{"id":14045,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/educar-e-um-acto-de-amor\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"educar-e-um-acto-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/educar-e-um-acto-de-amor\/","title":{"rendered":"Educar \u00e9 um acto de Amor"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 para a Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (02-09 de Outubro de 2005) <!--more--> 1. Em Maio passado, a Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 publicou uma Nota Pastoral sobre o importante lugar que a disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica tem no curr\u00edculo dos ensinos b\u00e1sico e secund\u00e1rio, chamando a aten\u00e7\u00e3o dos alunos e dos pais\/encarregados de educa\u00e7\u00e3o relativamente ao contributo que a mesma d\u00e1 para a forma\u00e7\u00e3o global dos alunos, e alertando para a responsabilidade dos pais\/encarregados de educa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s decis\u00f5es que devem tomar relativamente \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o moral dos seus filhos\/educandos.  Ao iniciar mais um ano escolar, com as escolas j\u00e1 em pleno funcionamento e a catequese da maioria das par\u00f3quias a principiar a sua actividade, dirigimo-nos de novo aos jovens e aos pais\/encarregados de educa\u00e7\u00e3o, aos p\u00e1rocos e aos sacerdotes, em geral, aos demais agentes de educa\u00e7\u00e3o, em especial os professores, os educadores e os catequistas, e a quantos se interessam pelo pensamento e as orienta\u00e7\u00f5es da Igreja em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o.   2. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo catalizador de amadurecimento humano. \u00c9 o meio indispens\u00e1vel ao desabrochar harmonioso das potencialidades que permitem ao ser humano reconhecer-se como pessoa aut\u00f3noma e livre, com um projecto de vida orientado para um ideal a atingir. Atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, o ser humano aperfei\u00e7oa-se, eleva-se do n\u00edvel dos instintos e dos desejos ao plano da raz\u00e3o, atributo distintivo da pessoa, que d\u00e1 a cada um a capacidade de se reconhecer e de se adaptar ao meio circundante, de encontrar sentido para a vida e de elaborar projectos que o comprometem na constru\u00e7\u00e3o do futuro e lhe conferem autenticidade.   3. Uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o implica, sempre, a rela\u00e7\u00e3o humana entre o educador e o educando. Sendo o educando o protagonista principal da sua pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, \u201cos educadores s\u00e3o verdadeiros art\u00edfices de um futuro de pessoas harmoniosamente desenvolvidas e com boa rela\u00e7\u00e3o pessoal\u201d(1) . Uma vis\u00e3o redutora da pessoa humana que valoriza apenas algumas das suas dimens\u00f5es, as exig\u00eancias de prepara\u00e7\u00e3o para o ingresso a n\u00edveis superiores de ensino e de selectividade nas entradas nas institui\u00e7\u00f5es educativas, e a necessidade crescente de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos e de compet\u00eancias para a inser\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, t\u00eam conduzido ao empobrecimento do conceito e da pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o.  Sobrevaloriza-se a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos e de compet\u00eancias, esquecendo-se a forma\u00e7\u00e3o global indispens\u00e1vel \u00e0 aprendizagem do \u201csaber ser\u201d. Nestas condi\u00e7\u00f5es, os educadores tendem a tornar-se meros transmissores de informa\u00e7\u00e3o, convertendo a pedagogia em t\u00e9cnicas de efic\u00e1cia da comunica\u00e7\u00e3o.   4. A vis\u00e3o crist\u00e3 da pessoa e da educa\u00e7\u00e3o p\u00f5e em causa tanto as concep\u00e7\u00f5es redutoras da pessoa como o pragmatismo da educa\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria. Abre o homem e a mulher \u00e0 totalidade das dimens\u00f5es da pessoa, incluindo os valores espirituais e religiosos. Refere-os a Cristo, Verbo Encarnado, o \u00fanico que esclarece verdadeiramente o mist\u00e9rio do Homem (2). E entende o educador como algu\u00e9m que acompanha o educando e o ajuda a crescer, algu\u00e9m cuja miss\u00e3o essencial \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 transmitir conhecimentos, mas testemunhar uma coer\u00eancia de vida que confira a devida autoridade \u00e0 palavra transmitida.  