{"id":14040,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ha-necessidade-de-uma-escola-biblica-para-os-catolicos-portugueses\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ha-necessidade-de-uma-escola-biblica-para-os-catolicos-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ha-necessidade-de-uma-escola-biblica-para-os-catolicos-portugueses\/","title":{"rendered":"H\u00e1 necessidade de uma Escola B\u00edblica para os cat\u00f3licos portugueses"},"content":{"rendered":"<p>Frei Herculano Alves, especialista em Teologia B\u00edblica   <!--more--> Abundam as iniciativas sobre a Sagrada Escritura e mais do que nunca as pessoas recorrem ao estudo para a sua compreens\u00e3o, independemente de serem ou n\u00e3o crentes. A B\u00edblia est\u00e1 traduzida em mais de seis mil l\u00ednguas, e isso deve-se em grande parte ao trabalho de divulga\u00e7\u00e3o feito pelos crist\u00e3os da Reforma; mas da parte dos cat\u00f3licos h\u00e1 que fazer muito mais para a forma\u00e7\u00e3o permanente, considera Frei Herculano Alves, conferencista na 18.\u00aa Semana B\u00edblica do Funchal, em entrevista ao Jornal da Madeira.  <i>JORNAL da MADEIRA \u2014 A B\u00edblia \u00e9 uma s\u00f3 ou existem b\u00edblias para todos os gostos e mentalidades?  Herculano Alves \u2014<\/i> H\u00e1 apenas uma B\u00edblia, considerando os textos originais em hebraico, aramaico e grego. Mas esses textos est\u00e3o hoje traduzidos numas seis mil l\u00ednguas, em todo o mundo, e s\u00e3o as Sociedades B\u00edblicas, atrav\u00e9s dos nossos irm\u00e3os protestantes, quem mais traduz o texto sagrado; mas os cat\u00f3licos, actualmente, j\u00e1 v\u00e3o \u00e0 frente nesta tarefa. A diferen\u00e7a \u00e9 que uma B\u00edblia cat\u00f3lica exige mais cuidado.  Enquanto que a B\u00edblia protestante quase n\u00e3o tem notas, nem introdu\u00e7\u00f5es, o investimento faz-se apenas na tradu\u00e7\u00e3o; do lado cat\u00f3lico h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de mais explica\u00e7\u00f5es sobre o contexto e os termos t\u00e9cnicos; da\u00ed as in\u00fameras notas de rodap\u00e9 e outros recursos adequados.  Pode-se dizer que h\u00e1, de facto, B\u00edblias para todos os gostos, na medida em que existem desde as mais especializadas \u00e0s mais populares, com mais vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico ou n\u00e3o, ou com uma tradu\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica que acompanha a linguagem de hoje, uma B\u00edblia para todas as idades, para crian\u00e7as e jovens. Ser\u00e1 leg\u00edtimo fazer assim essa tradu\u00e7\u00e3o? Depende. Pessoalmente n\u00e3o gosto de uma tradu\u00e7\u00e3o de tipo din\u00e2mico, aprecio mais a linguagem que se usava no tempo de Jesus, pois, se traduzimos tudo para a linguagem actual perdemos a liga\u00e7\u00e3o ao passado. Reconhe\u00e7o, no entanto, que h\u00e1 iniciativas boas nesse sentido e para quem tenha poucos conhecimentos desse vocabul\u00e1rio, ou que frequente pouco a Igreja, \u00e9 melhor compreender assim do que n\u00e3o perceber nada.   <i>JM \u2014 Ser\u00e1 ent\u00e3o necess\u00e1ria uma forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica, permanente, para os cat\u00f3licos?  HA \u2014<\/i> Quando disse que os protestantes s\u00f3 traduzem o texto \u00e9 porque eles n\u00e3o precisam de mais nada, uma vez que promovem a chamada escola b\u00edblica ou a forma\u00e7\u00e3o permanente, enquanto os cat\u00f3licos ainda n\u00e3o t\u00eam, o que est\u00e1 mal, \u00e9 uma lacuna de facto.  