{"id":140142,"date":"2019-06-14T07:00:29","date_gmt":"2019-06-14T06:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=140142"},"modified":"2019-07-04T16:22:48","modified_gmt":"2019-07-04T15:22:48","slug":"santo-antonio-doutor-da-igreja-e-padroeiro-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/santo-antonio-doutor-da-igreja-e-padroeiro-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Santo Ant\u00f3nio: Doutor da Igreja e padroeiro dos pobres"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Frei Armindo Carvalho \u00e9 provincial dos Franciscanos em Portugal desde 2016. Foi mission\u00e1rio em Mo\u00e7ambique durante d\u00e9cadas e guardi\u00e3o da Igreja de Casa de Santo Ant\u00f3nio em Lisboa<\/span><\/i><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante o seu percurso de vida, teve sempre por perto Santo Ant\u00f3nio, primeiro em Torres Vedras, no Convento de Santo Ant\u00f3nio do Varatojo, em Maputo, na Igreja de Santo Ant\u00f3nio da Polana, e em Lisboa, na casa onde nasceu o santo de Lisboa, de P\u00e1dua e do mundo, como disse Le\u00e3o XIII.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Entrevista conduzida por Paulo Rocha (ECCLESIA) e Jos\u00e9 Pedro Fraz\u00e3o (Renascen\u00e7a)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_140068\" aria-describedby=\"caption-attachment-140068\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-140068 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/armindo_carvalho-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-140068\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A figura de Santo Ant\u00f3nio tem uma forte devo\u00e7\u00e3o popular. H\u00e1 um lado menos conhecido no meio de toda a popularidade?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez o lado intelectual, apesar de ter sido declarado doutor da Igreja, n\u00e3o \u00e9 um aspeto muito explorado. Reconhece-se que Santo Ant\u00f3nio, embora sendo um intelectual de alto gabarito, como costumamos dizer, n\u00e3o se d\u00e1 muito bem l\u00e1 nos altos, nas altitudes das intelectualidades, mas desce com muita facilidade \u00e0 simplicidade, ao dia-a-dia do povo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O povo quase o considera como um membro da fam\u00edlia. Qualquer circunst\u00e2ncia feliz \u00e9 para relevar Santo Ant\u00f3nio, qualquer problema que surja: \u201c\u00d3 Santo Ant\u00f3nio vale-nos!\u201d. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mas isso tem a ver tamb\u00e9m com a pr\u00f3pria biografia de Santo Ant\u00f3nio, um muito bom aluno que de repente ficou impressionado ao ver passar uns monges Franciscanos a caminho de Marrocos e a vida muda?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso \u00e9 j\u00e1 a segunda presen\u00e7a de uma caminhada que come\u00e7ou em Lisboa, depois mudou para Coimbra, onde terminou o seu doutoramento na universidade e depois acolheu esses frades, os cinco primeiros que S\u00e3o Francisco, depois do grande Cap\u00edtulos da Esteiras, lan\u00e7ou como mission\u00e1rios pelo mundo, esses destinados a Marrocos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para passarem para Marrocos teriam de ter uma paragem e foi exatamente em Santo Ant\u00f3nio dos Olivais, em Coimbra, onde Santo Ant\u00f3nio era c\u00f3nego regrante e trabalhava na par\u00f3quia e conheceu os fradinhos, a sua simplicidade, comunicabilidade, sobretudo pela sua alegria: porque \u00e9 que estas pessoas s\u00e3o t\u00e3o alegres? N\u00e3o t\u00eam dinheiro, n\u00e3o t\u00eam coisas especiais, mas s\u00e3o alegres? E deixou-se cativar e com o passar desses cinco frades ficou a pensar se um dia n\u00e3o poderia ter um h\u00e1bito castanho e uma vida como aqueles frades simples e humildes, mas alegres e felizes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando os frades foram para Marrocos e foram l\u00e1 martirizados e regressaram os seus restos mortais, foi ele que os recebeu e l\u00e1 est\u00e3o ainda em Coimbra.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nunca mais esqueceu os Franciscanos? Desde esse primeiro encontro?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o esqueceu!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E isto foi h\u00e1 800 anos que aconteceu esse primeiro encontro, com os frades franciscanos?