunta que sempre irritava o meu amigo meteorologista.\u201dMas o que \u00e9 o bom tempo? \u201d, perguntava. 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