{"id":140745,"date":"2019-06-21T07:00:15","date_gmt":"2019-06-21T06:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=140745"},"modified":"2019-07-04T16:22:37","modified_gmt":"2019-07-04T15:22:37","slug":"braganca-miranda-ve-nascer-mosteiro-de-monjas-trapistas-que-se-sustentam-com-o-seu-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/braganca-miranda-ve-nascer-mosteiro-de-monjas-trapistas-que-se-sustentam-com-o-seu-trabalho\/","title":{"rendered":"Bragan\u00e7a-Miranda v\u00ea nascer mosteiro de monjas trapistas, que se sustentam com o seu trabalho"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 uma cerim\u00f3nia cheia de significado para a Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, para a vida contemplativa, para as monjas trapistas: no dia 24 de junho, decorre a b\u00ean\u00e7\u00e3o do in\u00edcio das obras da Casa de Acolhimento do Mosteiro Trapista, em Pala\u00e7oulo, Miranda do Douro.<\/p>\n<p>D. Jos\u00e9 Cordeiro \u00e9 o bispo de Bragan\u00e7a-Miranda e \u00e9 o convidado da entrevista conjunta semanal Ecclesia-Renascen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Paulo Rocha (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Manuel Costa (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_140681\" aria-describedby=\"caption-attachment-140681\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-140681 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc1-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-140681\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Que relev\u00e2ncia tem o in\u00edcio desta comunidade de vida contemplativa numa diocese que est\u00e1 em crescente desertifica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma enorme gra\u00e7a e \u00e9 um momento de grande esperan\u00e7a. Acreditamos profundamente que \u00e9 um sonho de Deus, a presen\u00e7a mon\u00e1stica das monjas trapistas neste mosteiro que surge em Pala\u00e7oulo, o mosteiro trapista de Santa Maria, M\u00e3e da Igreja. H\u00e1 tr\u00eas anos que come\u00e7ou este caminho: tive a gra\u00e7a de conhecer o mosteiro de Vitorchiano, mais ou menos a 80 quil\u00f3metros de Roma, j\u00e1 na Diocese de Viterbo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Conheceu nos tempos em que estava em Roma?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, j\u00e1 como bispo da diocese, numa peregrina\u00e7\u00e3o diocesana, atrav\u00e9s dos beneditinos, com os quais tive muita rela\u00e7\u00e3o, durante o tempo em que estive em Roma, em Santo Anselmo. A abadessa do mosteiro de Vitorchiano, onde est\u00e3o cerca de 80 monjas, manifestou o desejo de fundarem o oitavo mosteiro e a intui\u00e7\u00e3o era em Portugal, a prop\u00f3sito do centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima. Isto foi em 2016, e na prepara\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio, mas elas precisavam de um sinal, que houvesse um bispo portugu\u00eas a manifestar esse desejo. Mas nenhum de n\u00f3s, tamb\u00e9m, sabia\u2026<\/p>\n<p>Por isso, esta gra\u00e7a. E eu manifestei esse desejo de as acolher em Bragan\u00e7a-Miranda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foi imediato?<\/em><\/p>\n<p>Foi imediato. Sim, porque S\u00e3o Bento \u00e9 padroeiro da diocese, \u00e9 a \u00fanica diocese da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica que tem como padroeiro S\u00e3o Bento, j\u00e1 tinha existido um mosteiro beneditino, h\u00e1 474 anos e durante 400 anos. Depois, desde 1545, com a cria\u00e7\u00e3o da Diocese de Miranda, deixou de existir, o mosteiro de Castro de Avel\u00e3s. Ent\u00e3o, pela linha espiritual de S\u00e3o Bento, \u2018ora et labora\u2019 [reza e trabalha], nesta mesma continuidade, fizemos esse acolhimento. Depois, reunindo com o col\u00e9gio dos consultores e com os organismos de comunh\u00e3o da diocese, apresentamos tr\u00eas propostas. As irm\u00e3s rejeitaram as tr\u00eas\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Propostas de localiza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Exato. E, depois, eu disse: ent\u00e3o, se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel em Bragan\u00e7a e se h\u00e1 este desejo t\u00e3o grande de ser em Portugal, eu posso levar \u00e0 Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa e, se houve algum bispo que vos queira receber, assim seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o faltariam candidatos, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Certamente que n\u00e3o. Ent\u00e3o, elas comovidas com o gesto \u2013 contaram-me mais tarde \u2013 disseram-me: vamos esgotar as possibilidades, vamos reconsiderar. E ent\u00e3o reuni de novo os organismos e encontramos no s\u00edtio onde a diocese tinha nascido, \u00e0 volta de Miranda do Douro, tr\u00eas novas propostas, s\u00f3 de terreno e \u00e1gua, como elas depois pediam. Para que n\u00e3o houvesse esta correspond\u00eancia, este interc\u00e2mbio s\u00f3 \u00e0 dist\u00e2ncia, disse que o melhor era virem c\u00e1. Veio a abadessa e a ec\u00f3noma-geral, vimos os lugares e elas escolheram Pala\u00e7oulo. A par\u00f3quia de S\u00e3o Miguel j\u00e1 tinha um terreno, elas precisavam \u00e0 volta de 20 hectares; depois, o p\u00e1roco e a par\u00f3quia mobilizaram-se, as pessoas tamb\u00e9m, e a\u00ed aconteceu o grande milagre de trocas, de permutas, de vendas e conseguiu-se \u00e0 volta dos 30 hectares, como est\u00e1 hoje. E este \u00e9 outro dos sinais do sonho de Deus que, desde a primeira hora, come\u00e7ou e n\u00f3s acreditamos nesta sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Esta centralidade do Interior tamb\u00e9m vem por aqui, n\u00e3o s\u00f3 do Interior, mas da interioridade. Porque \u00e9 este olhar contemplativo, a partir de Pala\u00e7oulo, como este o\u00e1sis de paz, de luz, nessa grande corrente da Regra de S\u00e3o Bento, n\u00e3o apenas para a Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, mas para toda a Igreja presente em Portugal e no resto do mundo, porque tem esta dimens\u00e3o tamb\u00e9m universal e a rede dos v\u00e1rios mosteiros trapistas, tanto masculinos como femininos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pala\u00e7oulo surgiu assim de uma circunst\u00e2ncia, ou foi o reunir de fatores e a vontade da madre abadessa e da ec\u00f3noma, quando c\u00e1 vieram? O que \u00e9 que levou a escolher aquela freguesia?<\/em><\/p>\n<p>Quando eu as acompanhei, para aquele terreno, n\u00f3s tivemos essa express\u00e3o de dizer que \u00e9 um sonho de Deus. Portanto, foi a conjuga\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios elementos e tamb\u00e9m da boa vontade, do cora\u00e7\u00e3o generoso e dispon\u00edvel daquelas fam\u00edlias, da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 uma freguesia, uma par\u00f3quia com poucos habitantes?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, no conjunto da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, at\u00e9 \u00e9 uma aldeia bastante grande, deve ter \u00e0 volta de 400 habitantes, e com algumas f\u00e1bricas l\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 desemprego. T\u00eam a tanoaria, dos talheres, dos faqueiros, v\u00e1rias outras dimens\u00f5es ligadas ao fumeiro e outras especialidades da regi\u00e3o. Tudo isto tamb\u00e9m favoreceu: o mosteiro ficar\u00e1 \u00e0 volta de 2 quil\u00f3metros da proximidade da aldeia, em conjuga\u00e7\u00e3o com o Munic\u00edpio de Miranda do Douro, porque depois este processo tamb\u00e9m levou algum tempo \u2013 foi necess\u00e1ria a revis\u00e3o do PDM, tantas outas burocracias, jur\u00eddicas, can\u00f3nicas. Mas, felizmente, agora estamos no prosseguimento efetivo da concretiza\u00e7\u00e3o da obra.<\/p>\n<p>Esta primeira fase, que vamos benzer, no dia 24, o dia da solenidade de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista e tamb\u00e9m significativo por isso, por ser o precursor, aquele que diz \u201c\u00e9 necess\u00e1rio que Ele cres\u00e7a e eu diminua\u201d. \u00c9 este tal olhar contemplativo, na cria\u00e7\u00e3o, no mundo, na sociedade contempor\u00e2nea, esta atitude das pr\u00f3prias irm\u00e3s, desta comunidade de dez monjas, que j\u00e1 est\u00e1 constitu\u00edda, que vivem do seu pr\u00f3prio trabalho. Fazem da Liturgia o trabalho principal, e \u2013 no alinhamento de S\u00e3o Bento, \u2018ora et labora\u2019, concretizam o seu dia a dia. A sustentabilidade do mosteiro vir\u00e1 do pr\u00f3prio trabalho das irm\u00e3s, com a ajuda de muitas pessoas, de alguns t\u00e9cnicos, professores, at\u00e9, do Instituto Polit\u00e9cnico e da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes, que est\u00e3o a ajudar a ver qual o melhor cultivo, as melhores \u00e1rvores, o melhor aproveitamento do terreno. As irm\u00e3s j\u00e1 t\u00eam algumas indica\u00e7\u00f5es, seja na produ\u00e7\u00e3o de mel, de compotas, at\u00e9 da \u201cpasta\u201d italiana, para pequenas e grandes superf\u00edcies. O pr\u00f3prio trabalho d\u00e1 sustentabilidade \u00e0 comunidade e tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria casa de acolhimento, que \u00e9 esta primeira fase.