H\u00e1 uns anos que ando a dizer que se as pessoas quisessem, em cada cidade ou vila, formar uma escola b\u00edblica ou da Palavra seria muito bom. E essa iniciativa tem que partir de toda a gente, os leigos t\u00eam que se organizar, n\u00e3o \u00e9 preciso ser doutor em B\u00edblia para fazer isso, isto \u00e9, promover a leitura do texto e retirar os conhecimentos adequados \u00e0 sua compreens\u00e3o. \u00c9 isso que nos falta fundamentalmente. As semanas b\u00edblicas e os grupos b\u00edblicos n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa.  Nos grupos b\u00edblicos, por exemplo, seguimos o m\u00e9todo da \u201cLectio divina\u201d, ou seja, uma leitura simples do texto, crente, feita com f\u00e9, ora\u00e7\u00e3o e empenhamento, e em que as pessoas se comprometem a viver a mensagem no dia a dia, \u00e9 essa a finalidade. \u00c9 diferente de uma escola onde se vai expressamente para ensinar e aprender e que at\u00e9 pode ser frequentada por quem n\u00e3o tem f\u00e9 nenhuma.  Estou confiante que isso venha a acontecer, vamos lan\u00e7ando as ideias e se algu\u00e9m fizesse alguma coisa seria o ideal, por exemplo, na cidade do Funchal, ou nas v\u00e1rias par\u00f3quias, as pessoas em cada 15 dias, ou em cada m\u00eas, tivessem uma pequena li\u00e7\u00e3o sobre a B\u00edblia ou sobre um tema b\u00edblico, seria importante.   <i>JM \u2014 \u00c9 quase uma obriga\u00e7\u00e3o saber interpretar a Palavra de Deus para melhor vivenci\u00e1-la?  H\u00c1 \u2014<\/i> Sem d\u00favida. Penso que na Igreja Cat\u00f3lica ainda h\u00e1 muitas devo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam mal nenhum mas que tiram tempo \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o principal que \u00e9 a Palavra de Deus, o fundamento da f\u00e9 dos crist\u00e3os. Isto \u00e9 dito pelos Papas, pelos documentos do Conc\u00edlio Vaticano II e outros da Igreja, n\u00e3o estou a dizer que deve ser, \u00e9 a pr\u00f3pria Igreja quem assim afirma: a B\u00edblia \u00e9 o fundamento de tudo mas muitas vezes assim n\u00e3o a entendemos, n\u00e3o a consideramos como tal.   <i>JM \u2014 A B\u00edblia tem respostas para tudo?, \u00e9 resposta universal?  HA \u2014<\/i> Essa \u00e9 uma pergunta simples e complicada ao mesmo tempo. \u00c9 complicada, no sentido em que a B\u00edblia n\u00e3o \u00e9 uma farm\u00e1cia onde se vai buscar o rem\u00e9dio para todos os males, ou as aspirinas para todas as dores, ou onde se aviam todas as receitas para os problemas do mundo. \u00c9 a Palavra de Deus que est\u00e1 escondida atrav\u00e9s das palavras humanas, mas onde encontramos sempre uma resposta. Nessa Palavra, encontram-se respostas para todos os tempos, para todas as situa\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o diferentes das situa\u00e7\u00f5es do povo que viveu e escreveu a B\u00edblia, pois, os homens n\u00e3o mudaram muito.  Quando hoje se discute, por exemplo, se h\u00e1 ou n\u00e3o diabo&#8230;, tamb\u00e9m no tempo de Jesus havia um tal medo e era muito comum falar de diabos, ou em esp\u00edritos e dem\u00f3nios, os Evangelhos at\u00e9 falam disso&#8230;; notamos que hoje, afinal, estamos num mundo parecido e verifica-se ainda que quanto mais as pessoas abandonam a Igreja, ou Jesus Cristo, ou a Palavra de Deus, mais v\u00e3o atr\u00e1s de outras solu\u00e7\u00f5es, de bruxas, feiticeiras, adivinhos, buscam qualquer coisa que tenha uma resposta para os seus problemas&#8230; .  \u00c9 exactamente a mesma situa\u00e7\u00e3o que havia no tempo de Jesus. Procuravam aqueles esp\u00edritos maus para dar resposta aos seus problemas de doen\u00e7a ou do que quer que fosse &#8230; Passaram dois mil anos e parece que estamos iguais, ou seja, a Palavra da B\u00edblia tem respostas para sempre e o ser humano perante Deus n\u00e3o tem problemas t\u00e3o diferentes daquele tempo. Quer dizer que a B\u00edblia bem lida e interpretada manifesta-nos que h\u00e1 uma mensagem perene, permanente, e que tamb\u00e9m interessa para n\u00f3s, hoje. Digo que a B\u00edblia tem respostas para tudo neste sentido. N\u00e3o \u00e9 lendo um vers\u00edculo que tenho logo a resposta para o meu problema, mas quando a leio na globalidade vejo aquele Deus que vem ter comigo e me ama, me acompanha nas dificuldades e problemas. Sempre assim foi, n\u00e3o mudou, n\u00f3s \u00e9 que podemos mudar. A B\u00edblia tem sempre uma solu\u00e7\u00e3o porque l\u00e1 se revela o mesmo Deus que \u00e9 um s\u00f3, sempre disposto a nos acolher e a nos amar.   <i>JM \u2014 Mas, o que caracteriza tamb\u00e9m o nosso tempo \u00e9 a idolatria para todos os gostos e consumismos, deuses com p\u00e9s de barro &#8230;  HA \u2014<\/i> \u00c9 uma realidade. Antigamente, as pessoas dedicavam-se mais aos actos de culto da Igreja e arranjavam tempo para isso.  Actualmente h\u00e1 tanta coisa, desde os \u00eddolos de futebol, passando pela telenovela, at\u00e9 ao consumismo desenfreado, diversas situa\u00e7\u00f5es que oferecem outros valores, outros deuses e estrelas com p\u00e9s de barro, que ocupam de alguma forma o lugar de Deus no cora\u00e7\u00e3o das pessoas.  A B\u00edblia diz que Deus est\u00e1 em primeiro lugar, mas sempre caimos na tenta\u00e7\u00e3o de relativizar a sua presen\u00e7a, por escolha de outras divindades sem consist\u00eancia, porque fabricadas por n\u00f3s pr\u00f3prios, conforme os nossos gostos e interesses. O Deus da B\u00edblia nunca \u00e9 fabricado, \u00e9 o \u00fanico Deus que permanece. A nossa atitude dever\u00e1 ser a de colocar sempre Deus em primeiro lugar, Ele \u00e9 que merece ocupar o nosso \u00edntimo.   <i>JM \u2014 Como explicar ent\u00e3o a mentalidade que apresenta Deus como mau, justiceiro, pronto a castigar a toda a hora?  HA \u2014<\/i> Isso tem a ver com uma interpreta\u00e7\u00e3o menos boa dos textos que falam de justi\u00e7a. Ou seja, leram-se mal alguns textos b\u00edblicos, sem se perceber o contexto e o seu verdadeiro significado, em que Deus, no Antigo Testamento era apresentado como uma esp\u00e9cie de pol\u00edcia.  \u00c9 uma mentalidade que se cr\u00ea ultrapassada mas que marcou muito a viv\u00eancia religiosa de outras \u00e9pocas. Era uma pedagogia que correspondeu a um tempo em que a imagem que se tinha de Deus era a de um rei e em que um povo precisava ser \u201cdomado\u201d, pois na sua caminhada era tentado permanentemente por \u00eddolos ou deuses falsos, nos santu\u00e1rios pag\u00e3os; e ent\u00e3o os profetas faziam amea\u00e7as; a \u00fanica maneira de manter a disciplina era meter medo. Deus, como um rei, devia castigar os maus e proteger os bons e fazer justi\u00e7a na hora.  Ainda n\u00e3o havia a vis\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o e do amor misericordioso. S\u00f3 com Jesus Cristo \u00e9 que se manifestou o rosto de Deus amoroso, para quem a justi\u00e7a consiste em perdoar. A justi\u00e7a divina \u00e9 o perd\u00e3o. E Cristo foi o Redentor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Herculano Alves, especialista em Teologia B\u00edblica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[295,144,154,186,303],"class_list":["post-14040","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-biblia","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-diocese-do-funchal","tag-santuarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14040\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}