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sim. A Ordem foi aprovada oficialmente em 1209, come\u00e7ou a lan\u00e7ar-se, sobretudo em grande expans\u00e3o pela Europa \u2013 It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Portugal \u2013 e depois para outros lados. \u00c9 exatamente nessa altura que se d\u00e1 a grande expans\u00e3o da Ordem, porque \u00e9 uma novidade. N\u00e3o sou historiador, leio alguma coisa e gosto muito de Santo Ant\u00f3nio, mas o que o encantou, acho, ter\u00e1 sido esta forma evang\u00e9lica de viver dos fradinhos de S\u00e3o Francisco. Chamemos-lhes fradinhos, porque \u00e9 o termo popular. Acho que o Evangelho n\u00e3o \u00e9 uma prega\u00e7\u00e3o, uma teoria que se lan\u00e7a, mas \u00e9 uma vida. Ent\u00e3o, S\u00e3o Francisco intuiu que viver o Evangelho era a melhor coisa da vida, era a melhor maneira de viver.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E logo nesses anos, os primeiros anos, Santo Ant\u00f3nio conheceu S\u00e3o Francisco, esteve com S\u00e3o Francisco de Assis, no Cap\u00edtulo das Esteiras?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Exatamente. Depois de regressar de Marrocos, no mesmo barco em que foi \u2013 teve as febres africanas e como estava muito mal meteram-no no mesmo barco; segundo consta, o barco foi sujeito a uma grande tempestade e em vez de chegar a Lisboa, atracou na ilha da Sic\u00edlia. Santo Ant\u00f3nio saiu ali, havia uns monges beneditinos, tamb\u00e9m frades franciscanos, soube que estavam l\u00e1 e foi a correr. Como os franciscanos t\u00eam uma ordem de S\u00e3o Francisco \u2013 quando um dos irm\u00e3os estiver doente, os outros recebam-no e tratem-no como queriam ser tratados e recebidos -, acolheram-no com muita alegria e beneficiaram tamb\u00e9m da sua presen\u00e7a, ajudaram-no a recuperar a sa\u00fade. Depois seguiu com eles para Assis, onde foi participar no Cap\u00edtulo das Esteiras, o primeiro que se fez, passados tr\u00eas anos da exist\u00eancia da Fam\u00edlia Franciscana, desta nova for\u00e7a da Igreja, no qual tamb\u00e9m participou S\u00e3o Francisco \u2013 foi at\u00e9, talvez, um esfor\u00e7o do frei Elias, que era na altura o ministro-geral, e que n\u00e3o saberia onde estava S\u00e3o Francisco. Estaria na Terra Santa, que era um sonho dele? Estaria em Marrocos, para continuar a presen\u00e7a dos frades? Apareceu ali e foi uma grande alegria para todos os frades, \u00e0 volta j\u00e1 de 3 ou 4 mil, verem ali o fundador. Santo Ant\u00f3nio estava presente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E como foi, do que sabemos, o contacto que tiveram?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bom, a hist\u00f3ria n\u00e3o descreve os pormenores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 isso, n\u00e3o descreve\u2026<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ter\u00e1 sido quase ocasional. S\u00e3o Francisco viu aquele frade, um pouco desconhecido, apresentaram-no como um homem de Lisboa, que se converteu h\u00e1 pouco tempo, e um homem de Ci\u00eancia. S\u00e3o Francisco conversou com ele, mas naturalmente que n\u00e3o foi logo uma decis\u00e3o tomada, s\u00f3 mais tarde, cerca de meio ano, quando foi ordenado um padre, no Convento de Rieti, no final havia sempre algu\u00e9m que dizia umas palavras, que deixava uma mensagem. Como n\u00e3o apareceu nenhum frade para falar, o superior disse: \u201cTu, Ant\u00f3nio, vais fazer o serm\u00e3o\u201d. Ele, por obedi\u00eancia, foi fazer o serm\u00e3o e saiu-lhe t\u00e3o bem \u2013 a primeira parte, segundo dizem os historiadores, foi assim uma partilha muito simples, muito humilde, mas depois pegou nas ci\u00eancias da Palavra de Deus que ele tinha, at\u00e9 se dizia que sabia todo o Novo Testamento de cor, n\u00e3o precisava de ir ao papel, lan\u00e7ou-as no ambiente que estavam a viver \u2013 que foi muito admirado e aplaudido. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 a\u00ed que come\u00e7a a sua dimens\u00e3o de pregador? \u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 a\u00ed que ent\u00e3o S\u00e3o Francisco o chama e lhe diz \u201ctu vai ensinar Teologia aos meus irm\u00e3os\u201d e o outro lhe diz \u201ctu vais pregar\u201d. D\u00e1-lhe a miss\u00e3o de pregador e de professor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ali\u00e1s o S\u00e3o Francisco chama o \u201cmeu bispo\u201d, a Santo Ant\u00f3nio, porque naquele tempo os doutores eram os bispos, ent\u00e3o ele diz \u201ctu \u00e9s o meu bispo porque sabes as Escrituras e \u00e9s um homem que conhece a Palavra de Deus e a sabes viver e a sabes pregar tamb\u00e9m\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E temos um Santo Ant\u00f3nio mais erudito, mais doutor em It\u00e1lia, e mais popular em Portugal?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu creio que a diferen\u00e7a n\u00e3o deve ser muito grande, mas se calhar tem raz\u00e3o, a popularidade de Santo Ant\u00f3nio em Portugal \u00e9 maior, ao n\u00edvel do povo simples, humilde.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s vemos, por exemplo, essas manifesta\u00e7\u00f5es da festa de Santo Ant\u00f3nio que atrai multid\u00f5es, e n\u00e3o s\u00f3 daqui da nossa Lisboa nem do nosso retangulozinho que \u00e9 Portugal, mas de todo o mundo, que enchem toda aquela rua.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E o que \u00e9 que estar\u00e1 na base desta diferen\u00e7a de avalia\u00e7\u00e3o da figura de Santo Ant\u00f3nio em It\u00e1lia e em Portugal? Como \u00e9 que ele entrou na religiosidade popular de uma forma mais vincada no nosso pa\u00eds?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portugal nunca teve a prega\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio, ele pregou em It\u00e1lia, em Fran\u00e7a, mas em Portugal nunca pregou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao que se diz veio a Portugal uma vez com dupla presen\u00e7a, com o dom da ubiquidade, para salvar o pai de uma senten\u00e7a de morte que era injusta. Ent\u00e3o ele aparece, mas com o dom da ubiquidade, e salva o pai da morte. De resto, nunca pregou em Portugal nem nunca ter\u00e1 pregado em portugu\u00eas, mas em italiano, em franc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 mais visto como um santo casamenteiro?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m, casamenteiro, aquele que acha as coisas perdidas, aquele que desenrasca os doentes, \u00e9 o santo dos pobres, \u00e9 o santo daqueles que s\u00e3o simples e que reconhecem que precisam de algu\u00e9m para os ajudar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Papa Francisco nesta quarta-feira chamou-lhe precisamente o \u201cpadroeiro dos pobres e de quem sofre\u201d. Acredito que, para al\u00e9m dessa evoca\u00e7\u00e3o, exista uma grande obra social desenvolvida a partir da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, do p\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio. Que tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? E sobretudo, que reflexo tem na promo\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 mais necessitado?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O p\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 bem para matar a fome, o que n\u00f3s vendemos hoje&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Os resultados dessa venda n\u00e3o ajudam depois obras sociais? <\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As obras sociais de Cane\u00e7as e de Dona Maria que s\u00e3o as obras de assist\u00eancia a crian\u00e7as pobres, em colabora\u00e7\u00e3o com a Seguran\u00e7a Social.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o p\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio inicialmente nasceu exatamente para dar comida a quem tem fome. O inovador deste projeto foi um frade chamado Jo\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade que era natural de Geraldes, perto de Peniche, e que foi nomeado ministro provincial, o segundo ministro provincial da Prov\u00edncia renascida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E teve uma aten\u00e7\u00e3o especial do ent\u00e3o patriarca de Lisboa, que conhecia a devo\u00e7\u00e3o dele a Santo Ant\u00f3nio e tamb\u00e9m os seus dotes orat\u00f3rios, as suas qualidades humanas e relacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o pediu para que ele fosse o primeiro reitor da igreja de Santo Ant\u00f3nio, porque at\u00e9 a\u00ed, depois do terramoto de