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta a iniciar-se ent\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o da casa de acolhimento. As irm\u00e3s ir\u00e3o fixar-se a\u00ed? <\/em><\/p>\n<p>Sim, numa primeira fase v\u00e3o fixar-se na casa de acolhimento e, segundo a Regra de S\u00e3o Bento, \u00e9 muito importante aquilo a que se chama a hospedaria \u2013 porque receber um peregrino, um h\u00f3spede, \u00e9 como receber o pr\u00f3prio Jesus Cristo. Esta primeira fase \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o desta casa, que depois do estudo da realidade, est\u00e1 perfeitamente insculturada, porque ser\u00e1 com os materiais da regi\u00e3o. Como as pr\u00f3prias irm\u00e3s chamam, \u00e9 j\u00e1 o in\u00edcio de uma aldeia para Deus.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da aldeia de acolhimento tamb\u00e9m tenta expressar aquilo que \u00e9 o t\u00edpico de uma aldeia transmontana, sobretudo do planalto mirand\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois segue-se a Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Sim, a segunda fase ser\u00e1 o mosteiro, propriamente dito, com a igreja abacial, que est\u00e1 pensada para 40 monjas. Dez j\u00e1 est\u00e3o, nesta primeira comunidade\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_140680\" aria-describedby=\"caption-attachment-140680\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-140680 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-140680\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Que est\u00e3o na It\u00e1lia, ainda? J\u00e1 a viver em comunidade?<\/em><\/p>\n<p>Sim, est\u00e3o na It\u00e1lia ainda. E t\u00eam alguns atos j\u00e1 como comunidade \u2013 como a hora interm\u00e9dia e os outros trabalhos ditos manuais. Isso j\u00e1 as configura como comunidade, t\u00eam superiora, t\u00eam ec\u00f3noma, t\u00eam a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o interna de uma comunidade mon\u00e1stica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ter\u00e3o s\u00f3 de mudar de local, brevemente. Dentro de um ano, ser\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>Esperemos que sim. Que depois se inicie de imediato, \u00e9 esse o compromisso, o mosteiro propriamente dito. Para esta primeira fase, as irm\u00e3s tamb\u00e9m j\u00e1 t\u00eam os fundos necess\u00e1rios para isso; na segunda fase, est\u00e3o j\u00e1 no in\u00edcio de uma campanha internacional e, esperamos, tamb\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o e generosidade de outros mosteiros, outras pessoas, outras fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o elas pr\u00f3prias que conseguem os recursos financeiros para a constru\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Nesta primeira fase, conseguiram elas mesmas, porque segundo a regra trapista, para se fundar um novo mosteiro, \u00e9 preciso que haja um pequeno fundo, do in\u00edcio das obras. O resto, contar\u00e3o certamente com a nossa colabora\u00e7\u00e3o e a nossa generosidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando uma f\u00e1brica se fixa no Interior, v\u00eam os indicadores de desenvolvimento que essa ind\u00fastria pode constituir e \u00e9 sempre um fator louv\u00e1vel para a sociedade local. Porque \u00e9 que entende a fixa\u00e7\u00e3o de um mosteiro de vida contemplativa como um fator relevante para a sociedade e para a Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, todos os mosteiros foram fatores de desenvolvimento integral, cultural, espiritual\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o est\u00e1 em causa apenas a vida contemplativa, de sil\u00eancio?