{"id":13908,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-ajudou-a-preservar-miliarios-romanos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-ajudou-a-preservar-miliarios-romanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-ajudou-a-preservar-miliarios-romanos\/","title":{"rendered":"Igreja ajudou a preservar mili\u00e1rios romanos"},"content":{"rendered":"<p>O arque\u00f3logo Francisco Sande Lemos defende que, se muitos mili\u00e1rios chegaram at\u00e9 aos nossos dias, isso deve-se \u00e0 ac\u00e7\u00e3o da Igreja que, desde o s\u00e9culo XVI, se preocupou em mant\u00ea-los e em reerguer os que estavam tombados. Na sua opini\u00e3o, uma das explica\u00e7\u00f5es para esta preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 o facto destes marcos espalhados, n\u00e3o s\u00f3 em territ\u00f3rio portugu\u00eas, mas tamb\u00e9m na Galiza, fazerem refer\u00eancia a Bracara Augusta.  Assim, tendo em considera\u00e7\u00e3o que os Arcebispos de Braga sempre ostentaram t\u00edtulo de Primaz das Hespanhas, estes marcos eram entendidos pela Igreja como \u00abuma afirma\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da Arquidiocese de Braga\u00bb, havendo toda a necessidade de os preservar.  \u00abA Igreja tirava partido da presen\u00e7a dos mili\u00e1rios que referiam Braga em s\u00edtios que j\u00e1 pertenciam a outros bispados, como o de Tui e Ourense\u00bb, salienta. Segundo explica, h\u00e1 mesmo um \u201cfalso\u201d mili\u00e1rio constru\u00eddo no s\u00e9culo XVIII por D. Rodrigo Moura Telles, que est\u00e1 neste momento nas colec\u00e7\u00f5es do Museu D. Diogo de Sousa, onde o Arcebispo mandou gravar que tinha ordenado que se reerguessem uma s\u00e9rie de mili\u00e1rios que estavam tombados.  \u00abOutro aspecto muito interessante e muito \u00fatil nessa conserva\u00e7\u00e3o que foi feita pela Igreja e pelos sacerdotes foi a circunst\u00e2ncia de terem avivado as inscri\u00e7\u00f5es. Como sabiam latim e conheciam bem a hist\u00f3ria romana isso acabou por ser fundamental para a conserva\u00e7\u00e3o de muitas inscri\u00e7\u00f5es que, se n\u00e3o fossem eles, teriam desaparecido\u00bb, salienta o arque\u00f3logo da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho. Ainda segundo Sande Lemos, todos os mili\u00e1rios que se encontram no Museu D. Diogo de Sousa t\u00eam as suas inscri\u00e7\u00f5es avivadas e num latim correcto.  \u00abOs sacerdotes conheciam bem toda a hist\u00f3ria de Roma. Sabiam todos os pormenores, como os anos que cada imperador tinha governado. Por isso, n\u00f3s devemos tamb\u00e9m \u00e0 ac\u00e7\u00e3o da Igreja e aos Arcebispos a conserva\u00e7\u00e3o destes mili\u00e1rios\u00bb, disse.  O arque\u00f3logo salienta que o Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, possui uma boa colec\u00e7\u00e3o de mili\u00e1rios, composta por 36 pe\u00e7as, sendo caso \u00fanico no mundo, que representam v\u00e1rios imperadores, podendo- se praticamente contar a hist\u00f3ria do Imp\u00e9rio Romano atrav\u00e9s deles.   <b>Funcionalidade dos mili\u00e1rios<\/b> No que diz respeito \u00e0 funcionalidade destes mili\u00e1rios, Sande Lemos explica que eles serviam para marcar as dist\u00e2ncias, para que os utilizadores da Via Nova soubessem, a cada 1480 metros, em que ponto estavam no seu percurso entre Bracara Augusta e Asturica Augusta.  \u00abCada mili\u00e1rio era colocado numa milha\u00bb, afirma. O facto de haver mais do que um destes marcos numa determinada milha \u00e9 que continua por esclarecer e a admirar os investigadores. \u00abSe havia uma mudan\u00e7a de imperador e, sabendo- se que o mili\u00e1rio era tamb\u00e9m uma maneira de fazer propaganda do imperador vigente e dos seus t\u00edtulos, estes marcos nos outros pa\u00edses eram regravados. Por raz\u00f5es que se desconhecem, aqui na vez de regravar os mili\u00e1rios, faziam um novo e, por isso, existem em diversas milhas v\u00e1rios mili\u00e1rios com nomes de diversos imperadores\u00bb, afirma, acrescentando que at\u00e9 este momento ningu\u00e9m apresentou ainda uma hip\u00f3tese plaus\u00edvel para esta circunst\u00e2ncia.  A verdade \u00e9 que h\u00e1 imperadores que estiveram no poder dois ou tr\u00eas anos, j\u00e1 no per\u00edodo do Baixo Imp\u00e9rio, e que os \u00fanicos mili\u00e1rios no mundo com os seus nomes est\u00e3o na Jeira e \u00e9 isso que surpreende os especialistas.  Por outro lado, Sande Lemos real\u00e7a que estes marcos estavam inseridos no cursus publicus, que era uma estrutura de funcionamento aplicada \u00e0s vias oficiais do imp\u00e9rio. Para al\u00e9m dos mili\u00e1rios, este cursus publicus fixava a exist\u00eancia, de dez em dez milhas, de albergarias chamadas mansiones, e, num intervalo mais curto, de mutationes, que eram os locais onde, por exemplo, se guardava o alimento dos animais e o viajante at\u00e9 podia mudar de cavalo ou cuidar dele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O arque\u00f3logo Francisco Sande Lemos defende que, se muitos mili\u00e1rios chegaram at\u00e9 aos nossos dias, isso deve-se \u00e0 ac\u00e7\u00e3o da Igreja que, desde o s\u00e9culo XVI, se preocupou em mant\u00ea-los e em reerguer os que estavam tombados. 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