Lisboa, em 1755, aquilo teve uma evolu\u00e7\u00e3o muito complexa at\u00e9 que se chegou \u00e0 atual igreja e essa atual igreja ser\u00e1 mais ou menos uma r\u00e9plica da primeira, que est\u00e1 por baixo, toda em escombros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas \u00e9 exatamente nessa igreja, que hoje acolhe os peregrinos de todo o mundo, que foi institu\u00eddo o p\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde h\u00e1 98 anos que isto existe: todas as semanas h\u00e1 o p\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio, duas vezes por semana. Muda \u00e0s vezes conforme os reitores &#8211; hoje tem uma vertente um pouco mais de alimenta\u00e7\u00e3o completa, a partir de ofertas do supermercado, de restaurantes que s\u00e3o distribu\u00eddas, mas antes era o p\u00e3o mesmo que alimentava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aquele p\u00e3o pequenino \u00e9 mais um s\u00edmbolo da comunh\u00e3o que Santo Ant\u00f3nio faz com o mundo inteiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o h\u00e1 saquinhos que pedem daqui para muitos lados do mundo, e que v\u00e3o pelo correio, outros levam com eles nos saquinhos, exatamente para simbolizar esta rela\u00e7\u00e3o que Santo Ant\u00f3nio tem &#8211; n\u00e3o s\u00f3 no hoje, no dia 13 de junho, mas tamb\u00e9m durante o ano pode-se comer esse p\u00e3o que nunca apodrece. \u00c9 tratado de uma forma especial, de maneira que nunca ganha bolor nem apodrece&#8230; Se comer daqui a um ano ou dois ainda se pode comer. Est\u00e1 mais rijo, mas pode-se comer.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E a dimens\u00e3o de partilha com os que menos t\u00eam n\u00e3o se perde com a agita\u00e7\u00e3o da cidades destes dias?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A nossa vida social, hoje, \u00e9 diferente de outros tempos. N\u00e3o v\u00e3o tanto \u00e0 procura de uns \u201cmilagrinhos\u201d, mas uma devo\u00e7\u00e3o de louvor a Santo Ant\u00f3nio. Por exemplo, todas as semanas tiram-se centenas de papelinhos do quadro especial envidra\u00e7ado que h\u00e1 l\u00e1, que dizem ser uma r\u00e9plica de Giotto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei se confunde a festa e marchas com a festa do cora\u00e7\u00e3o das pessoas. Mas essa festa do cora\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o deixa de existir, ligada \u00e0 festa da rela\u00e7\u00e3o. Se se viver o encontro com Santo Ant\u00f3nio, na simplicidade do cora\u00e7\u00e3o, e depois se dan\u00e7a e se canta e se toca m\u00fasica com os amigos e a fam\u00edlia, isso \u00e9 uma partilha muito simp\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_139973\" aria-describedby=\"caption-attachment-139973\" style=\"width: 1243px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-139973 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/35148031_2245362048812264_8119220903801257984_o.jpg\" alt=\"\" width=\"1243\" height=\"758\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/35148031_2245362048812264_8119220903801257984_o.jpg 1243w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/35148031_2245362048812264_8119220903801257984_o-400x244.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/35148031_2245362048812264_8119220903801257984_o-768x468.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/35148031_2245362048812264_8119220903801257984_o-1024x624.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/35148031_2245362048812264_8119220903801257984_o-1080x659.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1243px) 100vw, 1243px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-139973\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Museu de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 que ponto o turismo est\u00e1 a transformar a Igreja de Santo Ant\u00f3nio? Para al\u00e9m de um local de peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um ponto tur\u00edstico?