{"id":13977,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/educacao-em-valores\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"educacao-em-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/educacao-em-valores\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o em valores"},"content":{"rendered":"<p>O papel da escola <!--more--> A cultura dominante, hedonista e consumista, dificulta a educa\u00e7\u00e3o em valores. O caos informativo criou nevoeiro nas consci\u00eancias. Tudo se mede pelos resultados econ\u00f3micos. Os valores actualmente \u201ccotados no mercado\u201d s\u00e3o: fama, dinheiro, prest\u00edgio, poder, prazer e sucesso.  Justifica-se a educa\u00e7\u00e3o em valores pela necessidade de oferecer aos jovens certos princ\u00edpios que sirvam para orientar as suas ac\u00e7\u00f5es. Um sistema de valores \u00e9 bom para a vida pessoal e social. \u00c9 preciso ensinar aos jovens como fazer bem e n\u00e3o como desenrascar-se, quando as coisas correm mal.  <b>Pais e professores<\/b> Para educar uma crian\u00e7a, tem de haver conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os da fam\u00edlia e da escola. Os pais s\u00e3o os primeiros respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos. N\u00e3o devem comportar-se como meros \u201cconsumidores\u201d que se limitam a queixar-se dos professores e a fazer exig\u00eancias \u00e0 escola.  A educa\u00e7\u00e3o moral e c\u00edvica \u00e9 tamb\u00e9m tarefa de todos os professores, independentemente da disciplina que leccionam. Para ser bom professor n\u00e3o basta dominar a sua \u00e1rea de conhecimento e ajudar os alunos a obter sucessos acad\u00e9micos. \u00c9 necess\u00e1rio investir no desenvolvimento pessoal e social dos jovens.  A inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho exige que os jovens saibam l\u00ednguas estrangeiras, dominem as novas tecnologias e revelem flexibilidade. Mas o principal objectivo da escola n\u00e3o \u00e9 desenvolver compet\u00eancias para o mercado de trabalho. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o da economia, mas ao servi\u00e7o da pessoa humana.  Precisamos de cidad\u00e3os humanamente bem formados, pessoas de car\u00e1cter. Grandes cabe\u00e7as, sem cora\u00e7\u00e3o, sem consci\u00eancia moral, podem tornar-se \u201cmonstros\u201d da humanidade. Quem fabrica e utiliza as armas de destrui\u00e7\u00e3o? Quem s\u00e3o os grandes respons\u00e1veis pela fome e pelas injusti\u00e7as no mundo? Certamente, grandes cabe\u00e7as!  <b>Contra o relativismo moral<\/b> Muitos professores defendem a necessidade da educa\u00e7\u00e3o moral dos jovens, mas abra\u00e7am o relativismo \u00e9tico, com a boa inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o imporem os seus valores e, sobretudo, com o receio de serem chamados fundamentalistas ou intolerantes.  Na perspectiva do relativismo \u00e9tico, o professor n\u00e3o deve propor os seus crit\u00e9rios nem assumir-se como modelo. O professor dever\u00e1 apenas fomentar o di\u00e1logo e permitir que cada aluno escolha os seus valores. Para os relativistas, todos os valores dependem da perspectiva individual. Cada um escolhe os seus pr\u00f3prios valores, de acordo com a sua consci\u00eancia, o que muitas vezes significa de acordo com a sua conveni\u00eancia.  O relativismo moral \u00e9 uma doutrina aparentemente \u201csimp\u00e1tica\u201d, mas perigosa, porque n\u00e3o d\u00e1 crit\u00e9rios seguros para distinguir o correcto do incorrecto. Os alunos t\u00eam de aprender a fundamentar os seus crit\u00e9rios de vida, a distinguir o bem do mal, a estabelecer uma hierarquia de valores, para n\u00e3o se deixarem manipular pelas modas ou pelas press\u00f5es dos grupos mais poderosos.  Compete ao professor oferecer princ\u00edpios, sem dogmatismo, com respeito pela liberdade do aluno, mas tamb\u00e9m sem receio de propor valores. N\u00e3o se pode educar como se tudo valesse o mesmo.  <b>O ambiente moral da escola<\/b> Em cada escola, o Projecto Educativo, o Regulamento Interno e os conte\u00fados program\u00e1ticos das v\u00e1rias disciplinas s\u00e3o meios expl\u00edcitos de transmiss\u00e3o de valores. H\u00e1 muitos outros valores que n\u00e3o s\u00e3o explicitados em nenhum documento, mas revelam-se no modo como as pessoas falam ou se comportam.  Os valores aprendem-se por cont\u00e1gio na escola e, mais concretamente, na sala de aula. Um clima de di\u00e1logo, coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade, transmite valores. Um mau ambiente, de falta de respeito pelas pessoas, pode asfixiar os valores, tal como um terreno pedregoso impede as sementes de germinarem. A escola deve valorizar as pessoas pelo que s\u00e3o e n\u00e3o pelo que fazem, de modo a que todas se sintam bem. Deve ser um espa\u00e7o acolhedor e de respeito m\u00fatuo, onde alunos, professores e outros profissionais gostem de viver juntos.  <b>Bons modelos<\/b> Na aprendizagem dos valores, \u00e9 indispens\u00e1vel a exist\u00eancia de bons modelos. De acordo com Albert Bandura, os alunos, sobretudo os mais novos, aprendem por observa\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o.  Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social oferecem aos jovens muitos modelos. O professor deve ajudar o aluno a reflectir criticamente sobre os valores que transmitem e valorizar o melhor desses modelos. Deve, al\u00e9m disso, proporcionar o contacto com outros modelos da Hist\u00f3ria ou da vida real, cujos gestos merecem ser imitados. O pr\u00f3prio professor \u00e9 um poderoso modelo para os alunos. N\u00e3o h\u00e1 forma de fugir a isso. O professor n\u00e3o ensina s\u00f3 o que quer, quando quer. Ele \u00e9 modelo para os alunos, mesmo que n\u00e3o queira assumir-se como tal ou afirme a sua neutralidade em rela\u00e7\u00e3o aos valores. Educa ou deseduca pelas palavras e, sobretudo, pelos actos. Enquanto ensina os conte\u00fados program\u00e1ticos, ensina valores. Ensina competi\u00e7\u00e3o ou coopera\u00e7\u00e3o, individualismo ou solidariedade, intoler\u00e2ncia ou di\u00e1logo. O modo como motiva, como avalia ou, simplesmente, o modo como se relaciona j\u00e1 influencia os alunos. Consciente da sua condi\u00e7\u00e3o de modelo, o professor deve explicitar os seus valores, sem querer imp\u00f4-los. Mas deve tamb\u00e9m viv\u00ea-los. Mostrar coer\u00eancia entre o que diz e o que faz. A pr\u00e1tica tem de estar de acordo com os princ\u00edpios defendidos.  Se o professor n\u00e3o \u00e9 capaz de reconhecer um erro e pedir desculpa, como quer que os alunos aprendam a ser humildes? Se n\u00e3o respeita os outros, como quer ensinar o respeito? Se \u00e9 pessimista, como pode transmitir a esperan\u00e7a e o gosto pela vida? Educamos mais pelo que somos do que pelo que sabemos. Educamos mais pelos actos do que pelas palavras. O bom exemplo \u00e9 a melhor li\u00e7\u00e3o!  <b>A pr\u00e1tica dos valores<\/b> Os alunos devem ter oportunidade de interiorizar e praticar valores, desde crian\u00e7as. Mas como promover a solidariedade, numa cultura de individualismo? Como estimular a coopera\u00e7\u00e3o numa cultura de competitividade? O desafio \u00e9 enorme. O professor pode come\u00e7ar por propor pequenos gestos de partilha na turma, como, por exemplo, emprestar apontamentos ou ajudar um colega com dificuldades. Alunos mais velhos podem ser motivados a participar em projectos de solidariedade que ultrapassem os muros da escola. Na fam\u00edlia e na escola, \u00e9 fundamental educar em valores, ajudando o jovem a abrir-se aos outros. O ego\u00edsmo \u00e9 a raiz de todos os males. O altru\u00edsmo d\u00e1 um sentido \u00e0 vida.   <i>Ant\u00f3nio Estanqueiro, Professor<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel da escola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,191,193,206,314],"class_list":["post-13977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}