<\/em><\/p>\n<p>Sim, envolve todas as pessoas que ir\u00e3o ao mosteiro, como de resto os oito mosteiros fundados desde Vitorchiano e tantos outros t\u00eam sido esses fatores de desenvolvimento. Poder\u00e1 n\u00e3o ser num momento inicial, mas depois, sim: n\u00e3o s\u00f3 aqueles peregrinos, as pessoas que v\u00eam fazer a experi\u00eancia ao mosteiro, mas tudo aquilo que de beleza de ora\u00e7\u00e3o, do tal olhar contemplativo de que fal\u00e1vamos, que hoje \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio, na busca do sil\u00eancio, da espiritualidade, do ir \u00e0s fontes da f\u00e9 e das ra\u00edzes crist\u00e3s. Pala\u00e7oulo ser\u00e1, sem d\u00favida, um centro que h\u00e1 de atrair tantas pessoas que andam em busca de Deus e de um sentido para a sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 o Interior a permitir chegar \u00e0 interioridade de cada um?<\/em><\/p>\n<p>Sim, esta harmonia entre a interioridade e a exterioridade, a corporeidade e a cordialidade, far\u00e1 tamb\u00e9m deste mosteiro trapista de Santa Maria, M\u00e3e da Igreja, \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece em Vitorchiano, um lugar de peregrina\u00e7\u00e3o, de retiro e de recolhimento. Normalmente \u2013 por isso \u00e9 que as irm\u00e3s pediram tanto espa\u00e7o \u00e0 volta do mosteiro \u2013 \u00e9 muito frequente nascer uma aldeia, uma cidade, uma vila em torno dos mosteiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 para salvaguardar o ambiente delas?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, porque a vida contemplativa exige o sil\u00eancio. Aquele lugar, como as irm\u00e3s t\u00eam dito, nas visitas que t\u00eam feito, n\u00e3o poderiam encontrar melhor. Cada vez que eu vou l\u00e1, redescubro novos olhares que poder\u00e3o surgir, a partir dali, porque \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de raiz. Nesta velha Europa, sobretudo num interior t\u00e3o profundo como \u00e9 o nordeste transmontano, a Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, \u00e9 um novo desafio, mas \u00e9 tamb\u00e9m este sinal luminoso de esperan\u00e7a e da tal centralidade do Interior e da interioridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um facto que, por certo, vai marcar a Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, revitalizar, redinamizar e que acontece quando D. Jos\u00e9 Cordeiro foi constatando que a velhice, nomeadamente naquele ambiente, \u00e9 deitada ao isolamento, \u00e9 olhada s\u00f3 pelo aspeto da debilidade afirmou numa carta que publicou em mar\u00e7o. Tudo isso aconteceu depois do contacto com muitas IPSS, creio. O panorama que encontrou foi de facto de rejei\u00e7\u00e3o do idoso? <\/em><\/p>\n<p>Ao longo deste ano, e at\u00e9 novembro, continuo essa peregrina\u00e7\u00e3o pelas IPSS can\u00f3nicas, aquilo que chamamos a visita pastoral da diaconia da caridade. Constato muitas boas pr\u00e1ticas, a maioria, felizmente. Mas, constato tamb\u00e9m no terreno o isolamento, a solid\u00e3o, e at\u00e9 o esquecimento. Aquilo que estamos mais habituados a sentir como not\u00edcias nas grandes cidades, infelizmente, na globaliza\u00e7\u00e3o em que vivemos e nesta cultura dominante, tamb\u00e9m j\u00e1 acontece no Interior e em muitas aldeias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pela sa\u00edda dos filhos e dos netos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, mas tamb\u00e9m pela cultura do descart\u00e1vel em que vivemos, pela n\u00e3o-utilidade, e da fragilidade n\u00e3o olhando esta fase da vida como um dom e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. E aquelas pessoas que est\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es, felizmente, est\u00e3o bem cuidadas. O que d\u00f3i \u00e9 que h\u00e1 muitas fam\u00edlias que j\u00e1 n\u00e3o visitam as pessoas, choca esta solid\u00e3o n\u00e3o acompanhada das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falava na altura no desprezo dos idosos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, j\u00e1 temos muita experi\u00eancia disso. No caso dalgumas pessoas, tem de ser a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o ou a par\u00f3quia a cuidar das suas ex\u00e9quias e do funeral. Isto \u00e9 revelador do ambiente em que vivemos, que \u00e9 desumano. Situa\u00e7\u00f5es de abandono&#8230; Recentemente na visita a um centro social e paroquial encontrei uma senhora que estava como vaga da Seguran\u00e7a Social, n\u00e3o era dali, mas foi enviada. \u00c9 m\u00e3e de oito filhos e est\u00e1 abandonada naquela casa, n\u00e3o h\u00e1 um, ao menos, que possa cuidar dela ou visit\u00e1-la e, agora, estamos nesse encaminhamento com o p\u00e1roco e da proveni\u00eancia dela.