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Igreja de Santo Ant\u00f3nio, a que chamamos Igreja-Santu\u00e1rio, \u00e9 um dos passos da rota das peregrina\u00e7\u00f5es religiosas: passam por Lisboa, v\u00e3o a F\u00e1tima, seguem para Santiago de Compostela&#8230; Hoje, est\u00e1 um pouco diferente: houve uma altera\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal, que \u00e9 propriet\u00e1ria da Igreja, e quando, noutros tempos, os autocarros chegavam l\u00e1 e deixavam os turistas, depois eram chamados no regresso, agora j\u00e1 n\u00e3o sobem. S\u00f3 os carros e os tuck-tuck&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mas isso fez diminuir o n\u00famero de devotos de Santo Ant\u00f3nio?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dizem que diminuiu um pouco. J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o tantos os grupos de estrangeiros. Mas n\u00f3s trabalhamos muito com os guias: cada ano fazemos tr\u00eas ou quatro encontros de fim de semana e partilhamos as experi\u00eancias deles e usamos a influ\u00eancia que eles t\u00eam na visita ao Santu\u00e1rio de Santo Ant\u00f3nio. N\u00e3o por uma inten\u00e7\u00e3o comercial, longe de n\u00f3s! Mas a passagem por Santo Ant\u00f3nio contribui para a compra do P\u00e3o dos Pobres, as obras de assist\u00eancia social e para a manuten\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Acha que \u00e9 necess\u00e1rio criar outras solu\u00e7\u00f5es de acessibilidade para que grupos pudessem voltar \u00e0 Igreja de Santo Ant\u00f3nio?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um problema que n\u00e3o sei responder porque depende da orienta\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito na cidade. \u00a0Come\u00e7aram a fazer um elevador, a partir do Campo das Cebolas e at\u00e9 \u00e0 S\u00e9, mas parou h\u00e1 mais de dois anos. Isso seria uma alternativa: os autocarros paravam no Campo das Cebolas, as pessoas subiam no elevador e estavam l\u00e1 em cima&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">O que h\u00e1 de Santo Ant\u00f3nio em todo o mundo, por exemplo a Oriente, para al\u00e9m de Lisboa e P\u00e1dua?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Creio que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma igreja na Europa que n\u00e3o tenha uma imagem de Santo Ant\u00f3nio! Tenho andado por muitos lados e h\u00e1 tr\u00eas anos estive em Sevilha e foi visitar a Catedral. Procurei uma imagem de Santo Ant\u00f3nio, nos altares e n\u00e3o encontrei nada&#8230; \u00c0 sa\u00edda, e pensando que os sevilhanos n\u00e3o gostavam de Santo Ant\u00f3nio, perguntei a uma Senhora: \u2018N\u00e3o h\u00e1 aqui uma imagem de Santo Ant\u00f3nio?\u2019 \u2013 \u2018Sim, em cima\u2019, respondeu ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s j\u00e1 celebramos a gemina\u00e7\u00e3o com Santo Ant\u00f3nio de Brive, no Sul de Fran\u00e7a, em 2008, onde h\u00e1 uma grande comunidade de portugueses emigrantes, numa manifesta\u00e7\u00e3o linda \u00e0 volta da cultura portuguesa (porque Santo Ant\u00f3nio \u00e9 portugu\u00eas, embora digam que \u00e9 de P\u00e1dua. Mas \u00e9 de todo o mundo, como disse o Papa Le\u00e3o XIII). Essa foi a primeira gemina\u00e7\u00e3o. A segunda foi na Bas\u00edlica de P\u00e1dua, de forma mais pomposa, onde tive o privil\u00e9gio de presidir \u00e0 Eucaristia, repleta, onde assinamos o protocolo entre Lisboa e P\u00e1dua. Foi uma alegria ver aquela assembleia da Bas\u00edlica, de p\u00e9 a aplaudir o ato da gemina\u00e7\u00e3o. A terceira foi com a Afragola, em N\u00e1poles, que t\u00eam uma devo\u00e7\u00e3o \u201clouca\u201d a Santo Ant\u00f3nio. E a quarta foi em Ceuta, no ano passado, onde est\u00e3o as marcas dos portugueses, quando l\u00e1 passaram, n\u00e3o apenas nos monumentos, mas na cultura do povo, que \u00e9 muito relacionada com Santo Ant\u00f3nio, onde foi inaugurada uma casa de retiros em honra de Santo Ant\u00f3nio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Armindo Carvalho \u00e9 provincial dos Franciscanos em Portugal desde 2016. Foi mission\u00e1rio em Mo\u00e7ambique durante d\u00e9cadas e guardi\u00e3o da Igreja de Casa de Santo Ant\u00f3nio em Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":140068,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[58,630],"tags":[],"class_list":["post-140142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-caixa1","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140142\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/140068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}