5. S\u00f3 uma rela\u00e7\u00e3o de amor que envolva todos os intervenientes no processo educativo pode tornar fecunda a tarefa educativa. Criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus que \u00e9 amor, o Homem s\u00f3 no amor atinge a plenitude da realiza\u00e7\u00e3o e se torna semelhante ao pr\u00f3prio Deus (3). Como diz S. Paulo, mesmo que algu\u00e9m possua os dons mais excelentes, se n\u00e3o tiver amor, nada ser\u00e1 (cf. 1 Cor 13,3).  Educar \u00e9 um acto de amor. S\u00f3 o amor \u00e9 capaz de gerar humildade diante do saber, autoridade que se funda no servi\u00e7o, respeito pela individualidade de cada um, reconhecimento e autoconfian\u00e7a, capacidade para dar e receber, apet\u00eancia para acolher propostas e seguir valores, energia para vencer obst\u00e1culos.   6. Os pais s\u00e3o os educadores por excel\u00eancia e n\u00e3o devem abdicar dessa miss\u00e3o, delegando-a em outras institui\u00e7\u00f5es. Os filhos s\u00e3o fruto e express\u00e3o do amor. A responsabilidade educativa radica nesse amor inicial e \u00e9 express\u00e3o do seu florescimento.  Assim, neste in\u00edcio do ano escolar:  * advertimos os pais para que colaborem activamente com a escola na tarefa educativa dos filhos, fazendo-lhes sentir quanto a aprendizagem \u00e9 importante e o esfor\u00e7o recompensador; e colaborem com a Igreja, acompanhando a catequese e o crescimento da f\u00e9 dos filhos, testemunhando eles pr\u00f3prios a f\u00e9, vivida na fam\u00edlia e na comunidade crist\u00e3; * aos p\u00e1rocos e demais sacerdotes reconhecemos a sua generosidade e dedica\u00e7\u00e3o, e alertemos para a urg\u00eancia da renova\u00e7\u00e3o da pastoral familiar, do empenho na forma\u00e7\u00e3o de catequistas e da aten\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo e coopera\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e ensino;  * aos professores, particularmente os de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, e aos educadores, apelamos a que vivam o que anunciam, irradiando pelo testemunho pessoal a  mensagem e os valores que prop\u00f5em aos seus alunos e educandos; * aos catequistas exortamos a que se assumam como o primeiro dos meios ao servi\u00e7o da catequese em cada Diocese e que, pela sua forma de viver, sejam \u201celes mesmos uma catequese viva\u201d (4); * \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens testemunhamos que o tempo actual \u00e9 um tempo de esperan\u00e7a e apelamos a que acreditem que um mundo novo pode surgir se cada um de n\u00f3s der o seu contributo; tamb\u00e9m, para eles, Jesus Cristo \u00e9 a aposta segura.  E a todos apontamos Jesus Cristo como o melhor pedagogo e o modelo a \tseguir: sendo de condi\u00e7\u00e3o divina, veio para servir e n\u00e3o para ser servido e atraiu os cora\u00e7\u00f5es de muitos pela radicalidade do Seu amor, dando a vida para que a vida ressurja em abund\u00e2ncia (cf. Mt 20,28; Jo 10,10).   Lisboa, 26 de Setembro de 2005  &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- 1 cf. Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (2002). Carta Pastoral Educa\u00e7\u00e3o, direito e dever \u2013 miss\u00e3o nobre ao servi\u00e7o de todos. Lisboa, n\u00ba 2. 2 cf. Conc\u00edlio Vaticano II (1965). Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral Gaudium et Spes, sobre A Igreja no mundo actual, n\u00ba 22.  3 Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (2005). Nota sobre a educa\u00e7\u00e3o da sexualidade. Lisboa, n\u00ba 2. 4 Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos (2005). Direct\u00f3rio para o Minist\u00e9rio Pastoral dos Bispos, n\u00ba 128. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 para a Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (02-09 de Outubro de 2005)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,144,147,154,193,206],"class_list":["post-14045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-crianca","tag-educacao","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14045\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}