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras situa\u00e7\u00f5es, como conheci, algumas de viol\u00eancia dom\u00e9stica de que os idosos s\u00e3o alvo e que desculpam sempre e s\u00e3o os filhos ou os parentes mais pr\u00f3ximos encontram sempre justifica\u00e7\u00f5es para dizer que n\u00e3o foi fruto disso mesmo. Isto interpela-nos, \u00e9 muito preocupante e algumas situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 muito alarmantes.<\/p>\n<p>Muito j\u00e1 foi feito, muito est\u00e1 a ser feito no terreno, mas muito mais poderemos fazer, sobretudo cuidar da boa vizinhan\u00e7a e n\u00f3s sermos uma presen\u00e7a uns dos outros &#8211; sermos como que um anjo da guarda uns para os outros, e isso at\u00e9 nas aldeias mais pequenas. Estamos a refletir o modo como, porque tamb\u00e9m os p\u00e1rocos j\u00e1 s\u00e3o menos, t\u00eam menos capacidades de resposta na proximidade, mas com di\u00e1conos permanentes, com pessoas consagradas, com leigos e com algu\u00e9m daquela terra que haja esse cuidado di\u00e1rio. Tamb\u00e9m j\u00e1 numa aldeia aconteceu aquilo que parecia inevit\u00e1vel, s\u00f3 depois de tr\u00eas dias de algu\u00e9m ter falecido se ter dado conta da sua aus\u00eancia na comunidade, isto \u00e9 revelador, pelo isolamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_140682\" aria-describedby=\"caption-attachment-140682\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-140682 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/jose_cordeiro2019_mc.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-140682\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Acredito que as Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social tenham um papel relevante nesse acompanhamento. Como tem encontrado essas institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente, na sustentabilidade econ\u00f3mico-financeira?<\/em><\/p>\n<p>De um modo geral, a realidade est\u00e1 positiva, mas em muitas delas, sobretudo aquelas que t\u00eam s\u00f3 o apoio domicili\u00e1rio ou centro de dia, a realidade \u00e9 muito preocupante. Felizmente, que na maioria dos casos h\u00e1 uma boa articula\u00e7\u00e3o com as autarquias, as c\u00e2maras municipais, as juntas de freguesia, e todos em colabora\u00e7\u00e3o, atendendo \u00e0s nossas caracter\u00edsticas de despovoamento, envelhecimento, tudo aquilo que \u00e9 mais do que conhecido, h\u00e1 esta boa coopera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o basta porque, nalguns casos, as situa\u00e7\u00f5es pode piorar se n\u00e3o houver aqui uma altera\u00e7\u00e3o na coopera\u00e7\u00e3o. Acho que \u00e9 nesta linha que temos de colocar-nos, Igreja e Estado, nas suas v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, porque doutra maneira n\u00e3o vamos l\u00e1 e os cidad\u00e3os que est\u00e3o a ser cuidados e a ser acompanhados nestas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os de segunda.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o tem de ser rec\u00edproca, como o pr\u00f3prio nome indica, e n\u00e3o podem ser criadas obst\u00e1culos &#8211; da nossa parte com a transpar\u00eancia, o rigor, aquilo que \u00e9 pr\u00f3prio da nossa miss\u00e3o e \u00e9 nessa atitude que nos queremos situar e continuar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os de segunda as pessoas com defici\u00eancia e a Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda tem feito um trabalho de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa com defici\u00eancia no \u00e2mbito diocesano. Que relev\u00e2ncia tem esta prioridade da diocese, que a\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo desenvolvidas nomeadamente da inclus\u00e3o e da acessibilidade, como o tema foi debatido recentemente nas jornadas para pessoas com defici\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>De facto, h\u00e1 cinco ou seis anos temos um Servi\u00e7o Diocesano da Pastoral \u00e0s Pessoas com Defici\u00eancia e, antes de mais, temos estabelecido o encontro entre as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam este especial cuidado, tanto can\u00f3nicas, como civis e associa\u00e7\u00f5es e isso tem sido feito um caminho muito belo e positivo.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o da inclus\u00e3o e das acessibilidades ao n\u00edvel das comunidades, porque h\u00e1 fam\u00edlias que ainda t\u00eam esse estigma e t\u00eam dificuldade em abrir as suas portas\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Nota isso na sua diocese e no isolamento das aldeias?<\/em><\/p>\n<p>Na visita pastoral ainda noto\u2026<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>H\u00e1 pessoas com defici\u00eancia que v\u00e3o permanecendo escondidas em casa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, e que algumas fam\u00edlias, se cuidam, n\u00e3o mostram e, \u00e0s vezes, t\u00eam essa dificuldade na pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com eles; nisso temos avan\u00e7ado bastante. Ao n\u00edvel das acessibilidades foi feito um levantamento a come\u00e7ar pela cidade de Bragan\u00e7a, inclusivamente, das igrejas e tantos outros lugares e em colabora\u00e7\u00e3o com as autoridades civis e p\u00fablicas estamos a remediar muitas coisas que j\u00e1 deviam ter sido resolvidas. Mas n\u00f3s temos sentido isso sobretudo nas nossas celebra\u00e7\u00f5es e nos v\u00e1rios encontros.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 pouco tempo, no dia arciprestal do Arciprestado de Bragan\u00e7a-Miranda foram v\u00e1rias pessoas com defici\u00eancia e foi contemplado na programa\u00e7\u00e3o as atividades e que sejam assumidas com toda a naturalidade e que ningu\u00e9m se sinta fora porque todos filhos de Deus e todos somos membros da Igreja e todos temos uma miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Acredito que enquanto presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Liturgia esse seja um tema que deva estar entre as prioridades. Pergunto se, de facto, se est\u00e1 tornando tamb\u00e9m o ambiente lit\u00fargico inclusivo e acess\u00edvel a todas as pessoas?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 existem boas pr\u00e1ticas, estamos tamb\u00e9m numa boa articula\u00e7\u00e3o com o organismo correspondente da Confer\u00eancia Episcopal Italiana e, no que respeita a algumas publica\u00e7\u00f5es e algumas a\u00e7\u00f5es concretas, quer\u00edamos dar passos mais decididos. Sei que tamb\u00e9m outras dioceses em Portugal est\u00e3o com estes servi\u00e7os diocesanos e outras est\u00e3o a cri\u00e1-los, h\u00e1 uma coordena\u00e7\u00e3o nacional e estamos nesse di\u00e1logo constante para que todos possamos participar da mesma miss\u00e3o. Como tamb\u00e9m o lema deste ano mission\u00e1rio: \u201cTodos, tudo e sempre em miss\u00e3o\u201d e que ningu\u00e9m se sinta, por qualquer motivo, fora da comunh\u00e3o porque somos todos chamados a esta comunh\u00e3o e que nos envolva a todos como o pr\u00f3prio sentido da liturgia: \u201cO Pai, pelo Filho, no Esp\u00edrito Santo\u201d, e ai cabemos todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma \u00faltima quest\u00e3o, diz respeito \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o em cada diocese de uma comiss\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o de menores. No caso de Bragan\u00e7a-Miranda em que ponto est\u00e1 essa concretiza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Esperamos em breve fazer a nomea\u00e7\u00e3o dessa comiss\u00e3o diocesana de prote\u00e7\u00e3o de menores e outras pessoas vulner\u00e1veis. N\u00f3s (bispos portugueses) na assembleia plen\u00e1ria, que se concluiu no dia 2 de maio, decidimos isso e de imediato procedemos a esses mecanismos. No passado dia 14 de junho tivemos o conselho presbiteral e espero nas pr\u00f3ximas nomea\u00e7\u00f5es, que ser\u00e3o no dia 2 de julho, apresentar a nossa comiss\u00e3o diocesana.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>(Uma equipa) Interdisciplinar?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, com aquelas caracter\u00edsticas que j\u00e1 tinham sido apontadas nas nossas diretrizes e, agora, no Motu Pr\u00f3prio do Papa Francisco, segundo. tamb\u00e9m, aquilo que vamos partilhando entre os bispos e as v\u00e1rias dioceses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma cerim\u00f3nia cheia de significado para a Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, para a vida contemplativa, para as monjas trapistas: no dia 24 de junho, decorre a b\u00ean\u00e7\u00e3o do in\u00edcio das obras da Casa de Acolhimento do Mosteiro Trapista, em Pala\u00e7oulo, Miranda do 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